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CAPÍTULO 2 O CONTEXTO COLONIAL BRASILEIRO

2.5 Do poder eclesiástico

Outro órgão de grande poder na colônia é o religioso. A Igreja exercia uma forte influência na vida do cidadão, poder simétrico ao dos outros órgãos administrativos. Ela se imiscui de assuntos específicos e particulares da vida doméstica dos casais, zelando pela boa conduta, pela vivência em comum e educação dos filhos. Tendo a Igreja direito de intervir e fiscalizar a ação dos pais. Pode chamar os fiéis à repreensão e reprovação pública e expulsão. Conforme Prado Júnior.

A Igreja forma assim uma esfera de grande importância da administração pública. Emparelha-se à administração cível. E é mesmo muito difícil, se não impossível distinguir na prática uma da outra em muitos correntes casos (...) Mais que simples relações o que havia era uma verdadeira comunhão, uma identidade de propósitos animados pelo mesmo espírito. (PRADO JR, 1999, p. 331).

Pela aproximação com o Estado e pelas atribuições exercidas, a Igreja tornou-se um departamento da administração portuguesa e o clero seu funcionalismo. Estes eram as pessoas mais preparadas intelectualmente na Colônia, até porque era a Igreja que oferecia maiores oportunidades para os estudos. “É a única que abre as portas sem distinção de categoria”. Suas portas estavam abertas àqueles interessados na vida eclesiástica. As poucas escolas existentes eram de sua manutenção e responsabilidade.

A instrução pública estava reduzida a umas poucas aulas de primeiras letras, latim e grego, esparsas pelos principais centros, e no parco ensino ministrado nas maiores cidades pelas ordens religiosas. (PRADO JR, 1999, p. 334)

Em modo geral o poder do clero é simétrico ao da organização da máquina estatal, assim também como o comportamento moral dos padres. Se a corrupção, o poder de barganha e o autoritarismo permeiam os líderes da administração política, econômica e militar da colônia, o clero não se exime da corrupção e do abuso de autoridade.

A administração é excludente, concentrada nas capitais ou sedes das vilas, deixando o interior à mercê da ignorância e da vontade da escassa população, o mesmo acontece com a religião concentrada nas áreas de maior povoamento e mais possibilidades econômicas aumentando assim a aquisição de bens para o clero.

Em todos os aspectos, no período colonial, a administração é complexa, burocrática e desigual. Não há limites determinados de ação de cada órgão, há ausência de métodos e clareza na elaboração das leis, a regulamentação destas é contraditória, enfim, há uma verdadeira arbitrariedade e desrespeito ao cidadão comum e ausência de cumprimento das responsabilidades do estado para com a população, gerando um imenso fosso entre as classes sociais, entre as zonas urbanas e rurais, entre a autoridade e o cidadão comum.

Até certo ponto, a sociedade brasileira atual apresenta resquícios deste período. Apesar de hoje o poder ser bem distribuído e definidas as atribuições de cada órgão, a lei é mais clara e, às vezes, aplicada. O cidadão tem mais amparo, tem puder de participar das decisões e escolhas através do voto, sabe e pode exigir da autoridade, enfim, há uma grande evolução em muitos aspectos da vida. Porém, a desigualdade social, a distribuição da renda, as diferenças regionais e entre zona urbana e rural não estão muito distantes daquela realidade colonial.

A Igreja está mais próxima do povo, fala para o povo e dialogo com a autoridade, principalmente, a partir dos anos 60 com os documentos eclesiásticos como O Concílio Vaticano II (1962), Medelim (1968), e Puebla (1978) entre outros, e com a

ascensão da conhecida Teologia da Libertação. Muitos padres, bispos, cardeais se envolveram, alguns até foram assassinados pelas reivindicações populares. A Igreja abriu as portas para os destituídos de ministérios, como os leigos que podem agora exercer algumas atividades e participar da cúpula eclesiástica.

O poder eclesiástico adquiriu independência do poder político, em que a Igreja passou a ser crítica deste, e até certo ponto, ter uma atitude de oposição, como é o caso da fundação da CNBB, órgão da Igreja Católica do Brasil que muitas vezes se rebelou contra a autoridade governamental, assumindo uma atitude profética em defesa dos direitos humanos, principalmente dos mais pobres. Mesmo com esta abertura e aproximação popular, ainda há alguma arrogância, se assim podemos dizer, dentro da própria instituição em proibir algumas ações, por exemplo, o casamento dos padres. Ou externa, no seio da sociedade civil, em condenar algumas atitudes, como o uso de preservativos e métodos anticoncepcionais entre os casais, que a nosso ver não faz sentido algum.

Percebemos, portanto, que apesar dos grandes avanços das populações menos privilegiadas, que conseguiram alcançar maior visibilidade dentro do contexto social, político, administrativo e eclesiástico brasileiro, passando a desfrutar, atualmente, de mais direitos, ainda resistem alguns resquícios dessa sociedade arcaica, injusta e prepotente que predominou por muitos anos.

2.6 Do sistema educacional na colônia

A organização administrativa da colônia, como vimos, era profundamente desigual em todos os setores. Em se tratando do sistema educacional e do acesso às instituições de conhecimentos, estas eram privilégio de poucos.

Fonseca (2003) ressalta que a organização escolar na colônia era direcionada a conversão dos índios à fé católica através das aulas de catequese e da instrução administrada pelos jesuítas, mas esta política não atendia a todos como se pretendia.

Os jesuítas dominavam a instrução dos filhos dos colonizadores com uma formação rígida na maneira de pensar e nos conhecimentos da literatura clássica e da

língua latina. Esta formação era de interesse da metrópole para que os filhos da nobreza tivessem uma boa formação intelectual para sustentar a classe dos privilegiados. Porém esta educação essencialmente direcionada pela religião cede lugar aos interesses comerciais implantados pelo Primeiro Ministro Marquês de Pombal.

Segundo Carvalho (1968) “à identidade, que durou dois séculos, entre a

obra missionária da Companhia de Jesus e a política colonizadora da Coroa se desfez com o advento de D. José I e de seu voluntarioso ministro Sebastião de Carvalho e Melo”.

Em 1758 com o Diretório dos Índios, Marquês de Pombal expulsa os jesuítas do Brasil sob várias e sérias acusações, dentre elas a de instigação de atentado contra D. José. No princípio de 1759 ordena a prisão dos jesuítas e o seqüestro de seus bens. No dia 3 de setembro, exatamente um ano após o atentado, expede-se a lei que extingue a Sociedade Religiosa dos reinos de Portugal.

Outras Ordens religiosas mantiveram escolas aqui, como os franciscanos, ministrando o ensino elementar e de gramática nos conventos que havia em algumas regiões da colônia. Os beneditinos e carmelitas mantiveram casas de ensino onde o estudo das letras divinas e humanas se sustentou com penas e fadigas.

Os estudos eclesiásticos sobre filosofia e teologia dos monges beneditinos eram feitos nos mosteiros da Bahia, Rio de Janeiro e Olinda. Sobre os estudos menores pouco se sabe, porém sem o curso de gramática e humanidades os pretendentes não podiam ingressar nos cursos superiores.

Os carmelitas tinham colégios em Olinda e no Maranhão, crescendo o número de professores, abriu-se o curso de teologia, precedido de humanidades, cultivando-se a língua indígena para melhor habilitação dos estudantes.

Com a expulsão dos jesuítas em 1759, a instrução pública tanto da metrópole quanto da colônia foi atingida, porque os colégios mantidos pela companhia de Jesus desapareceram. Foi necessário repensar novas estratégias e novas pedagogias. Surge a figura de Luis Antonio Verney. É de base no Iluminismo italiano a proposta de Verney,

essencialmente progressista, reformista, nacionalista e humanista. O Verdadeiro Método de Estudar é o de iluminar a nossa Nação em tudo o que pudesse. Verney era formado em Teologia e Artes pela Universidade Jesuítica de Évora, viajou pela Itália, onde ampliou seus conhecimentos divulgando-os em sua obra.

Verney criticou a gramática dos padres jesuítas e todos os processos antiquados de ensino e compêndios didáticos existentes em Portugal. Numa linguagem fluente e familiar, sua obra propunha métodos mais eficazes para acabar o atraso cultural e científico de Portugal em relação às outras nações desenvolvidas da Europa. Seu método consistia no princípio da observação e da experimentação, a secularização moral, a atualização do ensino de medicina, partindo do conhecimento direto de anatomia do corpo humano, e em relação ao ensino da língua vernácula, este deve ser prioritário em relação ao latim.

A proposta pensada por Verney e, depois, por Antonio Nunes Ribeiro Sanches influenciou as renovações implantadas pelo ministro de D. José I (1750- 1777), Marquês de Pombal. Tais reformas tiveram seus méritos ressaltados pelos historiadores como um dos maiores feitos de sua administração. Como resultados da reforma pombalina, Pinto (1988) destaca de forma sintética.

Os estudos científicos passaram a dispor de laboratórios especializados, observatórios, hospitais e instituições auxiliares – hortos museus – responsáveis pela mudança de perspectiva de um ensino tipicamente mnemônico para outro que se fundamentava nas práticas experimentais. Tudo em consonância com o espírito do século: desprezar as especulações absurdas por um saber de cunho racionalista. (PINTO, 1988, p. 12-13).

A proposta reformista de Pombal teve sérias conseqüências lingüísticas para a colônia, pois o objetivo do Ministro com a implantação da língua portuguesa em vez da latina, extingue no Brasil, a língua dos índios preservada pelos jesuítas. O ensino obrigatório do português anula as outras variedades lingüísticas brasileiras e o português torna-se língua oficial. Mariani (2000, p. 111) ressalta bem isto ao dizer que “a diretriz de Pombal é normatizadora e unificadora. Tem como objetivo inibir usos lingüísticos que não sejam portugueses”.

A eficácia do ministro Marquês de Pombal se fez sentir em todos os setores da vida dos reinos portugueses. Como bem acentua Flexor (2001, p. 97) que “este procurou

desenvolver um programa de reorganização econômica, social, administrativa, judicial e, sobretudo, política de Portugal e suas conquistas”.

Esta autora apresenta em seu artigo um longo comentário sobre a política pombalina destacando as instruções enviadas para a capitania de Pernambuco relacionadas ao ensino da língua portuguesa. Transcrevemos de seu trabalho algumas passagens que julgamos importantes referentes às determinações sobre a língua portuguesa, no item 7 das instruções de 1759.

(...) Serâ hum dos pricipaes cuidados dos Directores estabelecer nas suas Respectivas Vilas ou Lugares uso da Lingoa portugueza, não consentindo de modo algum, que os meninos, e meninas, que pertencerem (...) as Escollas, e todos aquelles Indios, que forem capazes de instrucção nesta materia, uzem da lingoa propria das Suas Naçoens, ou da chamada geral; mas unicamente da portugueza na forma que S. Magestade tem recomendado em Repetidas Ordens, que até agora se não observarão com total Ruyna espiritual e temporal do Estado. (FLEXOR, 2001, p. 101-102).

A identidade lingüística brasileira foi bastante atingida com a ação do Diretório de Pombal, apesar da resistência das raízes lingüísticas em se manter. A implantação obrigatória da língua da metrópole quase dizimou os hábitos lingüísticos das camadas frágeis da população, intervindo em nossa identidade e em nossa brasilidade.

O Diretório intervém, deste modo, no processo e construção da identidade lingüística brasileira, já que visa impedir a brasilidade de enunciar-se de dentro da formação discursiva que lhe é própria. Esse Diretório vigorou durante aproximadamente 40 anos, sendo abolido apenas em 12 de maio de 1798. De qualquer forma, as raízes desse português-brasileiro continuaram resistindo e produzindo efeitos no dizível possível, embora a língua geral e as demais línguas indígenas tivessem sofrido um processo sistemático de eliminação ao longo dos séculos seguintes. (MARIANI, 2001, p. 111).

Carvalho (1968) apresentam alguns pontos importantes do novo método e a proibição das práticas e livros dos jesuítas. Através do Alvará de 28 de junho de 1759 em que se reformaram os estudos de latim, de grego e de retórica proibiu-se aos jesuítas:

a) direção de qualquer desses estudos e o uso do método que os inacianos empregavam;

b) restituição do método antigo, reduzido aos termos simples, claro maior facilidade, conforme eram praticados nas nações polidas da Europa.

c) Caberá ao professor ensinar por intermédio da língua portuguesa do nominativo até a construção, sem distinção de classe como era feito;

e) Insiste na necessidade de tornar breve, claro e fácil o ensino do latim, para que passasse a excitar os estudantes o desejo de passar às ciências maiores;

f) as gramáticas que os alunos deveriam estudar eram as do Pe. Antonio Pereira de Figueiredo e de Antonio Félix Mendes;

g) os professores deviam ler os livros da Minerva seu Causis linguae latinae de Francisco Sanches;

h) eram proibidos os livros usados pela Companhia de Jesus sob a ameaça de prisão e o castigo ao arbítrio do ministro e sob pena de não poder mais abrir classe em todo o reino.

Acrescenta Flexor (2001) no item 8 das instruções para a Capitania de Pernambuco as determinações sobre as escolas nas vilas e como deveriam estas funcionarem e quais os conteúdos ensinados, que na verdade, era uma mistura de língua portuguesa com religião em que esta última torna-se quase todo o conteúdo ministrado nas aulas.

E como esta detrminação hê a baze fundamental, haverâ em todas as Villas, ou lugares duas escolas publicas, huá para Rapazes, e outra para Raparigas, nas quaes se insdignarâ a Douctrina Christaá, Ler, escrever, e Contar na forma que Sepratica em todas as Naçoens Civilizadas ensignandosse nas Raparigas, aLem da douctrina cristaã, a ler, escrever fiar, fazer renda costuras, e todos os mais menisterios próprios daquelle Sexo. (FLEXOR, 2001, p. 102).

No item 09 das instruções destaca-se o funcionamento das escolas e as formas de pagamento.

Para subsistencia das Sobreditas Escollas haverâ hum Mestre, e huâ Mestra, que devem Ser pessoas dotos de bons Costumes prudência, (...) e Capacidade, de Sorte, que possão desempenhar as Obrigaçoens dos Seus empregos, as quaes Se destinarâ o emolumento de meyo tustão por mês de Cada descipulo, e meyo alqueire de farinha por anno na occazião da Colleyta, pago pelos Pays dos mesmos Indios (...) no Cazo porem de não haver nas Villas, ou Lugares pessoa alguá que possa Ser Mestra de meninas poderão estas ate a idade de nove annos ser instruindas na dos meninos, na qual se lhes ensignarâ o que a estes deyxo referido para que juntamente com as infalíveis verdades da nossa Sagrada Religião adquirirão com mayor felicidade o uso da lingoa portugueza.(FLEXOR, 2001, p. 102).

Vimos, portanto, o interesse de espalhar escolas nas vilas para que assim Portugal alcançasse o desenvolvimento das outras nações européias e, principalmente, reafirmasse o seu poderio sobre os colonos através da língua da metrópole, apesar de estas escolas serem ineficientes e mal distribuídas em toda a colônia, por conseguinte, o ensino ineficiente e privilegiando a poucos.

É o afirma Fonseca (2003) ao dizer que a política de Pombal para recuperar a economia de Portugal teve conseqüências na colônia, aumentando a participação das categorias inferiores nos cargos administrativos e com isso, surge a necessidade de preparar melhor estas pessoas. O ensino passa a ser financiado pelo estado em função do próprio estado. O acesso aos livros aumentou, apesar de ainda precário e restrito às categorias profissionais e ao nível social. A grande massa popular permanece na escuridão do analfabetismo.

Complementa a autora que no cenário educacional do Brasil colonial figuravam raras escolas e circulavam poucos livros. O acesso a estas era restrito à presença feminina e diminuta aos filhos dos camponeses, ou seja, era privilégio dos filhos das elites para que mantivessem a ostentação do poder.

Segundo Cunha (2000) As escolas jesuíticas espalhadas pelos Brasil eram 17 colégios. Funcionava nestas escolas o ensino de primeiras letras e secundário, em algumas, acrescia o curso superior. Os alunos eram filhos de funcionários públicos, de senhores de engenhos, de criadores de gado, de artesãos. Com certeza há restrições em relação aos filhos dos mais pobres agricultores e outras categorias.

No século XVIII, o colégio da Bahia desenvolveu estudos de Matemática, criando-se uma faculdade para seu ensino. Foram também criados cursos superiores no Rio de Janeiro, São Paulo Pernambuco, Maranhão e Pará.

Com a transferência da sede do governo português para o Brasil, em 1808, emergiu a necessidade de renovar o ensino superior porque a alta burocracia civil e militar foi transferida para o Brasil, assim também “os livros da Biblioteca Nacional. Instituições financeiras, administrativas e culturais, até então proibidas, foram criadas, assim como foram abertos os portos ao comércio das nações amigas e incentivadas as manufaturas” (CUNHA, 2000, p. 153).

Mesmo com o avanço e a necessidade de conhecimentos, D. João VI não criou universidades, criou cátedras isoladas para a formação de profissionais, assim surgiram os cursos de Medicina na Bahia e no Rio de Janeiro, 1808, e Engenharia também no Rio de Janeiro, sob o comando da Academia Militar, sendo somente em 1874 que este curso tornou-se independente dos militares. As cátedras de Anatomia e Cirurgia foram reunidas a outras, dando origem às academias de Medicina no Rio de Janeiro e na Bahia.

Ao contrário das colônias espanholas na América, que já no século XVI, contavam com universidades instaladas pela metrópole, Portugal, no entanto, proibiu que estas instituições fossem criadas no Brasil. A metrópole portuguesa oferecia bolsas para que os filhos dos colonos fossem estudar em Coimbra, única universidade de Portugal no século XVI, ou permitia que estabelecimentos jesuítas oferecessem curso de filosofia e teologia, afirma Cunha (2000).

Em 1827, o imperador Pedro I acrescentou os cursos de Direito em Olinda e em São Paulo, constituindo a elite dos cursos brasileiros: Medicina, Engenharia e Direito. Mais tarde estas faculdades isoladas tornaram-se as universidades como conhecemos hoje, mas esta história teve um longo percurso.

É durante o período imperial que o ensino no Brasil ganha maior relevo, afirma Cunha.

O ensino superior ganhou mais densidade. Cátedras se juntaram em cursos que, por sua vez, viraram academias, mas o panorama não se alterou substancialmente. Toda a prosperidade da economia cafeeira não foi capaz de modificar os padrões do ensino superior, a não ser parcial e indiretamente, pela construção de estradas de ferro, que demandavam engenheiro. As modificações mais notáveis daí decorrentes foram a criação da Escola Politécnica, em 1874, no Rio de Janeiro, e da escola de Minas, em Ouro Preto, um ano depois. (CUNHA, 2000, 155-156).

O ensino no Brasil só passa a ser estatal após 1808 com a vinda da Família Real, até então era clerical. No período imperial a criação de estabelecimentos de ensino, a manutenção material deste, a nomeação dos catedráticos, a decretação dos currículos, a nomeação dos diretores, tudo era estatal e dependia do ministro imperial. Após a vinda da corte portuguesa para a colônia houve um impulso no crescimento das instituições educacionais do Brasil. A Abertura de portos às noções desenvolvidas, aumentou o contato com o mundo e passou a se exigir uma nova política. A fundação da Biblioteca Nacional e o maior contato com os livros foi uma medida importante para se renovar a mentalidade dos povos submetidos à mercê e ao descaso d’ além mar.

Todo o ensino superior era realizada a partir de cátedras isoladas, conforme abordamos acima, e as tentativas de se criar universidades eram todas vetadas. Observa Cunha que D. Pedro II anunciou o propósito de criar duas universidades, uma no sul e outro no norte, mas demorou muito devido à rejeição dos Positivistas. Assim, a primeira universidade brasileira foi criada em 1909, no norte, em Manaus, oferecendo vários cursos. Mas não demorou muito, em 1926, devido à decadência da exploração da borracha, a instituição fechou, restando apenas o curso de Direito, que foi incorporado mais tarde à Universidade Federal do Amazonas. A partir do século XX, foram sendo criadas as Universidades Federais dos Estados, tal como conhecemos atualmente.

A partir de então, a leitura torna-se uma exigência para o serviço profissional nos setores administrativos e, com isso, o aumento do número de livros circulando conseqüentemente, cresce o número de leitores. Apesar de apenas uma pequena parcela da população ser beneficiada e a quantidade de analfabetos permanecer bastante elevada.

O conhecimento lingüístico passa a ser um instrumento importantíssimo para a elite que almeja um cargo nos setores da administração, principalmente o cargo de escrivão. Esta atividade torna-se cada vez mais importante na sociedade letrada em que

tudo é registrado, anotado, contabilizado. Há uma grande quantidade de documentos expedidos, alvarás, cartas, ofícios, querelas, nomeações de todo tipo de cargos etc. A

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