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DURAÇÃO APROXIMADA DO EXERCÍCIO DO MANDATO

IV OS OFICIAIS DO PODER SENHORIAL E CENTRAL

DURAÇÃO APROXIMADA DO EXERCÍCIO DO MANDATO

Doutor João Ferreira Cardoso Oliveira 29/10/1748 Três anos e nove meses Doutor Manuel Penedo Lobo520 3/7/1752 Três anos e onze meses

Bacharel José Ribeiro Gomes 15/6/1756 Quatro anos e dois meses Bacharel José António de Oliveira Damásio 14/10/1760 Três anos e dois meses Inácio José Caetano do Vale 28/12/1763 Três anos e dois meses Dr. José Luís Soares de Barbosa 9/3/1767 Três anos e dois meses Dr. Manuel Pereira de Moura 23/4/170 Três anos

Dr. José António Inácio de Abreu Rosa Guião 17/5/1773521 Três anos e quatro meses

Doutor José de Oliveira Pinto Botelho da Silva Mesquita

28/9/1776 Três anos e oito meses Dr. António José de Carvalho Pimentel 10/5/1780522 Três anos e cinco meses

Francisco José de Sousa Rebelo 1783 Três anos

Bacharel Miguel Pedro da Cruz523 30/11/1786 s/r

A acção dos ouvidores contemplava também as correições, embora haja que ter em atenção quenem todas se realizaram sob a sua tutela, a condução dos actos eleitorais para o preenchimento dos cargos da vereação e a prestação de informação sobre o desempenho dos juízes de fora.

A acção destes magistrados, representantes do poder senhorial, contou sempre com resistências por parte das elites locais, embora em diferentes graus. A sua carreira “política” dependia bastante das informações prestadas pelos oficiais camarários, aquando da sua avaliação no final do seu mandato, no processo de “tomada de residência”524. Embora não tenhamos os discursos proferidos pelos ouvidores na tomada

de posse, e apesar da situação de precedências ser mais favorável a estes magistrados em Beja do que em outras localidades do reino, podemos aduzir que os ouvidores fomentaram uma cultura de aproximação às elites bejenses, à semelhança do que se verificou em outras localidades alentejanas525.

520 Viria a ser Provedor da cidade e da comarca, tendo tomado posse em 11/2/1760. AHMB/CMB,

Vereações, Livº148, fl. 15/v.

521 Suspenso em 26/9/1776. 522 Suspenso em 4/10/1783. 523 Ouvidor-Corregedor.

524 A sindicância dos ouvidores na Casa de Bragança era, geralmente, efectuada pelos provedores das

comarcas próximas e não pelos corregedores ou desembargadores da Coroa. Cf. Mafalda Soares da Cunha, A Casa de Bragança 1560-1640…, p. 225.

Não sabemos se a Casa do Infantado também teria o mesmo privilégio.

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Porém, esta cultura de aproximação não impediu que, por vezes, irrompessem nos termos das vereações, tão avessas ao registo de manifestações conflituais, algumas disputas de jurisdição entre os ouvidores e o corpo da vereação, como aconteceu na reunião camarária de 18/6/1768, em que o senado bejense contestou a prerrogativa do ouvidor nomear o avaliador do concelho e partidor dos órfãos526.

A resistência das elites políticas de Beja, face ao poder senhorial, está bem patente na sua reação negativa às propostas de integração de membros da comunidade nas listas para vereador ou procurador do concelho.

Um exemplo do conflito entre o poder senhorial e o poder local pode ser encontrado na sessão de 10/11/1779 quando o ouvidor, o Dr. José de Oliveira Pinto Botelho Mesquita, inicia um novo processo de eleição para o triénio 1780/81/82. Nesta sessão, o ouvidor ordenou a integração de José Joaquim de Barahona Fragoso nas listas para vereador, argumentando que era “capitão-mor de Cuba, cavaleiro professo da Ordem de Cristo e de conhecida e qualificada nobreza”. Também para procurador do concelho o ouvidor ordenou “por cântaro” ao Dr. João Manuel Fontes Cordeiro. Na mesma, sessão Jacinto do Lobão Telo apresentou uma provisão de Sua Majestade onde se dizia que o portador podia ser pautado para vereador. Havendo dúvidas quanto “à qualidade” do proposto o ouvidor procedeu a votação sobre a aceitação do citado para as listas. Somente o procurador do concelho votou favoravelmente. Os vereadores argumentaram que Sua Majestade não ordenava expressamente a sua inclusão nas listas para este triénio, pois apenas declarava que ele podia ser pautado vereador e como o número de pessoas pautadas, quarenta e uma, era suficiente para os três anos ficaria em reserva para próximas eleições, caso houvesse falta de oficiais. A decisão foi a mesma quanto à provisão que Francisco Martins da Silva, lavrador da freguesia de Baleizão, apresentou para ser pautado vereador, com votos de rejeição dos vereadores e do procurador do concelho. Não há indicação do sentido de voto do ouvidor em qualquer uma das votações527.

Como podemos constatar, a acção dos ouvidores constituiu um reforço do poder senhorial junto do poder local. Aqueles magistrados impediram que determinados grupos inquinassem os processos eleitorais, omitindo informações sobre alguns elementos da nobreza local, numa tentativa de procurem o seu afastamento da câmara. Além disso, a condução das sessões de vereação em que estava em causa a proposta de individualidades

526 AHMB/CMB, Vereações, Livº151, fl.75 a 76. 527 AHMB/CMB, Vereações, Livº158, fls. 214v a 127.

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para a eleição para os cargos superiores das ordenanças também retirava poder às elites locais.

3. Os oficiais do poder central 3.1. Os juízes de fora do geral

A figura do juiz de fora foi criada por D. Afonso IV, por altura da Peste Negra, e pretendia dar resposta a uma questão em particular relacionada com a execução testamental, na sequência do elevado número de mortes ocorridas na altura, que a Igreja pretendia controlar, pois era largamente beneficiada. Nesse sentido, foi determinado que os testamentos tinham de ser presentes aos juízes régios dos lugares, eleitos nos concelhos. Porém, face à sua fraca preparação e independência o rei viu-se forçado a nomear juízes de fora parte, em muitos casos letrados, que não estavam submetidos aos poderes locais e à Igreja e cuja autoridade provinha directamente do monarca528.

A imposição dos juízes de fora aos concelhos pelos monarcas portugueses, sobretudo a partir dos séculos XV e XVI, teve como objectivo a implementação do direito régio e do «direito comum» baseado no direito romano, mas que congregava diferentes tradições jurídicas529. A partir do século XV o sistema das fontes de direito estava fixado nas

Ordenações do reino, em que a primazia era a do direito nacional e na falta dele o «direito comum» a que se seguiam as opiniões de outros teóricos do Direito, como Acúrsio e Bártolo530.

Esta vivência entre o direito letrado e o direito “rústico” não foi pacífica. Os letrados foram impondo o direito comum e o direito régio em detrimento do sistema jurídico tradicional531.

Na câmara de Beja os juízes de fora encontravam-se divididos em do geral e dos órfãos, devendo-se a existência de dois juízes de fora certamente à complexidade e quantidade

528 Cf. Marcelo Caetano, A Administração Municipal de Lisboa durante a 1ª Dinastia (1179-1383). Lisboa,

Livros Horizonte, 1990 [1ª ed. 1951], p.66.

529 Cf. Nuno Camarinhas, Juízes e Administração da Justiça no Antigo Regime: Portugal e o império

colonial, séculos XVII e XVIII, s/l, Ed. FCG/FCT, 2010, p.55.

530 Cf. António Manuel Hespanha, “A violência doce da razão jurídica” in Revista Crítica de Ciências

Sociais, nºs 25/26, Dezembro de 1988, p. 43.

531 Segundo António Manuel Hespanha a literatura jurídica moderna não considera a existência deste

sistema jurídico como uma alternativa, mas vê-o somente como um sinal de ignorância e de entrave ao progresso. Ver António Manuel Hespanha, Ibidem, pp. 31-60.

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de matérias a tratar. A presidência do senado camarário era atribuição do juiz de fora do geral ou, na falta deste, do juiz de fora dos órfãos, quando presentes.

Aos juízes de fora do geral estavam atribuídas diversas funções. Conferiam posse ao corpo das novas vereações nomeadas pelo centro do poder, empossavam os almotacés e tinham uma acção muito intensa na fiscalização económica e fiscal do concelho. A sua intervenção chegava mesmo ao ponto de anularem eleições para ofícios camarários realizadas na sua ausência532. Possuíam ainda atribuições de ordem judicial e de

manutenção da ordem pública, contenção dos abusos dos poderosos e na organização de batidas aos lobos533. Em algumas localidades do reino, os juízes de fora do geral, além de

julgarem em primeira instância no cível e no crime, também eram juízes dos órfãos.534

Em Beja, entre 1750-1786, exerceram o ofício doze juízes de fora do geral, cuja média de exercício do cargo foi 3,11 anos535 (Quadro nº 31).

532 Cf. Teresa Fonseca, “Juízes de Fora em Évora no Antigo Regime (1750-1820), in A Cidade de Évora –

Boletim de Cultura da Câmara Municipal, II série, nº2, 1996-1997, pp.241-242.

533 Cf. António Manuel Hespanha, As Vésperas do Leviathan …, pp.170 -171.

534 Ver Luís Vidigal, O Municipalismo em Portugal no século XVIII…, p. 43; Teresa Fonseca, Absolutismo

e Municipalismo…, p.144; Idem, Câmara, Nobreza e Povo. Poder e Sociedade em Vila Nova de Portimão (1755-1834), Ed. C. M. Portimão, 1993, p.114 e Mafalda Soares da Cunha, A Casa de Bragança 1560- 1640…, p.235.

535 A média foi calculada tendo em conta a duração do mandato de apenas onze juízes, dado que

relativamente ao Bacharel Bernardo de Abreu Castelbranco, por não existirem registos para o período entre 17/1/1787 e 2/5/1795, desconhecemos a duração do seu mandato. AHMB/CMB, Vereações, Livº160, fl.191/v e Livº161, fl. 2.

No Alentejo a média foi de 4.20 ano, entre 1772-1825. Cf. José Subtil, O Desembargo do Paço (1750-

1833), Lisboa, UAL, 2011, p.286.

Para Montemor-o-Novo, Teresa Fonseca encontrou uma média superior a seis anos. Cf. Teresa Fonseca,

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Quadro nº 31 - Juízes de fora do geral em Beja (1747-1786)

NOME DATA TOMADA POSSE DURAÇÃO DO

EXERCÍCIO DO

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