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O Colégio Estadual do Espírito Santo é uma instituição centenária na educação capixaba, instituído em 1906 com o objetivo de impulsionar o ensino secundário no estado. Inicialmente chamado de Ginásio do Espírito Santo, funcionou de forma itinerante em diversos endereços até a transferência definitiva para a nova sede em 31 de outubro de 1957, momento em que passou a ter o nome atual.

Considerado um estabelecimento de ensino secundário de referência, comparado ao Colégio Pedro II do Rio de Janeiro, gozava de prestígio da sociedade capixaba, por ser responsável pela formação de cidadãos da elite, na primeira metade do século XX (BOREL, 2015). Atualmente, permanece avaliado como espaço de qualidade educacional pública. É a escola modelo pela Secretaria de Educação (SEDU) e recebe alunos de Vitória e de municípios vizinhos como Cariacica, Vila Velha, Viana e Serra.

O Colégio Estadual está localizado na cidade de Vitória, no bairro Forte São João, na Avenida Vitória, sem número. É importante destacar que a localização geográfica da escola facilita receber alunos de municípios vizinhos, devido a cidade ser circundada por municípios da região metropolitana. A maior parte dos estudantes é do próprio município de Vitória, mas existe um número representativo proveniente de Cariacica e Vila Velha, e em menor número de Viana e Serra. Essa observação é constatada com o Projeto Político Pedagógico (PPP) que ressalta:

O Colégio Estadual do Espírito Santo atende uma clientela bem diversificada sendo referência em qualidade de ensino na região metropolitana da Grande Vitória, sendo que muitos alunos aqui se matriculam pelo fato do colégio estar localizado numa região privilegiada do município de Vitória, com excelente infra-estrutura viária e por aproveitarem para trabalhar no centro da cidade proximidade. Atualmente, boa parcela dos alunos do Ensino Médio é oriunda de bairros vizinhos do município de Vitória e também de outros municípios que formam a região metropolitana da Grande Vitória (ESPÍRITO SANTO, 2009, p.10).

É importante observar que essa movimentação e busca por ensino em outros municípios pelos alunos é facilitada pelo direito conquistado ao cartão Estudante Gratuito19, que permite aos estudantes matriculados no ensino médio das escolas públicas estaduais e federais (e que residem a mais de um quilometro da escola) o transporte público gratuito no percurso residência/escola/residência. Assim sendo, o Colégio Estadual acolhe uma diversidade de estudantes de bairros e municípios diferentes e, como veremos, possibilita um número elevado de estudantes aprendizes, de variadas instituições e empresas, possibilitando um estudo de caso mais completo desses jovens que participam de vários programas de Aprendizagem Profissional.

Outro fator atrativo do Colégio Estadual é sua estrutura física, composta por 22 salas de aulas, 4 quadras de esportes, 1 piscina, 1 sala de música, 2 laboratórios de informática, 1 laboratório de Química, 1 sala do Grêmio estudantil, 1 sala para alunos portadores de necessidades especiais, 1 sala de vídeo, 1 biblioteca com dois pavimentos e um pátio com espaço considerável. O funcionamento do colégio no ano letivo de 2015 foi dividido em três turnos: matutino como 10 turmas de 1° ano, 6 turmas de 2°ano e 5 turmas de 3° ano; o vespertino com 11 turmas de 1° ano, 6 turmas de 2° ano e 3 turmas de 3° ano; e por fim o noturno com 2 turmas de 1° ano, 2 turmas de 2° ano e 2 turmas de 3° ano. Cada turma tem em média 35 alunos de modo que, no momento de pesquisa, o Colégio Estadual contava com 1645 alunos.

Na instituição é disponibilizado aos alunos o acesso a refeição gratuita. Porém, há a opção de alimentação na lanchonete particular que funciona no interior da escola. No caso dos alunos trabalhadores (aprendizes ou estagiários), observamos o hábito de almoçar na escola, em virtude da impossibilidade de irem para a casa na transição da escola para o trabalho. Alguns acondicionam suas marmitas na geladeira da escola, depois a aquecem num aparelho micro-ondas, adquirido pelos professores. No intervalo do turno matutino para o vespertino, é comum observar estudantes almoçando no pátio da escola, alguns chegando do local de trabalho e outros se preparando para ir para seus empregos, trocando o uniforme do trabalho pelo da escola e vice-versa.

19 Consulta ao site <http://www.gvbus.com.br/site/index.php?id=27> acesso em 17 de Novembro de

Um fator que chamou a atenção no ano letivo de 2015 foi a mobilização da comunidade escolar (pais, aluno, professores e funcionários) contrária à implantação no Colégio Estadual do programa denominado ―Escola Viva‖20. A maior parte das críticas ao projeto era exatamente de estudantes que trabalhavam, pois a escola funcionaria em turno único (matutino e vespertino), impedindo os alunos que trabalhavam de permanecer no Colégio Estadual. A situação era ainda mais grave devido ao não funcionamento do curso no turno noturno, obrigando os alunos a buscar vagas em outras escolas. Os estudantes e professores participaram de vários movimentos de rua, na Assembleia Legislativa e na SEDU, e o projeto ―Escola Viva‖ com sua primeira unidade foi implantado em Inhaguetá, bairro do município Vitória. Deste modo, os alunos trabalhadores conseguiram terminar o ano letivo no próprio Colégio Estadual e garantiram que a escola permanecesse atuando da mesma maneira, com os três turnos.

Em relação ao corpo docente, destaca-se que muitos possuem cursos de pós-graduação como especialização, mestrado e doutorado. Devido também a localização da escola, os professores demonstram preferência por lecionar no Colégio Estadual21, após aprovação em concurso público ou em forma de contrato temporário, a instituição é uma das primeiras opções de escolha dos docentes.