3. LTE – Tipo de medidas, sua natureza, aplicação e execução
3.5. Dos centros educativos, o estatuto, funcionamento poderes e limites
Entendemos por razão de ideias aflorar o que resumidamente parece relevante no que respeita ao regime de internamento sendo medida tutelar educativa, importa entender como funciona os centros educativos e quais fins sabendo nós, que se destinam ao menor após decisão judicial ao cumprimento de medida mais adequada e proporcional ao caso concreto.
A aplicação e execução da medida, compreendemos que cabe aos centros educativos, sendo estes dependente organicamente e hierarquicamente dos serviços de reinserção social destinam-se exclusivamente cfr. art. 145º da LTE309:
À execução da medida tutelar de internamento;
À execução da medida cautelar de guarda em centro educativo;
Ao internamento para a realização de perícia sobre a personalidade quando incumba aos serviços de reinserção social;
Ao cumprimento da detenção; Ao internamento em fins-de-semana.
É de competência dos centros educativos a responsabilidade de assegurar a execução das decisões judiciais que aplicam as medidas, tal como todo o desenvolvimento e programas adequados à medida (art. 9º DL 323-D/2000, de 30-12310).
Em matéria de competência dos centros educativos atende à conjugação com o tribunal competente à aplicação de medida conforme art. 28º/nº1 al. c) e 130º da LTE e art. 50º: DL 323/2000, de 30-12311.
Compete ao diretor do centro educativo prestar informação sobre as ocorrências relevantes no processo de execução da medida, ainda devendo apresentar propostas
309
Art. 145º LTE e 8º DL 323-D/2000, de 30-12
310
Art. 9º DL 323-D/2000, de 30-12
solicitando os esclarecimento necessários art. 154º/nº 3 e 4 LTE e 50º/nº1, 2ª parte DL 323-D/2000, de 30-12312.
Conforme regulamento do centro educativo encontra previsto a prestação de toda a informação relevante ao tribunal art. 50º/nº2 DL 323-D/2000, de 30-12313, passamos a anunciar:
Apresentação do educando para o início da execução da medida tutelar de internamento, medida cautelar de guarda em centro educativo, internamento para a realização de perícia sobre a personalidade, cumprimento da detenção em internamento em fim-de-semana.
Não apresentação do educando no centro educativo para a execução de quaisquer internamentos referidos na alínea anterior, decorridos 30 dias após a comunicação dos serviços de reinserção social ao tribunal, designando centro educativo;
Transferência do educando de centro educativo; Regresso do educando após ausência não autorizada;
Recusa ou suspensão de visitas ou de comunicações escritas ou telefónicas aos pais, representante legal ou pessoa que detenha a guarda do educando; Instauração de procedimento disciplinar comum;
Relatório e decisão sobre o procedimento disciplinar sumário e comum; Decisão de recurso de medida disciplinar;
Indícios de prática de ilícito penal pelo educando ou em que o educando é ofendido;
Decisão autorizando a adoção de isolamento cautelar;
Doença grave ou de que resulte interrupção ou impedimento de frequência de atividade formativas por período previsível superior a um mês;
Acidente que resulte incapacidade temporária ou permanente, parcial ou total;
Internamento hospitalar; Recusa de tratamento clinico; Tentativa do suicídio;
Greve de fome;
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Art. 154º/nº 3 e 4 LTE e 50º/nº1, 2ª parte DL 323-D/2000, de 30-12
Casamento;
Gravidez ou sua interrupção;
Nascimento de filho de educanda internada; Óbito;
Cessação do internamento.
A referir ainda que a articulação do CED faz-se com as autoridades policiais na vertente de investigação como na obtenção da segurança do próprio centro Cfr art. 52º DL 323-D/2000, de 30.12314.
Conforme art. 20º6/nº1 da LTE e 10º DL 323-D 2000/30-12315 respeita a classificação dos centros educativos em abertos, semi abertos e fechados em função da execução das medidas de internamento.
Consubstancia o art. 206º/nº2 da LTE o condicionamento a que cada regime se encontra sujeito é proporcional ao grau de abertura ao exterior entende-se assim o preceito.
A pretensão da intervenção em centro educativo é de transmitir ao educando a interiorizar valores conforme o direito e a aquisição de recursos que lhe permitam conduzir a sua vida de modo social e juridicamente responsável conforme art. 144º/nº2 da LTE, art. 20º DL 323-D/2000, 20-12316 o funcionamento do CEd está regulamentado e sujeito a orientações pedagógicas.
Os centros educativos estão regulamentados no DL 323-D/2000, de 20 de Dezembro, sendo que cada centro tem um regulamento interno conforme art. 163º LTE317, este regulamento e o projeto de intervenção educativa vinculam educandos, profissionais do centro e visitantes do centro.
Deve o centro educativo promover, sempre e dentro do possível em conformidade com a medida aplicada, a socialização com o mundo exterior cfr art. 159º nº 2 e 3 LTE318. 314 Art. 52º DL 323-D/2000, de 30.12 315 Art. 20º6/nº1 da LTE e 10º DL 323-D 2000/30-12 316
Art. 144º/nº2 da LTE, art. 20º DL 323-D/2000, 20-12
317
Art. 163º LTE
A legislação consubstancia no art. 165º da LTE319 que os menores internados ao abrigo de medida cautelar de guarda ou realização de perícia sobre a personalidade, tal como ao sujeito a projeto educativo pessoal, são integrados em programa de atividade com o objetivo pessoal a fim de adquirir competências sociais e a satisfação das suas necessidades de desenvolvimento físico e psíquico ainda, no preceito art. 8º/nº2 al. a) DL 323-D/2000, 20-12320 refere que o horário do funcionamento do centro educativo é estabelecido no regulamento interno com a salvaguarda para descanso art. 166º LTE321 de oito horas seguidas.
Importa a relevância art. 208º LTE que afere que para além dos centros educativos dependentes dos serviços de reinserção social, a lei permite acordos celebrados com cooperações de entidades particulares, sem fins lucrativos para e apenas a execução das medidas em regime aberto ou semi aberto.
Estes centros admitem diversidade de profissionais nas diferentes áreas e funções tais como:
Diretor e subdiretor;
Coordenador da equipa técnica e residencial e coordenador da equipa de programas;
Técnicos superiores e profissionais de reinserção social, professores, formadores, terapeutas, animadores, médico e enfermeiro;
Outros profissionais de lavandaria, cozinha, serviços administrativos, limpeza, segurança.
A fiscalização dos centros é aferida por uma comissão independente composta por dois representantes da Assembleia da Republica, um do Governo, um do Conselho superior da Magistratura, um do conselho superior do Ministério Público e dois de organizações não-governamentais de apoio à criança art. 209º/nº1 LTE322.
319 Art. 165º da LTE 320 Art. 8º/nº2 al. a) DL 323-D/2000, 20-12 321 Art. 166º LTE 322 Art. 209º/nº1 LTE
A fiscalização aferida pela comissão confere-se em solicitar informações. Efetuar visitas e aceder livremente aos centros educativos nos termos previstos na Lei art. 209º/nº2 e 3 LTE323.
Sabe-se de existência de 8 centros educativos distribuídos por algumas cidades do centro e norte do país, não existindo nenhum no Algarve:
Santo António (Porto) Mondego (Guarda) Olivais (Coimbra) Bela Vista (Lisboa) Vila do Conde Madeira
Navarro de Paiva (Lisboa)
Padre António de Oliveira (Caxias)
Estes dois últimos foram instalados em último trimestre de 2010.
O art. 12º do Decreto-Lei 126/2007 de 27 de Abril previa a extinção de 5 centros educativos após data de vigor deste diploma.
323 Art. 209º/nº2 e 3 LTE