Figura 1. Equilíbrio dinâmico da sustentabilidade. Fonte: Dias, 2011
É nesse contexto que abordaremos a questão dos resíduos sólidos domiciliares na RMR sob a ótica de um dos tripés da sustentabilidade, o econômico e realizaremos um estudo sobre a valoração econô- mica desses resíduos, com estimativas do preço médio praticado por tipo de resíduo e volume gerado e dessa forma nos aprofundar na questão e contribuir para a gestão dos resíduos sólidos da região. Através do estudo sobre a valoração econômica dos resíduos sólidos domiciliares da RMR, esperamos contribuir para a ampliação das discussões, através de um dos tripés da sustentabilidade, o eixo econômico, com a proposta de servir de base de consulta a trabalhos posteriores, que tenham como foco principal os outros dois tripés, o social e o ambiental.
2. METODOLOGIA
O trabalho foi baseado no Plano Estadual de Resíduos Sólidos de Pernambuco, realizado pela Secre- taria de Meio Ambiente e Sustentabilidade, SEMAS et al (2012), que coordenou um importante estudo sobre a questão dos resíduos sólidos no Estado. Também foi efetuada revisão bibliográfica a respeito da Política Nacional de Resíduos Sólidos, reciclagem do lixo e seus mercados, além de consulta a outras fon- tes oficiais e visita à Empresa de Manutenção e Limpeza Urbana da Cidade do Recife (EMLURB).
No presente estudo utilizamos a média de preços praticada por tipo de resíduo em doze municípios brasileiros acompanhados pelo (CEMPRE), mantendo a composição gravimétrica da RMR, pela indispo- nibilidade dessas informações após visita à EMLURB e de entrarmos em contato com a Secretaria de Ciência e Tecnologia e SEMAS.
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO
Atualmente, a Região dispõe de 4.159 catadores, com nove aterros sanitários e seis áreas com dispo- sição inadequada, os chamados lixões, o que torna a implantação e manutenção da gestão integrada dos resíduos sólidos uma necessidade não só do ponto legal, mas sanitário, ambiental, social e econômico.
Figura 2. Proporção da produção de resíduos por RD (2012). Fonte: SEMAS et al (2012)
Em relação a gravimetria dos resíduos da RMR, 54,3% é de materia orgânica, 24,8% de recicláveis e 21% pode ser considerada como rejeito (SEMAS et al., 2012). Em relação aos recicláveis, 10% é papel, 8,9% plástico, 3,5% vidro e 2,4% metal. Dentre os municípios que formam a RMR, destaca-se a cidade do Recife, que além de apresentar maior população, entretanto os Municípios de Itamaracá e Cabo de Santo Augustinho são as localidades com maior produção per capta de resíduos sólidos (Tabela 1). Já em termos absolutos, Recife é a localidade que produz mais resíduos sólidos, consequentemente de rejeitos e resíduos orgânicos da RMR (Tabela 2).
Tabela 1. Dados de pesagem da coleta regular em ton.ano nos municípios da Região Metropolitana do Recife - Em 2012. Fonte: IBGE; SEMAS et al (2012)
Municípios População (2012¹) Taxa de geração per capita (Kg/hab.dia)
Abreu e Lima 95.243 1,16
Araçoiaba 18.617 0,62
Cabo de Sto. Agostinho 189.222 2,41
Camaragibe 146.847 1,01 Fernando de Noronha 2.718 1,18 Igarassu 105.003 0,84 Ipojuca 83.862 1,28 Itamaracá 22.794 2,28 Itapissuma 24.321 0,70
Jaboatão dos Guararapes 654.786 1,07
Moreno 57.828 0,66
Olinda 379.271 0,92
Paulista 306.239 1,07
Recife 1.555.039 1,58
São Lourenço da Mata 104.782 0,98
TOTAL 3.743.854 1,18
¹Estimativas para 01/07/2012. DESENVOLVIMENTO
Tabela 2. Composição gravimétrica na Região Metropolitana do Recife (ton.ano) por tipo de resíduo, em 2010. Fon- te: SEMAS et al (2012)
Municípios sólidos em 2012 (t/ano)Produção de resíduos Rejeitos Matéria Orgânica
Abreu e Lima 40.320 8.467 21.853
Araçoiaba 4.290 901 2.325
Cabo de Sto. Agostinho 168.252 35.333 91.193
Camaragibe 54.496 11.444 29.537 Fernando de Noronha 1.172 246 635 Igarassu 32.478 6.820 17.603 Ipojuca 39.116 8.214 21.201 Itamaracá 19.041 3.999 10.320 Itapissuma 6.271 1.317 3.399
Jaboatão dos Guararapes 256.287 53.820 138.907
Moreno 14.219 2.986 7.707
Olinda 126.567 26.579 68.599
Paulista 119.703 25.138 64.879
Recife 898.682 188.723 487.086
São Lourenço da Mata 37.644 7.905 20.403
TOTAL 1.818.538 381.893 985.648
A RMR também é a que gera o maior volume de resíduos, 46,5% do total do Estado (Figura 2), algo em torno de 1.818.538 ton./ano de resíduos sólidos domiciliares, com 24,8% desse total composta de materiais recicláveis (450.997 ton.ano), 21,0% de rejeitos (381.893 ton.ano) e 54,2% de matéria orgânica (985.648 ton.ano). A composição gravimétrica dentre os recicláveis é representada por 10,0% de papel/ papelão, 8,9% de plástico, 3,5% de vidro e 2,4% de metais. Se observada a gravimetria destes resíduos, a maior quantidade de todos os tipos é em Recife, seguido de Jaboatão dos Guararapes e Cabo de Santo Agostinho (Tabela 3).
De acordo com os cálculos das estimativas com base no preço médio da tonelada por tipo de resí- duo (Tabela 4) sob os municípios acompanhados pelo CEMPRE, anualmente são R$ 284.650.335 milhões de reais que estão sendo perdidos na Região Metropolitana do Recife (Tabela 5) com o não aproveita- mento econômico desses materiais recicláveis, sendo 49,4% desse total só no município de Recife. Isso sem levarmos em consideração a matéria orgânica presente no lixo domiciliar da região, que correspon- de a 54,2% e que também deveria ser aproveitada economicamente através de usinas de compostagem.
Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, o salário mínimo vigente é de R$ 678,00, então se dividirmos esses milhões por ele, teríamos como resultado 419.838 salários mínimos, que poderiam está gerando trabalho e renda para famílias em situação de risco social, não limitando-se apenas aos atuais 4.159 catadores identificados na região.
Tabela 3. Composição por tipo de reciclável na Região Metropolitana do Recife (ton.ano) por tipo de resíduo, em 2010. Fonte: SEMAS et al (2012)
Municípios Papel Plástico Vidro Metal Recicláveis
Abreu e Lima 4.032 3.588 1.411 968 9.999
Araçoiaba 429 382 150 103 1.064
Cabo de Sto. Agostinho 16.825 14.974 5.889 4.038 41.727
Camaragibe 5.450 4.850 1.907 1.308 13.515 Fernando de Noronha 117 104 41 28 291 Igarassu 3.248 2.891 1.137 779 8.055 Ipojuca 3.912 3.481 1.369 939 9.701 Itamaracá 1.904 1.695 666 457 4.722 Itapissuma 627 558 219 150 1.555
Jaboatão dos Guararapes 25.629 22.810 8.970 6.151 63.559
Moreno 1.422 1.266 498 341 3.526
Olinda 12.657 11.264 4.430 3.038 31.389
Paulista 11.970 10.654 4.190 2.873 29.686
Recife 89.868 79.983 31.454 21.568 222.873
São Lourenço da Mata 3.764 3.350 1.318 903 9.336
TOTAL 63.649 450.997
O resultado do devido aproveitamento econômico desses recicláveis seriam custos menores com a saúde das famílias dos catadores da região e externalidades positivas geradas através da menor poluição do ar causada pela queima desses resíduos e preservação dos cursos d’água e lençóis freáticos com o correto tratamento dos efluentes gerados. Apesar da coleta seletiva custar três vezes mais que a coleta convencio- nal, ao considerarmos os benefícios econômicos, sociais e ambientais, o aproveitamento econômico desses resíduos recicláveis configura-se como uma solução ambientalmente correta e socialmente justa.
Tabela 4. Preço médio da tonelada¹ dos recicláveis no Brasil. Fonte: Adaptado do CEMPRE, 2013 Papel/Papelão Plástico Vidro Metais
287,00 989,00 250,00 1.294,00
¹Cálculo efetuado pela média de preços aplicados em doze municípios do Brasil - Em R$ Tabela 5. Potencial econômico (R$/ton.ano)¹ da recuperação de resíduos sólidos na Região Metropolitana do Recife - em 2012. Fonte: CEMPRE; SEMAS et al (2012); Dados da Pesquisa
Municípios da RMR Papel Plástico Vidro Metal Recicláveis Recife 25.792.167 79.102.867 7.863.465 27.909.461 140.667.960 Demais municípios 26.399.880 80.966.688 8.048.745 28.567.063 143.982.374 TOTAL 52.192.047 160.069.554 15.912.210 56.476.524 284.650.335
4. CONCLUSÃO
Há um potencial de reciclagem dos resíduos sólidos que são gerados em toda a Região Metropo- litana do Recife, que não é plenamente usada. Tal situação leva a diminuição do potencial de geração de renda e trabalho das atividades direta e indiretamente vinculadas aos resíduos sólidos, assim como aumenta a rapidez de esgotamento dos aterros sanitários. Apesar da coleta seletiva custar mais do que a coleta convencional, há benefícios socioeconômicos e ambientais que devem ser computados, além da obrigatoriedade que a Lei impõe para a estruturação desta atividade.
REFERÊNCIAS
CEMPRE. Compromisso Empresarial para Reciclagem. Mercado dos recicláveis. Disponível em: <http://www.cem- pre.org.br/>. Acesso em: 25 jul. 2013.
CONDEPE/FIDEM. AGÊNCIA ESTADUAL DE PLANEJAMENTO E PESQUISAS DE PERNAMBUCO. Municípios da Região Metropolitana do Recife. Disponível em: <http://www.bde.pe.gov.br/visualizacao/>. Acesso em: 27 ago. 2013. DIAS, R. Gestão Ambiental - Responsabilidade Social e Sustentabilidade. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2011.
GRIPPI, S. Lixo, reciclagem e sua história: Um guia para as prefeituras brasileiras. 2. ed. Rio de Janeiro: Interciência, 2006.
IBGE. INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Censo 2010. Disponível em: <http://www.ibge.gov.br/ home/estatistica/populacao/censo2010/default.shtm>. Acesso em: 11 ago. 2008.
Lei nº 12.305, de 2 de Agosto de 2010. Institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos; altera a Lei Nº. 9.605, de 12 de fevereiro de 1998; e dá outras providências. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007- 2010/2010/lei/l12305.htm>. Acesso em: 27 ago. 2013.
SEMAS et al (2012). SECRETARIA DE MEIO AMBIENTE E SUSTENTABILIDADE. Plano Estadual de Resíduos Sólidos de Pernambuco. Disponível em: <http://www2.semas.pe.gov.br/c/document_library/groupId=709017>. Acesso em: 2 ago. 2013.
SYMBIOCITY SUSTAINABILITY BY SWEDEN. Publicação impressa [ ]