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1. INTRODUÇÃO

2.2. A DONA DE CASA NOS FEMINISMOS DAS DÉCADAS DE

Os feminismos do Ocidente, desde a década de 1960 em países do Norte ou desenvolvidos, e principalmente desde os anos 1970 no Brasil e outros países sul-americanos, discutiram as formas através das quais a função de dona de casa, posta como destino inquestionável das mulheres, construiu suas identidades e as colocou, historicamente, em posições subalternas em diferentes sociedades através do mundo. A naturalização do trabalho doméstico como feminino, muito embasada em uma série de naturalizações que se referem principalmente à maternidade, serviu de suporte à separação, segundo as feministas, liberal, artificial e fantasiosa78, das esferas pública e privada. A invisibilidade e desvalorização deste trabalho, que ocupava e ocupa jornadas intermináveis de milhões79 de mulheres, foram discutidas pensando essas trabalhadoras não pagas como uma categoria, não salariada, explorada em unidades domésticas individuais das quais, pelos laços afetivos e familiares, jamais poderiam se libertar. Uma dona de casa não poderia demitir-se do seu trabalho, e os feminismos compararam o trocar de patrão, no mercado das donas de casa, ao trocar de esposo, que de forma geral era muito complicado, quando não inviável80.

Muitas teóricas feministas, entre as décadas de 1970 e 1980, fizeram amplas conceituações do trabalho doméstico, tentando demonstrar toda a gama de atividades, físicas e intelectuais, que faziam parte do dia a dia das mulheres. Por um lado, muitas apontaram o

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Essa discussão pode ser encontrada em TODARO, Rosalba. Introducción general – Ampliar la mirada: trabajo y reproducción social. In: TODARO, Rosalba; YÁÑEZ, Sonia. El trabajo se transforma: relaciones de producción y relaciones de género. Santiago: CEM, 2004, p. 15-32. Disponível em <http://www.cem.cl/pdf/trabajo_interior.pdf> Acesso em 05/07/2013.

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Para não dizer bilhões.

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Vale lembrar que o divórcio só foi aprovado e regulamentado no Brasil em 1977.

trabalho doméstico como pouco desafiador, monótono e repetitivo e, portanto, esse seria o seu problema, uma vez que mulheres adultas se sentiam desestimuladas e depressivas por desempenhar este e apenas este tipo de trabalho em suas vidas. Por outro lado, todavia, os feminismos (ou outros feminismos, outras feministas...) apresentaram um importante contraponto a essas observações, avaliando que, se algumas das funções de dona de casa são monótonas, repetitivas e pouco exigentes, outras são pesadas, estressantes, e mobilizam muito da energia física e mental de quem as desempenha. Esse contraponto também vê nas mulheres os efeitos negativos do trabalho doméstico, mas os enxerga de forma mais ramificada, observando inúmeras causas de mal estar, assim como inúmeras atividades desempenhadas, que variam conforme a dona de casa, o lugar em que sua família vive, sua renda familiar, sua religião ou cultura.

Dessa forma, é importante termos em vista que as discussões feministas acerca do trabalho doméstico que foram realizadas ou circularam pelo Brasil nas décadas de 1970 e 1980 não são homogêneas. Entretanto, algumas características em comum podem ser observadas, e as querelas dentro dos feminismos a respeito da função de esposa e do trabalho doméstico nos ajudam a vislumbrar de forma mais geral o debate do período.

Uma questão que parece ser importante é uma diferenciação, nunca tão explícita, mas que pode ser observada nas entrelinhas, entre trabalho doméstico e função de esposa, ou executar o trabalho doméstico e ser uma dona de casa. Era senso comum e nunca encontrei, nos textos do período, divergências sobre o fato das donas de casa (as que cumpriam dupla jornada ou não) serem as responsáveis pelo trabalho doméstico. Ou que eram principalmente esposas que executavam o trabalho doméstico. Entretanto, as funções de esposa extrapolavam o que era entendido como trabalho doméstico, e era avaliado que algumas esposas, as que pertenciam a famílias mais abastadas principalmente, não executavam o trabalho doméstico. Podiam até ser responsáveis por ele, gerenciavam, por assim dizer, a casa e quem os executava. Mas nem sempre essa atividade de gerenciamento foi colocada nos escritos feministas como trabalho.

Um exemplo interessante pode ser observado no jornal Nós

Mulheres, publicado em São Paulo entre 1976 e 1978. Em seu primeiro

editorial, na edição de junho de 1976, o jornal ressalta as diferenças entre as donas de casa

Mas mesmo entre nós existem diferenças. Um grande número de mulheres cumpre uma dupla jornada de trabalho: o trabalho fora de casa [e] o trabalho doméstico. Outras cumprem só as tarefas domésticas. Mas, entre as próprias donas de casa, persistem diferenças. Existem aquelas que não são obrigadas a passar o dia inteiro fazendo o trabalho de casa porque têm dinheiro para contratar alguém que faça este serviço por elas. Além disso, podem dar uma boa alimentação, uma boa escola, brinquedos e roupas a seus filhos. A maioria das donas de casa, porém, é obrigada a passar o dia todo lavando, passando, arrumando, cozinhando, cuidando dos filhos, num trabalho que não acaba nunca. (...)81

Outro exemplo interessante nesse sentido é encontrado no jornal em sua segunda edição, de setembro/outubro de 1976, na qual uma reportagem, de duas páginas cheias, intitulada "Nós Mulheres: Donas de Casa", discute a situação das donas de casa trabalhadoras. Sob a chamada A rainha do lar não tem cetro nem coroa, a matéria entrevista donas de casa sob vários aspectos de seu dia a dia: o isolamento, o trabalho interminável, o trabalho de reprodução, a reserva de mão de obra ou disfarce do desemprego, e termina buscando apontar algumas soluções para a questão. As matérias seguintes desse número são, inclusive, sobre a falta de creches públicas e sobre a alta no custo de vida, questões diretamente relacionadas ao cotidiano das donas de casa.

De qualquer forma, um subtítulo da matéria "Nós Mulheres: Donas de Casa" se destaca – Sexo: prazer ou obrigação? Neste, a disponibilidade sexual das esposas a seus maridos, ou a atividade sexual como parte das funções de dona de casa, é debatida. Esse é um fator discutido no período pela bibliografia feminista, como o fez Danda Prado em Ser esposa: a mais antiga profissão. Entretanto, apesar de ser uma questão que afeta todas as mulheres casadas, independentemente da posição social de sua família, o Nós Mulheres focou-se nas mulheres trabalhadoras. Quer dizer, o jornal e nenhuma outra fonte feminista nega que as mulheres de camadas médias fossem oprimidas por serem mulheres, mas pouco se falava sobre elas, principalmente na década de 1970.

81

Trecho do editorial do jornal Nós Mulheres. São Paulo, nº 1, junho 1976, p. 01.

Esse tipo de sobreposição dos problemas das mulheres trabalhadoras aos problemas das demais mulheres também pode ser observado quando outras questões são discutidas. Na mesma matéria supracitada do Nós Mulheres, comenta-se como as donas de casa que cumprem dupla jornada otimizam seu tempo para conseguir realizar o trabalho remunerado e o trabalho doméstico, questão que é amplamente tratada pela bibliografia feminista, desde Betty Friedan82 até periódicos e textos dos anos 1980 no Cone Sul83. Já no caso das mulheres que são exclusivamente donas de casa84, o trabalho estende-se durante o dia. As atividades são realizadas de forma mais detalhada e atividades diferentes são incorporadas ao trabalho, de forma a preencherem o dia e muitas vezes também a noite.

É consenso na bibliografia que as donas de casa têm uma jornada inesgotável, uma vez que uma xícara na pia às 23h30 traduz-se em trabalho, e uma criança chorando às 5h ou 3h da manhã também. Mas o

Nós Mulheres, ao comentar em seu primeiro editorial que algumas

mulheres não precisam passar o dia lavando, passando e cozinhando porque contratam alguém para isso, não se pergunta o que fazem essas mulheres durante seu dia. Que tipo de trabalho se estende na jornada interminável destas mulheres? No oitavo número do Brasil Mulher, de 1977, há uma tirinha que denuncia a invisibilidade e a longa jornada de uma dona de casa, e nesta é interessante observar a forma como o trabalho se distribui durante o dia.

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FRIEDAN, B. Op. Cit, 1971.

83

MELLO, S. Op. Cit., 2011.

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Essa diferenciação é importante. Muitas das estatísticas realizadas na década de 1980 consideram donas de casa apenas aquelas mulheres que são exclusivamente donas de casa, ignorando o fato de que as mulheres que possuem ocupações remuneradas, a domicílio ou fora de casa, são também em sua esmagadora maioria donas de casa, ainda mais no tempo do recorte da pesquisa do que nos dias atuais.

Figura 2

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O fato de mostrar a dona de casa executando todo o trabalho sozinha, sem nenhuma ajuda, pode ser uma forma de explicitar a quantidade de trabalho e a longa jornada de uma trabalhadora apenas, sozinha, uma vez que ela é a responsável por este trabalho, tendo ajuda ou não. Não quer dizer necessariamente que se trate de uma dona de casa despossuída, e a falta de maiores informações sobre a tirinha pode

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Brasil Mulher. São Paulo, Ano 2, nº 8, 1977, p. 14. Importante ressaltar que muitas dessas imagens e charges circulavam internacionalmente entre os grupos feministas. Além das circulações percebidas no Cone Sul, exploradas em pesquisa anterior, essa tirinha em especial traz alguns sinais, principalmente no quadro da lavanderia, de que seria oriunda de país de língua inglesa.

nos levar a pensar que talvez ela originalmente nem tenha sido feita no Brasil. Considerando a circulação de textos e escritos discutindo a

condição da mulher nesses anos, essa é uma hipótese plausível. Nesse

caso, em um quadrinho produzido em um país onde a desigualdade de renda não fosse tão marcante quanto o era na América do Sul e, portanto, o trabalho doméstico não fosse tão acessível às camadas médias, poderia tratar-se de uma família com um alto padrão de consumo, sem necessariamente ter ajuda remunerada no lar.

De um modo ou de outro, apesar da tirinha centrar-se nas atividades que geralmente são consideradas como trabalho doméstico – lavar, passar, cozinhar, comprar alimentos e cuidar das crianças –, o tempo livre da dona de casa é preenchido com outros tipo de trabalho, como a confecção de roupas de tricô e a própria atividade sexual com o esposo. A pergunta que persiste é, se fossem retiradas, do dia da dona de casa, as atividades de limpar, lavar, passar, cozer, como ela utilizaria seu tempo? Ela teria tempo livre, tempo de lazer? O que era considerado tempo de lazer para uma mãe de família? Levar as crianças à praia? Um piquenique? Tricotar embaixo de uma árvore enquanto o bebê brinca no parque? Isso tudo não é trabalho?

Também no Mulherio, jornal publicado em São Paulo entre 1981 e 1988, no qual o viés de luta de classes já não é tão marcado quanto no

Brasil Mulher ou no Nós Mulheres, uma espécie de redução das

atividades de dona de casa surge em uma charge, reproduzida aqui na Figura 3, na próxima página. Pensa-se aqui em redução, porque a charge coloca a dona de casa como executora das atividades de uma empregada doméstica. É senso comum que as empregadas domésticas são contratadas para realizar o trabalho que se aceita como o da dona de casa, de lavar, limpar, cozinhar, vigiar e cuidar das crianças, levá-las a determinados lugares entre outros.

Entretanto, não eram em todas as famílias que as empregadas domésticas tinham ou têm autonomia para fazer compras, decidir sobre os gastos referentes às atividades domésticas, como supermercado e feira, repassar valores morais e atenção psicológica às crianças e principalmente ao esposo, receber visitas importantes para a família, viajar com as crianças etc. Sem contar, é claro, o trabalho reprodutivo desempenhado pela dona de casa, biologicamente falando. A noção de disponibilidade sexual como parte das funções de esposa, que eventualmente, por uma série de relações, paternalistas, patriarcais,

misóginas e raciais, poderia ser transferida86 à empregada doméstica, não era algo socialmente aceito e sacramentado, pela Igreja e pela lei. A disponibilidade sexual e reprodutiva da esposa ao seu marido o era. Dessa forma, podemos considerar que a função de esposa, o que busco entender como sinônimo de trabalho doméstico, inclui os serviços prestados por uma empregada doméstica, mas extrapola esses serviços.

Figura 3

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Cabe ressaltar que tanto o Nós Mulheres quanto o Brasil

Mulher possuem uma linha editorial abertamente voltada à luta de

classes, com forte tendência marxista, o que explica e justifica seu foco nas mulheres trabalhadoras e sem posses, e sua insistência em afirmar que estas mulheres são as grandes vítimas de ambos os sistemas, o capitalismo e o patriarcado. Também podemos pensar na relação das

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COSTA, Suely Gomes. Proteção social, maternidade transferida e lutas pela saúde reprodutiva. Revista Estudos Feministas. Florianópolis: vol 10, n 2/2002, CFH/CCE/UFSC.

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"– O que você acha que eu sou? Sua empregada? – Por enquanto não posso me permitir esse luxo, por isso se atenha às suas obrigações de mulher." Mulherio. São Paulo, Ano 1, nº 3, setembro/outubro de 1981, p. 07.

militantes de esquerda feministas com o trabalho doméstico no período. Na década de 1970, as iniciativas feministas no Brasil são encabeçadas por mulheres ligadas à esquerda, partidária ou não, com formação superior e sobretudo de camadas médias. Esse fato conecta essas mulheres a dois fenômenos distintos.

O primeiro, seria a experiência do exílio, forçado ou não, promovido pelo regime de exceção e pelas perseguições políticas decorrentes da ditadura civil militar. No exílio, muitas mulheres acabaram se identificando com o feminismo, tendo contato com os primeiros grupos feministas que conheceram, participando de grupos de consciência88 etc. Foi também no exílio que algumas dessas mulheres, cujas famílias podiam arcar com os gastos em serviços domésticos no Brasil, sentiram na pele o peso da chamada divisão sexual do trabalho. Era comum que as pessoas exiladas precisassem viver com recursos mais escassos que os disponíveis em seus países de origem, sem contar o fato de que muitas exiladas se dirigiram a países em que o serviço doméstico custava caro. Diante disso, essas mulheres, que sempre tiveram ocupações fora de casa, estudando, trabalhando e militando, e contavam com a ajuda do serviço doméstico em seus lares, se viram executando sozinhas o trabalho de casa enquanto seus companheiros iam a cafés ou reuniões discutir as configurações políticas na América Latina89. Essa condição sensibilizou essas mulheres para a questão do trabalho doméstico, que muitas vezes era entendido como um problema, mas não delas, e sim das outras, as donas de casa que viviam isoladas em suas unidades domésticas.

O segundo fenômeno que podemos articular com a experiência dessas militantes feministas, muitas vezes cumprindo dupla militância, na esquerda e no feminismo, é a crítica ao fato de contarem com a ajuda do serviço doméstico. Para muitas feministas estrangeiras que visitaram o Brasil90, essa parecia ser a grande ou a mais evidente contradição do feminismo, não só brasileiro como sul americano. As discussões marxistas dos feminismos no período enxergavam no emprego

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Mais sobre a experiência de brasileiras em grupos de consciência ou reflexão, dentro do feminismo, em PEDRO, Joana Maria; WOLFF, Cristina Scheibe. Nosotras e o Círculo de Mulheres Brasileiras: feminismo tropical em Paris. ArtCultura, Uberlândia, v. 9, n. 14, p. 55-69, jan.-jun. 2007.

89

Entrevista realizada com Ângela Xavier de Brito, em 28 de novembro de 2005, em Paris, por Joana Maria Pedro. Acervo do LEGH/UFSC.

90

Exemplo deste tipo de crítica pode ser encontrado em HAHNER, June E. A mulher no Brasil. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1978.

doméstico a profissão mais desqualificada, mal paga, desvalorizada e reprodutora das desigualdades que sofriam as mulheres por todo mundo. Além disso, grande número das empregadas domésticas na América Latina eram negras, mulatas ou indígenas, e nasciam nas camadas mais desfavorecidas da população, muitas saindo de lares em situação de pobreza extrema, precisando migrar para trabalhar e vivendo em situação de dependência da família empregadora, que tinha direito de descontar do salário mínimo preço da moradia e alimentação das trabalhadoras, sobrando assim para elas salários irrisórios. Ou seja, questões de raça e etnia, assim como classe, cruzavam essas relações. Nos casos em que as empregadas dormiam em moradia própria, não na casa da família, elas tendiam a trabalhar menos e ter algum controle sobre a jornada, mas nas décadas de 1970 e 1980 a empregada morando na casa da família para quem trabalhava era muito mais comum que em nossos dias. Os feminismos do período problematizaram esta questão.

Rosalba Todaro, em 1982, escreve que em países onde o emprego doméstico não era tão comum ou barato quanto na América Latina, o número de mulheres com alto grau de instrução no mercado de trabalho era menor. Quer dizer, a libertação das mulheres do Sul estaria ocorrendo às custas do serviço doméstico? Qual libertação e quais mulheres seriam essas?91 É uma questão difícil de responder, porque pouco se falou e fala a respeito. Afinal, de que forma lidavam (e lidam) as patroas feministas com essas situações?

Há uma imagem retirada do periódico Especial – Mujer Ilet (um boletim feminista internacional que circulou pela América Latina) sobre emprego doméstico, de 1984, que discute a questão. Na Figura 4, originalmente publicada no periódico Agora é que são elas, produzido por brasileiras na França, um texto vai formando uma espécie de vórtice ou caracol, que envolve uma mulher em posição de desespero. Reproduzo o texto aqui, por entender que além de tratar de uma questão que é pouco comentada nos periódicos feministas consultados92 (como

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TODARO, Rosalba. El trabajo doméstico ¿Tarea de mujeres? Representou o Círculo de Estudios de La Mujer em encontro sobre trabalho doméstico assalariado em 31 de agosto de 1981, em Santiago do Chile. ISIS – Boletin Internacional. Itália/Suíça, nº 11-12, outubro/dezembro de 1982, p. 16-17.

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Para pesquisa anterior consultei periódicos não só brasileiros, como de todo o Cone Sul. Posso citar como exemplo de periódicos consultados, os brasileiros Brasil Mulher, Nós Mulheres e Mulherio, e não completos, apenas alguns números, dos argentinos Brujas e Persona, do uruguaio Cotidiano Mujer, dos

uma feminista, que depende da empregada doméstica para se manter na esfera pública, pode lidar com essa situação de forma ética, admitindo- se que o emprego doméstico é um dos principais exemplos de desvalorização social do trabalho feminino?), esse recorte também levanta outras questões, principalmente sobre a legislação, as condições de trabalho e relações entre patroa e empregada.93

Figura 4

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paraguaios La Micrófona e Revista Mujer, e outro boletim feminista internacional (além do Especial – Mujer Ilet), publicado no Chile, o ISIS.

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No final do recorte são indicadas três referências bibliográficas brasileiras sobre a questão do emprego doméstico feminino: Emprego doméstico e capitalismo, de Heleieth Saffioti, de 1978, Domesticidade: cativeiro feminino?, de Zaíra Ary Farias, de 1983, e Visões do mundo da empregada doméstica, de Alda Brito de Motta, publicada em 1977.

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Vidas paralelas. Feministas e patroas, o que fazer? Especial – Mujer Ilet. Santiago do Chile, nº 13, setembro de 1984, p. 13.

Com quem você deixou seus filhos neste fim de semana? Qual é a jornada de trabalho de sua empregada? Você paga hora extra para sua empregada? Sua empregada tem carteira assinada? O salário de sua empregada representa que proporção de sua renda familiar? Como se dá o reajuste do salário de sua empregada? Este reajuste se dá cada vez que o seu é aumentado? O que você sabe sobre a vida afetiva e sexual da sua empregada? Existe competição entre você e sua empregada? Você implica com ela? Você discute sobre contracepção com sua empregada? Você não acha que discutindo contracepção com ela você teria evitado alguns abortos? O quarto de sua empregada é também um guarda-tudo?95

Sandra Maria da Mata Azeredo, em 1989, levanta a questão das patroas feministas, citando os trabalhos de autoras estrangeiras que fizeram pesquisa no Brasil. Helen Ostrander, em 1987 e resenhando o livro de Judith Rollins, comenta que

(...) o uso de empregadas por outras mulheres esteja em oposição fundamental a um feminismo que vá além de uma agenda liberal de igual oportunidade, para as mulheres buscarem um fim a todas as formas de desigualdade institucionalizada. Sendo assim, como as patroas que se identificam como feministas justificam o uso de empregadas? A relação entre empregada e patroa na qual uma ou ambas as mulheres se definem como feministas é diferente de relações em que nenhuma das duas se identifica como tal?96

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Idem.

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OSTRANDER, Heles. Women using other women. Contemporary Sociology. 16(1), jun. 1987, p. 52. Apud AZEREDO, Sandra Maria da Mata. Relações entre empregadas e patroas: reflexões sobre o feminismo em países multiraciais. In: COSTA, Albertina de Oliveira; BRUSCHINI, Cristina (orgs). Rebeldia e

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