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ECONÔMICA E DESENVOLVIMENTO

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O capítulo anterior centrou sua análise sobre as grandes fases da ocupação regional, destacando as transformações no padrão de desenvolvimento e na forma de articulação da região aos circuitos econômicos estadual e nacional. Este capítulo identifica e analisa os impactos socioeconômicos em função da implantação e expansão do complexo florestal, relacionando-os à dinâmica do desenvolvimento local. Em outros termos, busca-se responder as seguintes questões: quais as principais transformações ocorridas na economia e sociedade local e quais os rebatimentos dessas transformações sobre o padrão e a dinâmica de desenvolvimento regional?

Para efeito desta pesquisa entendem-se como transformações e/ou impactos os efeitos identificáveis e visíveis resultantes e/ou associados à implantação das atividades florestal e de produção de celulose e papel, manifestados em mudanças na base produtiva, econômica, social e institucional da região.

5.1 Aspectos Metodológicos

A identificação e análise dos referidos impactos envolvem, sob o ponto de vista metodológico, dois aspectos. O primeiro diz respeito à delimitação espacial da região e da área de pesquisa, enquanto o segundo aspecto refere-se à escolha das variáveis e indicadores que poderiam ser utilizados para expressar e qualificar as transformações operadas na dinâmica de desenvolvimento regional.

5.1.1 Delimitação espacial da região e da área de pesquisa

Para Andrade (1987) o processo de delimitação regional é bastante dinâmico, podendo uma delimitação regional ser modificada na medida em que se definem novas finalidades e circunstâncias para análise. Portanto, o conceito de região é dinâmico e subjetivo. Nesta mesma direção, Alentejano (1998), Souza e Medeiros (1998) ressaltam que a demarcação de uma região passa por considerações de ordem natural, divisões políticas comuns, formas de ocupação econômica, entre outras. Assim, pode-se tomar como referências aspectos naturais — clima, relevo, vegetação, ambientais ecossistemas —, econômicos, culturais, históricos, etc. A região seria, então, a construção do pesquisador, em função de variáveis que considere relevantes, e que, uma vez destacadas, configuram certas redes de relações que têm uma determinada delimitação.

Tendo em vista as inferências acima, adotou-se, como eixo geral de referência para a delimitação espacial do objeto empírico da pesquisa, a ocupação sócio-econômica e o padrão de desenvolvimento regional, capitaneados pelo reflorestamento voltado para a produção de 91

celulose e papel. Ou seja, a variável relevante para a análise do processo de transformação regional é a expansão e a consolidação do complexo florestal, entendido aqui como um conjunto de atividades produtivas, envolvendo, fundamentalmente, a silvicultura- reflorestamento para a produção de madeira destinada à indústria de celulose e papel1.

Há em linhas gerais, duas delimitações regionais correspondentes ao Extremo Sul da Bahia. Na primeira, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE2 a região estaria representada pela Microrregião de Porto Seguro (Mapa 1). Já a segunda, adotada pelo Governo Estadual, particularmente, pela Secretaria do Planejamento – SEPLAN, corresponde à Região Econômica do Extremo Sul, redefinida e nomeada, recentemente, para Território de Identidade3 (Mapas 2 e 3).

Segundo a divisão do IBGE, a Microrregião de Porto Seguro corresponde ao conjunto formado por 18 municípios, a saber: Alcobaça, Caravelas, Eunápolis, Guaratinga, Ibirapuã, Itagimirim, Itamaraju, Itanhém, Jucuruçu, Lajedão, Medeiros Neto, Mucuri, Nova Viçosa, Porto Seguro, Prado, Santa Cruz Cabrália, Teixeira de Freitas e Vereda. No caso da regionalização adotada pelo Governo Estadual, a região econômica do Extremo Sul, atualmente denominada Território de Identidade, compõe-se dos 18 municípios referidos acima e mais os de Itapebi, Belmonte e Itabela, totalizando 21 municípios4.

Essas delimitações, apesar de apresentarem aderência ao eixo norteador deste capítulo — análise das transformações decorrentes da implantação e desenvolvimento da atividade de reflorestamento e produção de celulose —, contêm limitações de natureza metodológica. Ambas são relativamente extensas, o que dilui as especificidades e particularidades da dinâmica econômica e social, dificultando ou mesmo inviabilizando a identificação precisa das transformações e impactos resultantes da expansão da atividade florestal. Além disso, o número elevado de municípios impõe dificuldades operacionais à pesquisa de natureza individual, particularmente no que se refere à coleta e sistematização de informações primárias da pesquisa de campo.

Tendo em vista as considerações acima, o recorte regional do Extremo Sul, adotado nesta tese, compreende duas escalas. A primeira escala, mais ampla e voltada para os processos de ocupação histórica, econômico e social da região e sua inserção no contexto estadual e nacional, utiliza como referência a Microrregião Homogênea do IBGE5, abarcando um total de 18 municípios (Mapa1). A segunda escala leva em conta as questões operacionais e os objetivos específicos da pesquisa: a identificação e a análise das transformações econômicas e sociais na região em função da implantação e expansão da atividade florestal e industrial de celulose e papel. Nesse âmbito, o critério norteador da delimitação espacial baseia-se na ocupação e na apropriação do espaço pelas atividades de reflorestamento e

1Foge ao escopo deste trabalho a discussão referente ao uso de termos como: complexos agroindustriais, cadeias

agroindustriais, agribusiness e sistema agroalimentar, enquanto categorias analíticas empregadas para estudo da dinâmica da agricultura. A este respeito, há uma farta literatura, entre as quais podemos citar: Graziano da Silva (1996); Goodman; Sorj; Wilkinson (1990); Wilkinson (1989); Vigorito (1982); Müller (1982;1989;1990); Kageyama et. al. (1990); Malassis (1973); Bertrand (1982).

2O IBGE dividiu o Brasil em Mesorregiões e Microrregiões, definidas com base na organização do espaço em torno de

características geográficas e produtivas. De acordo com esses critérios, o estado da Bahia possui 32 Microrregiões Geográficas agrupadas em sete Mesorregiões Geográficas.

3 A Secretaria do Planejamento da Bahia, objetivando a implementação de programas e projetos, dividiu o Estado em 15

regiões econômicas, amparada no processo histórico de ocupação dos territórios e em critérios de homogeneidade física, econômica e social dos municípios. Já no PPA 2008-2011, com base em índices que aferem o grau de desenvolvimento social dos municípios baianos, o Estado da Bahia adotou uma nova regionalização composta por 26 Territórios de Identidades.

4 Na divisão do IBGE os municípios de Belmonte, Itapebi e Itabela pertencem à Microrregião de Ihéus-Itabuna.

5 Embora a regionalização da SEPLAN atendesse, plenamente, aos objetivos desse nível de análise, a existência e

disponibilidade de dados do IBGE, já sistematizados para a Microrregião de Porto Seguro, constituiu-se no fator decisivo para a escolha desta delimitação.

produção de celulose e papel expresso pelas seguintes variáveis: a) concentração de maciços florestais em agrupamentos de municípios contíguos; b) localização de unidades de processamento de madeira (indústria de celulose, serraria); c) época de implantação das plantações de eucaliptos e de atuação dos empreendimentos (anos 1980/1990); d) existência de um centro urbano regional.

Com base nos critérios acima elencados a delimitação da região para efeito da pesquisa de campo e empírica (dados secundários e primários), corresponde ao espaço formado por sete municípios, a saber: Alcobaça, Caravelas, Nova Viçosa, Mucuri, Prado, Teixeira de Freitas e Vereda (ver Mapas 1, 2 e 3). O conjunto desses municípios abarca cerca de 70% da área total reflorestada da região. Além disso, encontram-se localizados nesta área a fábrica de Celulose e Papel da SUZANO, em Mucuri, implantada em 1992 e a unidade florestal e a serraria da ARACRUZ (1999) em Nova Viçosa, além da CAF FLORESTAL SANTA BÁRBARA6, situada em Teixeira de Freitas, voltada para a produção de carvão vegetal a partir do eucalipto. Ressalta-se que o Município de Teixeira de Freitas, apesar de não possuir representatividade em termos de área reflorestada, ocupa o papel de centro urbano regional, centralizando as atividades comerciais e de prestação de serviços da região. Já no caso de Vereda, que também é pouco significativa em plantios de eucaliptos, a sua inclusão deveu-se ao fato desse município haver sido criado em 1988, a partir do desmembramento do município de Prado. Buscou-se, assim, preservar a comparabilidade e a compatibilidade da série histórica de dados da região, delimitada para efeito da tese.

Os limites adotados deixam de fora, portanto, a área de influência da VERACEL7, empresa de celulose localizada em Eunápolis. A não inclusão desta área deve-se, como já foi salientado antes, aos limites operacionais inerentes à pesquisa de caráter individual e ao período mais recente de atuação dessa empresa, cuja fábrica foi inaugurada em 2005, restringindo, assim, o período temporal para análise de seus impactos.

6 A CAF foi criada crida em 1957, no Município de Santa Bárbara (MG), pela Siderúrgica BELGO MINEIRA, visando a

plantios de florestas renováveis para a produção de carvão destinado ao abastecimento da siderúrgica. Na década de 1970, a empresa expandiu os seus limites, instalando unidades regionais em Minas Gerais, no Espírito Santo e na Bahia.

7 A área de influência da VERACEL (unidade industrial e plantios) abrange os seguintes Municípios: Eunápolis,

Belmonte, Porto Seguro, Itapebi, Itabela, Guaratinga, Itagimirim, Santa Cruz de Cabrália.

Microrregiões

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