Art. 369. Os serviços públicos municipais poderão ser prestados sob regime de concessão ou permissão mediante autorização legislativa, devendo o Poder Concedente garantir-lhes a qualidade através de fiscalização permanente.
Parágrafo único. A autorização legislativa de que trata o caput deverá sempre ser precedida de uma ou mais audiências públicas promovidas pelo Poder Legislativo.
Art. 370. As concessões e permissões de serviços públicos municipais reger-se-ão pelos termos do art. 175 da Constituição da República, pela legislação federal específica que dispõe sobre o regime de concessão e permissão da prestação de serviços públicos, pelas normas legais pertinentes, incluindo esta Lei Orgânica, e pelas cláusulas contratuais.
Art. 371. Toda concessão de serviço público municipal será objeto de prévia autorização legislativa e de processo licitatório, com observância dos princípios da legalidade, moralidade, publicidade, igualdade, do julgamento por critérios objetivos e da vinculação ao instrumento convocatório.
Art. 372. Precedida de autorização legislativa, a permissão de serviço público municipal será objeto de pregressa licitação, formalizada mediante contrato de adesão, que observará os termos da legislação federal específica, das demais normas pertinentes e do edital de licitação, inclusive quanto à precariedade e à revogabilidade unilateral do contrato pelo Município.
Seção I - DOS EDITAIS E CONTRATOS
Art. 373. A elaboração de editais de licitação e contratos com concessionárias e permissionárias deverão nortear-se estritamente por critérios técnicos e transparentes.
Parágrafo único. Os editais serão elaborados pelo Município, na condição de poder concedente, observando-se, no que couber, os critérios e as normas gerais da legislação própria sobre licitações e contratos, além das condições estabelecidas pela legislação federal específica que dispõe sobre o regime de concessão e permissão da prestação de serviços públicos.
Art. 374. A administração municipal deverá publicar antecipadamente, por edital, os processos licitatórios de concessão de serviços públicos, locações, permissões e cessão de uso de próprios municipais.
Art. 375. O edital de licitação deverá ser disponibilizado no Portal da Transparência do
Município para consulta pública, facultando a este, observada a legislação federal, promover uma ou mais audiências públicas na Câmara Municipal para tratar dos termos editalícios e contratuais, tendo em vista a temática de grande relevância para o interesse da sociedade.
Art. 376. Os contratos não poderão exceder o prazo de 25 (vinte e cinco) anos, incluindo eventuais prorrogações.
§ 1º Os contratos de concessão de transporte público coletivo sob matriz energética com emissão de carbono terão prazo de 10 (dez) anos, prorrogável por até igual período, desde que haja
investimento em matriz energética renovável ou com gasto de geração energética próxima ou igual a zero, observado o § 3º.
§ 2º Os casos das concessões especiais de parceria público-privada deverão observar os prazos estipulados na legislação federal específica.
§ 3º Eventual prorrogação dentro do prazo de que trata o caput será vedada na hipótese de descumprimento das cláusulas contratuais pela empresa concessionária, sem prejuízo das demais sanções previstas em lei e/ou em contrato.
Seção II - DAS PRERROGATIVAS DA CONCESSIONÁRIA E PERMISSIONÁRIA E DAS SANÇÕES
Art. 377. Observada a legislação federal, o regime das empresas concessionárias e permissionárias de serviços públicos compreenderá o caráter especial de seu contrato e de sua prorrogação, bem como as condições de caducidade, fiscalização e rescisão da concessão ou permissão, devendo-se destacadamente considerar:
I - os direitos dos usuários;
II - a política tarifária;
III - a obrigação de manter serviço adequado.
§ 1º O não cumprimento dos encargos trabalhistas, bem como das normas de saúde, higiene e segurança do trabalho e de proteção do meio ambiente pela prestadora de serviços públicos importará a rescisão do contrato sem direito a indenização.
§ 2º O contrato fixará e graduará as sanções a serem impostas às concessionárias e
permissionárias que desatenderem o disposto no § 1º, prevendo, inclusive, as hipóteses de não renovação da permissão ou concessão.
§ 3º O disposto neste artigo não impede a locação de bens ou serviços, por parte da administração direta ou indireta, com o intuito de possibilitar a regular e eficaz prestação de serviço público.
§ 4º O Município promoverá intervenção administrativa ou retomará, sem indenização, os serviços públicos municipais concedidos ou permitidos se executados em desconformidade com a lei, ato ou contrato, bem como aqueles que se revelarem insuficientes para o atendimento dos usuários.
Art. 378. As empresas concessionárias ou permissionárias de serviços públicos deverão atender, também, aos dispositivos de proteção ambiental em vigor, não sendo permitida a renovação da permissão ou concessão nos casos de infrações persistentes, intencionais ou por omissão.
Seção III - DA POLÍTICA DE REVISÃO TARIFÁRIA
Art. 379. A política de revisão tarifária dos serviços concedidos e permitidos deverá, a título de transparência, ser obrigatoriamente apresentada em audiência pública, com participação dos respectivos entes da concessão e da permissão, no âmbito do Poder Legislativo, a fim de se assegurar a participação dos usuários dos respectivos serviços.
§ 1º Até 15 (quinze) dias úteis antes da audiência pública, o Executivo enviará a Câmara Municipal as planilhas de custos da concessionária e outros elementos que lhe servirão de base, divulgando amplamente para a população os critérios observados.
§ 2º Durante a audiência pública deverá ser apresentada e explicada pelo concessionário ou
permissionário a planilha de custos que baseia as razões da revisão tarifária.
Art. 380. As tarifas serão reajustadas ou revisadas, de acordo com o estabelecido no contrato de concessão ou permissão, e homologadas pelo Executivo, após cumprimento do disposto no art. 379 e avaliação e parecer consultivo do conselho correspondente.
Seção IV - DOS ÓRGÃOS DE CONTROLE E FISCALIZAÇÃO
Art. 381. O Município manterá órgão especializado e específico, com infraestrutura técnica e de pessoal capaz de prover as atividades de sua competência, incumbido de exercer ampla fiscalização dos serviços públicos concedidos e permitidos, bem como da revisão das respectivas tarifas.
§ 1º A fiscalização de que trata este artigo compreende, dentre outros, o exame contábil e as perícias necessárias à apuração das inversões de capital e dos lucros auferidos pelas empresas concessionárias.
§ 2º As empresas concessionárias e permissionárias de serviços públicos sujeitam-se a
permanente controle e fiscalização do Poder Público, cumprindo-lhes manter adequada execução de serviço e a plena a satisfação dos direito dos usuários.
§ 3º As concessões e permissões serão conferidas de modo a procurar evitar qualquer forma de monopólio, de abuso do poder econômico, principalmente as que visem à dominação do mercado e ao aumento de lucros ou subutilização de serviços em geral.
§ 4º As concessões, permissões ou autorizações podem ser revistas a qualquer tempo, desde que comprovado o descumprimento da legislação federal, das leis municipais, do contrato e dos critérios e normas estabelecidas pelo órgão especializado e específico de fiscalização, observado o disposto no art. 377, § 4º.
Art. 382. O Município instituirá Conselho de Controle e Fiscalização dos Serviços Concessionários e Permissionários para estabelecer, dentre outros objetivos, estratégias de acompanhamento e avaliação dos editais de licitação, da execução dos contratos, das planilhas de custo, da execução dos serviços e da aplicação de recursos de eventual fundo de compensação tarifária.
Seção V - DE OUTRAS ATRIBUIÇÕES DAS CONCESSIONÁRIAS
Art. 383. As concessionárias de serviços públicos deverão encaminhar relatório semestral aos Poderes Municipais, recomendando-se ao Poder Legislativo remetê-lo ao Conselho de Controle e Fiscalização dos Serviços Concessionários e Permissionários.
Parágrafo único. O relatório de que trata o caput deverá expor, dentre outros, o seguinte:
I - principais ações executadas;
II - informações de ações estratégicas a serem implementadas nos 6 (seis) meses subsequentes;
III - investimentos realizados;
IV - conjuntura geral do número de funcionários, especificando número de contratados e de demitidos, apontando as funções concernentes;
V - planilha de custos;
VI - balanço financeiro do período, constando, especificadamente, receitas e despesas.
VII - empréstimos adquiridos ou contratados, assim como seguros;
VIII - relação patrimonial atualizada de bens móveis e imóveis;
IX - tributos recolhidos e certidões negativas ou positivas com efeitos negativos das fazendas públicas municipal, estadual e federal, incluindo as da Justiça do Trabalho.
Art. 384. Cabe às concessionárias de serviços públicos informarem ao Município, a cada período de até 12 (doze) meses, o registro de todas as novas instalações, a fim de que seja estabelecido
cadastro municipal para necessário controle da expansão urbana.
Art. 385. O não cumprimento do que determina o art. 383 e/ou o art. 384 redundará em multa à respectiva empresa concessionária, sem prejuízo de demais sanções impostas pelo poder
concedente.