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1. ENQUADRAMENTO CONCETUAL

1.6. DOS CUIDADOS PALIATIVOS

De acordo com a Unidade de Missão para os Cuidados Continuados Integrados

(UMCCI), “a complexidade do sofrimento e a combinação de fatores físicos, psicológicos

e existenciais na fase final da vida, obrigam a que a sua abordagem, com o valor de cuidado de saúde, seja sempre uma tarefa multidisciplinar, que congrega, além da família do doente, profissionais de saúde com formação e treino diferenciados, voluntários preparados e dedicados e a própria comunidade” (UMCCI, 2010).

Neste sentido, a Organização Mundial de Saúde definiu os Cuidados Paliativos como uma prioridade das políticas de saúde, recomendando a sua abordagem programada e planeada, numa perspetiva de apoio global aos múltiplos problemas das pessoas que se encontram na fase mais avançada da doença e no final da vida, e às suas famílias (Idem).

De acordo com a UMCCI (2010), os Cuidados Paliativos são definidos como uma abordagem que visa melhorar a qualidade de vida dos doentes, e suas famílias, que enfrentam problemas decorrentes de uma doença incurável e/ou grave e com prognóstico limitado, através da prevenção e alívio do sofrimento, da preparação e gestão do fim de vida e do apoio no luto, com recurso à identificação precoce e tratamento rigoroso dos problemas não só físicos mas também psicossociais e espirituais. Os Cuidados Paliativos são cuidados intensivos de conforto prestados de forma multidimensional e sistemática por uma equipa multidisciplinar, cuja prática e método de tomada de decisões são baseados na ética clínica (Ibidem).

Os Cuidados Paliativos são prestados com base nas necessidades identificadas e não apenas no diagnóstico ou no prognóstico, podendo ser introduzidos de forma estruturada em fases mais precoces de uma doença, mesmo quando estejam a ser utilizadas outras terapêuticas com a finalidade de prolongar a vida (UMCCI, 2010). Constituem-se, assim, numa resposta organizada à necessidade de tratar, cuidar e apoiar ativamente os doentes com prognóstico de vida limitado, sendo prestados por equipas e unidades específicas de Cuidados Paliativos, em internamento ou no domicílio, de acordo com níveis de diferenciação, e têm como componentes essenciais: o alívio dos sintomas; o

apoio psicológico, espiritual e emocional; o apoio à família; o apoio durante o luto e a interdisciplinaridade (Idem).

Nos cuidados prestados à pessoa deve ser incorporada ativamente a família e, por sua vez, deve ser ela própria objeto de cuidados, quer durante a doença, quer durante o

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luto. A família necessita de apoio, informação e educação, contribuindo estas ações para que os familiares possam, de forma concertada e construtiva, compreender, aceitar e colaborar nos ajustamentos que a doença e o doente determinam (Ibidem).

A UMCCI (2010) define Paliação como o alívio do sofrimento do doente e, ainda, Ação Paliativa como qualquer medida terapêutica, sem intuito curativo, que visa minimizar, em internamento ou no domicílio, as consequências negativas da doença sobre o bem-estar global do doente. As ações paliativas são identificadas como parte integrante da prática profissional, qualquer que seja a doença ou a fase da sua evolução. Por outro lado define ainda Futilidade Diagnostica e Terapêutica, como os procedimentos diagnósticos e terapêuticos que são desadequados e inúteis, face à situação evolutiva e irreversível da doença, e que podem causar sofrimento acrescido ao doente e à família (Idem).

A Ação Paliativa é nível básico de paliação, correspondendo genericamente à prestação de ações paliativas, sem recurso a equipas ou estruturas diferenciadas. Desta forma, pode ser prestada em internamento, em ambulatório ou no domicílio, por qualquer profissional clínico e em todos os níveis de instituições e cuidados de saúde, constituindo- se como fundamentais para dar resposta à maioria das situações não complexas que os doentes e/ou as suas famílias apresentam. São particularmente relevantes nos serviços com elevada frequência e prevalência de doentes em idade avançada ou prognóstico de vida reservado, como são os cuidados de saúde primários, os serviços de oncologia, de medicina interna, unidades da dor, unidades e equipas da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (Ibidem).

Na operacionalização da avaliação dos sintomas da pessoa em situação crónica, incapacitante e terminal, o instrumento de eleição é a escala de avaliação de sintomas de Edmonton. De acordo com a UMCCI (2011), na sua Diretiva Nº2/UNCCI/2011, a aplicação desta escala nos doentes em regime de cuidados paliativos / ações paliativas é de aplicação obrigatória. Esta escala quantifica de 0 a 10 os sintomas dor, cansaço, náusea, depressão, ansiedade, sonolência, apetite, bem-estar e falta de ar, devendo ser avaliada semanalmente, preferencialmente respondida pelo próprio doente, o que possibilita avaliar a eficácia do controlo de sintomas.

Nos serviços que se enquadram nas tipologias descritas anteriormente, e que apresentam uma elevada prevalência de doentes em situação crónica, incapacitante e terminal, de que é exemplo o contexto onde prestamos cuidados, é fundamental capacitar

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as equipas de enfermagem para cuidar de pessoas com doença crónica, incapacitante e terminal, dos seus cuidadores e familiares, diminuindo o seu sofrimento, maximizando o seu bem-estar, conforto e qualidade de vida, através do estabelecimento de uma relação terapêutica com pessoas com doença crónica incapacitante e terminal, com os seus cuidadores e familiares, facilitadora do processo de adaptação às perdas sucessivas e à morte.

Neste contexto, é fundamental a intervenção do Enfermeiro Especialista em Pessoa em Situação Crónica e Paliativa, que desempenha um papel crucial na prestação de cuidados a este nível, por força das suas competências especializadas específicas.

Após o enquadramento concetual de suporte aos projetos desenvolvidos durante o CPLEEMC e o MEMC avançamos para o segundo capítulo onde apresentamos o PIS.

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