5 CONTEXTO HISTÓRICO DO BORDADO EM TIMBAÚBA DOS BATISTAS
5.2 E as pessoas que vivem da atividade do bordado
Para iniciar é relevante relatar sobre as bordadeiras existentes aqui em Timbaúba dos batistas, atores indispensáveis na produção dos bordados. Para este entendimento, foram aplicados 35 questionários composto por perguntas básicas, mas objetivas. Essas entrevistas foram feitas por todas as partes da cidade de Timbaúba, e sempre com objetivo de conhecer o agente principal e responsável pela produção da arte do bordado, a bordadeira. Através de conversas com as
bordadeiras foram ouvido relatos relevantes acerca do bordado: como funciona todo o processo do bordado, os problemas enfrentados, o que motivou o ingresso no ramo do bordado dentre outras questões.
O roteiro de perguntas é composto por 8 perguntas pertinentes. Foi uma oportunidade de conhecer algumas das pessoas que trabalham e que vivem do bordado. O objetivo dessa entrevista foi analisar um perfil socioeconômico das mulheres que vivem da atividade bordadeira na cidade de Timbaúba dos batistas e conhecer as pessoas que dedicam boa parte de seu tempo na execução do trabalho de artesão.
Primeiramente, foi perguntado sobre o nível de escolaridade das bordadeiras. Gráfico 2 - Nível de Escolaridade das Bordadeiras
Fonte: LUCENA, 2017.
Sendo assim, um percentual relevante de 29% das bordadeiras afirmou ter concluído o ensino médio. Por outro lado, 37% das entrevistadas relataram ter concluído o ensino fundamental. Outra porcentagem relevante foi a de 20% das bordadeiras terem o nível médio incompleto. Por fim, 14% responderam que não concluíram o ensino fundamental pela falta de acesso ao ensino seguinte. Já outras, no passado, residiam na zona rural o que dificultava mais ainda o acesso ao ensino.
37%
14% 29%
20% Nível fundamentalcompleto
Nivel fundamental incompleto
Nível médio completo Nível médio incompleto
Portanto, no gráfico um, é mostrado o nível de escolaridade, nele percebemos um dos motivos pelo qual o bordado tornou-se uma saída para muitas pessoas, uma vez que sem a conclusão dos estudos iniciais e consequentemente com nível de escolaridade baixo, conseguir emprego torna-se uma tarefa não tão simples.
No gráfico 2, foram perguntadas as bordadeiras a duração média em tempo de serviço com o bordado, há quanto anos às mesmas se dedicam à atividade bordadeira como atividade econômica.
Para iniciar, 43% das entrevistadas disseram que trabalha com o bordado a mais de 10 anos, para ser exato entre 10 e 20 anos, ou seja, mais de uma década de dedicação ao bordado. Algumas bordadeiras revelaram que após aprenderem a arte de bordar jamais deixaram de praticar. É uma forma de ganhar seu dinheiro honestamente, é um trabalho digno e ainda por cima pode-se bordar em sua própria casa, dividindo as tarefas domésticas com essa atividade do artesanato, disse uma bordadeira.
Gráfico 3 - Tempo de serviço com o bordado em anos
Fonte: LUCENA, 2017.
Logo em seguida, 29% das bordadeiras contaram que entraram nessa atividade há 5 e 10 anos. Nesse percentual encaixam-se as jovens filhas das
29% 43% 20% 8% 5 a 10 anos 10 a 20 anos 20 a 30 anos mais de 30 anos
bordadeiras mais antigas, são geralmente adolescentes entre 18 e 25 anos de idade.
Logo apos, vêm às bordadeiras mais antigas, 20% afirmaram já bordar a mais ou menos 30 anos. E por fim, 10% relataram já bordar a mais de 30 anos.
É realmente admirável ver pessoas que trabalham a mais de 30 anos com a atividade do bordado. É algo que merece um maior destaque por parte de todos, sendo um produto que simboliza a cultura de nossa cidade e a dedicação de quem o produz e eleva o seu nome através da qualidade encontrada no bordado de Timbaúba dos Batistas. É uma herança passada de geração em geração, é legado que se encravou no DNA das mulheres Timbaubenses.
No gráfico 3, veremos a importância da atividade bordadeira para centenas de mães de família de Timbaúba dos batistas. Para começar, é bem normal encontrarmos pessoas que dedicaram toda sua vida a uma única profissão. Já outras pessoas preferem optar por outra, no bordado não é muito diferente.
Gráfico 4 - Se houve profissão anterior ao bordado
Fonte: LUCENA, 2017.
Está bem nítida a dependência das bordadeiras com relação à atividade do bordado. Percebe-se uma porcentagem bastante elevada de mulheres que tiram seu sustento com esse tipo de artesanato. Uma quantidade relevante de entrevistadas
34%
66%
Sim Não
achara no bordado o seu sustento por vários anos. Foi perguntado às bordadeiras se já tiveram alguma profissão anterior ao bordado, no qual 66% responderam que nunca trabalharam com outra coisa e que sempre viveram do bordado. O restante, representados por 34% das entrevistadas, relatou que já desempenhavam diversas outras funções como: vendedora, doméstica e agricultora etc.
No gráfico 4, será apresentado alguns dados relativo a renda que o bordado gera para as pessoas que vivem do mesmo.
Gráfico 5 - Ganho mensal com o bordado (%)
Fonte: LUCENA, 2017.
Primeiramente ressalto que as bordadeiras não ganham o mesmo valor todos os meses, há sempre um variante mês após mês.
Portanto, 71% das bordadeiras relataram que consegue ganhar menos de um salário mínimo, no entanto esse valor gira em torno de 500 reais, pois depende muito da solicitação dos atravessadores que são os responsáveis por trazerem os tipos de bordados e por estabelecerem as formas como se deve se produzir o bordado. Desta forma, o valor do ganho mensal depende da produção, ou seja, quanto mais se borda mais ganha, algumas bordadeiras dividem a atividade de bordar com os trabalhos domésticos diários. Reitero, o ganho mensal é bem relativo.
71% 20% 9% Menos de um salário minímo Um salário minímo Mais de um salário minímo
Ainda temos 20% das entrevistadas que fazem até um salário mínimo com o bordado, essas mulheres que conseguem fazer essa renda explicaram que vivem disso, que se dedica o dia inteiro, é um pequeno grupo de bordadeiras que consegue isso. Por fim, 9% das entrevistadas afirmaram ganhar mais de um salário com o bordado, nesse percentual encaixam-se as microempresárias da cidade, são na verdade bordadeiras que tem um capital de giro considerável e, portanto, contratam os serviços de outras bordadeiras. Essas microempresárias são as conhecidas atravessadoras, são as responsáveis por intermediar o bordado para os grandes lojistas.
No gráfico 5, foram perguntadas as bordadeiras com quem elas aprenderam o ofício de bordar.
Gráfico 6 - Com quem aprendeu a bordar (%)
Fonte: LUCENA, 2017.
Durante as entrevista foram perguntados com quem as bordadeiras tinham aprendido o ofício de bordar, as respostas foram diretas e unânimes, com 72% respondendo ter aprendido a bordar com a mãe. Em seguida, 17% relataram ter aprendido esse ofício com um conhecido como amigas. Por fim, 11% responderam que deram seus primeiros passos sozinhos, explicando que aprendeu apenas olhando e perguntando. 72% 17% 11% Um parente Um conhecido Sozinha
No gráfico 6, foi questionado a respeito sobre o objeto de trabalho das bordadeiras: a máquina.
Procurando ainda mais entender a respeito de como as bordadeiras trabalham, as artesãs foram questionadas sobre o tipo de máquina que as mesmas utilizam para exercer sua atividade rotineira se seria a máquina industrial, a comum, ou as duas. Vale lembrar que a maioria das bordadeiras da cidade de Timbaúba dos Batistas é baixa renda, portanto a utilização da máquina elétrica industrial não é privilégio para todas, tendo vista ser uma máquina muito cara.
Gráfico 7 - Uso da máquina comum e industrial
Fonte: Breno, Raul, 2016.
Por mais que a utilização da máquina industrial esteja a todo vapor, 46% disseram utilizar apenas à máquina comum, uma vez que alguns tipos de bordados só devem ser manuseados somente na máquina comum. Apesar disso, as bordadeiras não irão deixar de utilizar a veloz máquina industrial e, portanto, 37% relataram usar apenas a industrial, pois esse tipo de máquina nas palavras de algumas bordadeiras gera mais lucros pelo fato da máquina proporcionar uma elevada produção de bordados. Por fim, 17% das entrevistadas explicaram utilizar
37% 46% 17% Industrial Comum As duas, comum e industrial
as duas máquinas, nesse caso é vantajoso para as bordadeiras porque as mesmas podem lidar com qualquer tipo de encomenda.
No gráfico 7, foi questionado acerca de como as bordadeiras vivem dessa atividade rentável.
É sabido que a cidade de Timbaúba é relativamente pequena, o comercio emprega algumas dezenas de pessoas, outra parte trabalha no funcionalismo público como a Prefeitura. Logo, para as mulheres, só resta o bordado como um meio de fazer um lucro. A renda adquirida através da atividade bordadeira juntamente com o benefício um programa de transferência direta de renda da Bolsa Família são as principais fontes de receita que sustentam grande parte das famílias Timbaubenses.
Gráfico 8 - Bordar como renda extra ou subsistência
Fonte: LUCENA, 2017.
Sendo assim, 54% das bordadeiras questionadas explicaram que vivem somente da atividade bordadeiras, bordam o dia inteiro e só fazem pausas para cuidar dos afazeres domésticos. Por outro lado, 46% das mulheres afirmaram que bordam como renda extra, como uma ocupação, como um acréscimo no lucro mensal.
46% 54%
Renda extra Subsistência
No gráfico 8, foi feita um questionamento curioso, foi perguntado se as bordadeiras tiveram alguma melhoria de vida após começarem a bordar.
Gráfico 9 - Melhorias de vida adquirida através do bordado
Fonte: LUCENA, 2017.
Mesmo que o ganho mensal seja mediano, as bordadeiras mostraram-se satisfeita após entrarem na vida de artesã. Sendo assim, 71% relataram timidamente que alcançaram uma evolução na condição de vida, principalmente por ser a única forma de se conseguir uma renda digna para se complementar com alguma outra que já tem. O restante, composto por 29%, afirmam não sentir nenhum tipo significante na sua melhoria de vida, pois o preço pago pelo trabalho é pouco demais. De fato, essa foi uma pergunta bem pessoal porque vai depender da interpretação de cada pessoa acerca da “melhoria de vida” através do bordado.