3 REVISÃO DA LITERATURA
3.3 DOENÇAS BUCAIS EM ODONTOLOGIA OCUPACIONAL
Mazzilli (2003) define como doença profissional aquela que é produzida ou desencadeada pelo exercício do trabalho peculiar a determinada atividade; e ainda a difere da doença do trabalho por ser esta adquirida ou desencadeada em função de condições especiais em que o trabalho é realizado, desde que exista uma relação direta.
Schilling (1984) afirma que relatos científicos apontam como principal causa das doenças ocupacionais às dimensões das condições de trabalho e espaços laborais. No ambiente laboral os indivíduos são submetidos aos maiores riscos individuais e coletivos, confirmados na relação saúde X trabalho X doença e propôs a seguinte classificação para as doenças do trabalho:
GRUPO I: doenças em que o trabalho é causa necessária, tipificadas pelas doenças profissionais e pelas intoxicações agudas de origem ocupacional.
GRUPO II: doenças em que o trabalho pode ser um fator de risco, contributivo, mas não necessáriamente, exemplificadas pelas doenças comuns, mais frequentes ou mais precoces em determinados grupos ocupacionais e para as quais o nexo causal é de natureza eminentemente epidemiológica. Dentre essas doenças a hipertensão arterial e as neoplasias malignas (cânceres), em determinados grupos ocupacionais ou profissões, constituem exemplo típico.
GRUPO III: doenças em que o trabalho é provocador de um distúrbio latente, ou agravador de doença já estabelecida ou preexistente, ou seja, com causa, tipificada pelas
doenças alérgicas de pele e respiratórias e pelos distúrbios mentais, em determinados grupos ocupacionais ou profissões.
Algumas doenças da boca, como a cárie dentária, o câncer bucal e os efeitos nocivos do tabaco, são encontradas nos exames odontológicos e devem merecer atenção devido aos seus efeitos nocivos à saúde dos trabalhadores, devendo por isso, o Dentista do trabalho sempre estar atento as suas manifestações clínicas.
Em relação a doença mais encontrada na boca, a cárie dentária segundo o Ministério da Saúde MS (1999) é definida como uma doença infecciosa transmissível, de origem bacteriana, que se caracteriza pela destruição localizada dos tecidos dentários, formando uma cavidade no dente, a qual, se não tratada, pode progredir até destruí-lo. (BRASIL, 1999).
Almeida e Vianna (2005) realizaram um estudo de revisão da literatura para avaliação das alterações bucais x riscos ocupacionais e embora não tivessem muitos artigos e trabalhos nesta área da Odontologia do trabalho, concluíram que havia uma predominância de pesquisas de doenças bucais em trabalhadores que são expostos a substâncias ácidas e a poeira do açúcar e as doenças bucais relatadas nesses trabalhadores eram variadas, sendo de tecidos duros (cárie e abrasão) e também em tecidos moles (doença periodontal e lesões de tecidos moles). Também, devem-se levar em consideração outros fatores que não estão relacionados ao trabalho. O trabalho mostra a necessidade de mais estudos na área para um melhor acompanhamento da saúde do trabalhador.
Alevato e Costa (2009) citam que fatores psicossociais podem estar relacionados, gerando estresse e podem ser agentes etiológicos de várias doenças da boca, como: a Síndrome da Ardência Bucal (SAB), a ulceração aftosa recorrente, a periadenite mucosa necrótica recorrente cicatrizante ou Ulcera de Sutton, a úlcera psicogênica ou factícia, a Gengivite Ulcerativa Necrosante Aguda (GUNA), a gengivoestomatite herpética aguda primária, o herpes simples recidivante, o pênfigo vulgar, o líquen plano oral, a língua geográfica, as Desordens Têmporo-mandibulares (DTM), incluindo-se os bruxismos e ainda as doenças periodontais.
Para Fejerskov e Kidd (2005) a cárie dentária é uma doença infecciosa que progride de forma muito lenta na maioria dos indivíduos, raramente é auto limitante e, na ausência de tratamento, progride até destruir totalmente a estrutura dentária.
Ismail et al (2012) apresentaram um trabalho em um Workshop na Filadélfia, USA, sobre a gestão da cárie no século XXI. As conclusões de suas pesquisas revelaram que o maior objetivo do dentista deve ser a preservação da estrutura dentária, reduzindo o máximo possível a intervenção no elemento dentário, restaurando somente quando extremamente necessário. A missão da gestão da cárie revela que a remineralização deve ser realizada nas lesões iniciais e que o Dentista deve estar mais atento à promoção de saúde e a prevenção do dente integro do que a procedimentos restauradores que podem ser evitados.
No Brasil o câncer de boca era diagnosticado geralmente de forma tardia, devido à pouca atenção por parte dos Dentistas. Com a forte associação ao consumo de bebidas alcoólicas e ao tabagismo, o diagnóstico passou a ser mais rápido e preciso o que levou a uma diminuição do número de óbitos por essa doença.
Segundo Shafer, Hine e Levy (1987) o câncer oral possui como manifestações primárias, feridas na boca, com difícil cicatrização e que evoluem com uma sequência de sintomas, como dificuldade de falar, deglutir alimentos, perda de peso, dor intensa e enfartamento ganglionar acentuado.
Warnakulasuriya et al (2010), revisaram que existe uma evidencia epidemiológica que o uso do tabaco está associado a várias doenças da boca, que incluem câncer oral, doença periodontal, cárie e perda dental, recessão gengival e outras doenças benignas e que existe evidencia que ao cessar com este hábito os benefícios para a saúde são evidentes.
Csikar et al (2013), realizaram um inquérito postal em Yokshire e Humber, no Reino Unido, em 2008 com fumantes e não fumantes. Com taxa de resposta de 43,1%, o estudo revelou que 17,5% eram fumantes e estavam mais propensos a ter uma saúde oral regular, ruim ou muito ruim, estando assim, portanto, com um risco maior que os não fumantes de possuir um estado de saúde oral deficiente.
Reibel (2005) adverte em seu artigo que os efeitos adversos do tabaco na saúde oral incluem doenças comuns com alterações da cor dos dentes, halitose, doença periodontal, doenças da mucosa oral e dificuldade de cicatrização nas cirurgias orais e algumas com risco de perda da vida com o câncer de boca. Contudo conclui que o tabagismo é o principal fator de riscos associado à doença periodontal destrutiva crônica e os Dentistas são um dos principais
profissionais na prevenção dos efeitos nocivos do tabaco, tanto no mundo particular, como nas campanhas anti-fumo nas empresas.
Segundo Tauchen (2006) a halitose (mau hálito) é outra patologia que quando diagnosticada em trabalhadores pode restringir seu convívio social e apesar de estar associada a gengivite, estomatites e outros fatores bucais, é importante o reconhecimento da sua causa porque pode estar associada a alguma intoxicação de caráter profissional.
No Quadro 15 a seguir citam-se a relação entre agentes, manifestações de doenças bucais e ocupações.
AGENTES MANIFESTAÇÕES
BUCAIS
OCUPAÇÕES
ABRASIVOS EM PÓ Abrasão, pigmentação de gengival e dental
Trabalhadores que lidam com bronze, pedreiros, marmoristas, mineiros e polidores
ÁCIDOS (sulfúricos, nitrico, fluorídrico, clorídrico) hemorragias, estomatites, descalcificação dentária Trabalhadores em banho de ácidos, refinarias petrolíferas, explosivos, galvanizadores, algodão, pólvora AÇÚCAR E FARINHA Cárie, cálculo e periodontite Refinadores, padeiros e
confeiteiros
ALCATRÃO Estomatites, carcinoma de
lábio e das gengivas.
Trabalhadores que lidam com asfalto, alcatrão, piche, conservadores de madeira e calceteiros
ANILINA Coloração azul de lábios e
gengivas
Trabalhadores que lidam com alcatrão, hulha, explosivos, pintores, curtidores e vulcanizadores APREENSÃO DE
OBJETOS (pregos, agulhas, instrumentos de sopro)
Abrasão dentária localizada, alteração da musculatura bucofacial, congestão e edema nas regiões labiais
Carpinteiros,
costureiras, tarrafeiros, músicos, sopradores de vidro e tipógrafos.
ARSÊNICO Sabor metálico na boca,
sialorréia, osteonecrose, osteomielite, erosões esbranquiçadas, ulcerações de mucosa e ardência bucal
Trabalhadores que lidam com produtos químicos, refinadores, fundidores de chumbo, laminadores e
AGENTES MANIFESTAÇÕES BUCAIS
OCUPAÇÕES
fabricantes de inseticidas
BENZENO Hemorragia gengival,
estomatites, osteomielite de maxila, hálito e sabor benzóico
Trabalhadores que lidam com explosivos, coque, laca, lavagem a seco, vulcanizadores e metalúrgicos
BISMUTO Hemorragias, estomatites,
pigmentação de gengivas, sensação de ardor e sabor metálico
Trabalhadores que lidam com bismuto e fabricantes de alguns tipos de pós. BLASTOMICOSE SUL- AMERICANA (Paracoccidioses Brasiliensis)
Lesões erosivas, ulcerativas, dor ardor, prurido,
odontalgias, sialorréia, enfartamento ganglionar
Trabalhadores da agricultura
CALOR Sensação de dormência,
anestesia, parestesia, sabor metálico
Trabalhadores que usam calor excessivo
(foguista, ferreiro, bombeiro).
CHUMBO Manchas nas mucosas,
genvite, estomatites, hálito fétido, sabor metálico, sialorréia, aumento das gandulas salivares, parotidite Trabalhadores fabricantes de baterias, artigos de borracha, tintas, impressores, inseticidas e refinadores de chumbo
COBRE, FERRO E NIQUEL Manchas verdes de esmalte, pigmentação de mucosa e gengivas e
gengivoestomatite
Trabalhadores que lidam com fundições, metais, cimentos, gravadores e mineiros
CRESOL Estomatites Trabalhadores que
lidam com alcatrão, hulha, borracha,
destilarias, desinfetantes e curativos cirúrgicos
CROMO Manchas amarelas no
esmalte, necrose óssea, ulceração de tecidos bucais
Trabalhadores que lidam com aço, produtos fotográficos, anilinas, cromo, impressoras e misturadores de borrachas
FENOL Sabor amargo,
metacromasia amarela do dentes
Trabalhadores de indústrias químicas (desinfetantes)
AGENTES MANIFESTAÇÕES BUCAIS
OCUPAÇÕES
FLUOR Osteonecrose, sialorréia,
perda da transparência do esmalte dentário
Trabalhadores que lidam com criolita
FÓSFORO Gengivoestomatite, halitose,
ulceração de tecidos bucais, descalcificação, cárie, perda gradual dos dentes,
osteomielite
Trabalhadores que lidam com fabricação de fósforo, fundição de latão, fertilizantes, fogos de artifício, bronze fosforoso
FRIO Afecções dentárias, queda
de restaurações, mobilidade dentária
Trabalhadores que lidam com câmaras frigorificas
MERCÚRIO E SEUS COMPOSTOS
Gengivites, sialorréia estomatites, mobilidade dental, sabor metálico, osteomielite, dentes enegrecidos, parotidite
Trabalhadores que lidam com fabricação de tintas, baterias, termômetros, detonadores de explosivos, produtos radiográficos e fotográficos, espelhos e Dentistas MONÓXIDO DE CARBONO E DIÓXIDO DE CARBONO
Cárie, queda precoce dos dentes, debilidade de músculos da língua e da face
Trabalhadores que lidam com motores a gasolina, mineiros e fundidores
ORGANICOS (osso,
celuloide, serragem e tabaco)
Pigmentação nos dentes e gengivas, abrasão
generalizada, gengivoestomatite, hemorragia
Trabalhadores que lidam com ossos, celuloide, serragem e tabaco
PRATA Gengivite, halitose,
sialorréia, pigmentação de mucosa bucal
Trabalhadores da indústria química
RADIUM E RAIOS X Candidíase, gengivite, periodontites, xerostomia, osteoradionecrose, cárie de radiação Técnicos de radiologia, pintores de mostradores de relógios, Pesquisadores e Dentistas VARIAÇÃO DE PRESSÃO Sangramento gengival,
odontalgias
Aviadores e mergulhadores Quadro 15 - Manifestações bucais de doenças ocupacionais conforme a ocupação.
Fonte: Adaptado de Guimarães e Rocha (1979); Mello (2014)
O Dentista precisa estar atento para esses sintomas por ser o profissional responsável por estes diagnósticos, sendo ele o profissional conhecedor das manifestações das doenças ocupacionais.
O Ministério da Saúde (MS) reconhece como doenças ocupacionais relacionadas com a Odontologia do trabalho apenas a erosão dentária, as alterações pós-eruptivas da cor dos tecidos duros dos dentes, a gengivite crônica e a estomatite ulcerativa crônica (SILVA, 2009). A seguir descreveremos alguns aspectos destas doenças.
1. EROSÃO DENTÁRIA (CID-10 K03.2)
A erosão dentária é definida como a destruição do tecido dentário, que pode decorrer da exposição a substancias químicas e de outros fatores de risco presentes no trabalho (BRASIL 2001).
Podem ser originadas por fatores Extrínsecos e fatores Intrínsecos. Os fatores extrínsecos são as causas ambientais, incluindo-se o trabalho com substâncias químicas, as dietas e certos medicamentos. Como fatores intrínsecos temos o pH baixíssimo do suco gástrico que esta presente nos vômitos, regurgitações ou refluxo gastroesofageal.
É importante fazer a diferenciação entre erosão e abrasão, sendo esta última devido ao desgaste dental devido a causas mecânicas repetitivamente em contato com os elementos dentários.
Aguiar et al 2006, em seus estudos revelam que a etiologia da erosão é o contato frequente dos ácidos com o dente. Podendo esses fatores serem intrínsecos ou extrínsecos. A erosão de causa extrínseca são medicamentos, dieta e estilo de vida. Já as intrínsecas por efeito de ácidos gástricos que chegam a cavidade bucal por motivo de vômitos, regurgitação e refluxos gástricos.
Chatuverdi et al (2015) realizaram um trabalho para avaliar o desgaste dentário em 936 trabalhadores adultos de uma fábrica de vidros na Índia, no período de janeiro-junho de 2014, utilizando o formulário de avaliação de saúde oral da Organização Mundial de Saúde OMS. Foram colhidas informações sobre estado geral de saúde oral, hábitos alimentares e negativos, perfil demográfico e avaliação clínica e os resultados mostrados foram que 589 trabalhadores, e constataram que 62,93% apresentaram erosão de esmalte, concluindo que estes trabalhadores necessitam de uma atenção maior voltada para a um atendimento para detecção precoce e tratamento destes indivíduos expostos a estes riscos.
De acordo com Araújo e Marcucci (2000) são apontados como responsáveis pelo surgimento da erosão dentária, com desmineralização da estrutura dentária, a exposição ocupacional a substâncias ácidas na forma de gases, vapores ou nevoas. É importante frisar que a ingestão é involuntária e ocorre pela via digestiva. No entanto, segundo os autores não existem provas de que esses trabalhadores que apresentavam erosão de esmalte tenham sido devido a suas ocupações, levando-se em consideração a ignorância de aspecto social, cultural e de saúde e a falta de planejamento profissional em odontologia para a prevenção e diagnóstico precoce.
Vianna e Santana (2001) relatam nos seus estudos de revisão que existe uma associação direta entre exposição a névoas ácidas e erosão dental comprovada, causando perda mineral de origem não bacteriana enquanto que para as doenças periodontais e lesões de mucosa oral os achados são mais raros. Os seus estudos foram baseados em pesquisas em bases como MEDLINE, SciELO e outras e resume relatando que é pequeno o conhecimento sobre os riscos ocupacionais sobre a saúde do trabalhador, seja acadêmico ou para profissionais de serviços de odontologia devido à falta de integração entre a odontologia e as equipes de assistência à saúde do trabalhador.
Eclles (1979) baseando-se em dados epidemiológicos de erosão industrial propôs a seguinte classificação:
Classe I: Lesões superficiais envolvendo somente esmalte;
Classe II: Lesões localizadas envolvendo menos de um terço da superfície do dente; Classe III: Lesões generalizadas envolvendo mais de um terço da superfície do dente e
subdivididas em:
a) superfície lingual;
b) superfície lingual e palatina;
c) incisal e oclusal; envolvimento severo das superfícies.
O tratamento para a lesão que apresenta melhores resultados é a aplicação de adesivos e selantes dentais.
2. ALTERAÇÕES PÓS-ERUPTIVAS DA COR DOS TECIDOS DUROS DOS DENTES (CID-10 K03.7)
Segundo o Manual de Procedimentos para os Serviços de Saúde (Doenças relacionadas ao trabalho), do Ministério da Saúde do Brasil MS 2001, as alterações de cor dos elementos dentários são achados frequentes (BRASIL, 2001).
As manchas dentais de origem ocupacional como descritas no quadro de Guimarães e Rocha (1979) podem ocorrer em trabalhadores expostos a cobre, cromo, ferro, níquel, conforme mostra o quadro 4. O MS (BRASIL, 2001), inclui trabalhadores expostos ao cádmio e a prata.
Doenças pulpares como necrose pulpar, as cáries e os traumatismos dentais também podem originar manchas nos dentes, assim como, o envelhecimento e a alimentação são capazes de alterar a cor dos dentes e ainda deve-se ter conscientização de que o tabagismo é o maior fator para manchas dentais, embora esses fatores não sejam de ordem ocupacional.
O tratamento convencional realizado são polimentos com pastas abrasivas e devem ser realizadas em etapas, pelo fato das pastas conterem agentes abrasivos. Atualmente estão sendo usados para tratar as manchas dentais os clareamentos dentais a base de peróxidos, que devem sempre ser realizados sob supervisão de Cirurgião Dentista Algumas são difíceis de serem removidas e outras irremovíveis, recorrendo-se a dentística e a prótese.
3. GENGIVITE CRÔNICA (CID-10 K05.1)
Gengivite é a inflamação das gengivas. Os principais sintomas são vermelhidão das gengivas, edema (inchaço), sangramento durante a escovação e uso de fio ou fita dental e pode ser acompanhada de dor segundo Sapp, Eversole e Wysocki (2012). Quando não tratada evolui para a gengivite crônica e a periodontite.
Para Silva et al (2015) gengivite e periodontite são doenças causadas por perda do biofilme subgengival causando inflamação das gengivas e afetando o periodonto que é o conjunto de tecidos que sustem os dentes.
Lascala & Moussalli (1980) definem periodontite como uma lesão inflamatória de caráter infeccioso que envolve os tecidos de suporte dos dentes, causando a perda da inserção conjuntiva, do osso alveolar e do cemento radidicular.
A gengivite tem como causa vários fatores como: higiene bucal precária, uso de certos medicamentos, tabagismo, próteses mal adaptadas, xerostomia (boca seca), mudanças hormonais e também exposição a determinados agentes químicos.
Ishihashi et al (2015) revelam que em uma pesquisa com funcionários de uma empresa no Japão, o índice de bolsas e doenças periodontais está fortemente associada a falta de uso constante de fio dental, tabagismo e escovação ineficiente e que esses índices podem ser reduzidos com um programa de saúde bucal no local de trabalho.
As principais causas em relação a exposições ocupacionais são: mercúrio e seus compostos, bismuto, chumbo, fósforo, fluoretos e radium.
O tratamento deve ser realizado por profissional especialista em periodontia, com procedimentos clínico-cirúrgicos.
4. ESTOMATITE ULCERATIVA CRÔNICA (CID-10 K12.1)
Estomatite é um processo inflamatório que acometa a mucosa da cavidade oral, podendo ocorrer por fatores locais ou sistêmicos. A estomatite ulcerativa crônica é caracterizada por episódios repetitivos, com pouco tratamento. A região afetada pode ser a bochecha, lábios, palato, língua e gengivas (BHASKAR, 1976).
As estomatites podem ocorrer por vários fatores, dentre eles, traumatismos, processos de regime alimentar, uso de certos medicamentos, alergia a alimentos, doenças infecciosas sistêmicas ou orais, alterações endócrinas, avitaminoses, doenças hematológicas, estresse e ocupações ocupacionais.
Trabalhadores expostos a elementos como mercúrio, chumbo, bismuto, ouro, prata, fósforo e cloretos podem apresentar a doença e a sintomatologia é boca avermelhada, sensibilidade na mucosa acompanhada de dor, presença de exsudato (secreção) e geralmente limitada a gengivas, à ponta e bordo lingual (BRASIL, 2001).
O tratamento deve ser feito com suspensão das causas mecânicas, revisão da dieta e sempre por profissional especializado em patologia oral.
A prevenção das doenças listadas pelo MS (BRASIL, 2001) em termos ocupacionais baseia-se nos procedimentos de vigilância a saúde dos trabalhadores nos seus locais e processos de trabalho. Deverá ser supervisionado o uso dos EPIs, realização de campanhas educativas mostrando a importância da higiene bucal e o principal efeito para a prevenção e tratamento que são os exames periódicos odontológicos.
Chandroth et al (2014) realizaram na Índia uma pesquisa com 979 pescadores na região costeira de Kutch para avaliação da prevalência de lesões na mucosa oral e encontraram um resultado de 30,03%, sendo que a leucoplasia, (placas esbranquiçadas na mucosa oral que não sedem a raspagens), estava presente em 13,8%. A região prevalente das lesões são os lábios. No entanto, uma forte associação foi levada em conta, devido ao alto consumo, 88,1% de álcool e tabaco nos trabalhadores pesquisados.
Duley et al (2012) afirmam que nos últimos anos tem sido discutido a necessidade de educação sobre as condições de saúde bucal e que para o seu bom desempenho deverá existir a promoção da saúde oral juntamente com os outros profissionais de saúde, realizando uma interligação interdisciplinar que será importante para todos os tipos de serviços de saúde.
No IEN, durante a realização dos exames periódicos odontológicos no ano de 2015, foram encontradas doenças listadas neste capítulo, porém, sem relacionamento com a ocupação dos servidores.