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DOENÇAS DO SANGUE E DO SISTEMA CARDIOVASCULAR

Anemia

No Ayurveda, a anemia é conhecida como Pandu. O termo anemia significa falta de glóbulos vermelhos ou hemoglobina no sangue. Pode ser causada por: (1) hemorragias conseqüentes a lesões, hemorróidas, epistaxe, sangramentos pela boca, pelos pulmões, pelo ânus, pelo trato genital, etc., (2) suprimento inadequado de ingredientes formadores de sangue, através da alimentação, (3) destruição de células sangüíneas após sua formação, e (4) deficiência na produção de sangue por deficiência na função de alguns órgãos como o estômago, o fígado e a medula óssea. O oxigênio é muito importante para a manutenção e funcionamento das células corporais, e este oxigênio é transportado dos pulmões para diferentes partes do corpo através dos glóbulos vermelhos. Quando o sangue torna-se deficiente, o paciente apresenta fraqueza, mesmo após um pequeno esforço, e há sinais de palidez na face assim como em outras áreas do corpo.

 Tratamento: Há diferentes causas para os sangramentos por diferentes áreas do corpo, e se a anemia é causada por um destes

fatores, então a causa do sangramento deve ser tratada em primeiro lugar. Nas deficiências nutricionais, devem ser ingeridos gêneros alimentícios contendo ferro. Se a anemia (Pandu roga) é causada pelo mal funcionamento de quaisquer dos órgãos ou vísceras do corpo, como o fígado, estômago e medula óssea, o medicamento freqüentemente indicado pelos habilidosos médicos ayurvédicos é Punarnavadi mandura ou Punarnava mandura, que contém 22 ingredientes. O ingrediente mais importante desta fórmula é mandura, um subproduto do minério de ferro, e é considerado rico na forma assimilável do ferro. Vários processos farmacêuticos são prescritos para prepará-lo em um pó, também chamado de bhasma, tornando-o mais assimilável também.

Punarnava (Boerhaavia diffusa), o próximo ingrediente importante

desta fórmula, possui propriedades rejuvenescedoras. A víscera, ou parte da mesma, cujo desequilíbrio causou a anemia, torna-se recuperada através do uso desta droga. Outras substâncias incluídas nesta droga também estimulam os órgãos afetados e equilibram suas funções. Algumas aumentam o apetite, e portanto, o alimento é adequadamente digerido, absorvido e assimilado. Este medicamento não é tóxico, pode ser administrado até mesmo a um homem saudável, para o qual a droga agirá como um tônico. Normalmente, 1 grama desta droga é administrada quatro vezes ao dia. Ela deve ser bem misturada com mel ou qualquer outro xarope de forma a adquirir uma consistência de uma pasta (linctus) e depois ingerido. Para crianças, a dose deve ser proporcionalmente reduzida.

 Dieta: Nas anemias, alimentos azedos, especialmente o iogurte, e as frituras, que interferem no funcionamento normal do fígado, são proibidos. Vegetais verdes são considerados benéficos. Doces preparados com as sementes de til (Sesamum indicum) adicionados a um xarope preparado com gur (açúcar doce) é considerado bastante benéfico. Este produto deve ser

ingerido principalmente quando a função fígado está afetada. A casca das sementes de gergelim (Sesamum indicum) contém muito ferro, e portanto, não deve ser removida na preparação dos doces.

 Conduta: A anemia, de acordo com o Ayurveda, é considerada um tipo de desequilíbrio de pitta. A purgação é considerada a melhor terapia para o tratamento de pitta. Portanto, no tratamento destes casos, a constipação é imediatamente corrigida. No paciente constipado, os medicamentos mencionados acima tem eficácia reduzida. Punarnava mandura age como um laxante suave quando administrado em uma dose maior. Mas se o paciente permanecer constipado, mesmo sob a ação do remédio, deve ser prescrita a água triphala10 que deve ser ingerida todos os

dias pela manhã, em jejum.

Além do medicamento acima descrito, existem muitos outros remédios mencionados no Ayurveda, que devem ser prescritos em tipos específicos de anemia. Alguns destes medicamentos podem ser um pouco tóxicos se não forem empregados na dose adequada. Nos casos sérios de anemia, estas drogas devem ser utilizadas sob a supervisão apropriada de um médico ayurvédico.

Cardiopatias – Angina pectoris

Trata-se essencialmente de uma síndrome clínica de dor torácica característica produzida pelo aumento do trabalho do coração. Em geral, a dor tem alívio com o repouso. Na maioria dos casos, manifesta-se na região anterior do tórax e principalmente sobre o esterno. A dor irradia para o lado esquerdo do corpo, com freqüência. Pode atingir os braços, pescoço, mandíbula e também a parte superior do abdome. O ombro esquerdo e o braço esquerdo são muito freqüentemente acometidos pela dor. É mais conhecida como doença do coração. No Ayurveda é denominada

Hridroga. São muitos tipos dependendo dos aspectos

característicos da dor. Se a dor é aguda, e de natureza móvel, passa a ser chamada Vatika hridroga. Se estiver associada com sensação de queimação, chama-se Paittika hridroga. Na Kaphaja

hridroga, a dor é em geral muito suave e está associada com

sensação de peso, náuseas e tosse.

A patologia é causada por obstrução nas artérias coronárias, os vasos sangüíneos que atravessam a parede do coração e nutrem o músculo cardíaco. Como o músculo cardíaco despende uma imensa quantidade de energia, necessita de nutrição ininterrupta. Isto naturalmente demanda um bom suprimento de sangue. Qualquer bloqueio nestes vasos sangüíneos interferem com o adequado fluxo de sangue para os músculos cardíacos. Se o fluxo de sangue for significativamente reduzido, o coração sinaliza suas dificuldades com o registro de dor ou desconforto no peito.

Tratamento: Arjuna (Terminalia arjuna) é a droga de escolha para o tratamento desta doença. Trata-se de uma árvore de porte elevado e sua casca é utilizada como medicamento. O pó ou a decocção de sua casca é administrada durante e mesmo depois

da crise. O pó é administrado na dose de 1 grama, quatro vezes ao dia. Se a doença cardíaca for do tipo vatika, o medicamento é misturado ao ghee. Se for do tipo paittika, emprega-se o leite. No tipo kaphaja de doença cardíaca, a droga é misturada ao mel ou com o pó de pippali (Piper longum). Para preparar a decocção, geralmente 30 gramas do pó puro da casca da árvore é fervido com aproximadamente 500 ml de água até que seja reduzido a um quarto. Passa-se à filtração, adiciona-se mel ou ghee e pode ser administrado ao paciente. Se for adicionado mel, a decocção deve estar fria antes da mistura. O ghee é misturado quando a decocção está morna e é fornecida ao paciente nesta temperatura. Existem muitas preparações que utilizam esta planta, a arjuna (Terminalia arjuna). Os médicos usam freqüentemente a formulação Arjunarishta. Seis colheres de chá desta droga na forma líquida são administradas ao paciente duas vezes ao dia após a refeição, com igual quantidade de água. Arjuna (Terminalia arjuna) é fervida em manteiga de vaca, e este ghee medicinal é administrado ao paciente na dose de uma colher de chá duas vezes por dia, em jejum, misturado com uma xícara de leite morno. Esta preparação é conhecida como Arjuna ghrita. Este medicamento não deve ser prescrito para um paciente obeso. Seria acrescentar mais gordura e isto poderia criar mais problemas.

Outros medicamentos utilizados para diferentes tipos de doenças cardíacas são Hridayarnava rasa e Prabhakara vati. Estes medicamentos são disponíveis na forma de tabletes. Devem ser prescritos dois tabletes, três a quatro vezes ao dia, dependendo da gravidade da doença.

No momento dos ataques agudos, Mrigamadasava é a droga ideal. Trata-se de um medicamento em forma de líquido, administrado na dose de 1/2 a 1 colher de chá, misturada com igual quantidade de água. Estes medicamentos são utilizados

mesmo depois da remissão da crise. Com o esforço, o paciente pode apresentar um ataque a qualquer momento. Torna-se, portanto, necessário que utilize os medicamentos acima mencionados durante seis meses continuamente.

 Dieta: Estão proibidas as frituras, os grãos de leguminosas, e suas preparações, e óleo de amendoim. Os médicos ayurvédicos permitem a manteiga ou o ghee, mas não o óleo de amendoim. O

ghee de leite de vaca, o leite de vaca e a manteiga de leite de

vaca são muito benéficos ao paciente. O ghee de leite de búfala e o leite de búfala não são recomendados. Estimulantes como chá, café e bebidas alcoólicas são muito prejudiciais para tais pacientes.

 Condutas: O Ayurveda considera interligadas as funções do coração e da mente. Os distúrbios de um afetam o outro. Então, pacientes com doenças cardíacas são aconselhados pelos médicos ayurvédicos a evitar a ansiedade, a preocupação, a atividade sexual excessiva e a disposição irada. Todos os esforços devem ser feitos para que o paciente tenha um bom sono à noite. Mesmo um descanso durante o dia é essencial. Ele nunca deve permanecer acordado até tarde da noite.

Os intestinos devem estar funcionando regularmente. Se apresentar constipação, deve ser aconselhado a ingerir um copo de água pela manhã bem cedo e sair para caminhar todos os dias.

Figura 8: Terminalia arjuna (arjuna)

Hipertensão

O sangue é bombeado pelo coração para todas as partes do corpo através das artérias, seus ramos e inúmeros capilares. Quando o coração contrai, o sangue é forçado para dentro das artérias e portanto, exerce uma pressão positiva sobre as paredes destes canais. Quando o coração dilata, a pressão nas artérias é reduzida e cria-se uma pressão negativa. As paredes das artérias são elásticas para acomodar tanto as pressões negativas quanto as

positivas. Durante a contração do coração, a pressão exercida sobre as paredes das artérias é chamada sistólica e durante a dilatação do coração, a pressão exercida é chamada diastólica. A pressão do sangue varia de pessoa para pessoa dependendo da idade, sexo, trabalho físico e mental. Os homens, tanto aqueles que estão idosos quanto aqueles que estão expostos a um maior esforço físico e mental mantém, normalmente, uma pressão mais elevada que outros. Em condições fisiológicas, a pressão do sangue aumenta durante situações de medo, raiva e excitação. Uma pessoa durante o sono e o período de repouso mantém uma pressão mais baixa.

Além dos fatores físicos e emocionais mencionados acima, a pressão sangüínea pode se elevar por um desequilíbrio de vayu. Tanto os fatores físicos e psíquicos, incluindo o clima são responsáveis por esta alteração. A ingestão excessiva de sal, a falta de exercícios, a preocupação mental, a insônia e as doenças dos rins, entre outras, são responsáveis pela pressão elevada na terceira idade; especialmente quando o rim está afetado, a pressão se eleva. Por causa do acúmulo de sais nas paredes das artérias, sua elasticidade é reduzida e, portanto, mesmo um pequeno esforço do coração exerce pressão sobre estas paredes. Uma pessoa com hipertensão não dorme bem à noite. Palpitação, tontura, perda da estabilidade, perda do equilíbrio, dispnéia aos mínimos esforços, fraqueza e dificuldades digestivas são sintomas apresentados. Quando a hipertensão torna-se crônica, por causa da perda da elasticidade das artérias, os capilares que suprem sangue aos olhos, especialmente para a retina, são afetados resultando em hemorragia local e perda da visão. Quando a doença torna-se mais grave, com o passar do tempo, agride também as artérias que nutrem de sangue o cérebro. Por causa da perda de elasticidade, podem romper-se e ocorre hemorragia. Este sangramento é conhecido como hemorragia cerebral. Resulta em

paralisia. Os movimentos de vários órgãos do corpo são controlados por estes centros localizados no cérebro. O centro afetado pela hemorragia é responsável pela paralisia do órgão correspondente.

Tratamento: Todos os medicamentos que aliviam vayu e promovem o vigor do sistema nervoso são benéficos nesta condição. Lasuna ou alho é uma excelente droga. O alho possui um efeito aquecedor sobre o corpo quando ingerido cru. O alho transformado em pasta e misturado com manteiga de leite é muito eficaz no tratamento desta patologia. Deve-se começar com uma grama de alho três vezes ao dia. Esta deve ser gradualmente elevada para 3 gramas três vezes ao dia. Outro método muito utilizado é a fritura do alho no ghee. Isto reduz o cheiro e torna-o mais agradável ao paladar.

Sarpagandha (Rauwolfia serpentina) é uma formulação

freqüentemente utilizada no tratamento da hipertensão pelos médicos ayurvédicos. A droga também é largamente prescrita no sistema de medicina alopático. Muitos alcalóides tem sido isolados desta droga e sua eficácia foi comprovada na redução da pressão sangüínea. No Ayurveda, a raiz desta droga é empregada em seu estado natural. O pó desta planta é administrado a um paciente adulto na dose de meia colher de chá, três vezes ao dia. A forma de tabletes é preparada a partir do extrato aquoso da planta e deve ser administrado na dose de dois tabletes, três vezes ao dia. Frações isoladas (alcalóides), quando administradas por período prolongado, produzem alguns efeitos adversos. Tais efeitos indesejáveis não são encontrados quando a droga inteira é transformada em pó ou em tablete.

Para pacientes que sofrem de hipertensão crônica, a terapia

dhara11 é considerada a mais eficaz. Para este fim, utiliza-se o

óleo medicinal fervido com bala (Sida rhombifolia) e leite. O óleo é colocado em um recipiente de barro pendurado em um apoio, tipo pedestal, ou no teto da sala. O paciente deve deitar-se de costas. O óleo medicinal é derramado sobre a testa do paciente (entre as sobrancelhas), de um pequeno buraco feito no fundo do recipiente de barro. Esta terapia é aplicada uma vez ao dia, de preferência pela manhã, durante cerca de uma hora. Através do uso desta terapia, o paciente dorme profundamente à noite e a pressão sangüínea gradualmente torna-se mais baixa. O mesmo óleo também pode ser utilizado para massagear a cabeça, assim como o corpo. Este óleo, preparado através da ebulição de bala (Sida rhombifolia) com leite, repetidamente, por cem vezes, é denominado Shatavartita kshirabala taila. Cinco gotas deste óleo devem ser administradas internamente com uma xícara de leite, todos os dias. É bastante conhecido por sua eficácia na redução da pressão sangüínea.

 Dieta: O paciente não deve ingerir alimentos picantes e especiarias, e deve evitar o sal tanto quanto possível. Óleos e gorduras hidrogenadas devem ser estritamente proibidos. O paciente pode utilizar o ghee ou a manteiga preparada com leite de vaca. O ghee e a manteiga preparados com leite de búfala não são aconselháveis. O paciente deve ingerir vegetais que auxiliem na limpeza dos intestinos. A abóbora amarga, a Cassia fistula,

patola (Trichosanthes dioica) e bimbi (Coccinia indica) são os

vegetais mais benéficos. O paciente deve evitar colocasia e a variedade amarela da abóbora. Ele pode ingerir todos os tipos de frutas secas. Laranja, banana, goiaba e maça são consideradas muito úteis . O óleo de amêndoas pode ser administrado na dose de uma colher de chá em uma xícara de leite na hora de dormir. Isto ajuda a tranqüilizar o nervos, reduzindo assim a pressão. Frutas e vegetais fervidos são melhores que cereais e grãos de leguminosas para estes pacientes.

 Conduta: O paciente não deve ficar acordado à noite durante um tempo demasiadamente longo, e ele deve descansar o máximo possível. Esforço mental de qualquer forma deve ser evitado. Ele pode realizar exercícios físicos leves, mas exercícios físicos pesados, especialmente levantamento de pesos, etc., devem ser evitados. Ele deve ser equilibrado em seus hábitos alimentares e naqueles relacionados à evacuação intestinal. Ele deve dedicar-se algum tempo a meditação e relaxamento, os quais lhe trarão paz e tranqüilidade mentais.

Icterícia

A icterícia é caracterizada pelo aparecimento de cor amarelada nos olhos e na pele. No Ayurveda é denominada Kamala. É causada pela excessiva circulação de pitta (pigmentos biliares) no sangue. O fígado é responsável pela produção de pitta. Se houver qualquer obstrução nos ductos biliares, ou falha nas funções do fígado, ou excessiva destruição de células vermelhas do sangue,

pitta apresenta-se em excesso no sangue. Normalmente, é

eliminado do corpo através da urina e das fezes. No entanto, se surgir uma obstrução nos ductos biliares, não há eliminação para os intestinos. As fezes normais possuem uma coloração característica por causa da bile, de forma que se houver uma obstrução nos ductos biliares, as fezes tornam-se brancas, pálidas na coloração. A urina, no entanto, permanece excessivamente amarela em todos os tipos de icterícia.

Além de tornar a pele e os olhos amarelos, muitos outros sintomas se manifestam, dependendo do caso. A digestão, especialmente das gorduras, está deficiente e, consequentemente, o paciente torna-se fisicamente debilitado. A destruição das células sangüíneas, e o excesso de circulação de pigmentos biliares resultam no bloqueio da oxidação dos tecidos celulares, causando defeitos no metabolismo e queixas relacionadas. Pode haver prurido em todo o corpo.

 Tratamento: No Ayurveda, em tais condições, aplica-se a terapia purgativa logo no início. Como o paciente está debilitado, purgativos potentes estão contra-indicados. Apenas purgativos do tipo colagogo, que estimulam a função do fígado e aumentam o fluxo de bile nas vias biliares são empregados. Trivrit (Operculina turpethum) e kutaki (Picrorhiza kurroa) são as duas drogas de escolha para este tratamento. A casca da raiz de trivrit e o rizoma de kutaki são utilizadas separadamente ou associados, na forma

de pó. Dependendo do vigor do paciente, da gravidade e do estágio da doença, o pó destas drogas é administrado na dose de 1 a 2 colheres de chá, duas vezes ao dia, com água quente.

Duas preparações freqüentemente utilizadas para esta condição são Avipattikara churna e Arogya vardhini vati. A planta trivrit (Operculina turpethum) é um importante ingrediente da primeira fórmula e katuki (Picrorhiza kurroa), da última. A primeira droga é vendida na forma de um pó e administrado na dose de uma colher de chá, duas vezes ao dia, com água quente. A última, na forma de tabletes de 250 mg. cada, é administrada na dose de dois tabletes, três vezes ao dia, seguido por água quente ou misturado com mel.

Bhumyamalaki (Phyllanthus niruri) é comumente empregado no

tratamento de todos os tipos de kamala (icterícia). Trata-se de uma erva pequena, com cerca de seis polegadas de altura. O suco desta planta é administrado ao paciente na dose de uma colher de chá, três vezes ao dia, misturado com mel. Pode ser administrado também na forma de pasta. Outras drogas também utilizadas são:

vasaka (Adhatoda vasica), kakamachi (Solanum nigrum) e triphala

(as três frutas: Terminalia chebula, Terminalia belerica e Emblica officinalis)

 Dieta: Alimentos doces e líquidos como suco da cana-de- açúcar, o suco da laranja e uvas passas devem ser ingeridos em grande quantidade. Esta alimentação ajudará a estimular a micção, auxiliando assim na eliminação dos pigmentos biliares que estão em excesso no sangue. Podem entrar na dieta os vegetais e as sopas de carne. Vegetais com sabor amargo são úteis nesta condição. Alimentos azedos e com sabor penetrante, assim como especiarias, não são benéficos. O sal deve ser utilizado em quantidade limitada. A romã (Punica granatum), apesar de azeda, é benéfica. O iogurte não deve ser oferecido ao paciente. Mas a manteiga feita de iogurte pode ser oferecida ao paciente em

grandes quantidades, pois não é muito azeda. Álcool, de qualquer forma, está contra-indicado.

 Conduta: O paciente deve estar em completo repouso. Deve evitar o calor, o sol, o sexo e fatores psíquicos como a raiva e a ansiedade.

Figura 10: Phyllanthus niruri (bhumyamalaki)

O edema, não inflamatório, surge por diversas razões. Doenças do coração, fígado e rim, assim como anemia são algumas das importantes causas para o edema. Em todos os tipos de edemas, seja qual for sua causa, há acúmulo excessivo de líquidos nos tecidos. É necessário que estes líquidos sejam eliminados do corpo.

Tratamento: Punarnava (Boerhaavia diffusa) é a droga de escolha para o tratamento desta condição. É uma pequena trepadeira, encontrada em quase toda a Índia, exceto nas grandes altitudes. Cresce abundantemente após o início das chuvas. Em certas regiões, as pessoas usam esta planta como vegetal folhoso. Existem dois tipos de Punarnava, uma variedade vermelha e uma branca. Ambas são empregadas na medicina. A planta inteira pode ser administrada, mas suas raízes atuam melhor que outras partes da planta na cura do edema. A preparação mais utilizada popularmente nos casos de edemas é conhecida como Punarnava

mandura. Trata-se de uma preparação à base de ferro na qual é

adicionada a planta Punarnava (Boerhaavia diffusa). É normalmente disponível na forma de pó e administrada ao paciente em doses que variam dependendo da causa da doença e de sua característica aguda. Normalmente, a dose é de 2 gramas, três vezes ao dia, misturada com mel. Dá uma coloração negra às fezes. Caso haja constipação, ajuda indiretamente em seu alívio e uma certa quantidade de fluidos é eliminada do corpo através das fezes. A droga também melhora a função dos rins e promove a micção.

Uma preparação alcoólica desta droga é conhecida como

Punarnavadyarishta. É administrada na dose de 6 colheres de chá,

após as refeições, duas vezes ao dia. Deve ser diluída em igual quantidade de água antes de ser administrada ao paciente. Se o