Em defesa do Estado Democrático de Direito.
Contra abusos do Poder Judiciário em vigência.
Pelo avanço das pautas dos Direitos Humanos.
Repudio aos atos terroristas contra as instituições.
Considerando o conteúdo da Declaração Universal dos Direitos Huma-nos de 1948, do qual o Brasil é signatário, a saber:
064
Artigo IX - Ninguém será arbitrariamente preso, detido ou exilado.
Artigo X - Toda pessoa tem direito, em plena igualdade, a uma audiência justa e pública por parte de um Tribunal independente e imparcial, para decidir de seus direitos e deveres ou do fundamento de qualquer acusação criminal contra ela.
Artigo XI –
1. Toda pessoa acusada de um ato delituoso tem o direito de ser presu-mida inocente, até que a sua culpabilidade tenha sido provada de acordo com a lei, em julgamento público no qual lhe tenham sido asseguradas todas as garantias necessárias à sua defesa.
2. Ninguém poderá ser culpado por qualquer ação ou omissão que, no momento, não constituam delito perante o direito nacional ou internacio-nal. Também não será imposta pena mais forte do que aquela que, no mo-mento da prática, era aplicável ao ato delituoso.
Artigo XII - Ninguém será sujeito a interferências na sua vida privada, na sua família, no seu lar ou na sua correspondência, nem a ataques à sua honra e reputação. Toda pessoa tem direito à proteção da lei contra tais in-terferências ou ataques.
Considerando o conteúdo do Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos de 1966 do qual o Brasil é signatário, a saber:
Artigo IX
-1. Toda pessoa tem direito à liberdade e à segurança pessoais. Ninguém poderá ser preso ou encarcerado arbitrariamente. Ninguém poderá ser pri-vado de sua liberdade, salvo pelos motivos previstos em lei e em conformi-dade com os procedimentos nela estabelecidos.
2. Qualquer pessoa, ao ser presa, deverá ser informada das razões da pri-são e notificada, sem demora, das acusações formuladas contra ela.
Considerando os últimos acontecimentos na recente história do Brasil nos posicionamos:
O MNDH através de sua direção que representa mais de 400 entidades e coletivos de defesa e promoção dos Direitos Humanos em todo território Nacional, compreende que desde a edição do PNDH III em 2010 pelo pre-sidente Lula, grupos liderados pelo poder econômico interno e estrangeiro, fundamentalistas e empresas de comunicação vêm golpeando os princípios e as conquistas dos direitos humanos, insuflando a população através de empresas midiáticas contra políticas garantistas e de políticas públicas
uni-versais para o bem-estar e acesso a igualdade social implantadas nos últimos 14 anos.
Há tempos o MNDH juntamente com outros Movimentos e entida-des vêm acusando em seus espaços e promovendo denúncias de episódios que ocorrem nos territórios com abuso de poder econômico que promovem interpretações no Poder Judiciário e do sistema de justiça contrários aos princípios da dignidade da pessoa humana garantidos na CF de 1988, nos tratados e convenção internacionais do qual o país é legalmente signatário.
As violações cotidianas aos direitos humanos agora batem com muita força na porta das instituições no qual membros do Poder Judiciário e do Ministério Público sem fundamento jurídico consistente e sob a escusa da transparência promovem abusos com apoio das empresas midiáticas, clara-mente promovendo um golpe na opinião pública para que haja esgarçamen-to da democracia constituída e vigente.
Membros do Poder Judiciário em epigrafe não demonstram a imparcia-lidade esperada, e ao contrário desfilam com membros da oposição e donos das TV’s construindo um poder paralelo inaceitável no Estado Democrático de Direito.
Também inaceitável que a Polícia Federal participe de programas te-levisivos sensacionalistas com abertura de informações de investigação ar-ticulada com o cronograma do movimento pró impeachment derrotado nas últimas eleições, segregando informações e selecionando divulgação para desfavorecer pessoas de ideologia contrária aos seus interesses.
A Polícia Federal, o Ministério Público e o Poder Judiciário não podem ter partidos nem opiniões políticas quando da ação em nome do Estado, mas devem escolher o lado da aplicação legal dos direitos humanos e da promo-ção da democracia como consta da Lei Maior, e é isto que deles se espera para que haja Justiça neste país ainda com tanta desigualdade social.
O MNDH reafirma sua luta contra a corrupção, assim como pela im-plantação do PNDH III, imim-plantação do SinaSe, implantação do SUaS, erra-dicação da tortura, erraerra-dicação do trabalho escravo, erraerra-dicação do trabalho infantil, erradicação da homofobia, erradicação da criminalização dos mo-vimentos sociais, erradicação do racismo, erradicação da violência contra a mulher, erradicação do extermínio da juventude negra, demarcação e reco-nhecimento das terras indígenas e quilombolas, fim do auto de resistência e resistência seguida de morte, nacionalização do pré-sal, ampliação da
par-ticipação política, mais educação em direitos humanos, desinstitucionaliza-ção das pessoas em hospitais psiquiátricos, construdesinstitucionaliza-ção de políticas de dro-gas via SUS, fortalecimento do SUS, desmilitarização das polícias estaduais, fortalecimento dos defensores(as) de direitos humanos, ampliação das cotas raciais e deficientes, fortalecimento dos conselhos de direitos, reforma agrá-ria, reforma urbana entre tantas outra bandeiras da base dos movimentos sociais, mas sobretudo pela imediata REFORMA POLÍTICA com fim do financiamento privado nas campanhas dos partidos políticos.
Convidamos a todos e a todas, inclusive os membros do Poder Ju-diciário Federal, a cumprir as metas acima dentro da legalidade para promoção da Justiça Constitucional, alargando a inclusão social e erra-dicando as desigualdades sociais como enunciam os artigos e o preâm-bulo da Constituição de 1988.
Posicionamos-nos contra os abusos da autoridade do juiz Sérgio Moro, que deve ser imediatamente afastado de suas funções por ser contumaz vio-lador dos direitos humanos, e que age parcialmente em consonância de mo-vimentos da elite que pretendem a derrubada de governo eleito democrati-camente, e desta forma não age com a imparcialidade que de um magistrado se espera, violando os direitos humanos de toda coletividade brasileira.
Posicionamos-nos para que o STF afaste ministros que tenham pro-fundo envolvimento e articulação com setores políticos que afrontam a democracia formal vigente, vide o já conhecido desserviços prestados pelo dr. Gilmar Mendes.
Repudiamos os atos terroristas cometido contra a sede de partidos po-líticos em São Paulo e Goiás e ainda da maior entidade de representação dos estudantes, a UNE, e exigimos imediata atuação da Polícia Federal na investigação e responsabilização dos culpados.
Por fim o MNDH compreende a necessidade de que sejam imediata-mente convocados os comissários da ONU e delegados da OEA como obser-vadores para os acontecimentos presentes e futuros, como representantes da comunidade internacional, e apurem a incidência de forças econômicas estrangeiras que atuam na fragilização da democracia brasileira e da Améri-ca Latina para ulterior responsabilização pertinente.
Exigimos de todos e todas o respeito a Constituição Federal vigente, aos tratados internacionais e aos direitos humanos, para vigência plena da democracia, e repudiamos qualquer golpe institucional.