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O Termo de Fomento é para as parcerias destinadas à execução de projetos que venham das organizações da sociedade civil, com projetos desenvolvidos ou criados por essas organizações.
Já o Acordo de Cooperação regulamenta as parcerias sem transferências de recursos financeiros, para atividades de interesse público, entre as organizações da sociedade civil e a Administração Pública.
61 Bruna
“Meu filho, que horas são aí no teu celular?”
Marcus
“Oito horas”.
Bruna
“Mas meu amor, não vai dar tempo. A tua escola é um pouco longe e até você ir andando vai chegar atrasado”.
Marcus
“Não, mãe, vai dar tempo sim. Vou passar na casa do meu amigo, chamar ele e vamos juntos que nem todo dia”.
Bruna
“Não vai dar tempo”.
Marcus
“Vai dar tempo sim”.
Bruna
“Me pediu a benção, abençoei e ele foi. Chegando na casa do amigo dele, o amigo ainda estava dormindo. A tolerância da escola é até 8 e quinze. Até o amigo botar o uniforme e eles caminharem para escola, já tinha estourado o horário, já tinha dado 8 e quinze. O que fizeram? O amigo voltou pra tirar a roupa e saíram”.
Amigo
“Marcus, agora vou te levar pra você tirar a sua roupa. Você tá sozinho em casa?”
Marcus
“Pô, eu acho que eu tô. A minha mãe já deve ter saído pra trabalhar”.
Bruna
“Só que não, eu estava me arrumando. Nesse caminho que eles vieram fazendo...viram o blindado e meu filho, o meu filho, pediu pra voltar, não passar pelo blindado. Porque quando o blindado vai na nossa comunidade ele dá tiro na gente, sim. A gente é sobrevivente do Estado lá, sim. Meu filho morreu na rua que eu moro”.
Marcus
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“Mãe, o blindado me deu um tiro. Eles não viram que eu estava de uniforme de escola? ”
Hoje, 11 de julho, Bruna
“Não estou destilando raiva ou ódio da polícia. Polícia tem que ser levada à sério. Mas tem que trabalhar com sucesso, com êxito. Foram na imprensa falar que a operação na Maré foi um sucesso. Não foi um sucesso. Sucesso que derrama o sangue de um inocente? Com material de escola dentro da mochila? Apostila é um fuzil? Às vezes me sinto culpada porque cobrava estudo do meu filho”.
“Fizeram fake news, colagem com fotos, que meu filho era do tráfico. Não pari traficante. Sou um tipo de mãe que olha as redes sociais dos meus filhos. Criei meu filho na comunidade até os 14 anos sem tomar um tiro. O Estado entra e mata? Nesse dia 20, o Estado entrou já dando tiro. O nome da operação era Operação Vingança. Foram vingar a morte de um delgado lá de Acari. Eu não sou do Acari, sou do Complexo da Maré”.
“É muito triste chegar em casa e não ter mais alegria. Meu filho era o que brincava, fazia piada. Ele estava estudando...ele estava no lugar certo, na hora certa”.
“Nessa mesma operação já tinham matado 6 pessoas dentro de uma quitinete.
O Estado se vingou no sangue dos seis e na alma de um inocente com roupa de escola”.
“Quando tem operação na Maré, o primeiro tiro sempre vem da polícia, os traficantes revidam e a gente fica no meio. É uma chuva de bala. Fica todo mundo doido, e mãe correndo para pegar os filhos na escola”.
“Eu trabalhei no lixão do Caju pra reciclar lixo e levar dinheiro pra casa. Isso nunca me fez mal. Eu suei e o pai suou. A gente ralou mas deu jeito. Nunca pensei na vida que o Estado ia matar meu filho. Só na rua que meu filho foi assassinado tinha um rastro de 51 tiros. O blindado dando tiro na terra, o helicóptero dando tiro de cima. Ficaram 200 marcas de tiros no Complexo, só do blindado aéreo”.
“Os nossos mortos têm voz e nossas filhos têm mães. Calaram meu filho, mas não calaram a mãe dele”.
“Quem socorreu meu filho foi o amigo dele. A ambulância demorou pra chegar e levar para a UPA. Ele tomou quatro bolsas de sangue em menos de duas horas. Perdeu baço, um rim e parte do estômago. A bala destruiu meu filho por dentro”.
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“A pressão dele subia e descia. Eu falava no ouvido dele...reage...você não queria fazer reflexo no cabelo? Reage para fazer o reflexo. Meu filho está morto. A lógica da vida é os filhos enterrarem os pais e não o contrário”.
“Deus deve estar levando os bons pra junto dele. Os ruins estão ficando. E não foi só o Marcus. Teve a Maria Eduarda, com 4 tiros e o Geremias, também com tiro nas costas. Crianças mortas na comunidade em operações da polícia”.
“Marcus Vinicius hoje e sempre. Ele está com a Marielle. Ela toma conta dele lá em cima e eu toma conta da filha dela aqui”.
“Foi a intervenção militar que matou meu filho. E eu não vou parar. A operação policial não foi um sucesso, foi como o Rio de Janeiro, falida. Deram um tiro no próprio pé”.
“Não tive luto, eu fui pra luta. Meu kit de luta, é a mochila e a camiseta manchados de sangue. Se eu era o braço forte dele na criação, agora vou ser o braço forte em busca de justiça.
"Quero agilidade no processo. Aqui não é lugar de democracia? Então peço a ajuda de vocês. Meu filho já me levou pra São Paulo e hoje estou em Brasília”.
“Força eu tenho. Sou guerreira pra caramba. Sou ariana e meu nome é Bruna da Silva. Hoje, a irmã do Marcus olha para o céu e fala... olha a estrela Vini. O luto eu vivo em casa. Na rua eu vou à luta”.
Bruna da Silva deu esse depoimento em audiência pública realizada no dia 11/07, na Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados.