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Capítulo 2 – Desconstruindo o conceito de Pobreza

2.3 Do nacional para o local: o caso de Matosinhos

Para tentar compreender o efeito das redes sociais na situação de pobreza dos indivíduos foi realizado um inquérito às famílias carenciadas e aos indivíduos sem-abrigo. Depois de questionadas várias entidades/organizações da Área Metropolitana do Porto foi do concelho de Matosinhos que se obtiveram respostas em número com alguma significância.

10 Trata-se do acordo de parceria adotado entre Portugal e a Comissão Europeia, que reúne a

atuação dos 5 Fundos Europeus Estruturais e de Investimento - FEDER, Fundo de Coesão, FSE, FEADER e FEAM no qual se definem os princípios de programação que consagram a política de desenvolvimento económico, social e territorial para promover, em Portugal, entre 2014 e 2020.

Este concelho, que integra a Área Metropolitana do Porto, subdividia-se em dez freguesias (Custóias; Leça do Balio; Guifões; Matosinhos; Leça da Palmeira; Perafita; Lavra; Santa Cruz do Bispo; São Mamede de Infesta e Senhora da Hora), depois de 2013 com a União de freguesias instituídas passaram a existir apenas quatro freguesias. Por uma questão de facilidade na análise dos dados estatísticos do INE consideraram-se as fronteiras existentes na área antes da União de freguesias em 2013. Como seria de esperar, a sede de concelho apresenta a densidade populacional mais elevada, com 7000 habitantes por km2 e Lavra com a menor densidade populacional registando um valor de 970 habitante, por km2 (Figura 10).

Figura 10– Densidade Populacional no concelho de Matosinhos (2011).

Uma vez que se irá proceder à análise das Redes Sociais dos indivíduos em situação de pobreza no concelho de Matosinhos é imperativo que seja realizado um enquadramento da área em questão. Um estudo geral das características da sua população facilitará a seleção das áreas que necessitam uma maior intervenção e permite compreender em que redes de apoio se devem apostar, tendo em conta as necessidades expressas pelos dados estatísticos, de cada freguesia.

passando a população residente 11 de 151682 em 1991 para 175478, ou seja, um crescimento de 24 %.

Pela análise da figura 11 a sede de concelho, Matosinhos sobressai em, em termos numéricos, com um crescimento de 1186 residentes ao longo das três décadas representadas.

Figura 11- População residente no concelho de Matosinhos, por freguesia em 1991, 2001 e 2011

Guifões apresenta-se como a freguesia onde se regista uma evolução negativa desde 1991 até 2011 (-1430 residentes). Esta evolução poderá ser explicada pelo carácter mais rural da mesma, apesar de na década de 80, ter-se registado um crescimento que se confirma na década de 90, devido ao boom de construções clandestinas12

A figura 12 expressa cartograficamente a distribuição da população residente no concelho de Matosinhos em 2011. As freguesias de Senhora da Hora e de Matosinhos destacam- se como as mais habitadas.

11 Pessoas que, independente de estarem ausentes ou presentes no momento de observação,

habitam na maior parte do ano com a família na unidade de alojamento. Isto não é necessário dizer

12 Ver Matos, F.L. (1990), A construção clandestina em Vila Nova de Gaia - O caso dos bairros do

Picão e da Madalena Nascente, Revista da FLUP- Geografia, 1ª série, VI: 149-280, onde a autora desenvolve uma análise deste assunto para os concelhos do Grande Porto.

0 50000 100000 150000 200000 P o p u laçã o r esid en te (em m il) Fonte:INE, Censos

População residente no concelho de Matosinhos, por

freguesia em 1991, 2001 e 2011

1991 2001 2011

Figura 12– População residente no concelho de Matosinhos, por freguesias em 2011.

Analisando a população residente por faixa etária, figura 13 verifica-se que a maior percentagem de população dos grupos etários 0-14 se encontra na sede de concelho Matosinhos e na freguesia da Senhora da Hora. Já as freguesias que concentram maior número de população idosa são S. Mamede de Infesta e Matosinhos.

0 20000 40000 60000 80000 100000 120000 140000 160000 180000 200000 em m il

Fonte: INE, Recenseamento da População e Habitação de 2011

População Residente no Concelho de Matosinhos,

por Grupos Etários e por Freguesia, 2011

> 65 anos 25 - 64 anos 15 - 24 anos 0 - 14 anos

Relativamente à população desempregada, figura 14, esta encontra maior expressão na sede de concelho, como seria de esperar tendo em conta que detém o maior número de população residente, aqui a diferença entre homens e mulheres é reduzida, sendo o desemprego masculino superior em 4% ao feminino. Santa Cruz do Bispo regista os menores valores. A nível concelhio, o desemprego é ligeiramente mais significativo no sexo feminino. Relativamente a valores percentuais, figura 15, confirma as conclusões da figura anterior. Matosinhos é a freguesia com a maior taxa de desemprego (17%) e Santa Cruz do Bispo regista a menor percentagem de desemprego com 3%.

Figura 14- População desempregada por Sexo, no concelho de Matosinhos, por freguesia 2011. 0 2000 4000 6000 8000 10000 12000 14000 (em m il)

Fonte: INE, Recenseamento da População e Habitação, 2011

População desempregada por Sexo, no concelho de

Matosinhos, por freguesia, 2011

HM H M

Figura 15- Representação cartográfica da população desempregada, no concelho de Matosinhos, segundo dados dos Censos 2011, INE.

2.4 - Tipologia Indicadores de exclusão/inclusão social

Para o estudo das redes sociais, concretamente dos indivíduos em situação de pobreza, é necessário analisar as condicionantes para o comportamento das redes e sociabilidade dos indivíduos. Assim, e recorrendo à Tipologia de Indicadores de Exclusão e Inclusão da Rede Social, têm-se três domínios que podem, graças aos dados estatísticos disponíveis, esclarecer o comportamento das redes sociais dos indivíduos que residem no concelho de Matosinhos. Assim a primeira dimensão a ser analisada será a Desfiliação, onde se tenta compreender o enfraquecimento dos laços sociais, através de quatro subdimensões: i) Institucionalização; ii) estruturas familiares; iii) criminalidade; iv) Imigração (Quadro 5)

Quadro 5 - Dimensões relacionadas com o processo de Desfiliação, e respetivos indicadores, segundo o relatório do Instituto da Segurança Social ( 2005).

A ruptura ou enfraquecimento dos laços sociais pode também, segundo a Rede Social (2005), ser preconizada pela Desqualificação social objectiva, que engloba todos os domínios que de alguma maneira levam o indivíduo a sentir-se desqualificado e /ou desvalorizado (Quadro 6)

Quadro 6- Dimensões relacionadas com o processo de Desqualificação social objetiva, segundo o relatório da Rede Social (2005).

Desqualificação social e objetiva Indicadores

Escolarização População com escolaridade menor

ou igual à obrigatória Taxa de analfabetismo Taxa abandono escolar

Emprego e Desemprego Taxa de desemprego

População com profissões desqualificantes Condições de habitação Pessoas residentes em alojamentos não clássicos Alojamentos sobrelotados

Handicaps pessoais População com deficiência

Desfiliação Indicadores

Institucionalização Taxa de pessoas institucionalizadas

Estruturas familiares Idosos em famílias de 1 pessoa Famílias monoparentais Famílias de avós com netos

Criminalidade Taxa de criminalidade

Por fim, mas não menos importante, considere-se a dimensão de Privação económica. A falta de poder económica gera, em muitas situações quebras nos relacionamentos sociais, quer sejam com a família, os amigos e/ou com a sociedade (Quadro 7).

Quadro 7 - Dimensões relacionadas com o processo de Privação económica, segundo o relatório da Rede Social (2005)

Privação económica Indicadores

Rendimentos Percentagem poder de compra

Famílias com 5 ou mais pessoas

Protecção Social Beneficiários RSI

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