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Documentos 1 Conceito

No documento DADOS DE ODINRIGHT (páginas 102-105)

Provas em Espécie

8. Documentos 1 Conceito

O conceito de documento pode ser visto numa dupla ótica. Na concepção restrita dada pelo caput do art. 232 do CPP, consideram-se “documentos quaisquer escritos, instrumentos ou papéis, públicos ou particulares” (grifo nosso). Para o CPP, remontando a década de 1940, seriam documentos os escritos em papel (matéria-prima, o material que contém o escrito).

Já os instrumentos seriam os documentos confeccionados com o intuito de fazer prova (documentos pré-constituídos), como os contratos, que se

distinguem dos documentos eventuais ou acidentais (meros papéis), pois estes não foram feitos com o intuito de provar, mas podem ser utilizados com este objetivo, como uma carta ou um bilhete.

Já na concepção ampla, que é a atual, em face da interpretação progressiva da lei, considera-se documento qualquer objeto representativo de um fato ou ato relevante, e aí poderíamos incluir, v.g., fotos, desenhos, esquemas, planilhas, e-mails, figuras digitalizadas.

8.2 Espécies

(i) Particular: aquele produzido por particular, ou elaborado por funcionário público que não esteja no exercício de suas funções. Uma vez contestadas a autenticidade, a letra e a firma (assinatura) de tais documentos, serão submetidas a exame pericial (art. 235, CPP).

(ii) Público: é o documento elaborado por funcionário público no exercício funcional. Equiparam-se a documentos públicos para efeitos penais aqueles emanados de entidade paraestatal, o título ao portador, o transmissível por endosso, as ações de sociedade comercial, os livros mercantis e o testamento particular (art. 297, § 2º, CP). Gozam de presunção relativa (juris tantum) de autenticidade, podendo se submeter a perícia, havendo fundada suspeita de falsificação.

(iii) Original: escrito na fonte originariamente produtora. Em se tratando de escritura lavrada em livro de notas, a primeira certidão por inteiro teor ou traslado é, também, considerada original.

(iv) Cópia: é a reprodução do documento original. A xerox, o scanner e a impressão têm sido vastamente utilizados para tal desiderato. Se a fotocópia estiver devidamente autenticada, terá o mesmo valor que o original (art. 232, parágrafo único, CPP). A pública-forma, que é uma cópia de escrito avulso, extraída por oficial público, só terá valor quando conferida com o original, na presença da autoridade (art. 237, CPP).

Havendo a conferência, a pública-forma fica nos autos, dispensando-se a retenção do original.

(v) Nominativo: é aquele que contém o seu autor.

(vi) Anônimo: não contempla a indicação do responsável.

8.3 Requisitos

Verdade, que é a constatação do que se expõe no documento, e autenticidade,

que é a identificação de quem o produziu. Entendemos que eventualmente os documentos anônimos podem ser utilizados como prova. Nem sempre é possível constatar quem foi o autor do documento, como na hipótese de cartas anônimas, bilhetes ou fotografias. Nem por isso o obstáculo para a utilização de tais elementos deve ser intransponível. Deve a autoridade cercar-se dos cuidados necessários, objetivando constatar acima de tudo a veracidade do conteúdo e se o documento não foi obtido ilicitamente. Superado o filtro, poderá proceder à valoração.

8.4 Produção

Como regra, os documentos podem ser apresentados em qualquer fase do processo (art. 231, CPP). A produção pode ser espontânea, ou seja, quando as partes apresentam o documento, ou provocada (coata), quando determinada pelo magistrado (art. 234, CPP), valendo-se da mera requisição ou até mesmo da medida de busca e apreensão.

No procedimento do júri, contudo, existiam duas restrições quanto ao momento para apresentação documental. Antes do advento da Lei n.

11.689/2008, nas alegações que antecediam o encerramento da primeira fase, não podiam ser apresentados documentos (art. 406, § 2º, CPP, redação anterior).

Esta restrição, aparentemente absoluta, não poderia superar o princípio constitucional da ampla defesa. Se o réu tinha em seu favor documento hábil a evitar a pronúncia, deveria apresentá-lo, cabendo ao magistrado fazer a devida valoração, superando os rigores legais.

A partir da vigência das novas disposições da Lei n. 11.689/2008, não existem mais alegações finais escritas das partes na primeira fase (judicium accusationis) do procedimento do júri, não havendo mais de se falar em restrição a apresentação documental nesta etapa. Houve inversão do procedimento. Agora, após o recebimento da denúncia, o juiz mandará citar o réu para responder a acusação em dez dias, oportunidade em que poderá exercer amplamente sua defesa, com possibilidade de juntar documentos e arrolar testemunhas (art. 406, caput e § 3º, CPP). Em seguida, é ouvido o Ministério Público sobre preliminares e documentos, em cinco dias (art. 409, CPP). A seu turno, as alegações finais passaram a ser orais, em audiência, logo após o interrogatório do acusado, ao final da instrução da primeira fase do rito do júri, consoante o art. 411, CPP (nova redação).

Ainda no júri, porém na segunda fase (judicium causae), caso a parte queira apresentar documento no plenário de julgamento, deverá providenciar a juntada

aos autos com antecedência de três dias, dando-se ciência à parte contrária (art.

479, CPP, nova redação dada pela Lei n. 11.689/2008). Inclui-se na vedação a leitura de jornais ou de qualquer outro escrito que tenha pertinência com o fato versado no processo, além da exibição de vídeos, gravações, fotografias, laudos, quadros, croquis ou de qualquer outro meio assemelhado, cujo conteúdo seja pertinente à matéria fática a ser submetida a julgamento. Estão excluídos, contudo, revistas ou jornais que não tratem da matéria discutida em juízo, ou os documentos que já fazem parte dos autos, como a ficha de antecedentes.

Em homenagem à tutela da correspondência, veda-se o lançamento aos autos das cartas particulares interceptadas ou obtidas por meios criminosos (art. 233, CPP). Nem precisava haver tal previsão, afinal, a interceptação da correspondência caracteriza prova ilícita, impedindo a utilização, salvo nas hipóteses excepcionais amparadas pelo princípio da proporcionalidade (pro reo).

Já o destinatário da carta poderá exibi-la em juízo para defesa de seu direito, independente da aquiescência do remetente (art. 233, parágrafo único, CPP).

8.5 Tradução

Quando o documento é produzido em língua estrangeira, pode ser imediatamente lançado aos autos, e, se necessário, será traduzido por tradutor oficial ou pessoa nomeada pela autoridade para tal fim. Caso o documento seja realmente utilizado, entendemos que a necessidade de tradução é presumida, pois, mesmo que as partes e a autoridade dominem a língua estrangeira, a publicidade dos autos e a necessidade de acessibilidade do conteúdo assim o exigem.

8.6 Restituição

Os documentos originais, encerrado o processo e não havendo motivos para que permaneçam nos autos, podem ser restituídos, ficando retidas cópias, exigindo-se a prévia oitiva do Ministério Público (art. 238, CPP). Antes do trânsito em julgado da sentença, não havendo necessidade da manutenção nos autos do documento que tenha sido apreendido por determinação da autoridade, o procedimento adequado é o de restituição de coisas apreendidas (arts. 118 e seguintes do CPP).

9. Indícios e presunções

No documento DADOS DE ODINRIGHT (páginas 102-105)