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Capitulo I: Contextualização: a história geográfica, situação política e social e a

3. A história política e a evolução do sistema de ensino em Timor-Leste

3.3. Do período da administração transitória UNTAET (1999-200

A primeira missão da ONU no território de Timor-Leste, intitulada UNAMET, foi chefiada por Ian Martin, e teve o seu início a 11 de Junho de 1999 e terminou a 25 de Outubro do mesmo ano. O objetivo foi organizar e conduzir uma consulta popular aos timorenses sobre a integração de Timor na Indonésia. (Magalhães, 1999). Esta missão, sob a égide da ONU, aconteceu a 30 de Agosto de 1999, tendo sido realizada a consulta popular para decidir o destino de Timor-Leste. Os timorenses foram às urnas e mais de 78, 5% votaram a favor da independência, rejeitando a integração. (Centeno apud Novais, 2006). Após a divulgação dos resultados em Setembro de 1999, o território entra numa onda de violência e quase 90% das infra-estruturas foram brutalmente destruídas pelas milícias pró-integração Indonésia. (CAVR, 2005).

Perante esta situação, o conselho da segurança da ONU enviou as forças capacetes azuis, denominadas por INTERFET, para manter a paz e estabilidade no território. Esta ação foi comandada pela Austrália e pelo Major General Peter Cosgrove. (Magalhães,1999). Já em Outubro desse mesmo ano a ONU instalou-se no território com uma Administração Transitória, através da resolução n.º 1272/1999, denominada UNTAET. Esta missão foi chefiada pelo brasileiro Sérgio Vieira de Mello (Centeno apud Novais, 2006; Magalhães, 1999).

A UNTAET governou Timor-Leste durante quase três anos, tendo terminado o mandato em Maio de 2002. Segundo Centeno apud Novais (2006), o início do mandato da UNTAET, consistiu nas seguintes vertentes:

segurança e manutenção da ordem; administração efectiva; assistência no desenvolvimento civil e de serviços sociais; coordenação de entrega de assistência humanitária; reabilitação e desenvolvimento; apoio à formação de governo próprio e assistência à criação de condições para um desenvolvimento sustentado. (cit. por idem, p. 74).

Durante a administração transitória, praticamente todas as escolas foram paralisadas devido à danificação das infra-estruturas, os professores oriundos da Indonésia partiram para o seu país de origem, bem como alguns professores timorenses pró-integracionistas. O sistema de ensino ficou abandonado. Devido a esta situação, a UNTAET fez parceria com a CNRT e a igreja católica para tentarem rapidamente reorganizar o sistema educativo. Segundo Pacheco (2009, p. 8), os esforços de reconstrução e reforma do setor da educação focaram-se em três objetivos importantes: “reabilitar e reabrir as escolas; recrutar novos professores; e, substituir o currículo indonésio por um currículo mais significativo e mais consonante com os propósitos da nova Nação”. (cit. por Jerónimo, 2011, p. 44). Ainda assim, verificou-se que a UNTAET foi incapaz de concretizar complemente estas metas.

O reposicionamento do sistema educativo era o grande fito dos outorgadores internacionais, que tentaram conjugar as contribuições feitas pela administração transitória, CNRT e outros organismos nacionais e internacionais. Para responder às necessidades do setor da educação, a UNTAE juntou alguns líderes timorenses na governação. Assim, em 2000 foi eleito o Padre Filomeno Jacob, SJ, para o cargo de Ministro da Educação (2003, cit. por Gusmão, 2010). Os processos de ensino e aprendizagem começaram então a ganhar dinamismo, embora com muitos desafios.

Segundo Jerónimo (2011) e Carmo Belo (2010), no período da administração transitória, vários organismos nacionais e internacionais no território procederam ao restabelecimento do sistema de ensino. Nomeadamente o CNRT, o Banco Mundial (BM), a UNESCO, a Unicef, e a igreja católica apoiaram significativamente o desenvolvimento do país. Sobretudo em 2000, foram recrutados pela administração das Nações Unidas (UN), CNRT/ETTA, funcionários timorenses que já estavam inseridos no sistema educacional desde a ocupação indonésia, alguns professores voluntários que começaram em funções após o referendo em Agosto de 1999, e selecionaram 5000 pessoas para ministrarem aulas. A maior parte dos concorrentes admitidos eram estudantes Universitários, de diferentes áreas de formação. Para a melhoria do sistema de ensino os professores selecionados ofereciam cursos intensivos para promover o desenvolvimento de conhecimentos e competências para se poder desempenhar as devidas funções com qualidade e profissionalismo. Os cursos intensivos assentavam numa formação geral, que contemplava o Português, uma vez que seria a língua oficial de instrução. Historicamente, a língua portuguesa foi utilizada nos meios de

comunicação da resistência armada contra o invasor e com o mundo exterior, especificamente os países da CPLP.

Segundo Meneses (2008), para promover a língua de Camões “Portugal estabeleceu uma cooperação bilateral que concedia primazia à educação e à divulgação da língua portuguesa. Esta cooperação ganhou forma através da elaboração de um Programa Indicativo de Cooperação Portuguesa para Apoio à Transição, a ser posto em prática por um Gabinete do Comissário para o Apoio à Transição de Timor-Leste (CATTL), sob a jurisdição do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal”. (ibidem, p. 74). Designadamente, através do Instituto Camões, o Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento (IPAD), foi possível fortalecer o quadro de ensino e de formação.

Aguilar (2009) realça que no período da administração transitória um dos desafios enfrentados pelo sistema educativo foi a expansão da língua portuguesa no território. Para melhorar a capacidade institucional, instruiu-se os professores e administradores a elaborarem textos em duas línguas, o português e o tétum (Timor- Leste, 2002), tendo-se em consideração que a maioria dos jovens não falava o português.

Inclusivamente, durante a administração transitória, não existiam quaisquer diretrizes educativas ou políticas educacionais, utilizando-se apenas os currículos herdados da Indonésia. Com todas as dificuldades enfrentadas pela administração transitória, conseguiram-se reabilitar 700 escolas do ensino primário, 100 escolas do ensino secundário, 40 escolas do ensino pré-secundário e 10 escolas técnicas profissionais. Foram registados 240.000 estudantes. (PNUD, 2002, p.36). Estes foram financiados por doadores internacionais: UNTAET, UNESCO, Unicef, Banco Mundial (BM):e Portugal também contribuiu com 15 milhões de dólares para os diversos fundos das Nações Unidas (UN) para o apoio ao sistema educativo (Meneses, 2008).

Na administração transitória o sistema educativo dividia-se basicamente em três níveis de ensino: seis anos de ensino primário, três anos de ensino pré-secundário e ensino secundário geral, incluindo o ensino técnicos profissional. Relativamente às Universidades e Instituto Politécnicos, incluindo os bacharéis: quatro anos de licenciatura, e dois a três anos no caso dos Institutos Politécnicos e bacharéis. Neste período não havia cursos de mestrados e doutoramentos.

Na avaliação final dos níveis de ensino eram realizados exames nacionais. No final de cada nível de ensino eram atribuídos certificados e diplomas aos estudantes.

Cada certificado ou diploma continha as classificações do estudante e era assinado pelo diretor da respetiva escola e pelo diretor regional ou distrital.