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CAPÍTULO 3: AÇÕES AFIRMATIVAS DE GÊNERO NO BRASIL

3.2. O Projeto de Lei n.º 112/

3.2.1 Do que se trata o PLS 112/

O Projeto de Lei nº 112/2010, de autoria da Senadora Maria do Carmo Alves (Democratas – SE), encontra-se em trâmite no Senado Federal e estabelece o percentual mínimo de 40% de ocupação das vagas por mulheres nos conselhos de administração das empresas públicas, sociedades de economia mista e demais empresas em que a União, direta ou indiretamente, detenha a maioria do capital social com direito a voto.90

Fica facultado às empresas o preenchimento gradual dos cargos, desde que respeitados os limites mínimos a seguir definidos91:

I – dez por cento, até o ano de 2016; II – vinte por cento, até o ano de 2018; III – trinta por cento, até o ano de 2020; IV – quarenta por cento, até o ano de 2022.

O projeto de lei apresenta como justificativa tornar efetiva a presença de mulheres na composição dos conselhos administrativos das empresas cujo capital majoritário seja da União. O estabelecimento dessa garantia se justifica pela necessidade de que haja a devida correspondência entre a participação das mulheres na produção dos bens públicos a partir do esforço de toda a sociedade, inclusive, e, de maneira cada vez mais crescente, a partir do trabalho feminino.

A medida tem como fundamento os princípios constitucionais inscritos no inciso III, do art. 1º e no inciso I do art. 5º, quais sejam o da dignidade da pessoa humana e o de que homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, respectivamente. Ainda, materializa, no âmbito da administração pública, as premissas contidas em normas internacionais ratificadas pelo brasil, a exemplo da Convenção para Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher92, das Nações Unidas, e da Convenção 11193 da Organização Internacional do Trabalho.

90 SENADO FEDERAL. Projeto de lei n.º 112/2010. Disponível em: http://www.senado.gov.br/atividade/materia/detalhes.asp?p_cod_mate=96597. Último acesso: 20 Jun. 2015

91 Art. 2º, parágrafo único.

92UNICEF. Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Contra as Mulheres. Disponível em: http://www.unicef.org/brazil/pt/resources_10233.htm. Último acesso: 16 Jun. 2015.

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OIT. Dispõe sobre a discriminação em matéria de emprego e profissão. Disponível em http://www.oit.org.br/node/472. Último acesso: 16 Jun. 2015

O projeto parte do princípio de que é necessária a iniciativa direto do Estado para que sejam efetivados os imperativos constitucionais de igualdade e contribui para a construção de uma cultura de respeito à dignidade de mulheres e de homens.

A justificativa apresentada no projeto de lei sustenta, ainda, que ele representa um passo decisivo do Congresso Nacional na afirmação das ações positivas em favor da igualdade de gênero. Ademais, ajuda a colocar o País em situação de paridade com a legislação mais avançada do mundo em relação aos direitos de homens e mulheres. Afirma o projeto que:

“Em nosso país, estamos ainda dando o primeiro passo nessa direção. Basta dizer que não passa de 5% o percentual de cargos ocupados por mulheres nos conselhos de administração das vinte maiores empresas públicas brasileiras. Por isso, estabelecemos um cronograma gradual de implantação da medida proposta, que vai até 2022”.

Conforme o parecer da Comissão de Assuntos Econômicos, a medida não afeta a situação econômica e financeira das empresas públicas e sociedades de economia mista, uma vez que o projeto traz a ressalva de que as empresas objeto da proposta deverão observar a Lei n.º 6.404, de 197694, em relação aos direitos e deveres dos membros dos conselhos de administração, bem como aos requisitos e impedimentos para participação nesses conselhos.

Afirma ainda ser impossível a reversão do quadro e o cumprimento dos ditames da Constituição Federal, que preveem ser um direito social a proteção do trabalho da mulher mediante incentivos específicos, sem a interferência do legislador para regular a matéria de forma direta. Afinal, afirma que sem o impulso legal, é difícil incorporar o conceito de diversidade nas empresas e equilibrar a participação de mulheres e homens nos processos de tomada de decisão.

Ainda, em discussão na CCJ, constatou-se que o projeto de lei observa o disposto no art. 1895 da Constituição Federal, que confere autonomia – ou seja, capacidade de auto-

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A lei afirma, em seu art. 1º que: ‘A companhia ou sociedade anônima terá o capital dividido em ações, e a responsabilidade dos sócios ou acionistas será limitada ao preço de emissão das ações subscritas ou adquiridas”. 95Art. 18. A organização político-administrativa da República Federativa do Brasil compreende a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, todos autônomos, nos termos desta Constituição.

§ 1º Brasília é a Capital Federal.

§ 2º Os Territórios Federais integram a União, e sua criação, transformação em Estado ou reintegração ao Estado de origem serão reguladas em lei complementar.

§ 3º Os Estados podem incorporar-se entre si, subdividir-se ou desmembrar-se para se anexarem a outros, ou formarem novos Estados ou Territórios Federais, mediante aprovação da população diretamente interessada, através de plebiscito, e do Congresso Nacional, por lei complementar.

§ 4º A criação, a incorporação, a fusão e o desmembramento de Municípios, far-se-ão por lei estadual, dentro do período determinado por Lei Complementar Federal, e dependerão de consulta prévia, mediante plebiscito, às populações dos Municípios envolvidos, após divulgação dos Estudos de Viabilidade Municipal, apresentados e publicados na forma da lei.

organização, autogoverno e autoadministração – a todos os entes federados, visto que trata apenas de entidades da administração pública indireta da União. Ele também se coaduna com o art. 48 da Lei Maior, que atribui ao Congresso Nacional a tarefa de “dispor sobre todas as matérias de competência da União”96.

Reforça, ainda, que o projeto consagra o princípio constitucional da igualdade ao instituir ação afirmativa que busca alcançar a igualdade material entre homens e mulheres em determinados cargos de direção da Administração Pública Federal Indireta, tendo em vista que não há inclinação natural para que seja alcançada.

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