3. ATIVIDADES DESENVOLVIDAS
3.4. Dossier de Estágio
Esta foi uma atividade proposta exclusivamente pelo meu supervisor de estágio, no qual eu deveria colocar toda a informação produzida durante o mesmo, funcionando assim como um documento orientador deste e servindo como parte da avaliação final.
É de destacar neste documento, os relatórios semanais realizados, que traduzem todos os conhecimentos adquiridos da parte técnica e alguma parte administrativa: métodos de treino (Superséries, Compound Set, Tri Set, Drop Set, Pirâmide, High
Intensity Interval Training, Tabata, Complex Training), conceitos e manutenção dos
Visto o Kickboxing ser a única modalidade de competição existente no Polirithmus, o meu supervisor e eu, achámos pertinente que eu fizesse a caraterização dessa mesma.
3.4.1. Caraterização do Kickboxing
3.4.1.1.
História
Por volta dos anos 70 do século passado, lutadores de karaté, Taekwondo e Kung Fu, insatisfeitos com as limitações dos seus desportos – não poder haver contacto físico entre os lutadores - decidiram criar uma nova modalidade competitiva, à qual chamaram Karaté Full Contact, sendo que nesta nova modalidade já era possível a utilização de socos e de pontapés de forma a atingir o adversário. Foi então que, em 1974, foi realizado o primeiro Campeonato Mundial de Karaté Full Contact, em Los Angeles, nos Estados Unidos da América.
À medida que o tempo foi passando – já por volta dos anos 80 - e que o número de praticantes ia aumentando, começou a ser notório para os mesmos que a modalidade que estavam a praticar já se referia a um outro tipo de luta, que não somente a mistura das três artes marciais anteriormente referidas, mas sim do Taekwondo e do karaté na técnica de pernas, simultaneamente com a técnica de punhos do Boxe. A partir deste momento o nome desta nova modalidade foi mudado para Kickboxing que refletia de maneira muito mais explicita a essência da mesma. (Confederação Brasileira de Kickboxing, s/d, s/p.)
3.4.1.2. Objetivos do Kickboxing
O Kickboxing é um desporto bastante complexo, cujo praticante tem de usar a totalidade do seu corpo. Para além de ter de usar a componente física para derrotar o adversário, o atleta terá também de usar igualmente a componente psíquica e mental para se manter concentrado o máximo tempo possível. Por ser uma modalidade que trás benefícios a nível físico e a nível mental, o número de praticantes têm aumentado bruscamente. Ross O´Donnell (2005) refere que no último par de anos, o Boxe e o Kickboxing têm-se tornado nas mais populares formas de fitness na América do Norte.
A razão para isso é que os indivíduos obtêm o melhor treino cardiovascular e de resistência de sempre, e aprendem valiosas técnicas de auto defesa ao mesmo tempo. Para além destes benefícios, para todas as faixas etárias, através da prática do Kickboxing, encontramos muitos outros objetivos, como por exemplo, a redução de massa gorda, tonificação muscular, aumento da flexibilidade, sentimento de auto confiança, alívio do stress, aumento da velocidade de raciocino, dos reflexos, da agilidade, e concretamente para as crianças/adolescentes desenvolve a coordenação motora, a disciplina e a concentração.
3.4.1.3. Disciplinas e Regras Básicas
O Kickboxing é dividido em várias disciplinas: Point Fighting, Light Contact, Light Kick, Full Contact, Low Kick, K-1 e Muay Thai.
O Point Fighting, antigamente chamado de Semi Contact, é uma disciplina praticada no tatami, em que os lutadores devem tentar alcançar a máxima marcação de pontos através de técnicas legais em velocidade; utiliza socos e pontapés, no entanto, nestes não importa a sua eficácia mas sim a qualidade técnica e a velocidade de execução; a cada ponto válido o árbitro suspende o combate e os juízes atribuem a pontuação ao atleta que pontuou. As áreas legais de ataque são a cabeça (face, lado, nuca e testa), o tronco (frente e lado) e os pés (ao nível dos tornozelos). A avaliação de cada ponto válido é feito da seguinte forma: um soco, um pontapé ao tronco e um varrimento valem 1 ponto; um pontapé na cabeça ou um pontapé ao corpo em salto vale 2 pontos e um pontapé à cabeça em salto vale 3 pontos.
O Light Contact encontra-se entre o Point Fighting e o Full Contact e também é praticado no tatami. Nesta disciplina as técnicas de ataque utilizadas devem ser bem controladas e tal como no Point Fighting, o importante é a técnica e a velocidade de execução, porém o combate é contínuo, tendo como única interrupção o comando “stop” ordenado pelo árbitro. As áreas legais de ataque são a cabeça (frente e lado), o tronco (frente e lado) e os pés, mas apenas ao nível dos tornozelos.
O Light Kick tem precisamente as mesmas regras do Light Contact, porém, é permitido o uso de pontapés, acrescentado às áreas legais de ataque a coxa.
O Full Contact, praticado já num ringue, como diz o nome há contacto físico total, sendo que esta se distingue das outras duas disciplinas acima referidas por o foco dos movimentos ser a sua eficácia, mais propriamente a potência e a força. Só é contado ponto caso um atleta atinja outro numa área legal, e no seu movimento seja percetível a existência de velocidade, foco, potência e equilíbrio. As áreas legais de ataque são as mesmas do que no Light Contact, ou seja, a parte frontal e lateral da cabeça e do tronco, e ao nível dos tornozelos, pelo que cada golpe numa destas áreas é pontuada com um ponto.
O Low Kick é exatamente igual ao Full contact, acrescentado às áreas legais de ataque deste, a coxa, que poderá ser atingida com a tíbia.
O k-1, uma modalidade vinda diretamente do Japão, com bastantes semelhanças com o Muay Thai e com o Low Kick, sendo uma mistura dos dois. Apesar de ser muito parecido com o Muay Thai, difere deste por não ser permitido o uso dos cotovelos, pela ausência de música Tailandesa durante o combate e do Ram Muay (dança realizada no início do combate). De resto, as regras são as referidas anteriormente para a disciplina de Low Kick.
O Muay Thai é uma arte marcial Tailandesa, que difere do Low Kick pela possibilidade do uso de joelhadas e de cotoveladas, pela presença de música Tailandesa durante o combate e pelo ritual inicial chamado Ram Muay. (Federação Portuguesa de Kickboxing e Muaythai, s/d, s/p.)
3.4.1.4. Vias Energéticas
O’Donnell (2005) afirma que eles (Boxe e Kickboxing) requerem curtas explosões de velocidade e depois um ritmo calmo ou mesmo um descanso, como numa partida de dois ou três minutos seguida de 30-60 segundos de período de descanso, ou seja, defende a ideia de que nesta modalidade a via energética mais utilizada é a anaeróbica, visto que os combates são divididos em rondas, sendo que estas podem variar de 2 a 12 (2/3 para amadores e 2-12 para profissionais), com duração que varia de 2 minutos cada. No entanto, apesar deste desporto ser tão intenso e de obrigar o organismo a recorrer à energia via anaeróbica pelo facto de as contrações musculares serem tão rápidas que o sistema cardiovascular não consegue abastecer os músculos de oxigénio suficiente, a energia aeróbica irá tornar-se fundamental com o decorrer do combate (Figura 19), o que leva Azarbayjani et al, (2014) a dizer que o Kickboxer se deve focar em melhorar ambas as vias energéticas.
Figura 16: Glicogénio Muscular Vs Tempo Fonte: http://www.efdeportes.com/efd56/hidrat.htm