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5. CONEXÃO ENTRE TEORIA E PRÁXIS APREENDIDAS

5.1 EA idealizada no PEAP e Projeto Visitas Mediadas

Os principais elementos tanto do PEAP vigente quanto do projeto Visitas Mediadas foram apresentados no capítulo anterior, retomarei apenas alguns parâmetros para construção do “mapa do território pedagógico” apresentados por Sauvé (2005) que são: a) concepção dominante de meio ambiente; b) intenção central da Educação Ambiental; c) enfoques privilegiados; e d) exemplos de estratégias idealizados.

Para identificar a Educação Ambiental idealizada no PEAP e projeto Visitas Mediadas considerei tanto a documentação disponível no SIEX quanto a perspectiva da coordenação, ou seja, confrontei ambas as bases de informações para visualizar convergências ou divergências.

Os arquivos disponíveis no SIEX não possibilitaram a identificação da concepção dominante de ambiente, porém, a entrevista com a coordenação permitiu sanar essa lacuna conforme a resposta: “Ambiente pra mim é o lugar onde a gente vive, aí pode ser urbano, pode ser natural, pode ser mais rural, é o lugar onde o ser vivo vive.” (COORDENAÇÃO DO PROJETO VISITAS MEDIADAS [mai. 2018] Entrevistadora: Grazielle Resende Fernandes, Belo Horizonte, 2018). Tal afirmação aproxima-se da corrente humanista conforme o trecho:

Esta corrente dá ênfase à dimensão humana do meio ambiente, construído no cruzamento da natureza e da cultura. O ambiente não é somente apreendido como um conjunto de elementos biofísicos, que basta ser abordado com objetividade e rigor para ser mais bem compreendido, para interagir melhor. Corresponde a um

meio de vida [...]. O meio ambiente é também o da cidade, da praça pública, dos jardins cultivados, etc. (SAUVÉ, 2005, p. 25)

Para a coordenação a “Educação Ambiental é um processo que envolve algumas etapas: sensibilização, conscientização e mobilização em prol da conservação do meio ambiente. Então eu acho que no Museu a gente trabalha muito com a etapa de sensibilização.”

(COORDENAÇÃO DO PROJETO VISITAS MEDIADAS [mai. 2018] Entrevistadora:

Grazielle Resende Fernandes, Belo Horizonte, 2018).

Quando questionada sobre a função central da Educação Ambiental a posição da coordenação foi de “trabalhar visando sensibilizar as pessoas para conservação do ambiente em que elas vivem.” (COORDENAÇÃO DO PROJETO VISITAS MEDIADAS [mai. 2018]

Entrevistadora: Grazielle Resende Fernandes, Belo Horizonte, 2018). A perspectiva referenciada aproxima-se da corrente conservacionista proposta por Sauvé (2005) associada a uma preocupação com a conservação dos recursos.

Porém, dentre os objetivos gerais apresentados UFMG (2018) identifiquei a intenção central da Educação Ambiental do PEAP e do projeto Visitas Mediadas de: promover um atendimento qualificado ao público, popularizar e divulgar o conhecimento científico, referente ao acervo museológico e o patrimônio natural, material e imaterial do MHNJB da UFMG. Tais intenções são corroboradas pela perspectiva da coordenação sobre os objetivos tanto do programa quanto do projeto:

O PEAP tem objetivo de trabalhar um pouco da divulgação e da popularização do conhecimento relacionado ao patrimônio do museu, não só o patrimônio natural, mas o patrimônio museológico também. Então acho que é muito nessa linha de divulgação cientifica, popularização do conhecimento, a gente tenta trabalhar sempre vinculado as pesquisas. [...] Aí Visitas Mediadas é bem voltado para o atendimento de escola e público espontâneo no sentido de proporcionar uma visita mais qualitativa para o visitante. (COORDENAÇÃO DO PROJETO VISITAS MEDIADAS [mai. 2018] Entrevistadora: Grazielle Resende Fernandes, Belo Horizonte, 2018).

Os objetivos supracitados aproximam-se da corrente científica conforme o trecho:

“Algumas proposições de educação ambiental dão ênfase ao processo científico [...]”

(SAUVÉ, 2005, p. 23)

Quanto aos enfoques privilegiados expressos no programa e projetos vigentes passam pelos conceitos geradores da instituição, sendo “Tanto a biodiversidade como o rico acervo cultural do MHNJB que compreende as heranças e os testemunhos materiais e imateriais,

históricos e pré-históricos da vida e do homem são abordados, bem como a percepção ambiental e a saúde humana.” (UFMG, 2018) Este trecho converge com a corrente científica que segundo Sauvé (2005) possui principalmente o enfoque cognitivo com o meio ambiente como objeto de estudo.

Já a perspectiva da coordenação converge com a corrente naturalista de “enfoque educativo cognitivo (aprender com coisas sobre a natureza), experiencial (ver na natureza e aprender com ela), afetivo, espiritual ou artístico (associado a criatividade humana à da natureza).” (SAUVÉ, 2005, p. 23) Os pontos podem ser identificados em ambos excertos que seguem:

Propiciar experiência, vivência, fortalecer o conteúdo curricular aqui dentro. [...] O Museu pensando em Belo Horizonte é um lugar privilegiado para a gente trabalhar, principalmente pelo contato direto com essa mata exuberante, é uma coisa muito forte do museu esse patrimônio natural que a gente tem, e isso fortalece muito esse programa, por que as pessoas tem contato, acabam aprendendo coisas que elas não conheciam e começam a encantar pelo ambiente, pelos animais, pela fauna, fungo, têm coisas que as pessoas nunca viram e aprendem com a gente.”

(COORDENAÇÃO DO PROJETO VISITAS MEDIADAS [mai. 2018]

Entrevistadora: Grazielle Resende Fernandes, Belo Horizonte, 2018).

No registro vigente do PEAP e do projeto Visitas Mediadas não são detalhadas as atividades ofertadas fato que impossibilitou a identificação dos exemplos e estratégias, porém, em conversa com a coordenação destaco:

Aqui no caso tem essa experiência de contato com a natureza, as oficinas que a gente oferece, acho que elas fortalecem o vínculo do cidadão, da criança com o ambiente, então isso é bom. E é uma forma de fortalecer o conteúdo da escola formal, por que lá eles aprendem na teoria e aqui eles têm a condição de ver na prática processos e fenômenos naturais. (COORDENAÇÃO DO PROJETO VISITAS MEDIADAS [mai. 2018] Entrevistadora: Grazielle Resende Fernandes, Belo Horizonte, 2018).

Tendo em vista as estratégias apresentadas a perspectiva da coordenação aproxima-se da corrente naturalista “cujo programa educativo consiste em convidar crianças (ou outros participantes) a viverem experiências cognitivas e afetivas em um meio natural.” (SAUVÉ, 2005, p. 19)

Considerando as informações apresentadas para compor o “mapa de território pedagógico” identifico entre as categorizações propostas por Sauvé (2005) a presença de características das correntes naturalista, científica, humanista e conservacionista recursiva. De

modo predominante saliento a tendência das correntes naturalista e científica na Educação Ambiental idealizada.

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