6.2.1 A Escolha do Endo-CPM-Sealer
O Endo-CPM-Sealer é o primeiro cimento para obturação dos canais radiculares à base de trióxidos minerais, desenvolvido pelo Dr. Gabriel De Castro na Argentina. A escolha deste cimento ocorreu devido à falta de estudos biológicos que respaldem seu uso na clínica odontológica. Atualmente somente existem estudos avaliando sua capacidade de selamento marginal (BORTOLINI et al.17; SILVEIRA; LAGE-MARQUES141) e a composição química (FERREIRA et al.52).
6.2.2 A Escolha do clínquer do cimento Portland
Muitos materiais já foram estudados e indicados nas cirurgias parendodônticas. No inicio da década dos anos 90, na Universidade de Loma Linda no estado da Califórnia (Estados Unidos), foi desenvolvido pelo Professor Mahmoud Torabinejad o MTA. O primeiro trabalho publicado referente ao MTA foi realizado por LEE; MONSEF; TORABINEJAD96, em 1993, onde avaliaram a
capacidade de selamento desse material no tratamento de perfurações radiculares comparando-a com a do amálgama e do IRM. Concluíram que o MTA foi o que apresentou menor infiltração em relação aos outros materiais. Segundo os autores, os principais componentes do MTA são: silicato tricálcico, silicato dicálcico, óxido tricálcico e óxido silicato. Além destes, também apresenta pequenas quantidades de outros óxidos minerais e óxido de bismuto com a finalidade de conferir-lhe uma melhor radiopacidade.
A partir deste trabalho, foram realizados outros estudos avaliando sua biocompatibilidade, capacidade de selamento marginal, capacidade antibacteriana, capacidade de estimulação celular, citotoxicidade. O MTA começou a ser utilizado no tratamento de perfurações dentais12,22,23,29,46,53,62,71, 73,76,84,98,99,109,117,121,124,144,153,160,172,176, nas cirurgias parendodônticas3,11,14,15,16,19, 29,42,73,109,126,138,146,153,155,156,159,160,163,177, em proteções pulpares2,4,9,29,48,49,85,109, 120,125,153,168, pulpotomias10,29,43,50,70,73,86,102,103, 106,107,109,153, na obturação de
canais radiculares29,67,69,170, reabsorções dentárias29,77,108,109,135 e outros.
O MTA foi comparado com o cimento Portland por WUCHERPFENNIG; GREEN174, em 1999. Segundo os autores, ambos eram compostos principalmente por cálcio, fosfato e silício. Avaliaram a biocompatibilidade dos cimentos em questão, em culturas de células osteoblásticas (MG-63), onde foi observado que ambos os materiais promoveram, de forma semelhante, a formação de matriz mineralizada e, no capeamento pulpar em molares de ratos, onde mostraram que ambos os materiais têm efeito semelhante nas células da polpa, com deposição de dentina reparadora em alguns espécimes com ambos os materiais. Os autores concluíram que o cimento Portland pode ser um cimento ideal como o MTA.
Posteriormente, ESTRELA, et al.47; DEAL et al.35; GUARIENTI; OSINAGA; FIGUEIREDO59; FUNTEAS; WALLACE; FOCHTMAN55; CAMILLERI et al.27; DAMMASCHKE et al.34; FERREIRA et al.52; CAMILLERI et al.26; ISLAM; CHNG; YAP81; ISLAM; CHNG; YAP82; e SONG et al.145 indicaram que a composição química do MTA era a mesma do cimento Portland; e que a diferença encontrava-se em só um elemento, o óxido de bismuto, presente no MTA, responsável pela radiopacidade do material.
A biocompatibilidade do cimento Portland foi estudada por DE DEUS et al.36; RIBEIRO et al.128; RIBEIRO et al.129; RIBEIRO et al.130; SAFAVI;
NICHOLS131; SAIDON et al.133; SIPERT et al.143; TANOMARU FILHO et al.151; HOLLAND et al.72; MORAES et al.113; e TRINDADE; OLIVEIRA; FIGUEIREDO167, onde observaram o comportamento similar de ambos os materiais.
Diversos estudos demonstram a semelhança do cimento Portland com a do MTA36,37,69,70,72,84,106,107,113,128,129,130,131,132,133,143,151,167. A desvantagem desses dois materiais é o tempo de presa elevado. TORABINEJAD et al.161 (1995) obtiveram o tempo de presa final do MTA com 165 minutos; DEAL et al.35 (2002) obtiveram o tempo de presa final do MTA com 156 minutos e do cimento Portland com 159 minutos; CHNG et al.31 (2005) obtiveram o tempo de
presa inicial do MTA com 70 minutos, e o tempo de presa final foi de 175 minutos; ISLAM et al.81 (2006) obtiveram o tempo de presa inicial do MTA e do
cimento Portland com 70 minutos, e o tempo de presa final no cimento Portland foi de 170 minutos e de 175 minutos para o MTA.
Sabe-se que o clínquer constitui uma etapa da fabricação do cimento Portland e ele se apresenta na forma de pequenas esferas (Figura 3), as quais após serem moídas recebem o sulfato de cálcio, dando como resultado final, o cimento Portland. O sulfato de cálcio entra na composição do cimento Portland para retardar o tempo de presa dando-lhe assim trabalhabilidade. Segundo CAMILLERI et al.26 o tempo de presa do MTA é devido à presença do sulfato de cálcio (gesso) na sua composição. O cimento Portland também contém quantidades de sulfato de cálcio (GOBBO56). Assim, a escolha pelo clínquer do cimento Portland, foi pelo fato deste não conter na sua composição o sulfato de cálcio; de modo que uma vez pulverizado e misturado com água, apresentasse um tempo de presa mais rápido. A agregação de 2 e 5% do sulfato de cálcio ao clínquer torná-lo-ia um cimento com presa mais lenta como acontece com alguns MTA.
Uma análise do comportamento tecidual e do tempo de presa desse produto traz subsídio importante ao conhecimento do MTA.
6.2.3 A escolha do controle
As recomendações feitas pela ADA6,8 e a ISO80, recomendam como
indicam como controle, o uso de um tubo vazio (ECONOMIDES et al.41; KOLOKURIS et al.91; KOLOKURIS et al.92; HOLLAND et al.68, HOLLAND et al.74).
Neste estudo, utilizamos como controle a guta-percha, com a qual foi fechada uma das extremidades dos tubos. Poderíamos ter utilizado como controle as paredes do tubo, mas optamos pela guta-percha por ser um material utilizado constantemente na endodontia durante a obturação dos canais, a qual é bem tolerado pelos tecidos vivos66,78,97,118,140,147,173. Também poderia ter sido utilizado um tubo vazio como controle, mas, isto poderia comprometer a estabilização do material dentro do mesmo.