Segundo o 29º relatório WebShoppers – relatório realizado pela empresa E- Bit que analisa a evolução do e-commerce, o comércio eletrônico brasileiro fechou o ano de 2013 com um faturamento total de R$ 28,8 bilhões ao longo do ano, 28% maior que o registrado no ano de 2012, quando os ganhos chegaram a R$ 22,5 bilhões. Para o ano de 2014, a estimativa é que o setor continue em ascensão e tenha um faturamento superior a R$ 34,5 bilhões, correspondendo a um aumento de 20% em relação a 2013, conforme Gráfico 1.
Gráfico 1 – Evolução do faturamento do E-commerce (em milhões – R$)
Fonte: 29º relatório WebShoppers – E-Bit
Ainda conforme o relatório, um total de 3,98 milhões de pessoas fez sua
3Uma rede social é uma estrutura social composta por pessoas ou organizações, conectadas por um ou vários tipos de relações, que partilham valores e objetivos comuns.
R$0,00 R$10,00 R$20,00 R$30,00 R$40,00 10,60 14,80 18,70 22,50 28,80 34,60 * = previsão
primeira compra online no primeiro semestre de 2013 no Brasil, demonstrado no Gráfico 2. O número de consumidores únicos, ou seja, que já fizeram ao menos um pedido através da internet, passou de 51,3 milhões. Em 2014, a expectativa é que o número de pedidos feitos pela internet cresça 26%, em relação a 2013, chegando a 111,54 milhões.
Gráfico 2 – Evolução do número de novos e-consumidores (em Milhões – R$)
Fonte: 28º relatório WebShoppers – E-Bit
Outra informação a ser considerada, de acordo com a e-bit, é o fato de os compradores antigos estarem comprando com mais frequência no e-commerce, tornando o ato de comprar um hábito, e não mais uma novidade.
O relatório fala também sobre a popularização de smartphones e tablets, somado ao desenvolvimento de novas tecnologias e maior divulgação através das redes sociais, ocasionou o crescimento no setor de e-commerce. Em janeiro de 2013, as transações concluídas por dispositivos móveis correspondiam a 2,5% de todas as vendas online. Em dezembro o número já havia passado de 4,5%.
O relatório pesquisou sobre as razões que levariam aos consumidores a fazer compras online, chegaram-se ao resultado que os melhores preços são os maiores motivadores para essa compra, conforme Gráfico 3. Conforme a pesquisa, 59% comprariam mais pela internet caso encontrassem produtos com preços mais baixos, seguidos de comparação de preços entre várias lojas com 44% e promoções com 40%. 0 2 4 6 1º Sem 2009 1º Sem 2010 1º Sem 2011 1º Sem 2012 1º Sem 2013 2,5 2,32 3,97 4,64 3,98
Gráfico 3 – Razões para comprar online
Fonte: 29º relatório WebShoppers – E-Bit
Ainda segundo o relatório, 82% informaram que preços mais baixos são um estímulo para continuar fazendo compras online, seguidos pelo frete grátis com 58%, segurança e sigilo de dados com 37%, mostrando que preços mais acessíveis e segurança continuam sendo a grande motivação para esses consumidores.
Ao analisarem o critério para não comprar em uma loja online, a falta de confiança no ambiente virtual ficou em primeiro lugar com 15%, seguido de preço com 14% e prazo de entrega com 13%.
Perfis de consumo com frequência, acima de quatro compras nos últimos seis meses, têm menor percentual de insatisfação, o que sugere que conforme adquire experiência, o nível de satisfação do consumidor aumenta, possivelmente devido à maior familiaridade com a compra online, o que facilita a escolha de lojas, itens e formas de pagamento. Clientes satisfeitos geram maior valor para a empresa, porque, além de consumirem mais, geram recomendações positivas para novos consumidores, conforme o relatório WebShoppers.
Ainda segundo o relatório WebShoppers, o setor de compras coletivas faturou R$ 1,65 milhão durante o ano de 2012, representando um crescimento nominal de 8% comparado ao ano de 2011. Entretanto, o número de ofertas obteve um crescimento de 30%, com 25,5 milhões de pedidos no ano de 2012.
10% 30% 50% 70% Melhores preços 59% Facilidade de comparar preços
com várias lojas ; 44% Promoções 40% Frete Grátis 36% Praticidade/Conv eniência; 28% Velocidade de entrega 20%
Ribeiro (2012) informa que a falta de veracidade e clareza nas informações, a qualificação dos fornecedores e a falta de pós venda, ainda geram limitações, distanciando o consumidor dos sites de compra coletiva.
Segundo Gavioli (2011), Andrew Mason iniciou o modelo de negócio da compra coletiva através na internet nos Estados Unidos, quando lançou o primeiro site do gênero em novembro de 2008, o Groupon. No Brasil, o Peixe Urbano introduziu esse comércio, começando suas atividades em março de 2010. Desde então, os brasileiros tem aumentado a busca por sites de compra coletiva, beneficiando tanto as empresas que podem vender suas mercadorias em maior volume por conta de seu baixo preço, assim como os consumidores, que poderão adquirir produtos com descontos que podem variar entre 30% a 90%.
Enoshita (2011) explica que os sites de compra coletiva funcionam da seguinte forma: uma empresa faz parceria com o site que apresenta a promoção em sua página, oferecendo um determinado número de cupons promocionais por um tempo limitado. Concluída a venda, o site fica com uma porcentagem do valor pago pelo cupom e repassa o restante para o empresário, sendo seu objetivo aproximar o consumidor do anunciante e receber uma comissão por esse serviço. Para o consumidor o interessante é o preço menor. Já para o empresário, a vantagem é garantir a venda em alta escala e adquirir publicidade para seu estabelecimento através do site, sem precisar investir em outras mídias, como outdoors ou panfletos. O estabelecimento acaba por atrair pessoas de várias classes sociais e de várias localizações diferentes, podendo assim conquistar novos clientes que não seriam necessariamente seu público-alvo, além da à diminuição de estoques indesejáveis, já que, normalmente, a oferta atinge um grande número de clientes. Outra vantagem para o fornecedor está no consumo de produtos complementares a oferta, o que faz com que o estabelecimento tenha um ganho adicional decorrente do consumo de outros itens não inclusos na oferta.
Olhando para o lado de investimento necessário em um site destes, algumas providências são necessárias, como informa Valle (2010): “o programa para a criação de um site de descontos é relativamente barato, levando-se em
consideração o retorno que pode ser obtido no projeto. Já existem softwares prontos no mercado, não sendo necessário ser desenvolvidos do inicio. Existem muitas empresas que oferecem este tipo de software e serviço com preços a partir de R$ 5.000, dependendo do grau de customização necessário. É necessário um profissional de programação para a manutenção do sistema utilizado. Um profissional qualificado para essa função tem uma remuneração mensal de aproximadamente R$ 2.000 ao mês”.
Os sites oferecem, em maior parte, bens de consumo não duráveis, como serviços de estética, gastronomia, hospedagem, dentre outros, considerados itens sem ter muita necessidade ou os comprados em excesso, mostrando uma geração mais impulsiva. Assim, no cenário atual da economia brasileira, a propensão ao consumo tem ganhado impulso. O e-commerce vem adquirindo um espaço maior que nos anos anteriores, sendo os sites de compra coletiva grande parte desse espaço.