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Dos professores e das escolas que os formarão

DUAS ORIENTAÇÕES

DA CARACTERIZAÇÃO DOS OBJETIVOS

3.3 Dos professores e das escolas que os formarão

Dentro da evolução das orientações administrativas, a história da administração passou por vários tipos de orientações até chegar ao estágio atual, em que a orientação sistêmica (análise de sistemas) é, sem dúvida, uma concepção com total aceitação.

(Manuel José Gomes Tubino)

Ao discutir, anteriormente, a questão da eficiência e eficácia, relacionaram-se as palavras às ações governamentais para o Educação Física brasileira. Essas ações tinham por base o Diagnóstico, que assinalava a falta de profissionais para atuarem na área, e o despreparo deles para a função. Apontava, também, para o fato de que as escolas não correspondiam às reais necessidades do país e não formavam bem os seus alunos e nem as professoras normalistas, que as procuravam para fazer aperfeiçoamento. Destas, as conclusões do Diagnóstico foram explicitas, ao reforçar que a utilidade dos diplomas era basicamente para a promoção na carreira50.

Ora, tendo em vista a carência - detectada estatisticamente – de instituições que formassem bem tanto os alunos quanto aos professores que atuariam nelas, não se pode estranhar que profissionais renomados da área se manifestassem a respeito. Foi o caso do professor Manoel José Gomes Tubino.

É possível deduzir da epígrafe acima que o professor estava impregnado dos ideais administrativos que vigoravam, não só no Brasil, mas no mundo. Procurar dar a todas as instituições um caráter eminentemente técnico era o que preconizavam essas orientações sistêmicas, e o professor Tubino nelas se baseava para tratar da formação de professores e alunos pelas escolas de Educação Física. Vários artigos na REVISTA elucidam o que se almejava das escolas, dos professores e dos alunos que elas formavam. Esta investigação reportou a dois deles. Um já foi citado, tratou-se do artigo “Os conceitos de eficiência e

eficácia e uma abordagem analítica em escolas de Educação Física” (TUBINO; ABTIBOL, 1973, pp. 64-73). O outro, do mesmo autor, “ Ensaio de uma orientação sistêmica para uma

escola de Educação Física”(TUBINO,1975a, pp. 31-36). Todos os textos, marcados pelas

concepções técnicas administrativas do período e, consequentemente, repletos de fluxogramas.

No artigo já mencionado, este texto limitou-se a constatar que as palavras eficiência e eficácia foram incorporadas à Educação Física em decorrência de processos globais que permeavam modernos sistemas de administração, tanto no âmbito privado como no governamental. A seguir, destaca-se a análise específica de como os termos foram apreendidos para uso em Escolas de Educação Física.

Tendo em vista que a eficiência estava vinculada ao desempenho interno e a eficácia ao desempenho externo, os autores optaram pela segunda como prioridade de toda a ação administrativa e afirmavam “felizmente já existe uma conotação adequada desses valores, e o

enfoque administrativo prende-se muito mais à eficácia do que à eficiência” (TUBINO; ABTIBOL, 1973, p. 67). Disso decorre que os autores fixavam-se os efeitos das medidas administrativas no meio ambiente e não os seus custos, ou seja, agir em função dos custos operacionais nem sempre era a melhor opção. Por isso, a quantidade de alunos formados não era tão importante como a qualidade destes, pois formar muitos alunos e mal preparados era prejudicial à instituição e à sociedade em geral. Logo, os autores, ao priorizarem a eficácia em detrimento da eficiência, deixavam claro a que fim deveria destinar-se uma instituição de Educação Física. Ela deveria ter em vista fins práticos e imediatos frente às demanda do mercado:

As transformações do ensino nas escolas de educação física devem ser esclarecidas por estudos (feedback) sobre a evolução do mercado de trabalho, cuja demanda se impõe, não apenas quanto ao fornecimento de elementos previsionais quantitativos, mas, na mesma proporção, quanto aos dados qualitativos sobre a adaptação do conteúdo dos cursos existentes e a criação de novas especializações (TUBINO, 1975a, p.36).

Certamente, pode-se perguntar: que mal há em atender às necessidades de trabalho impostas pelo mercado? Não é justo que uma instituição tenha como meta preparar para esse mercado? Sim, mas o que se põe em questão nessa perspectiva de TUBINO e ABTIBOL (1973) é a completa submissão da instituição ao mercado. Não havia por essa perspectiva uma outra função que não fosse a de se submeter à ordem vigente. A instituição parecia desprovida de autonomia ante os conhecimentos produzidos, determinados sempre externamente, e de

forma eficiente e eficaz. Mas se a instituição deveria se pautar por esses princípios, como deveriam ser produzidos os seus “produtos”?

Tubino (1975a) descreveu cinco orientações que prevaleceram ao longo da história da administração – orientações processualística, comportamentalista, quantitativista, ecológica e sistêmica. Dentre essas, optou pela sistêmica. Essa concepção, segundo o autor, “engloba

todas as partes validas das demais orientações”, e “é a orientação que realmente se coloca diante das incertezas do mundo de hoje, ora lutando e provocando mutações no ambiente, ora adaptando-se a ele” (TUBINO, 1975a, p 32). Para o autor, as escolas, ao se pautarem por essa orientação, estavam se munindo de uma técnica de saber que, pela cientificidade e pelos constantes reajustamentos que possibilitava nas orientações previamente estabelecidas, viabilizava ações mais eficazes na “matéria prima” a ser transformada pelas escolas. Os alunos deveriam sair da escola com conhecimentos diferenciados daqueles com que chegaram e deveriam, ainda, ser avaliados quanto “aos serviços e trabalhos prestados ao ambiente e à

causa da Educação Física” (Ibid, 34). Disso o autor depreendeu que uma escola de Educação Física, como instituição de saber, deveria pautar-se em tecnologias (programas e metodologias de ensino), pelas quais a “matéria prima” deveria ser manipulada para ser eficaz no atendimento à comunidade e ao saber Educação Física.

Destaca-se, a seguir, o fluxograma que Tubino (1975a) afirmava ser o ideal para as escolas de Educação Física.

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