3.3 ARCABOUÇO NORMATIVO PARA A ASSISTÊNCIA NEONATAL 33
3.3.2 Documento Científico do Departamento de Neonatologia da
De acordo com este Documento, as instituições que assistem à mulher e ao recém-nascido devem dispensar atendimento humanizado à mãe e neonato. Os locais de ocorrência de assistência integral ao recém-nascido se referem à: Sala de Parto, Alojamento Conjunto, UCINCa, UCINCo, UTI Neonatal, transporte intra e inter-institucional, Ambulatório de Acompanhamento de Recém-nascidos de Baixo Risco e, Ambulatório de Atenção Integral ao Desenvolvimento de Recém-nascidos de Risco (SBP, 2010).
É apontado que uma maternidade ou hospital com maternidade, deverá contar com serviços no próprio local, ou instituição conveniada conforme apresentado Na Figura 3. Além disto, a Instituição deverá realizar, no próprio local ou em outra instituição conveniada, no mínimo, os seguintes Exames de Triagem no recém-nascido: fenilcetonúria, hipotireoidismo congênito, hemoglobinopatia, fibrose cística, deficiência auditiva, triagem visual e da retinopatia da prematuridade (SBP, 2010).
FIGURA 3 - SERVIÇOS PRÓPRIOS OU CONVENIADOS NECESSÁRIOS EM HOSPITAIS COM MATERNIDADE SEGUNDO A SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA, 2010
FONTE: A Autora (2017), baseado nas recomendações da Sociedade Brasileira de Pediatria (2010).
A instituição deverá dispor de Comitê de Estudos de Mortalidade Materna, e de Mortalidade Neonatal, assim como, Comissão de Controle de Infecção Hospitalar, e Protocolos Assistenciais, escritos e atualizados, com treinamento e capacitação para equipe médica e de enfermagem. São preconizados impressos padronizados para o atendimento ao bebê, fluxo de informações aos familiares e, base de dados informatizados (SBP, 2010).
As Instituições deverão utilizar indicadores mensais, estes serem divulgados a toda equipe assistencial, a saber: Taxa Total de Cesárias e específica em primigestas; Taxa de Recém-nascidos ventilados em sala de parto; Taxa de recém-nascidos de baixo peso, muito baixo peso e extremo baixo peso ao nascer; Taxa de Ocupação e Tempo de Permanência dos recém-nascidos nos vários setores; Taxa de recém-nascidos ventilados e/ou com cateter central; Taxas de Infecção Hospitalar e perfil de sensibilidade e resistência aos antimicrobianos; Estatística Vital, estratificada por peso ao nascer e idade gestacional; Escores de risco para mortalidade; Causas Serviços no próprio local em
regime de 24 horas:
•Laboratório clínico para exames de urgência.
•Radiologia.
• Agência transfusional.
Serviços no próprio local ou em outra instituição
• Serviço de nutrição enteral e parenteral, Serviço de próprio local ou em outra
instituição conveniada:
dos óbitos neonatais precoces e tardios; Indicadores de qualidade da assistência e Satisfação dos clientes. (SBP, 2010).
A instituição que presta atendimento ao recém-nascido na Sala de Parto deve estar preparada para receber nascimentos concomitantes, dispondo de área física, equipamentos, materiais, medicamentos e equipe treinada e atualizada específica para cada nascimento (SBP, 2010).
A SBP reforça a importância do Alojamento Conjunto para os recém-nascidos com boa vitalidade e com controle térmico. E ainda que deve haver avaliação de sua capacidade de sucção e deglutição, são situações que possibilitam ao recém-nascido a permanência ao lado da sua mãe durante as 24 horas do dia. Todas estas condições favorecerão o aleitamento materno e o vínculo entre o binômio, bem como, os cuidados assistenciais (SBP, 2010).
3.3.3 Portaria no 371, de 2014 – Ministério da Saúde
Instituída em 7 de maio, a Portaria nº 371, estabeleceu as diretrizes para Atenção Integral e Humanizada ao recém-nascido ao nascimento nos estabelecimentos de saúde que realizam partos (BRASIL, 2014b).
O serviço deverá garantir a presença de um profissional qualificado e capacitado (pediatra, neonatologista, enfermeira obstetra ou neonatal), desde o período imediatamente anterior ao parto, até que o RN seja encaminhado ao Alojamento Conjunto com sua mãe, ou a outro setor/local (BRASIL, 2014b).
O profissional médico ou de enfermagem deverá estar capacitado em reanimação neonatal e, exercitar as boas práticas da atenção humanizada ao recém-nascido, bem como, estar em constante processo de educação permanente e atualizado sobre a Reanimação Neonatal (BRASIL, 2014b). As práticas recomendadas nesta Portaria são:
Para recém-nascidos a termo com ritmo respiratório normal, tônus normal e sem líquido meconial recomenda-se: I - assegurar o contato pele a pele imediato e contínuo com a mãe, mantendo a temperatura ambiente em torno de 26 graus; II – clampear o cordão umbilical após cessadas suas pulsações (aproximadamente de 1 a 3 minutos), exceto em casos de mães isoimunizadas ou HIV HTLV positivas; III – incentivar o aleitamento materno na primeira hora de vida, exceto em casos de mães HIV ou HTLV positivas e IV - postergar os procedimentos de rotina do recém-nascido nessa primeira hora de vida, como exame físico, pesagem, medidas antropométricas,
profilaxia da oftalmia neonatal, vacinação, entre outros. (BRASIL, 2014b, p.
2).
Para recém-nascidos pré-termos ou com respiração ausente ou irregular, e tônus diminuído, é preconizado seguir o fluxo do Programa de Reanimação Neonatal, da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP, 2016).
Além disto, o atendimento humanizado ao recém-nascido não se restringe apenas ao seu nascimento, o serviço deve promover este cuidado até a alta, na seguinte perspectiva:
x Garantir que o recém-nascido não seja retirado do ambiente do parto sem identificação;
x Estimular que os procedimentos adotados nos cuidados com o recém-nascido sejam baseados na avaliação individualizada e nos protocolos institucionais;
x Garantir o monitoramento adequado do recém-nascido, conforme protocolos institucionais, visando à detecção precoce de possíveis intercorrências;
x Garantir a realização de testes de triagem neonatal e imunização, conforme normas e legislação vigentes;
x Estimular o aleitamento materno sob livre demanda;
x Promover orientação e participação da mulher e família nos cuidados com o recém-nascido (BRASIL, 2014a).
3.3.4 Diretrizes para Reanimação Neonatal - SBP
As Diretrizes para Reanimação Neonatal preconizadas pela SBP foram atualizadas em 2016, para atender à necessidade de redução da morbidade e da mortalidade neonatal que são associadas à asfixia perinatal, assim como, da Síndrome de Aspiração de Mecônio (SAM), e incluem: medidas de prevenção primária à saúde materna durante o pré-natal; recursos humanos, capacitados para o atendimento ao parto; medidas de reanimação neonatal propriamente dita; e tratamento das complicações associadas à asfixia (SBP, 2016).
Estas diretrizes têm foco no preparo da equipe de saúde para a assistência na reanimação neonatal, na realização de anamnese materna, e no material que deve estar disponível para uso imediato na sala de parto. A SBP recomenda a presença do pediatra em todo o processo de nascimento, e reforça que as equipes atuantes em
sala de parto estejam treinadas e aptas para realizar todo o procedimento de reanimação neonatal (SBP, 2016).
É preconizado que seja avaliada a vitalidade do recém-nascido ao nascimento, verificando-se: a frequência cardíaca, a respiração, e o tônus muscular.
Os resultados desta avaliação subsidiarão condutas médicas e cuidados. O clampeamento tardio do cordão, que se constitui como uma boa prática de atenção ao nascimento, deve ser realizado sempre que o recém-nascido > 34 semanas apresentar respiração espontânea ou chorou ao nascimento, e o tônus muscular em flexão, independente do aspecto do líquido amniótico (SBP, 2016).
Nas circunstâncias acima o recém-nascido deverá ser mantido junto com sua mãe, em contato pele a pele, coberto com tecido de algodão seco e aquecido, com garantia de vias aéreas pérvias, sem flexão ou hiperextensão. Salienta-se que o contato pele a pele favorece o início da amamentação na primeira hora de vida (SBP, 2016).