2.2 REPOSITÓRIOS DIGITAIS
2.2.2 Pacotes de software
2.2.2.3 DSpace
visualização de documentos não restritos, download de arquivos, etc.
Gerenciamento da informação Oferecimento de módulos de gerenciamento de conteúdos.
Fluxo de trabalho Possibilidade de definição de ações como publicação, restrição e exclusão de itens.
Metadados
Formulários de metadados divididos nos seguintes grupos: geral (informações gerais, como título, licença, editora, tipo de documento, etc.); datas;
identificadores, sendo URL, Digital Object Identifier (DOI)113, International Standard Book Number (ISBN)114, etc.; pessoas; e classificações (alternativa de inclusão de palavras-chave, com base em um vocabulário controlado ou livremente).
Direitos de acesso Possibilidade de personalização de direitos de acesso.
Perguntas frequentes Opção de personalizar uma página com perguntas frequentes destinadas aos usuários do sistema.
Interoperabilidade Interface OAI, demandando a adoção do OAI-PMH
Fonte: Elaborado pela autora com base em Online Publikationsverbund der Universität Stuttgart (c2012).
Similarmente aos outros pacotes de software livres para RD elencados nesta pesquisa, o OPUS, como pôde ser observado no quadro seis (6), apresenta uma gama de atributos recorrentes, a exemplo da possibilidade de customização; da opção de personalização de perfis de acesso; da adoção de uma interface OAI; da multiplicidade de formatos e tipos de documentos admitidos; dentre outros.
CC, no ambiente acadêmico, contudo, a história do software em questão remonta ao ano de 1999, com a já citada Convenção de Santa Fé, a qual contou com a presença do MIT que, em virtude do encontro, logo engrenhou um processo de negociação com a HP para o desenvolvimento do pacote (CELESTE; BRANSCHOFSKY, 2002; MARTINS; SILVA;
SIQUEIRA, 2018; WARE, 2004). O software em discussão é o mais utilizado no mundo, à medida que 43% dos RD registrados no OpenDoar, e 1870 cadastrados no ROAR, fazem uso dele (OPENDOAR, [2018?]; REGISTRY OF OPEN ACCESS REPOSITORIES, [2019?b]).
Em vista da quantidade de instalações, a comunidade de usuários brasileiros115, que tem o Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT) como órgão fomentador, e é composta por mais de 90 membros, criou uma wiki116, almejando a integração e o compartilhamento de informações acerca da aplicação (INSTITUTO BRASILEIRO DE INFORMAÇÃO EM CIÊNCIA E TECNOLOGIA, 2019; WIKI DURASPACE, [20--?a]).
Um longo período foi percorrido até que o DSpace chegasse à sua versão atual, “6.x”, como é evidenciado pela Wiki Duraspace ([20--?b]). Atualmente, a comunidade do pacote trabalha na versão 7.0, a qual tem previsão de lançamento para meados de 2019, sendo que, apesar de os trabalhos relativos à 8.0 não terem sido iniciados, já está aberto um fórum de discussão para essa (WIKI DURASPACE, [20--?b]). A primeira versão, per se, foi disponibilizada para teste, por parte de algumas Instituições, no ano de 2002, de forma que a sua disseminação em larga escala se deu apenas após sua consolidação. Seguido da liberação da versão piloto, melhorias começaram a ser observadas nos lançamentos posteriores, como a possibilidade de indexação de texto completo na 1.3; a viabilidade de adoção de vocabulários controlados na 1.4; e a aplicação da interface eXtented Mark Language User Interface (XMLUI)117 na 1.5 (CELESTE; BRANSCHOFSKY, 2002; IBICT WIKI, 2015). A versão 1.6, por sua vez, constituiu um protótipo que nunca foi formalmente liberado para download, tendo acontecido o mesmo com a 2.0, apesar de algumas funcionalidades dessa última terem sido adicionadas a outras versões ao longo do tempo. Desde então, assistiu-se lançamentos como: “3.x”, liberando, entre 2012 e 2016, as versões de 3.0 à 3.6; “4.x”, da 4.0 à 4.8, no decorrer de 2013 à 2018; “5.x”, da 5.0 à 5.9, entre 2015 e 2018; e mais recentemente, a versão
115 Site: https://wiki.duraspace.org/pages/viewpage.action?pageId=104565826.
116 “Uma aplicação da Web que possibilita aos usuários adicionar conteúdo a um recurso de hipertexto colaborativo (coautoria) da Web, como em um fórum da Internet, e permite que outros editem esse conteúdo (edição aberta)” (ONLINE DICTIONARY FOR LIBRARY AND INFORMATION SCIENCE, c2018, tradução nossa, destaque nosso).
117 Arquitetura destinada a construção de interfaces de páginas da web baseada na linguagem de marcação XML.
(IBICT WIKI, 2015).
“6.x”, disponibilizando, entre 2016 e 2018, da 6.0 à 6.3, sendo esta última, o lançamento considerado estável (WIKI DURASPACE, [20--?b]).
No que tange ao funcionamento, o software é pautado na ideia de submissão de OD, a partir de um módulo de fluxo de trabalho associado a políticas de aprovação dos respectivos itens, que resultam na geração de um URL persistente, isto é, que perdura em longo prazo, contribuindo para a preservação digital. Além disso, o DSpace alinha-se com os parâmetros de interoperabilidade estabelecidos pela OAI e pelo seu protocolo, o OAI-PMH (CELESTE;
BRANSCHOFSKY, 2002). Em termos estruturais, os RD criados a partir da aplicação deste programa podem se dividir em comunidades (instância maior), as quais abrigam, hierarquicamente, subcomunidades e coleções (THE DSPACE DEVELOPER TEAM, 2018).
Por fim, reconhecendo as particularidades possuídas por diferentes áreas de estudo, é oferecida, aos implementadores, a possibilidade de adequação para cada uma delas (CELESTE; BRANSCHOFSKY, 2002). Diante da síntese apresentada, acerca do modo de funcionamento e da organização estrutural do DSpace, o quadro sete (7) ilustra algumas das principais características funcionais do software.
Quadro 7 – Funcionalidades do DSpace118
CARACTERÍSTICAS FUNCIONALIDADES
Acesso online aos OD
Pesquisa no texto integral; depósito de qualquer formato digital; indexação do conteúdo no Google;
suporte ao protocolo OpenURL119.
Gerenciamento de metadados
Existência de metadados descritivos, administrativos e estruturais; e possibilidade de controle de autoridade.
Após a instalação do DSpace, o DC vem acoplado como um esquema padrão.
Licenciamento
Licenças de distribuição e compartilhamento para comunidades e coleções; e possibilidade de integração de licenças Creative Commons.
URL persistente e identificadores Disponibilização de Handles120 e identificadores
“persistentes”121 para bitstreams122.
118 As características funcionais ilustradas no quadro quatro (4) baseiam-se na versão atual, “6.x”.
119 “OpenURL é uma sintaxe padrão da NISO para o transporte de informações (metadados e identificadores) sobre um ou vários referentes dentro das URL. A OpenURL fornece uma sintaxe para codificar metadados (mas não uma fonte deles), restrito ao mundo dos URL [...]. Essa interface pode ser usada para associar serviços que, de outro modo, são díspares, como sistemas de resolução centralizados e conhecimento local de referentes disponíveis” (DIGITAL OBJECT IDENTIFIER SYSTEM, 2017, tradução nossa, destaques nosso).
120 Produto do chamado Handle System, cujo objetivo é “[...] assinalar, armazenar, administrar e resolver identificadores ou nomes persistentes de objetos digitais [...]” [de forma que] as informações de localização e acesso podem sofrer mudanças, refletindo o estado atual do recurso, sem que haja, entretanto, alteração no seu handle. Isto permite que a identificação do item transcenda as mudanças de localização, de propriedade e de outras informações transitórias, garantindo a característica desejável de persistência” (SAYÃO, 2007, p. 71, destaque do autor). Site: https://www.handle.net/.
121 Enquanto uma tecnologia “similar aos handles para itens do DSpace, os bitstreams também têm identificadores 'Persistentes'. Eles são mais voláteis do que os Handles, pois, se o conteúdo for movido para um
Inclusão de conteúdos
Fluxo de trabalho (constituído de três passos básicos:
1º) aceitação ou rejeição de item submetido; 2º) edição de metadados, seguida de aceitação ou rejeição da submissão, sem possibilidade de modificação de arquivos carregados; e 3º) edição de metadados, não podendo rejeitar a submissão ou modificar arquivos submetidos); ferramentas de importação de conteúdos entre Dspace e outros sistemas; compatibilidade com o SWORD, o qual se traduz no protocolo destinado ao depósito remoto de conteúdos em RD, viabilizando a recuperação, atualização e exclusão de itens
depositados.
Inclusão de conteúdos externos ao DSpace
Adesão da OAI; comandos de exportação de itens;
crosswalk, isto é, tradução, para fins de
correspondência, entre o padrão de metadados do DSpace e outros utilizados em SI externos, visando à representação.
Gerenciamento de usuários
Contas e perfis dos usuários (contendo informações como e-mail; nome e sobrenome; coleções de interesse; etc.); inscrição em coleções para recebimento de alertas de atualização; criação de grupos com permissões especiais, como por exemplo, autorização para acesso à conteúdos restritos.
Controle de acesso Engloba atividades como autenticação e autorização, no que concerne às pessoas cadastradas no SI.
Métricas de uso
Estatísticas de uso para itens, coleções e comunidades;
estatísticas do sistema, com dados customizáveis, como número de logins, buscas mais populares, visualizações em bitstreams, etc.
Preservação digital
Mecanismo de avaliação de conteúdos, a fim de verificar a integridade desses, no que diz respeito à possibilidade de ter sido corrompido ou adulterado.
Adoção do modelo OAIS.
Design do sistema
Baseado em comunidades, subcomunidades e coleções, as quais podem estar presentes em mais de uma comunidade e possuem itens que também podem aparecer em várias coleções simultaneamente. Os itens dispõem das seguintes denominações: original (bitstream originalmente depositado); thumbnail (correspondente a bitstreams de natureza imagética);
text (extração do texto cuja denominação é orginal, para fins de indexação); license (especificação dos direitos concedidos quando no depósito); e cc_license (licença de distribuição associada a um item,
especificando o que os usuários finais podem fazer com esse).
Fonte: Elaborado pela autora com base em The Dspace Developer Team (2018); e Sayão e Marcondes (2009).
servidor ou organização diferente, eles não funcionarão mais (por isso as aspas em ‘persistentes’). No entanto, elas são mais facilmente persistentes do que as URL simples, baseadas na chave primária do banco de dados usada anteriormente. Isso significa que sistemas externos podem se referir de forma mais confiável a bitstreams específicos, armazenados em uma instância do DSpace” (THE DSPACE DEVELOPER TEAM, 2018, tradução nossa, destaques nossos).
122 Denominação dada aos arquivos carregados no DSpace (THE DSPACE DEVELOPER TEAM, 2018).
O quadro sete (7) apresenta um panorama das principais funcionalidades do DSpace, em termos de natureza, a exemplo da inerência do padrão DC; da geração de identificadores permanentes; da presença de um fluxo de trabalho; da estrutura, como é o caso do design do sistema, cuja divisão se dá em comunidades, subcomunidades e coleções; e do funcionamento, como o acesso aos OD depositados, preconizando a pesquisa em texto completo. Este agrupamento de funcionalidades corrobora o conjunto de objetivos fundamentais do software, salientados pelo The Dspace Developer Team (2018), isto é, a descrição, o depósito, a disseminação e a preservação digital de OD armazenados no SI.
Atributos característicos tanto do DSpace quanto dos outros softwares discutidos até então, como a customização de interface e mecanismos de fluxo de trabalho, também podem ser identificados no último pacote abordado no âmbito desta pesquisa, denominado Islandora.