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Do “Governo Eletrônico” ao “Governo Digital” em tempos de crises: uma

No documento ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA (páginas 31-37)

revisão sistemática de literatura

Anderson Vieira Santos

UNIVASF

Bruno Cézar Silva

UNIVASF

Administração Pública: desafios e perspectivas da gestão pública pós pandemia

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Palavras-chave: Governo Digital, Reforma do Estado, Pandemia.

RESUMO

As reformas estatais, a busca por mais eficiência e eficácia na administração pública e as tentativas de equiparar o setor público e o setor privado levaram a ideia de governo eletrônico a ser substituída pelo modelo de “Governo Digital” por meio da Lei 14.129/2021.

Sendo assim, apresenta-se, por meio da revisão sistemática de literatura, os principais desafios e potencialidades da referida lei, apresentados por autores brasileiros dentro do recorte temporal de 1995 a 2021, na implementação desse modelo de gestão pública frente aos principais impactos sociais da pandemia da COVID-19, a qual ampliou desi-gualdades existentes e modificou a dinâmica da sociedade brasileira.

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INTRODUÇÃO

A expansão da pandemia de coronavírus (COVID-19) atingiu a economia global e os estados nacionais de uma forma impar e que poderá mudar a forma como vivemos, trabalhamos e nos relacionamos. Cada mudança na sociedade afeta como são geridas as organizações públicas, uma vez as que organizações devem se preparar para se adaptar às exigências de parte dos cidadãos, principalmente quando estes fazem um paralelo entre a administração pública/serviço público e os serviços ofertados pela iniciativa privada. Assim como impactos negativos, as crises podem abrir janelas de oportunidades para avançarmos em direção a um novo modelo de desenvolvimento capaz de promover maior bem-estar da população, principalmente a mais carente, e enfrentar a crise atual de forma direta e obje-tiva (CEPAL, 2020).

Decretada apenas como medida de governo e em meio a situação emergencial por conta da pandemia de Covid-19, a transformação dos serviços públicos em serviços ele-trônicos foi regulamentada pela a Lei federal nº 14.129/2021, que estabelece princípios, regras e instrumentos para o governo digital, defendida pelo seu potencial de potencializar a eficiência do serviço público brasileiro, o impacto no mundo dos fatos da medida vai além de apenas transformar serviços off-line em serviços on-line, mas também ofertar cidadania e direitos fundamentais diretamente por meio digital. O foco em “governo eletrônico”, efi-ciência e enxugamento do serviço público são trazidos por pesquisas e trabalhos no Brasil e na literatura internacional.

O presente trabalho realizou uma revisão da literatura sobre o Governo Eletrônico e Governo Digital e os principais desafios apresentados por autores nacionais na imple-mentação desse modelo de gestão pública frente aos principais impactos sociais da pan-demia da COVID-19, que ampliou desigualdades existentes e modificou a dinâmica da sociedade brasileira.

DESENVOLVIMENTO

Governo Eletrônico: breve contexto e evolução histórica

O desafio de redefinir a atuação do Estado e da Administração Pública Brasileira sem-pre esteve no centro do debate econômico, social e político nacional. Na década de 1990, o maior objetivo era conciliar uma reintegração competitiva do país na economia mundial marcada pela globalização e modernização dos serviços públicos na esfera internacional e atender a crescente demanda interna do cidadão por serviços mais ágeis e efetivos, o que

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pode ser definido como a busca de maior eficácia, eficiência e efetividade da Administração Pública por meio de práticas gerenciais (BRESSER-PEREIRA, 1995).

Em situações normais, a busca por novos sistemas de trabalho na administração pública é uma expectativa por atender aos anseios e necessidades do cidadão usuário, as reformas administrativas implementadas no Brasil desde os anos 90, buscavam da maior eficácia, eficiência e efetividade do setor público, num viés gerencialista da administração púbica, tentando atingir níveis de produtividade e agilidade aproximando setor público e iniciativa privada. (OLIVEIRA & PANTOJA, 2018).

Nesse contexto, podemos definir Governo Eletrônico como instrumento para melhorar os serviços públicos e o relacionamento com a sociedade, mediante a utilização das tec-nologias da informação e comunicação, não significa apenas colocar os serviços públicos para serem prestados de forma online, mas também e inclusive a mudança no conjunto de processos mediados pela TIC, para poder modificar as interações em grande escala entre os cidadãos e o governo (PALUDO, 2013).

A implementação de uma nova forma de prestação de serviços estatais por meio do paradigma do Governo digital, não é apenas uma reforma do aparelho administrativo, mas sim uma reforma estatal que terá que enfrentar um grande gargalo para sua plena execução, tais como o acesso a tecnologias por considerável parcela da população brasileira ainda é insuficiente, renovar a estrutura de tecnológica instalada nos órgãos públicos federais e fomentar uma cultura organizacional voltada para a inovação. Esses são pontos cruciais para serem tratados pelo estado brasileiro, tendo como pano de fundo, depois de contro-lada a pandemia, os impactos sociais de dois anos de crise de saúde, econômica e social (CRISTOVAM et al, 2020).

Metodologia

A questão norteadora que baseou a pesquisa e análise da revisão sistemática: Quais são os principais potenciais e desafios apontados pela literatura nacional recente sobre a Lei do Governo Digital no setor público brasileiro?

O objetivo principal deste trabalho foi analisar como está o estado do debate e os impactos da pandemia na gestão pública brasileira, do ponto de vista da literatura das pri-meiras experiências pilotos até o momento que da decretação e sanção da Lei federal nº 14.129/2021, que estabelece princípios, regras e instrumentos para o governo digital. Seu potencial transformador da realidade do serviço público brasileiro será colocado à frente dos impactos sociais de uma pandemia sem precedentes que afetou diretamente e de diferentes formas os atores sociais da sociedade brasileira.

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O presente artigo analisou por meio de revisão sistemática da literatura sobre as pro-posta de implementação das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC’s) e o Governo Eletrônico na gestão pública brasileira e os impactos sociais da pandemia como desafio para um governo digital, tendo como recorte temporal artigos e publicações nacionais dos anos de 1995 a 2021, visto que as primeiras experiências de governo eletrônico foram in-troduzidas na forma de política de Estado nos anos 90 e teve que ser ampliada para quase todos os órgãos públicos federais em 2020, por conta da pandemia da COVID-19. Os dados apresentados foram obtidos por meio de pesquisa documental no banco de dados abertos e oficiais de instituições públicas como Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e Escola Nacional de Administração Pública (ENAP).

A revisão sistemática de literatura pode ser definida como uma análise criteriosa da literatura sobre determinado tema e que deve levar em consideração alguns passos para possibilitar a sua execução de forma correta e metodologicamente replicável, quais sejam:

identificação do tema e seleção da questão de pesquisa; estabelecimento de critérios de inclusão e exclusão; identificação dos estudos pré-selecionados e selecionados; categori-zação dos estudos selecionados; análise e interpretação dos resultados; apresentação da revisão/ síntese do conhecimento (BOTELHO, CUNHA E MACEDO, 2011).

Resultados e Discussões

Segundo dados da Escola Nacional de Administração Pública (ENAP, 2020), no ano de 2020 a Pandemia de COVID-19 obrigou ao governo federal a colocar 63% dos seus servi-dores em regime de teletrabalho, são mais de 350 mil teletrabalhaservi-dores inseridos nas mais diversas funções e atividades do serviço público federal, gerando uma economia de cerca de 3 bilhões de reais aos cofres públicos. Este artigo analisa, por meio de revisão sistemática da literatura e pesquisa nos bancos de dados oficiais de instituições como Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e Escola Nacional de Administração Pública (ENAP), os impactos sociais iniciais da pandemia e a implementação das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC’s) nos serviços públicos.

Tendo como base análise sistemática dos artigos encontrados, podemos apresentar por meio da tabela 01 (abaixo) as principais potencialidades e desafios do governo digitais apontados pela literatura, tendo como recorte analítico os trabalhos que analisam somente a proposta da implementação do governo digital na administração pública e seus desafios.

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Tabela 1. Potenciais e Desafios do Governo Digital no Brasil.

Autor Título Ano Potencialidades Desafios Pode ser reproduzido por outros entes

federados

Simplificação dos serviços públicos Potencial de participação coletiva

Proteção de dados dos administrados Implementar uma cultura de debate sobre participação e abordagem

intersetorial

Aumentar a representatividade da sociedade civil junto ao Comitê de

Governança Digital Garantir o acesso do

cidadão/admi-nistrado a um aparelho e conexão que permita o uso funcional dos serviços públicos digitais, inclusive

aos que estejam sem condições financeiras para tal

Ferramenta estratégica para ampliar a eficiência dos serviços públicos

Transparência

Qualidade e efetividade na prestação dos serviços

Falta de acesso a tecnologias por considerável parcela da população

brasileira

Estrutura de TI disponível e capacita-ção de servidores Abertura dos gestores públicos e organizações para experimentar e

Conforme dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Continua (PNAD) do IBGE realizada em 2019, 82,6% dos lares brasileiros possuíam algum tipo de acesso a internet, principalmente via aparelho celular. Um número que pode ser considerado alto, porém os dados da mesma pesquisa apontam que a principal forma de utilização (95% dos usuários) era para troca de mensagens de voz e texto, sem o uso de qualquer ferramenta de e-mail. Mesmo assim, segundo os dados mais de 4 milhões de estudantes, da rede pública, não tinham acesso a internet. Fato que criou um gargalo para que milhões de estudantes pu-dessem ter acesso ao direito fundamental básico da educação durante os anos de 2020/2021.

Este é apenas um exemplo dos diversos problemas aos qual o Estado Brasileiro deverá enfrentar e assimilar para poder, em algum tempo, concretizar a ideia da reforma estatal, passando para um serviço público digital, cumprindo sua função social, tal como nos apon-ta OLIVEIRA, 2018:

A principal função do aparato administrativo estatal é a de receber os influxos e estímulos da sociedade, rapidamente decodificá-los e prontamente oferecer respostas aptas à satisfação das necessidades que se apresentam no cenário social (p.83).

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