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2.2. Indicadores de Sustentabilidade

2.2.4. Ecological Footprint Method

O Ecological Footprint Method, também conhecido por Pegada Ecológica, foi desenvolvido por MathisWackernagel e William Rees, em 1996, com o objetivo de representar o espaço ecológico necessário para sustentar um sistema.O método contabiliza os fluxos de matéria e energia que entram e saem de um determinado sistema, convertendo estes fluxos em espaços de terra ou água existentes e necessários para manter este sistema (RIBEIRO; PEIXOTO, XAVIER, 2007).

A metodologia da Pegada Ecológica é fundamentada no conceito de capacidade de carga, ou seja, a quantidade máxima de carga que pode ser imposta ao meio ambiente pela sociedade. O ideal, segundo Dias (2002), seria que a exploração fosse auto-sustentável, a produção fosse acompanhada de gestão ambiental e o consumo racional, gerando resíduos que poderiam ser reutilizados e reciclados.

A Pegada Ecológica corresponde ao tamanho das áreas produtivas de terra e de mar, de uma cidade, região ou país, necessárias para gerar produtos, bens e serviços que sustentam determinados estilos de vida, sendo uma forma de traduzir, em hectares (ha), a extensão de território que uma pessoa ou toda uma sociedade

“utiliza”, em média, para se sustentar, envolvendo vários tipos de territórios produtivos e as mais variadas formas de consumo, além das tecnologias utilizadas, tamanho das populações, e outros dados que sejam relevantes para a realidade de cada local, além de áreas para deposição de resíduos gerados, água e terra para consumo da própria natureza (animais e plantas), de forma a garantir da

manutenção dos ecossistemas (WWF, 2007). São exemplos da composição da Pegada Ecológica:

 Terra bioprodutiva: terra para colheita, pastoreio, corte de madeira e outras atividades de grande impacto;

 Mar bioprodutivo: área necessária para pesca e extrativismo;

 Terra de energia: área de florestas e mar necessária para a absorção de emissões de carbono;

 Terra construída: área para casas, construções, estradas e infra-estrutura;

 Terra de biodiversidade: áreas de terra e água destinadas à preservação da biodiversidade.

Desta forma, para Wackernagel e Rees (1996), estimar a área da Pegada Ecológica de uma determinada população é um processo que envolve vários estágios. A estrutura básica da abordagem adota a seguinte ordem: num primeiro momento se calcula a média anual de consumo de itens particulares de dados agregados, nacionais ou regionais, dividindo o consumo total pelo tamanho da população. Muitos dos dados necessários para esta primeira etapa estão disponíveis em tabelas estatísticas de governos ou de organizações não governamentais, como por exemplo: consumo de energia; alimentação; florestas; produção; consumo; entre outros. Para algumas categorias pode-se estimar tanto a produção quanto o comércio, que é importante para correção do consumo doméstico decorrente dos processos de exportação e importação.

O passo seguinte é determinar, ou estimar, a área apropriada per capita para a produção de cada um dos principais itens de consumo. Isto é realizado dividindo-se o consumo anual per capita (kg/per capita) pela produtividade média anual (kg/ha). Os autores lembram que quanto mais variáveis e dados foram agregados ao cálculo da Pegada Ecológica este se torna mais complicado e, de certa forma, mais interessante do que aparece no conceito mais básico do sistema. O cálculo pode ser feito pela seguinte fórmula:

= /

Produtividade média anual, em kg/ ha Consumo

anual, em kg/

per capita Área

apropriada (per/capita)

A área da Pegada Ecológica média por pessoa é calculada pelo somatório das áreas de ecossistema apropriadas por cada item de consumo de bens ou serviços.

= ∑

No final, a Pegada Ecológica da população estudada é obtida pelo cálculo da área média apropriada multiplicada pelo tamanho da população total.

= ( )

A maioria das estimativas existentes da Pegada Ecológica é baseada em médias de consumo nacionais e médias mundiais de produtividade da terra, de forma a padronizar o procedimento de cálculo, possibilitando estabelecer comparações entre regiões e países.

Estes procedimentos podem revelar, por meio do tamanho da Pegada Ecológica, os efeitos das variações regionais dos padrões de consumo, produtividade e modelo de gestão. Estudos desse tipo também podem ajudar a identificar e eliminar erros e contradições aparentes no sistema (WACKERNAGEL E REES, 1996).

Este método já foi aplicado em vários países do mundo desde 1999, demonstrando, a princípio, que todos os países tiveram crescimento populacional.

Com isso, aumento de pressão sobre alimentos, água, espaço, produção de resíduos, poluição, demonstrando que estamos chegando cada vez mais perto da capacidade de carga do planeta (RIBEIRO; PEIXOTO, XAVIER, 2007).

Somatória das áreas apropriadas Pegada Ecológica

por pessoa

Tamanho da população Pegada Ecológica

da população

Pegada Ecológica por pessoa

Segundo a Organização Não-Governamental WWF (2007), a área média disponível por pessoa, na teoria, é de 1,8 gha, considerando a população mundial de 6 bilhões de pessoas, apurada em 2004. Porém, em seu relatório “Planeta Vivo- 2008”, a WWF divulgou que, em 2005, a Pegada Ecológica global era de 2,7 gha (hectares globais) por pessoa, alertando que a demanda humana por recursos naturais cresceu, excedendo cerca de 30% a capacidade de regeneração do meio ambiente, colocando em risco as populações com problemas tais como: falta de água; poluição do ar; desmatamento (WWF, 2010).

A Pegada Ecológica possui algumas vantagens, tais como o fato de ser um indicador sintético de desempenho ecológico, subsidia o desenvolvimento de estratégias baseadas na produtividade mundial. Além disso, quando se trata de uma população, o método leva em consideração a área necessária para que esta se mantenha indefinidamente (BELLEN, 2006, RIBEIRO; PEIXOTO, XAVIER, 2007).

Como desvantagens, Santos (2006) e Bellen (2006) citam que a limitação deste indicador está no fato do mesmo ser praticamente estático, ou seja, demonstra apenas o estado atual, sem fazer extrapolações, o que para um indicador não é aconselhável.

Vale ressaltar que a pegada ecológica é limitada já que não considera a dimensão social da sustentabilidade, nem mesmo a interferência de atores sociais em suas inferências (BOSSEL, 1999).

Mesmo considerando todas as falhas apontadas pelos autores, a pegada ecológica é um método bastante utilizado, até porque há certa carência de indicadores mais confiáveis.