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Doenças ocupacionais do trabalho (DORT/LER)

Problemáticas envolvendo a saúde dos trabalhadores docentes são cada vez mais levantadas e evidenciadas na sociedade. As atividades comuns dos professores, especificamente aquelas realizadas antes do período crítico da pandemia por Covid-19, apresentavam determinantes potenciais para o desenvolvimento de doenças mentais, emocionais, psíquicas, fonoaudiólogas e musculoesqueléticas. No Brasil, o índice de docentes que já se afastaram do trabalho para tratamento de saúde é bastante significativo. Os problemas se dividem entre questões psicológicas, comportamentais e físicas (SANTOS et al., 2020).

Doenças

psicológicas/psíquicas/comportamentais

Doenças físicas

Síndrome do pânico Artrose

Síndrome de Burnout Artrite

Ansiedade Tenossinovite

Depressão Síndrome do impacto do ombro

Problemas/mudanças de humor Tendinite

Tabela 3: Doenças associadas à prática laboral da docência

Fonte: Criação do autor (produzida em 2021) a partir de dados extraídos de SANTOS et al., 2020.

A compreensão entre as nuances que interligam o processo de saúde-doença e o trabalho é complexa e pode afetar de forma negativa as habilidades de execução das tarefas laborais tangentes à docência. Os professores e professoras costumam apresentar uma péssima qualidade do sono, associados à constante exaustão mental e física, bem como a dificuldade para autocuidado com a própria saúde, ainda conforme Santos et al. (2020). Na pandemia, mediante as medidas de restrição, tais pressupostos se agravaram (PINHO et al., 2021).

As DORT correspondem a um conjunto de doenças e condições osteomusculares que envolvem degeneração ou inflamação de diversas estruturas corporais, tais quais, nervos, tendões, ligamentos, músculos e sítios periarticulares.

Os trabalhadores que passam muitas horas do dia sentados em frente a computadores costumam se referir a queixas álgicas, principalmente nas regiões do pescoço, cervical e dos membros superiores. Os termos utilizados para referência das patologias relacionadas ao trabalho costumam variar conforme o tipo de literatura e de acordo com a legislação previdenciária utilizada no país (ASSUNÇÃO; ABREU, 2017).

Conquanto, sabe-se que a maioria dos trabalhadores que sofrem com problemas musculoesqueléticos não procuram os serviços de saúde e nem recorrem aos direitos trabalhistas que lhes protegem e resguardam. A procura por tratamentos e o pedido de afastamento do trabalho ocorrem quase sempre quando o quadro se encontra crônico e grave. Geralmente, o medo de perder o emprego e de mostrar-se

pouco produtivo são razões para o retardo diagnóstico e tratamento (SILVA;

RODRIGUES; TRINDADE, 2020).

No Brasil, costuma-se denominar as doenças ocasionadas pelo trabalho como lesões por esforço repetitivo (LER), distúrbios não específicos associados ao trabalho dos membros superiores, problemas musculoesqueléticos associados ao trabalho, lesões desencadeadas por acumulação de traumas, síndrome do complexo cervicobraquial, e muitos outros. Concomitantemente, todos envolvem quadro geral de inflamação, dor exacerbada e insidiosa e síndromes envolvendo os nervos devido a fatores de compressão nervosa (ASSUNÇÃO; ABREU, 2017).

Atualmente, considera-se o termo DORT mais adequado para englobar todos esses transtornos físicos supracitados. Os DORT, como já referido, são caracterizados como lesões ou danos ocasionados em decorrência do mau uso ou uso excessivo e indevido do sistema musculoesquelético, em junção com a repetição constante dos movimentos lesivos e a inexistência de tempo propício para recuperação corporal. Os trabalhadores acometidos pelos DORT referem-se a sintomas como dor, fadiga e parestesia em vários segmentos do corpo, com destaque para os membros superiores (OLIVEIRA et al., 2015).

A ergonomia não funcional e inadequada acarreta tais problemas. A utilização incorreta das ferramentas de trabalho, a falta de espaço adequado para livre movimentação corporal, disposição do imobiliário disfuncional e manutenção de posturas biomecânicas lesivas são fatores contribuintes diretos para o desenvolvimento de patologias osteomusculares graves e por vezes incapacitantes, responsáveis em muitos casos pelo absenteísmo e afastamento prolongado do trabalho. Evidentemente, há uma carência de dados estatísticos dos trabalhadores acometidos pelos DORT. Essa carência se acentua quando se trata do grupo de trabalhadores docentes. Apesar dos DORT serem enfermidades de notificação compulsória na Previdência Social (OLIVEIRA et al., 2015).

Os DORT, segundo alguns estudos atuais, representam por volta de 50% das enfermidades ocupacionais registradas. Ademais, estima-se que no Brasil cerca de quatro milhões de trabalhadores apresentam alguma queixa musculoesquelética relacionada ao trabalho. Obviamente, fatores socioeconômicos associam-se à incidência relevante de DORT. A construção histórica do trabalho como protagonista principal do sistema capitalista favorece a fomentação da ideia de que o trabalho bem feito é executado por meio de um extremo esforço físico e mental, princípio

relacionado diretamente ao processo de adoecimento do trabalhador (SILVA;

RODRIGUES; TRINDADE, 2020).

Dentre os DORT mais comuns e referidos pelos trabalhadores brasileiros estão às disfunções da coluna, que envolve as cervicalgias, dores ciáticas, espondiloses, algias na região torácica e lombar, problemas intervertebrais e radiculopatias, de acordo com Oliveira et al. (2015). Por pressuposto, o trabalhador que passa a maior parte do tempo executando as atividades laborais, sentado em frente à tela de um computador está preponderantemente mais suscetível à ocorrência aguda ou crônica de dores em diversas regiões da coluna (OLIVEIRA et al., 2016).

A movimentação repetitiva e a manutenção de posturas inadequadas são comuns diante da necessidade de utilização de instrumentos como o mouse, teclado e tela de vídeo. São causas comuns de distúrbios relacionados às regiões musculoesqueléticas da cervical e ombros (OLIVEIRA et al., 2016). A região da coluna parece ser a mais afetada, especificamente, a cervical (OLIVEIRA et al., 2015).

O trabalho sentado em frente ao computador pode favorecer o desenvolvimento dos DORT, sendo as dores cervicais bastante comuns, inclusive em associação ao uso de outras ferramentas tecnológicas, tais quais, tablets e smartphones. Cerca de 50% das pessoas irão se referir à dor cervical pelo menos uma vez na vida. Os fatores associados ao surgimento das cervicalgias incluem manutenção postural prolongada da flexão do pescoço, aumento do estresse laboral e movimentos repetitivos. As dores na cervical costumam afetar de modo bastante negativo a QV dos trabalhadores (CASTRO et al., 2021).

Outra região bastante afetada são os punhos. Assim, cervical, ombros e punhos compreendem os locais mais acometidos pelas patologias relacionadas ao trabalho, desenvolvidas em razão de uma má qualidade ergonômica nas atividades laborais (SILVA; RODRIGUES; TRINDADE, 2020).

Ademais, é relevante compreender que o sexo masculino costuma apresentar mais queixas de dor e adoecimento musculoesquelético, apesar do sexo feminino ser mais vulnerável e possuir maiores riscos de acometimento de patologias.

Concomitantemente, as queixas de dor e problemas físicos parecem aumentar conforme a elevação da jornada de trabalho, a literatura aborda que uma carga horária de 6 horas diárias já é fator de risco para os DORT, ainda de acordo com Silva, Rodrigues e Trindade (2020).

No período de pandemia, a jornada de trabalho duplicou para os professores, e muitos não conseguiram organizar as atividades laborais e a vida familiar de modo ergonomicamente saudável, o que favoreceu o aumento do estresse e consequentemente dos problemas de saúde (PINHO et al., 2021). Nesse cerne, é válido investigar os pressupostos ergonômicos envolvidos na vida do docente mediante as atividades laborais realizadas durante a crise sanitária por Covid-19.

Priorizar a saúde do trabalhador é um dos objetivos do SUS. Assim, medidas de prevenção e intervenção são necessárias (SILVA; RODRIGUES; TRINDADE, 2020).