RESUMO
A adubação é uma das práticas de grande importância no cultivo das plantas medicinais, em que ainda há poucas informações. Na melissa são realizadas várias colheitas durante uma mesma safra, e não existe nos manuais de adubação do Brasil, recomendação específica para esta cultura. As doses de nutrientes são baseadas em recomendações de outras plantas da mesma família. O nitrogênio é um dos nutrientes mais requeridos, e tem grande influência sobre o crescimento das plantas. O objetivo do trabalho foi estabelecer doses de nitrogênio que proporcionem a máxima produtividade de biomassa em Melissa officinalis L. para cada colheita dentro do mesmo ciclo de cultivo. Foram conduzidos a campo três experimentos, na Estação Experimental do Canguiri, da Universidade Federal do Paraná - UFPR – em Pinhais – PR. O delineamento utilizado foi em blocos ao acaso, onde os tratamentos constituíram de cinco doses de N em cobertura (0, 40, 80 120 e 160 kg ha-¹ de N), com cinco repetições cada. No primeiro experimento, os tratamentos foram aplicados aos 30 dias após o transplante (DAT) das mudas. No segundo experimento, foi realizada a adubação de cobertura com 30 kg ha-¹ de N aos 30 DAT, e os tratamentos foram aplicados após a primeira colheita. No terceiro experimento, foram aplicados 30 kg ha-¹ de N em cobertura aos 30 DAT, e a mesma dose, imediatamente após a primeira colheita e os tratamentos foram aplicados após a segunda colheita. Os dados obtidos foram analisados quanto à homogeneidade pelo teste de Bartlett, e posteriormente por análise de variância e regressão. Na primeira colheita a adubação de plantio (20 kg ha-1 N) foi suficiente para a máxima produtividade de melissa, enquanto na segunda e terceira colheitas, as doses de cobertura para a máxima produtividade foram de 105 e 77 kg ha-1 N, respectivamente. Com exceção de N, a maioria dos nutrientes apresentou redução dos conteúdos com o aumento das doses de nitrogênio nas três colheitas. O conteúdo dos nutrientes na primeira e terceira colheita comportaram na seguinte ordem decrescente: K > N > Ca > P > Mg > Fe > B > Zn > Mn > Cu, enquanto que na segunda colheita o N foi maior que o K, obedecendo a seguinte ordem decrescente N > K > Ca > P > Mg > Fe > B > Zn > Mn > Cu.
CHAPTER 2. RATES OF NITROGEN FOR THE MAXIMUM BIOMASS
PRODUCTIVITY for Melissa officinalis L. IN EACH HARVEST WITHIN THE SAME
CROP CYCLE
ABSTRACT
Fertilization is one of the very important practices in the cultivation of plants, mainly medicinal plants, where there is a lack of information on the subject. For Melissa officinalis
L., a species of great importance within the aromatic plants, the fertilizer recommendation is made with the information of the same family plants. In this sense, the aim of this study was to establish rates of nitrogen that provide maximum productivity of biomass in Melissa
officinalis L. for each harvest within the same crop cycle. Three experiments were conducted
in the field, at the Experimental Farm of the Federal University of Paraná, located in the city of Pinhais. Seedlings of lemon balm were purchased commercially and grown in pre-prepared beds. The design was a randomized block design, where the treatments were five rates of nitrogen (0, 40, 80, 120 and 160 kg ha-¹ N), with five repetitions each. In the first experiment, treatments were applied 30 days after transplanting (DAT). In the second experiment, the topdressing was held with 30 kg ha-¹ N at 30 DAT, and the treatments were applied after the first harvest. In the third experiment, the topdressing was held with 30 kg ha-¹ N at 30 DAT, and the same rate, immediately after the first harvest and the treatments were applied after the second harvest. Data were analyzed for homogeneity by the Bartlett test, then by analysis of variance and regression. In the first harvest transplant fertilization (20 kg ha-1 N) was enough for maximum productivity lemon balm. The rate of 40 kg ha-1 N applied in coverage was sufficient for maximum productivity lemon balm in the second and third harvest. Rates of 105 and 77 kg ha-1 N applied soon after the second and third harvest, respectively, provided higher yields of lemon balm. The N concentration increased with the increase of N levels, while the phosphorus content decreased, the three harvests for both sheets and for the branches. Most nutrients decreased content with increasing N rates, with the exception of N, which increased content in three harvests. The nutrients accumulation in the first and third harvest behaved in the following descending order: K> N> Ca> P> Mg> Fe> B> Zn> Mn> Cu. The second harvest was noticed another behavior, being: N> K> Ca> P> Mg> Fe> B> Zn> Mn> Cu.
2.1 INTRODUÇÃO
A Melissa officinalis L., conhecida como melissa, erva-cidreira verdadeira, chá de
frança, pertence à família Lamiaceae, originária da Ásia e Europa (Moradkhani et al., 2010; Seidler-Lozykowska et al., 2013) e há mais de um século é cultivada no Brasil (Meira et al., 2011).
A melissa é uma planta perene, porém seu cultivo em escala comercial é anual, e geralmente são realizadas três colheitas da parte aérea. Prefere climas temperados e não resiste a geadas e vento frio, se adapta melhor em lugares parcialmente sombreados, não tolerando o calor excessivo, prefere solo de textura média, ricos em matéria orgânica, úmidos, mas bem drenados (Lorenzi e Matos, 2002).
As plantas necessitam de nutrientes para seu desenvolvimento e sobrevivência. De acordo com o crescimento e desenvolvimento da planta, a necessidade nutricional varia (Taiz e Zeiger, 2009). Uns são exigidos em maior quantidade, considerados macronutrientes, e outros em menores quantidades, micronutrientes.
Na nutrição mineral de plantas, o nitrogênio (N) é um dos nutrientes mais estudados, devido a sua essencialidade e exigência em maior quantidade pelas plantas. Ele relaciona-se principalmente com o crescimento, fazendo parte de várias macromoléculas, tais como vitaminas, proteínas, aminoácidos, clorofila entre outras (Taiz e Zeiger, 2009; Costa et al., 2014) e pode ser aplicado via adubação orgânica ou adubação mineral.
Na literatura são encontrados trabalhos utilizando tanto a adubação orgânica quanto a adubação mineral, principalmente quando se refere à adubação nitrogenada e sua influência na família Lamiaceae. Ao se tratar de adubação nitrogenada em plantas desta família, há trabalhos com amplitude de 20 a 300 kg ha-1 de N como as doses que proporcionam a maior produtividade (Oliveira et al., 2003; Sifola et al., 2006; May et al., 2010; Deschamps et al., 2012).
No cultivo de Salvia sclarea L., as doses de 80 a 120 kg ha-1 de N fracionadas, aumentaram significativamente o crescimento das plantas (Yaseen et al., 2014). A aplicação de 160 kg ha-1 de N no plantio, proporcionou maior aumento de biomassa fresca e seca em
Ocimum basilicum L. (Frabboni et al., 2011). Costa et al. (2014), concluíram que a aplicação
de 100 Kg ha-1 de N no plantio e 98 Kg ha-1 de nitrogênio na manutenção proporcionaram maiores ganhos de massa seca foliar no cultivo de patchouli. Para Melissa officinalis L., maiores rendimentos de massa seca foram obtidos com a aplicação de 180 kg ha-1 de N parcelado, aplicado a lanço, após cada colheita (May et al., 2008).
Ao avaliar diferentes doses dos adubos orgânicos (bovino e aves) no crescimento de plantas Origanum vulgare L., Corrêa et al. (2010) observaram aumento na biomassa seca de orégano com doses de 10,1 kg m-2 e 3,86 kg m-2 de esterco bovino e de aves, respectivamente. Wolanski e Carvalho (2006), comparando os efeitos de diferentes níveis de adubação orgânica sobre o crescimento e desenvolvimento de melissa, concluíram que a dose 100 kg m-3 de húmus apresentou as melhores respostas tanto na altura das plantas quanto no peso das matérias fresca e seca. Ao demonstrar o efeito da adubação orgânica (esterco bovino) e biofertilizante comercial na cultura da melissa, Santos et al. (2009) concluíram que as maiores doses de esterco bovino resultaram em um maior desenvolvimento das plantas.
A adubação orgânica, além de fornecer nutrientes para as plantas, proporciona melhoria da estrutura física do solo, aumenta a retenção de água, diminui as perdas por erosão, favorece o controle biológico devido à maior população microbiana, entre outros benefícios (Oliveira et al., 2002; Severino et al., 2004). Porém a grande dificuldade em recomendar a adubação orgânica, está em saber qual dos nutrientes que compõe o adubo orgânico está influenciando ou interferindo na produtividade da planta, geralmente a concentração de nutrientes no adubo orgânico é relativamente baixa, fazendo com que sejam realizadas aplicações frequentes e/ou em grandes volumes.
Na adubação mineral ou sintética, os nutrientes geralmente estão prontamente disponíveis para as plantas, o nutriente está concentrado, se utilizam pequenas quantidades de adubo, e com isso a recomendação é facilitada. Porém são poucas as informações encontradas na literatura sobre este tipo de adubação em plantas medicinais (Blank et al., 2006), principalmente relacionada a melissa. Por isso, ainda não há recomendação de adubação específica para esta cultura, utilizando-se a adubação recomendada nos manuais para a família Lamiaceae (hortelã e menta).
O objetivo do trabalho foi determinar as doses de nitrogênio para a obtenção de máxima produtividade de biomassa e óleo essencial de Melissa officinalis L., para colheitas realizadas no mesmo ciclo de cultivo.
2.2 MATERIAL E MÉTODOS
2.2.1 Área experimental
O experimento foi realizado a campo, no Núcleo Temático em Horticultura (Setor de Plantas Medicinais, Aromáticas e Condimentares) na Fazenda Experimental do Canguiri da
Universidade Federal do Paraná – UFPR, no Município de Pinhais, região Metropolitana de Curitiba - PR, a 25°23’ latitude Sul e 49°07’ longitude Oeste, com altitude de 930 metros. Segundo a classificação de Köeppen, o clima da região é do tipo Cfb mesotérmico úmido sem estação seca definida, com geadas frequentes no inverno, com temperatura média do mês mais quente inferior a 22ºC. O solo é caracterizado como Cambissolo Háplico (EMBRAPA, 2013), onde foram coletadas amostras na profundidade de 0-0,2 m para a realização de análises para caracterização química, conforme Marques e Motta (2003) e granulométrica (TABELAS 1 e 2).
TABELA 1. Atributos químicos do solo na área dos experimentos, na profundidade de 0-0,2 m.
pH Al H+Al Ca Mg K P C
CaCl2 SMP ... cmolc dm-3... ... g dm-3...
5,5 6,2 0 4,3 8,5 3,5 0,86 27,5 100,6
TABELA 2. Atributosgranulométricos do solo na área dos experimentos, na profundidade de 0-0,2 m.
Argila Silte Areia Total Areia Grossa Areia Fina
... g kg-1...
525 150 325 141 184
2.2.2 Instalação e condução do experimento
As mudas de melissa foram adquiridas comercialmente (produzidas a partir de sementes da marca Feltrin®) e transplantadas no espaçamento de 0,3 x 0,3 m, em canteiros previamente preparados, com 1,2 m de largura. Na adubação de plantio, seguiu-se a recomendação para hortelã e menta (Maia e Furlani, 1996), pertencentes à mesma família da melissa, aplicando 20 kg ha-¹ de N, 40 kg ha-¹ de P2O5 e 30 kg ha-¹ de K2O, na forma de ureia, supertriplo e cloreto de potássio, respectivamente, incorporados ao solo. O cultivo foi conduzido com sistema de irrigação por gotejamento, instalando fitas de gotejo ao longo dos canteiros. Para a cobertura dos mesmos utilizou-se mulching plástico (20 ).
Foram conduzidos três experimentos, simultaneamente, entre os meses de outubro/2014 a abril/2015, em blocos ao acaso, onde os tratamentos constituíram de cinco doses de N em cobertura (0, 40, 80, 120 e 160 kg ha-¹ de N), com cinco repetições cada. Cada parcela foi composta por 20 plantas (FIGURA 1A), disposta em quatro linhas de cinco plantas
cada. Como parcela útil para as determinações, utilizaram-se as seis plantas centrais de cada parcela (FIGURA 1B).
FIGURA 1. Vista do canteiro de melissa na colheita (A) e detalhe da parcela útil (B).
No primeiro experimento, os tratamentos (doses de N) foram aplicados aos 30 dias após o transplante (DAT) das mudas, conforme época recomendada por Maia e Furlani, (1996) A colheita foi realizada aos 60 DAT, depois de verificado visualmente o fechamento do canteiro pelas plantas (FIGURA 2).
FIGURA 2. Fechamento dos canteiros pelas plantas de melissa, momento da colheita.
No segundo experimento, foi realizada a adubação de cobertura com 30 kg ha-¹ de N (Maia e Furlani, 1996) aos 30 DAT, em todas as parcelas. Aos 60 DAT, foi realizada a colheita de todo o experimento e logo esta colheita (primeira colheita), foram aplicadas as doses de N correspondentes aos tratamentos. A colheita foi realizada aos 100 DAT, conforme o critério do primeiro experimento.
No terceiro experimento, foi aplicado em todas as parcelas 30 kg ha-¹ de N (Maia e Furlani, 1996), aos 30 DAT. Aos 60 DAT foi realizada uma colheita (primeira colheita) de todo o experimento e logo após foi realizada a adubação de cobertura com 30 kg ha-¹ de N (Maia e Furlani, 1996), em todas as parcelas. Aos 100 DAT, foi realizada nova colheita (segunda colheita) de todo o experimento e logo após os tratamentos (doses de N) foram aplicados. A colheita foi realizada aos 170 DAT, conforme o critério do primeiro experimento.
2.2.3 Variáveis analisadas
As variáveis analisadas foram massa seca total (MST), massa de seca de folha (MSF), massa seca de ramo (MSR), teor e conteúdo dos nutrientes nitrogênio (N), fósforo (P), potássio (K), cálcio (Ca), magnésio (Mg), boro (B), cobre (Cu), ferro (Fe), manganês (Mn) e zinco (Zn) nas folhas e ramos, e calculada a dose de máxima eficiência técnica (DMET).
Para os rendimentos de massa fresca e seca tanto total e de folha, colheu-se a parte aérea, através de cortes realizados a uma altura de 10 cm acima do solo. Após a colheita, o material foi pesado para a obtenção da massa fresca total, e posteriormente separado em folha e ramos para se obter a massa fresca dos mesmos. Em seguida o material foi levado para secar em estufa de circulação forçada de ar a 65ºC até atingirem massa constante, onde se obteve a massa seca por diferença. O material seco foi trituradas em partículas com diâmetro inferior a 1 mm em moinho Willey para análise dos nutrientes.
Foi realizada extração dos nutrientes da planta por digestão ácida (Martins e Reissmann, 2007), e posterior determinação dos teores de P, K, Ca, Mg, B, Cu, Fe, Mn e Zn por espectrofotometria de emissão óptica com plasma indutivamente acoplado. A análise de nitrogênio (N-total) foi efetuada por combustão em analisador CHONS, marca ELEMENTAR, modelo VARIO EL III. As análises foram realizadas no Laboratório de Biogeoquímica e Nutrição de Plantas, do Departamento de Solos e Engenharia Agrícola, Setor de Ciências Agrárias (UFPR).
O conteúdo dos nutrientes em cada parte da planta foi obtido pelo produto entre o teor do elemento e a massa da matéria seca correspondente. O conteúdo total de nutrientes em cada época avaliada correspondeu ao somatório das quantidades presentes nas folhas e nos ramos.
A dose máxima eficiência técnica (DMET) foi obtida por meio da derivada primeira da equação expressa pela regressão, que se refere à máxima produtividade de melissa em relação aos tratamentos aplicados.
2.2.4 Análise estatística
Os dados obtidos forma analisados quanto à homogeneidade pelo teste de Bartlet, e posteriormente por análise de variância e regressão.
2.3 RESULTADOS E DISCUSSÃO
2.3.1 Produtividade
Na primeira colheita não foi verificado o efeito significativo das doses de N na produtividade de MST, MSF e MSR (FIGURA 3). A produtividade média de MST foi de 1.878 kg ha-1. A maior parte da massa total (em torno de 70%) foi composta de folhas, cuja produtividade média de MSF 1.265 kg ha-1.
Os resultados obtidos na primeira colheita são justificados pela desuniformidade das parcelas, uma vez que a colheita ocorreu aos 60 DAT. Durante este período, as plantas utilizam parte do N para a formação do sistema radicular (dreno preferencial de fotoassimilados) e fixação no solo, não investindo em parte aérea(Pace et al., 1999; Cabral et al., 2013). Além disso, a adubação de plantio (20 kg ha-1 N) pode ter sido suficiente para suprir a demanda das plantas, assim, não verificando o efeito das doses em relação à produtividade.
Dose de Nitrogênio (kg ha-1) 0 40 80 120 160 P rod u ti vi d ad e ( k g h a -1 ) 0 500 1000 1500 2000 2500 3000 MST Y = 1772,298+3,984x-0,0222x2 R2 0,19n s MSF Y = 1184,884+2,8821x-0,0157x2 R2 0,19n s MSR Y = 587,4144+1,1019-0,00065x2 R2 0,18n s
FIGURA 3. Produtividade de massa seca total (MST) da parte aérea (folha+ramo), massa seca de folha (MSF), massa seca de ramo (MSR), de melissa, na primeira colheita.
A aplicação de N na segunda colheita apresentou efeito significativo sobre a produtividade de MST, MSF e MSR (FIGURA 4), porém aumentou até as DMET de 105, 110 e 98 kg ha-¹ de N, respectivamente, que resultaram em produtividades de 2.889, 1.757 e 1.128 kg ha-1, respectivamente.
A contribuição das folhas na massa seca total da planta ficou próxima dos 60%, um pouco abaixo do observado na primeira colheita, que foi próximo a 70%. Como o objetivo do segundo experimento foi avaliar a adubação nitrogenada de cobertura após a primeira colheita, essa primeira colheita influenciou na uniformidade das plantas que, juntamente com a adubação nitrogenada proporcionou aumento no número de ramos, resultando no aumento da produtividade de massa das plantas (May et al., 2010; Meira et al., 2011). Na segunda colheita o tempo de cultivo foi maior (100 DAT), onde a cultura já estava plenamente estabelecida, o que também favorece o aumento da MST. Resultado semelhante foi encontrado por Monteiro et al. (2011) no cultivo de Mentha campestres, em que a segunda colheita (90 DAT) proporcionou as maiores produtividades.
Dose de Nitrogênio (kg ha-1 ) 0 40 80 120 160 P rod u ti vi d ad e ( k g h a -1 ) 0 500 1000 1500 2000 2500 3000 3500 MST Y = 1822,165+20,1337x-0,0956x2 R2 0,92* * * MSF Y = 1063,904+12,5797x-0,0571x2 R2 0,96* * * MSR Y = 758,2617+7,5540x-0,0385x2 R2 0,82* * *
FIGURA 4. Produtividade de massa seca total (MST) da parte aérea (folha+ramo), massa seca de folha (MSF) e massa seca de ramo (MSR) de melissa, na segunda colheita.
Na terceira colheita (FIGURA 5), a produtividade de MST aumentou até a aplicação de 76 kg ha-¹ de N, para uma produtividade de 4.051 kg ha-1, o que corresponde a 20.255 kg ha-1 de MFT. Não se verificou efeito significativo da aplicação de N sobre a MSF, porém a produtividade média da e da MSF com a aplicação de N foi de 1.941 kg ha-1, ou seja, 15% superior ao tratamento testemunha (sem aplicação de N). A produtividade de MSR aumentou até a aplicação de 77 kg ha-1 de N, comportamento próximo ao da MST, correspondendo a 1.894 kg ha-1.
A maior dose de N avaliada (160 kg ha-1) proporcionou expressiva redução da produtividade de MFT e MST (FIGURA 5). Esse comportamento pode estar relacionado ao nitrogênio interferir ou reduzir a absorção de outros nutrientes essenciais para as plantas como o K, Ca e Mg (Marschner, 2012), conforme foi observado por Souza e Fernandes (2006) em experimento com mistura de NH4+: NO3- no cultivo de feijão, repolho, melão e milho, os quais tiveram a redução do peso das folhas secas devido ao aumento na concentração de NH4+
Dose de Nitrogênio (kg ha-1) 0 40 80 120 160 P rod u ti vi d ad e ( k g h a -1 ) 0 1000 2000 3000 4000 5000 MST Y = 2869,852+31,0304x-0,2038x2 R2 0,90* * * MSF Y = 1802,078+9,7217x-0,0666x2 R2 0,80n s MSR Y = 1067,7745+21,3087x-0,1373x2 R2 0,94* * *
FIGURA 5. Produtividade de massa seca total (MST) da parte aérea (folha+ramo), massa seca de folha (MSF) e massa seca de ramo (MSR) de melissa, na terceira colheita.
2.3.2 Teor e conteúdo dos nutrientes
As folhas apresentaram, em geral, os maiores teores dos macro e micronutrientes com exceção do K, que foi maior para os ramos, nas três colheitas. Na primeira colheita não foi verificado efeito das doses de N para os teores dos macronutrientes nas folhas e nos ramos. Porém, na segunda e terceira colheitas, as folhas apresentaram aumento nos teores de N e Mg (TABELAS 3 e 4), e redução dos teores de P e K, respectivamente. Nos ramos houve redução dos teores de P e Ca na segunda colheita, enquanto que na terceira colheita houve aumento nos teores de N e redução nos teores de P.
TABELA 3. Teor médio1 dos macronutrientes nas folhas e ramos de melissa da segunda colheita. Macronutriente g kg-1 MS Dose de N (kg ha-1) R2 0 40 80 120 160 FOLHA N 27,96 30,94 34,14 34,81 36,03 L 0,92** P 2,52 2,46 2,37 2,30 2,41 Q 0,85ns K 21,21 20,90 20,42 20,50 20,05 L 0,91** Ca 8,69 9,46 9,19 9,29 9,70 Q 0,62ns Mg 2,33 2,73 2,79 2,80 2,86 L 0,71** RAMO N 8,69 8,88 8,69 8,72 8,76 Q 0,03ns P 2,01 1,89 1,73 1,79 1,71 L 0,78** K 20,75 20,93 21,95 21,36 21,95 Q 0,68ns Ca 4,86 4,47 4,33 4,44 4,53 Q 0,95** Mg 1,45 1,09 1,13 1,13 1,15 Q 0,79ns 1
Média de cinco repetições; p <0,05; ns: não significativo; L: equação linear; Q: equação quadrática.
TABELA 4. Teor médio1 dos macronutrientes nas folhas e ramos de melissa da terceira colheita. Macronutriente g kg-1 MS Dose de N (kg ha-1) R2 0 40 80 120 160 FOLHA N 27,58 27,87 30,95 32,21 32,02 L 0,86** P 3,74 3,14 2,71 2,75 3,00 Q 0,99** K 41,54 40,53 39,15 38,83 38,53 L 0,92** Ca 7,03 7,34 7,3 7,01 7,67 Q 0,36ns Mg 1,73 1,79 1,81 1,82 1,79 Q 0,99** RAMO N 10,55 11,21 13,63 15,96 14,62 L 0,80** P 2,54 2,19 2,00 2,04 2,14 Q 0,99** K 35,15 33,13 35,85 39,5 38,75 Q 0,69ns Ca 4,02 3,8 4,08 4,03 4,32 Q 0,74ns Mg 1,02 1,00 1,03 1,06 1,07 Q 0,85ns 1
Média de cinco repetições; p <0,05; ns: não significativo; L: equação linear; Q: equação quadrática.
O N devido à sua essencialidade e ser requerido em grande quantidade atua diretamente no crescimento das plantas, compõem diversas macromoléculas (proteínas, aminoácidos, clorofila entre outras) (Taiz e Zeiger, 2009; Souza e Fernandes, 2006). Com o aumento das doses de N, aumentou a sua concentração no solo, favorecendo a sua maior disponibilidade e absorção em relação aos outros nutrientes, devido à ocupação da maioria dos sítios de absorção não específicos, aumentando assim o seu teor na planta.
O Mg está envolvido na ativação de inúmeras enzimas, principalmente as envolvidas na respiração, fotossíntese e síntese de DNA e RNA (Taiz e Zeiger, 2009). Também tem grande importância devido ser um nutriente considerado como átomo central da clorofila, que do total de Mg nas folhas, corresponde a cerca de 10% (Malavolta et al., 1997), dessa maneira observou o maior teor do Mg nas folhas em relação aos ramos. Os estímulo a produtividade de massa seca com o aumento das doses de N (item 2.3.1) podem ter favorecido o aumento nos teores de Mg nas folhas, pois ambos estão envolvidos nos processos fotossintéticos e quanto mais massa foliar a planta produzir maior tende a ser a necessidade de Mg para suprir as necessidades bioquímicas da planta.
A redução nos teores de P, K e de Ca com o aumento das doses de N, resultaram no efeito de diluição destes elementos em função do aumento da massa seca, podendo estar relacionada também com a acidificação da rizosfera provocada pelo NH4+, onde altas concentrações interferem ou reduzem a absorção desses nutrientes que também são essenciais para as plantas (Araújo e Machado, 2006; Souza e Fernandes 2006; Prado, 2008; Marschner, 2012). No caso do P essa redução está ligada com a disponibilidade de P no solo, pois quando há absorção N na forma de NH4+ pelas plantas há liberação de H+, fazendo com que o pH do solo reduza, uma vez que o pH ideal para promover maior disponibilidade de P na solução do solo é de 6,5, ocorrendo maior absorção pela planta. Já para o K e Ca seria em relação à competição pelos sítios de troca, uma vez que o NH4+ é um cátion monovalente podendo competir com os demais cátions, o que facilmente ocorre na adubação de manutenção quando