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Capítulo 5 Reorganização da educação básica pública brasileira

5.2. Propostas e Incidência em políticas públicas para educação

5.2.3. Docentes

A questão dos professores ganhou destaque para o TPE em 2010, quando foram lançadas suas “5 bandeiras”, as quais viabilizariam o cumprimento de suas 5 metas. A bandeira 2 trata do tema que parece ser central para a elevação da qualidade do ensino público: “Valorização dos professores”. Para tanto, o TPE divulgou, através da mídia166

, que os alunos dos “melhores professores aprendem 68% mais do que os colegas orientados pelos piores docentes”. Nesse sentido, no ranking dos fatores que mais influenciariam a capacidade de aprendizado, a “qualidade” do docente ocupa o primeiro lugar, seguido do tamanho e da composição da turma. Dessa forma, com o slogan “Um bom professor, um bom começo”, o TPE lançou na mídia uma Campanha de Valorização do Professor167

. Em sua campanha midiática, o “bom professor” é aquele que tem o foco no aprendizado de seus alunos e que, assim, contribuiria efetivamente para a melhoria da qualidade da educação no Brasil. Na campanha, a valorização dos professores é pautada por quatro eixos: salário inicial atraente, plano de carreira, formação inicial e continuada e boas condições de trabalho. Para o TPE, tal valorização só pode ser viabilizada através de um pacto nacional liderado pelo próprio Presidente da República168.

A partir da constatação de que existe um déficit de 250 mil professores nas redes públicas brasileiras e, ao mesmo tempo, de que apenas 3% dos “melhores alunos” ambicionam a carreira docente dado o seu desprestígio social, o TPE – seguindo uma tendência de organismos internacionais, como o PREAL169 – apresentou na mídia uma proposta para reverter essa situação. Tal proposta tinha como pauta: tornar o magistério um objeto de desejo, atraindo os jovens mais bem qualificados do ensino médio através de

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RAMOS, M. N. Educação: melhora lenta. Correio Braziliense, DF, 02 dez. 2010. 166

BRUM, I. Aluno aprende 68% mais com bom professor. O Estado de São Paulo, 18 jul. 2011; CARRIEL, P. Como melhorar o ensino. Gazeta do Povo, Curitiba, 22 jul. 2011.

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Portal Todos pela Educação, 12 abr. 2011. O vídeo da campanha, veiculado em rede nacional de televisão, pode ser acessado em http://www.todospelaeducacao.org.br/comunicacao-e-midia/sala-de-imprensa/releases/14837/um-bom- professor-um-bom-comeco-e-a-nova-campanha-do-movimento-todos-pela-educacao/. Acesso em: 25/07/2011.

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RAMOS, M. N. Pacto pelo professor. O Globo, Rio de Janeiro, 18 nov. 2010. 169

PREAL Enlaces: Cómo atraer a los mejores profesionales a la docencia. Fonte: http://blogdepreal.org/2013/06/07/preal-enlaces-como-atraer-a-los-mejores-profesionales-a-la-docencia/. Acesso em: 05/2013.

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melhores salários, carreira promissora, condições de trabalho adequadas, formação inicial sólida e formação continuada170. Nessa proposta de valorização, a carreira do bom professor devia ser pautada pelo mérito, pelo desempenho do professor, por sua formação e capacidade de formar alunos171. Nesse sentido, uma de suas propostas para motivar a carreira docente seria a de que as redes de ensino municipais e estaduais vinculassem o resultado do Ideb ao pagamento de bônus para professores172.

A formação do professor que irá atuar na rede pública também é alvo de preocupação do TPE173. Partindo do pressuposto de que a formação inicial oferecida pelas universidades brasileiras – sobretudo faculdades de pedagogia e licenciaturas – seria “muito voltada para a teoria e pouco prática”174

, não atendendo, dessa forma, às necessidades atuais da escola pública, os professores formados por tais instituições pouco ou nada conheceriam da realidade escolar.

Para o TPE, o distanciamento entre universidade e ensino básico produziu uma falta de vocação da universidade para formar professores destinados às salas de aula. Além disso, embora o MEC se esforce para reverter essa situação175, pelo fato de o tempo da maioria dos professores universitários estar comprometido com as atividades de ensino, pesquisa e burocracia, a educação básica teria deixado de ser uma prioridade da universidade brasileira. Assim, uma proposta176 feita pelo ex-diretor executivo do TPE para formação de professores seria: transferir a formação do professor para institutos especialmente criados para este fim. Instalados no interior das universidades, tais institutos

170 O GLOBO. Educação para desenvolver o país. O Globo, Rio de Janeiro, 03 out. 2010; ALVAREZ, L. Número de formandos em cursos que preparam docentes cai 50% em 4 anos, O Estado de São Paulo, 02 fev. 2011; RAMOS, M. N. Os desafios da Educação brasileira. Gazeta do Povo, Curitiba, 13 jan. 2011; VILELLA, M.; RAMOS, M. N. A educação mobilizando o Brasil. Folha de São Paulo, 24 mai. 2010; BERNARDES, M.; GUIMARÃES, C. A loteria do ensino público. Revista Época, 24 set. 2010.

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RAMOS, M. N. Pacto pelo professor. O Globo, Rio de Janeiro, 18 nov. 2010; AZEVEDO, G. “Não se muda nada sozinho na educação”, Entrevista com Mozart Ramos. Zero Hora, Porto Alegre, 06 ago. 2010; PINHO, A. Presidente do “Todos pela Educação” critica propostas dos candidatos para o setor. Entrevista com Mozart Ramos. Folha de São Paulo, 01 set. 2010.

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SANCHEZ, L.; TARGINO, R. Desconhecimento do Ideb por parte dos coordenadores é uma “preocupação”, diz MEC. Portal UOL Educação, 19 out. 2010.

173

MOI, I.; MESQUITA, M. Currículo na mira. Folha de São Paulo, 16 mai. 2011. 174

AGÊNCIA BRASIL. Especialistas: Plano de Educação é peça chave para melhorar ensino. Portal Terra Educação, 12 abr. 2011.

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Exemplos da atuação do MEC em relação ao problema da formação de professores: criação do Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni), com foco na formação de professores; implantação da Universidade Aberta do Brasil (UAB); implantação da Plataforma Freire vinculada à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Ensino Superior (Capes), que agora possui uma diretoria só para cuidar da formação de professores.

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teriam uma característica interdisciplinar, em que os docentes universitários se dedicariam exclusivamente à formação de professores para a sala de aula. Aos docentes universitários se juntariam os melhores professores da educação básica – na condição de professores colaboradores – que dedicariam parte de sua carga horária de trabalho ao Instituto.

Esse novo Instituto, localizado dentro da universidade, seria o responsável por formular um novo currículo próximo à realidade escolar. Além disso, novos incentivos, por meio da Capes, poderiam ser concedidos aos professores envolvidos, que teriam como maior compromisso resgatar a escola pública no contexto da universidade – produzindo experiências de baixo custo para serem disseminadas nas redes de ensino.