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5 RESULTADOS E DISCUSSÃO

5.1 Identidade da Instituição

5.1.1 Documentos institucionais

O Plano de Desenvolvimento Institucional foi estabelecido pela Lei 10.861/2004, que

institui o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior – SINAES e dá outras providências e, tem como um dos objetivos a identificação da missão da universidade para identificar o perfil e significado da atuação da mesma (BRASIL, 2004). A análise dos PDIs dos anos 2013- 2017 e 2018-2022 (ou 2023) foram realizadas para critério de comparação das metas estabelecidas e importância dada a inclusão do termo “inovação” no decorrer das ações descritas nos documentos.

A tabela 4 apresenta a comparação da missão das duas universidades.

Tabela 4 – Missão da UFMG e UFC.

Universidade Missão

Federal de Minas Gerais Gerar e difundir conhecimentos científicos, tecnológicos e culturais, destacando-se como Instituição de referência na formação de indivíduos críticos e éticos, dotados de sólida base científica e humanística e comprometidos com intervenções transformadoras na sociedade, com vistas à promoção do desenvolvimento econômico, da

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diminuição de desigualdades sociais, da redução das assimetrias regionais, bem como do desenvolvimento sustentável. Federal do Ceará Formar profissionais da mais alta

qualificação, gerar e difundir

conhecimentos, preservar e divulgar os valores éticos, científicos, artísticos e culturais, constituindo-se em instituição estratégica para o desenvolvimento do Ceará, do Nordeste e do Brasil.

Fonte: da autora.

A Universidade Federal de Minas Gerais possui uma forte participação da inovação em sua rotina acadêmica, em todos os eixos da tríade de formação universitária de ensino, pesquisa, extensão. Sua propensão a inovação é claramente demonstrada na análise do PDI da universidade. A Universidade Federal do Ceará estreia uma forte intenção inovadora, percebida nas diferenças entre o PDI 2013-2017 e 2018-2022 para objetivos e metas relacionados a processos inovadores.

É possível observar que é sólida a preocupação com a geração e a difusão do conhecimento concebido nas universidades, a formação de recursos humanos qualificados, assim como a importância de ser destaque por meio da excelência e da importância estratégica para o governo, a região e o país. É importante que as universidades possuam como missão primordial a difusão do conhecimento, de modo que a produção técnico-científica chegue às mãos da sociedade.

Em uma leitura mais aprofundada em ambos PDIs, buscou-se mais indicativos para objetivos, metas e perspectivas inovadoras para as universidades por meio da análise do conteúdo dos documentos e sites.

No caso da UFC, o PDI 2013-2017 salienta a “consolidação de uma universidade inovadora” e “sintonia com os anseios da sociedade” como princípios da instituição, a qual surge como propósito ao longo do texto. Já o PDI 2018-2022 propõe, ao contrário do anterior, seis princípios norteadores, que incluem, entre outros, a inovação e o empreendedorismo. Apesar de sutil, a mudança foi essencial e corroborada pelos resultados do PDI 2013-2017, em que as metas abrangentes de inovação foram quase todas alcançadas totalmente, sendo duas ações do eixo Pesquisa as únicas não totalmente alcançadas, cujo objetivo consistia em “Consolidar e expandir a inovação tecnológica na UFC” e as ações parcialmente concretizadas a “realização de eventos, palestras e minicursos relacionados à transferência de tecnologia, propriedade intelectual e inovação” e “aprimoramento de processos internos de redação de patentes, nacional e internacional, assim como acompanhar os trâmites que assegurem a proteção destes”. É possível que tais resultados estejam relacionados aos recursos humanos escassos da CIT, o que será analisado no próximo tópico.

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O termo “inovação” foi citado 14 vezes no PDI 2018-2022 da UFC, estando presente nos objetivos e metas dos eixos Pesquisa, Extensão e Pessoas.

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a) Objetivo: Consolidar a política de inovação científica e tecnológica articulando parcerias com empresas, instituições de fomento, governo, e, sobretudo, com o parque tecnológico.

Eixo extensão

b) Objetivo: Fortalecer o empreendedorismo e a inovação na UFC por meio de ações de extensão

- indicador: Número de ações de extensão sobre empreendedorismo e inovação. - percentual de seminários temáticos sobre empreendedorismo e inovação por unidade acadêmica.

- aumentar o percentual de seminários temáticos sobre empreendedorismo e inovação.

Eixo pessoas

c) Objetivo: Implementar a Inovação e incentivar junto ao corpo discente da UFC através de ações conjuntas com as diversas áreas da Universidade visando a integração e fortalecimento da formação acadêmica do corpo discente.

- Percentual de ações realizadas no tocante à Inovação, Integração e fortalecimento da formação acadêmica do corpo discente.

O Ranking Universitário da Folha mostra, inclusive, uma posição positiva da UFC em relação a inovação no ano de 2017, a 12º colocação com a nota 3,67 (RUF, 2017). Houve, porém, uma mudança na metodologia da RUF 2018 para avaliação da inovação e, dessa forma, a UFC passou a ocupar a 35º colocação, com nota 2,61 (RUF, 2018). A brusca queda não foi causada somente pela diminuição no depósito de patentes pela UFC em dez anos, que era o único critério para inovação da RUF, mas também pela adição do critério “artigos em colaboração com empresas”, a qual a UFC ocupa a 102º colocação. O ano de 2019 foi de início de recuperação da universidade no ranking, com seu 28º lugar no ranking de inovação, com a nota 2,91. Tal modificação provavelmente se deu pela ascensão da UFC no ranking de patentes depositadas e artigos em colaboração com empresas, ocupando o 7º e 82º lugares, respectivamente. É possível constatar desde já a importância dessas relações na segunda dimensão da tripla hélice entre academia e indústria, assim como a importância da proteção de ativos para a inovação.

Tabela 5 – Evolução das colocações da UFC em Inovação no Ranking Universitário Folha.

2017 2018 2019 Patentes depositadas - 8º 7º Artigos em colaboração com empresas - 102º 82º Nota final 3,67 2,61 2,91 Fonte: da autora

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Já em relação a UFMG, seu PDI 2013-2017 traz aspectos muito importantes sobre inovação ao longo do texto. Além de seus objetivos e metas relacionados a inovação, o documento traz também a importância de se realizar ações de forma ordenada entre a Universidade e as políticas do estado de Minas Gerais para se atingir uma universidade de excelência, assim como a necessidade de uma estreita relação com a produção industrial para o amadurecimento do Sistema Nacional de Inovação. Além disso, são reservadas grandes partes do texto para detalhar a relevância dos trabalhos da CTIT na promoção do empreendedorismo e inovação na universidade por meio do incentivo a patentes e transferência de tecnologia. Cita- se, ainda, a influência da sede de oito Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCT) de diversas áreas do conhecimento e a implementação do BH-Tec na formação de um ambiente favorável à inovação tecnológica.

Diferentemente da UFC, o PDI 2013-2017 da UFMG se divide em Projetos Estruturantes e Projetos Setoriais, o qual o primeiro é relacionado ao aprimoramento de esferas chave para tornar levar a universidade a um alto nível de excelência internacional, e o último relacionado ao desenvolvimento interno da UFMG em relação ao incremento de práticas para aperfeiçoar processos e condições do ensino, pesquisa e extensão. Nesse ínterim, é importante notar que o desenvolvimento do CTIT está presente tanto nos projetos estruturantes quanto nos setoriais. Do mesmo modo, a universidade considera que a inovação não vem somente da pesquisa e da extensão, mas que o incentivo a práticas inovadoras de ensino estimula grandemente a promoção da inovação na universidade.

Também é válido salientar que no PDI 2013-2017, haviam 32 entradas com o termo “inovação”, enquanto no PDI 2018-2023, existem 132 entradas. Nesse sentido, ocorreu uma grande evolução da UFMG, que compreendeu a importância das práticas inovadoras em todos os aspectos da governança. No caso dessa universidade, o maior incentivo veio por meio das metodologias de ensino inovadoras. A UFMG, em seu PDI 2018-2023, denotou o que se trata o SNI e demonstrou a importância da geração de conhecimento realizada pela universidade nesse cenário. Como é dito no próprio documento, “A inovação alimenta-se do conhecimento; ela não é possível sem que o conhecimento avance”.

Conclui-se que, até esse ponto, é primordial que a Universidade Federal do Ceará ateste, em suas documentações futuras, as competências que a universidade tem em meio ao cenário na qual ela está inserida, relacionadas a de produção e gestão do conhecimento e de recursos humanos qualificados. De modo particular, a UFMG demonstra que isso deve ser feito, fundamentalmente, por meio de pessoas. A metodologia de ensino inovadora é um dos

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principais objetos diferenciais entre as duas universidades. Para tal, existe uma Diretoria de Inovação e Metodologias de Ensino (GIZ), que focam em “desenvolver, de forma inovadora, colaborativa e contextualizada, uma rede de práticas educativas, flexíveis e personalizadas de diferentes áreas do conhecimento, promovendo a formação de sujeitos autônomos”. A UFC, apesar de possuir objetivos relacionadas a tal ponto, até mesmo com o EIDEIA, necessita redigir metas para treinamento de professores para uso de metodologias ativas e desenvolvimento do senso crítico dos seus discentes em sala de aula.

Outro grande diferencial é a existência de uma categoria exclusiva no PDI para Inovação e Empreendedorismo, o que demonstra a importância do tema para a universidade. Esse tópico se trata da estrutura de inovação do contexto em que a universidade está localizada, que é Minas Gerais, os elementos que favorecem o desenvolvimento de inovação por parte da UFMG, a política de inovação e, logo, os objetivos gerais e específicos relacionados a essa temática. Esses objetivos estão destacados abaixo.

Tabela 6- Objetivos para Inovação e Empreendedorismo no PDI 2018-2023 da UFMG OBJETIVO GERAL

Expandir a contribuição da UFMG para a formação de condições propícias à disseminação da inovação com elevada agregação de conhecimento nas diversas esferas da sociedade brasileira, de forma a alcançar crescente impacto social e econômico, com particular ênfase nos arranjos produtivos locais das regiões em que a UFMG se situa.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

1. Fomentar o desenvolvimento de inovações tecnológicas de elevada agregação de conhecimento, com o estímulo à geração de patentes, bem como de outros produtos tecnológicos derivados da atividade de pesquisa, visando solidificar a vocação em inovação e empreendedorismo na UFMG.

2. Consolidar, na UFMG, o conjunto dos órgãos que formam seu sistema de inovação (parque tecnológico, incubadora de empresas, núcleo de inovação tecnológica, empresas juniores, laboratórios e grupos de pesquisa, programas de Pós-Graduação), e aprofundar a relação desse sistema com os arranjos produtivos locais e com o setor produtivo nacional, especialmente no que se refere a empresas de base tecnológica. 3. Fomentar o desenvolvimento, a difusão e a divulgação de inovação social e tecnologias sociais e promover o fortalecimento da extensão tecnológica para a inclusão

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produtiva e social.

4. Estender as iniciativas relacionadas ao empreendedorismo e inovação às áreas ligadas à cultura, às artes e às humanidades.

5. Fomentar nos estudantes a proatividade, a liderança, as habilidades de comunicação, de negociação, de gestão de conflitos e de exposição ao risco, habilitando-os a se tornarem protagonistas da disseminação da inovação na sociedade.

6. Posicionar a execução da política de inovação da UFMG, apoiada pela CTIT, como referência nacional de excelência.

AÇÕES

1. Concluir o processo de reestruturação da CTIT, efetivando sua transformação em NITS, com personalidade jurídica própria.

2. Ampliar o número de teses e dissertações cujos resultados conduzam ao registro de patentes e outras formas de propriedade intelectual.

3. Fortalecer a Formação Transversal em Empreendedorismo e Inovação, ampliando o número de Unidades que participam da oferta de atividades.

4. Expandir o licenciamento das tecnologias desenvolvidas na UFMG.

5. Construir indicadores capazes de mensurar o impacto produzido pela UFMG a partir da análise do processo de transferência de tecnologia para a sociedade.

6. Garantir que as ações de incentivo ao empreendedorismo e à inovação sejam disponibilizadas para todas as Unidades Acadêmicas, com particular atenção para se obter um maior envolvimento das Unidades situadas fora do Campus Pampulha.

Fonte: da autora, a partir de UFMG (2018)

A partir desse dado, é possível destacar alguns pontos que destoam em relação a realidade da UFC.

a) A afirmação da vocação técnico-científica da universidade, que pode ser feita por meio de publicações e patentes;

b) A importância atribuída a inserção da UFMG no SIMI, especialmente no que

tange aos Arranjos Produtivos Locais; c) A importância do viés social da inovação;

d) Fomento ao protagonismo estudantil para inovação; e) Mensuração de impacto da universidade por meio das TTs.

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ainda está em processo muito inicial. Porém, todos esses pontos foram destacados por serem exequíveis e por serem pontos-chave para uma rápida expansão em inovação e empreendedorismo, assim como de estímulo que a UFC pode aplicar, junto a outros atores, para sua inserção no seu SLI.