Notas explicativas e parecer de auditoria
11.6 EBIT e EBITDA
O EBITDA, sigla correspondente a Earning Before Interests, Taxes, Depreciation and Amortization, é um indicador bastante utilizado quando se quer analisar a geração operacional de caixa. Corresponde ao conceito de Lucro antes dos Juros, Impostos, Depreciação e Amortização (LAJIDA) e mede a capacidade de geração operacional de caixa, ou seja, quanto de caixa as em-presas geram por sua atividade operacional sem considerar os efeitos financeiros e tributários e o consumo dos Ativos via depreciação e amortização.
O EBIT, sigla correspondente a Earning Before Interests and Taxes, corresponde a Lucro Antes dos Juros e Impostos (LAIR) e é pouco utilizado pela preferência que se dá ao LAJIDA.
O LAIR desconsidera, para efeito de análise do resultado operacional, apenas o efeito dos encargos financeiros e dos tributos sobre o lucro. Por isso, daremos destaque para o EBITDA/
LAJIDA, pois este mede o desempenho operacional líquido de efeitos não só tributários, mas
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também de juros das depreciações e amortizações. Com o LADIJA, a empresa tem uma melhor compreensão do lucro puramente operacional.
O EBITDA não é uma medida de desempenho financeiro exigida pela legislação contábil bra-sileira e não deve ser utilizada como alternativa ao lucro líquido do exercício. Em razão de as des-pesas e receitas com juros (financeiras), o Imposto de Renda, a contribuição social, a depreciação e a amortização não serem consideradas para o seu cálculo, o EBITDA funciona como um indicador do desempenho econômico geral que não é afetado por flutuações das taxas de juros, alterações das alíquotas do Imposto de Renda e da contribuição social ou dos níveis de depreciação e amortização.
Consequentemente, essa medida de desempenho funciona como ferramenta importante para se me-dir e acompanhar o desempenho operacional, bem como para embasar determinadas decisões.
O cálculo desse indicador é relativamente simples: parte-se do valor do lucro operacional e adicionam-se os valores relativos às depreciações e amortizações por representarem despesas e custos que não impactam no caixa, ou seja, não consomem recursos financeiros.
Outra conta que será adicionada ao lucro operacional para se chegar à geração de caixa (EBITDA) é a despesa financeira líquida, pois se busca a geração operacional de caixa sem a influência de recursos financeiros utilizados para financiar a atividade. Assim, para se calcular o EBITDA, adicionam-se os juros, a depreciação e a amortização ao lucro operacional líquido antes dos impostos.
Por esse indicador, analisa-se a eficiência operacional sem uma possível dependência de capitais de terceiros para financiamento da atividade operacional, isto é, mede-se a eficiência e eficácia operacional independentemente da estrutura de capitais utilizada para financiá-los.
O cálculo do EBITDA ou LAJIDA é efetuado de maneira prática e simples, bastando que se ajuste ao lucro operacional líquido antes dos impostos, juros, depreciação e amortização, como nos modelos a seguir:
Tabela 7 – Demonstrativo do EBITDA ou LAJIDA (em reais mil)
2º trimestre 2012 3º trimestre 2012 Variação %
Receita líquida 1.491 1.556 4%
Custo dos produtos vendidos (633) (661) 4%
Fretes (156) (171) 10%
Despesas de vendas (80) (75) -6%
Despesas administrativas (69) (78) 13%
Outras receitas (despesas) operacionais (3) 2 -167%
Resultado da alienação de Ativos
EBITDA ou LAJIDA ajustado 550 573 4%
Margem EBITDA 37% 37%
Fonte: Adaptada de Fibria, 2012.
Nesse modelo, a empresa optou por não incluir os valores das contas que representam ajustes para se chegar ao EBITDA ou LAJIDA. Isso é possível se o sistema contábil identifica (parametriza) previamente aquelas contas contábeis que não devem compor sua estrutura. Isso pode ser feito colocando-se um atributo nas contas de tributos sobre o lucro, despesas financeiras, depreciação e amortização, atributo que fará com que o sistema não inclua esses valores no relatório.
Tabela 8 – EBITDA/LAJIDA – Copel
Cálculo do EBITDA/LAJIDA (Lucro Antes dos Juros, Impostos, Depreciação e Amortização) – Em mil
Consolidado
2010 2009
Lucro líquido do período atribuído aos acionistas da empresa controladora 987.807 791.776 Lucro líquido do período atribuído aos acionistas não controladores 22.474 20.502
IRPJ e CSLL diferidos (127.517) (38.851)
Provisão para IRPJ e CSLL 497.968 290.770
Resultado da equivalência patrimonial (99.337) (14.327)
Despesas (receitas) financeiras, líquidas (348.425) (6.735)
LAJIR/EBIT 932.970 1.043.135
Depreciação e amortização 542.992 539.781
LAJIDA/EBITDA – ajustado 1.475.962 1.582.916
Receita operacional líquida (ROL) 6.901.113 6.250.140
Margem do EBITDA/LAJIDA 21,4% 25,3%
Fonte: Copel, 2010.
Nesse modelo publicado, a empresa utiliza a estrutura mais comumente verificada e suge-rida pela doutrina, fazendo os ajustes para se chegar ao lucro conforme os conceitos do LAJIDA.
Existem algumas vantagens em se utilizar esse formato gerencial de relatório financeiro, pois seu uso pode aprimorar a análise da geração de lucros das empresas, destacando-se, obviamente, o lucro genuinamente operacional.
Ao se desconsiderar os efeitos financeiros do resultado (tanto Ativos quanto Passivos), ob-tém-se melhor medida comparativa entre empresas concorrentes, entre períodos contábeis e entre o orçado e realizado, pois é possível fazer uma análise mais apropriada de medidas de produtivi-dade, eficiência e eficácia.
É interessante efetuarmos cálculos percentuais relacionando o EBITDA ou LAJIDA com as receitas operacionais para se conhecer o potencial de geração desse modelo de lucro operacional por parte das vendas.
Os relatórios que demonstram o resultado operacional da empresa sem o efeito da par-ticipação de juros, depreciações e tributação são de grande valia, na medida em que permitem ao gestor um conhecimento da eficácia da atividade em gerar resultados operacionais “puros”.
Porém, como não são obrigatórios, são raras as empresas que os elaboram e mais raro ainda aquelas que os publicam. Contudo, deve-se reconhecer que são demonstrativos de potencial informativo extraordinário.
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Atividades
1. Indique um objetivo na análise do EBITDA ou LAJIDA.
2. Qual a importância da análise dos índices de rentabilidade? Justifique.
3. Explique a relação existente entre os índices de liquidez e os prazos médios.
Referências
COPEL – Companhia Paranaense de Energia Elétrica. Relatório anual de gestão e sustentabilidade. 2010.
Disponível em: http://www.copel.com/relatoriosanuais/2010/pt/relatorio/03_03.htm. Acesso em: 29 nov. 2018.
FIBRIA. Resultados 3T12. 2012. Disponível em: https://fibr.infoinvest.com.br/ptb/5139/PR_Fibria_3T12%20 -%20Final.pdf. Acesso em: 29 nov. 2018.
MATARAZZO, D. C. Análise financeira de balanços. São Paulo: Atlas, 2010.
SILVA, L. L. Contabilidade geral e tributária. São Paulo: IOB, 2013.