4. SUPORTE “E”
4.2. E-learning: a abrangência dos conceitos e dos significados
4.2.1 E-learning conectado à Internet e educação móvel
A produtividade digital na qual baseia-se a economia do conhecimento não prescinde da Internet, ao contrário, a partir dela se reorganiza. De fato, as equações envolvendo a utilização da Internet abrangem uma variedade de intenções, sejam quais forem os segmentos sociais e produtivos, e em sua maioria dizem respeito àquilo que informa e dá a conhecer.
A possibilidade de disponibilizarem-se ambientes informacionais e de acessarem-se dados por meio de redes virtuais – networked - faz da Internet o dispositivo contemporâneo de maior visibilidade e para o qual convergem modelos tecnológicos, de negócios, incluindo-se a educação, entre outros. Empresas, instituições de ensino, estudantes e usuários em geral se conectam a esses modelos tanto para atenderem às demandas geradas numa sociedade digital, quanto para gerarem, nessa sociedade, novas demandas.
Por conseguinte, delineia-se um cenário demandante e no qual vislumbram-se números estatísticos os quais indicam o quão expansivamente se podem constituir relações
sociais e de produtividade digital. Se antes era suficiente que as informações circulassem entre um corpo de funcionários de uma empresa, agora é inviável manter-se o isolamento e permanecer-se sob estratégias essencialmente corporativas e localizáveis.
Igualmente, se antes era suficiente seguir-se numa terminalidade da escolarização, atualmente esse modelo obsoletiza-se nas demandas contemporâneas de uma sociedade essencialmente comunicativa e de trocas de informação – a qual, por sua vez, obsoletiza-se continuamente. Acrescenta-se, ainda, que o mundo conectado agrega aos espaços físicos modelos virtuais que forçam uma “presencialidade” remota e uma outra demanda em relação ao alcance por uma e-educação, como por exemplo: e-universidades, e-escolas, e- comunidades, entre outros suportes “e”.
São por essas reorganizações, provocadas pela Internet, que se criam metáforas sob as quais se assentam as estratégias por educação contínua, as quais se baseiam nos dispositivos que conectam e na “escalabilidade” que representa sua utilização. Assim, a Internet e o e- learning constituem uma das principais características dos dispositivos que conectam para suportar modelos educativos: a possibilidade de aplicarem-se a uma larga escala de usuários, num tempo único e por espaços geograficamente distribuídos.
De fato, a Internet cresce a cada computador conectado em uma casa ou num escritório, a cada avanço em segurança de dados e melhoria na velocidade de acesso e na familiaridade dos “internautas” com os recursos e as ferramentas e com os modos comerciais possíveis eletronicamente (CLOSE , 2000).
Paralelamente, define-se, entre tantos significados e formas de uso, uma consensualidade acerca dos diferenciais resultantes desta equação Internet/e-learning (URDAN e WEGGEN, 2000; CLOSE et all, 2000), quais sejam:
a) baixos custos – em relação aos custos com deslocamentos para realizar cursos e treinamentos fora da base de trabalho;
b) acesso virtual aos materiais de informação – a qualquer momento recupera- se ou atualiza-se um dado de aprendizagem;
c) flexibilidade – as ferramentas do e-learning são dinâmicas e adaptáveis a situações específicas;
d) modalidades diversificadas – treinamentos e cursos podem combinar estratégias on-line e off-line, somente on-line, ou utilizarem-se de outras tecnologias de aprendizagem integradas ao e-learning via Internet;
e) personalização – os modelos de aprendizagem podem atender a uma diversidade teórica para gerar diferentes ambientes virtuais de aprendizagem, com ferramentas adequadas aos estilos pessoais;
f) otimização do tempo – reduz desgastes de tempo uma vez que permite acessar-se a qualquer hora uma informação relevante;
g) tempo de resposta – possibilita a interação compartilhada – alunos e professores, alunos e alunos – viabilizando a troca de experiências e solução de situações-problema de forma mais rápida e autônoma;
h) alcance em escala – possibilita atender a um número ilimitado de pessoas, mesmo que geograficamente distribuídas.
Além disso, o e-learning pode favorecer a geração de uma cultura de educação sob demanda ao apresentar-se viável no sentido da:
inovação em processos de formação;
racionalização dos recursos de aprendizagem; flexibilidade nos modelos pedagógicos; autoformação;
Flexibilidade temporal; alta interatividade;
facilidade na distribuição de conteúdos em escala; acessibilidade para atualização profissional.
Esses diferenciais, advindos das possibilidades tecnológicas, correspondem àquilo que o modo contemporâneo de produzir requer, pois, a partir de qualquer lugar, no tempo em que a demanda surge, e por meio de dispositivos quaisquer que os conectem, assim caracterizam-se os sujeitos digitais da sociedade digital. Nesse contexto, os dispositivos
celulares, de pagers, de notebooks, ou de assistentes digitais pessoais, denominados PDAs35, e
cujas aplicações e serviços, incluindo soluções educacionais, vêm agregando-se aos segmentos digitais do e-learning de modo a prover mais do que informação e entretenimento.
Por essa razão, o e-learning “conectado” integra-se à capacidade móvel de produção informacional e passa a ser um potencial mercado no suprimento de modelos inovadores em educação e gerenciamento de aprendizagem a distância, inclusive pela capacidade de integrar- se às aplicações e-learning desenvolvidas para a web. Pode-se apontar, a partir disso, a configuração de modelos educacionais cujo suporte “e” desenha-se a partir de uma topologia e uma arquitetura assim representadas na Figura 11.
PDA notebook Mobile Learning wireless / web servidor estação de trabalho celular Repositórios de Conhecimento objetos de conhecimento recursos índices de aprendizagem modelos educacionais / aplicações web
FIGURA 11: Topologia da aprendizagem móvel Fonte: Adaptada de HUMMEL, HLAVACS e WEISSENBÔCK (2002)
35Personal Digital Assistant – também denominado handheld, refere-se a qualquer dispositivo pequeno e móvel que possa ser segurado na mão, e que provê computação e armazenamento de informação, e capacidade de recuperação de dados.
No entanto, como aponta uma análise feita por The Economist Print Edition (2001), integrar-se às aplicações web não significa replicá-las ou migrá-las diretamente para tais dispositivos, ao contrário, assim como o telefone diferenciou-se do telegráfo, a conexão móvel, mais especificamente por dispositivos do tipo handhelds, suporta outros modelos e-
learning, diferentes daqueles suportados pela arquitetura web: “as redes e os diferentes
dispositivos serão usados em situações diferentes por tipos diferentes de usuários em diferentes partes do mundo”(The Economist Print Edition, 2001).
De fato, a Internet doméstica aumenta as possibilidades e a emergência de modelos “móveis”, que permitam não somente uma extensão dos espaços presenciais, mas que signifiquem espaços totalmente inovadores por meio de plataformas on-line as quais viabilizem comunicação e funcionalidades diferenciadas, sejam quais forem as redes e os dispositivos de acesso à Internet.
Ainda, para os usuários-estudantes que possuem infra-estrutura doméstica, tais como acesso à Internet e computadores pessoais, sejam estações de trabalho “desktop” ou
notebooks, e demais dispositivos com capacidade wireless, é preciso desenhar estratégias e- learning que atendam às demandas pessoais e essas, com certeza, variam em termos de
necessidades de comunicação e troca de informações e de experiências.
Tal visão identifica-se pois na IBM (2003), a “aprendizagem móvel‘ não é sinônimo de dispositivos ou de sistemas e de redes baseadas na conexão Internet – wireless ou não. Mais do que um dispositivo, a aprendizagem móvel consiste de um componente de uma solução completa de e-learning que esteja focada nas demandas dos “trabalhadores móveis”. Ainda, a aprendizagem móvel não deve ser confundida com modos de obterem-se multimídias da web, via telefones celulares, por exemplo, e igualmente não deve designar apenas conexão sem fio.
Também discorrendo sobre aprendizagem móvel, HARRIS (2001) diz que consiste de uma intersecção entre computação móvel e e-learning, no sentido de produzirem-se experiências de aprendizagem a qualquer tempo e de qualquer lugar.
Por tais considerações, o e-learning conectado à Internet representa o modelo de negócio para prover-se educação, embora essa concepção ainda esteja desalinhada pela força – forma e conteúdo - de utilização do e-learning como apenas mais uma alternativa para prover- se instrução, treinamento e consumo rápido de conhecimento, e, nesse caso, utilizado como mais uma das mídias aplicadas em aprendizagem a distância.
Tal como afirma STOKES (2000), atualmente, quando se fala em educação, a conversa gira em torno de um novo modelo chamado e-learning e também de um novo tipo de negócio empreendedor na Internet, o qual o torna possível.
Como tudo o mais que se associa com a Internet e com dispositivos de conexão, o e-
learning é um termo sujeito a mistificações. Não obstante, falar-se do e-learning é falar-se de
uma dinâmica cultural nova, gerada por uma sociedade digital que se move por uma economia do conhecimento e por um novo modo de interação e de produtividade social, o qual certamente não prescinde da educação mas, igualmente, não deseja uma educação burocrática.