4.4 Planejamento de Negócios Pessoais
4.4.2 Economia e Finanças
É composto pelo patrimônio da empresa, pela rentabilidade do negócio e pela
lucratividade.
Patrimônio “é o conjunto de valores à disposição de uma empresa em dado
momento” (ALOE, 1973, p. 24), e é formado pela acumulação de bens. Representa uma grandeza complexa, formado pelo conjunto de bens, direitos e obrigações que a empresa possui. Os bens representam tudo aquilo que a empresa possui e que esteja em seu poder, seja para uso, troca ou consumo. Direito é todo valor que a empresa tem a receber de terceiros. São valores pertencentes à empresa, mas que, no momento, não estão em sua posse. E
obrigação é todo valor que a empresa tem a pagar. (AUTRAN e COELHO, 2003).
De acordo com Aloe (1973), o patrimônio é composto de duas partes: ativo e passivo, onde o ativo é a parte positiva do patrimônio e o passivo constitui a parte negativa. A diferença aritmética, entre a soma de ambos, quando o ativo for maior, denomina-se patrimônio líquido. Quando a soma do passivo for maior do que a do ativo, surge o que se denomina passivo descoberto. Aloe (1973) acrescenta que os elementos do ativo são os que, de fato, exprimem o potencial econômico da empresa, uma vez que os elementos do passivo
apenas representam uma ‘contrapartida’ do ativo, ou seja, o capital próprio e os compromissos que a empresa tem para com terceiros. Segundo Autran e Coelho (2003), o ativo da empresa é formado pelo conjunto dos bens e direitos, enquanto o conjunto das obrigações forma o passivo.
Em termos contábeis, a estrutura do patrimônio deve obedecer ao princípio da equivalência patrimonial, que consiste em uma equação bastante simples: ativo = passivo. Apesar do princípio de igualdade entre os totais do ativo e do passivo, eventualmente ocorre alguma diferença. Essa diferença, que porventura venha a existir, será coberta pelo patrimônio líquido, justamente com o objetivo de atingir a equivalência patrimonial. Segundo Autran e Coelho (2003), o patrimônio líquido de uma empresa pode ser: nulo (quando o total do ativo for igual ao total do passivo); positivo (quando o total do ativo for maior que o total do passivo) ou negativo (quando o total do ativo for menor que o total do passivo (obrigações)). Assim, o patrimônio líquido de uma empresa representa o resultado final das operações por ela realizadas, ou seja, seu lucro ou prejuízo. A apuração desse resultado implica em uma tomada de decisão, por parte dos sócios. Desse modo:
· Se a situação líquida for positiva (apresentar lucro), o valor pertence aos sócios, que devem determinar o destino desse lucro: se será distribuído entre eles ou guardado para novos investimentos;
· Se a situação líquida for negativa (apresentar prejuízo), a responsabilidade de cobrir essa diferença também pertence aos sócios.
Portanto, o patrimônio líquido de uma empresa, seja positivo ou negativo, é sempre apresentado no passivo, pois representa uma obrigação (uma dívida) da empresa para com seus próprios sócios. Uma última colocação sobre o patrimônio é feita por Aloe (1973, p. 24), ressaltando que “o estudo do patrimônio não se circunscreve somente ao campo contábil, uma vez que, sob o aspecto jurídico, o patrimônio representa a herança, os haveres que as pessoas abastadas costumam legar aos seus descendentes”.
Outro ponto importante a ser planejado, nesse campo, é a rentabilidade. Autran e Coelho (2003, p. 118) conceituam rentabilidade como “o grau de êxito econômico obtido por uma empresa em relação ao capital nela investido”. O capital, aqui, é visto como riqueza, valores disponíveis. Rentabilidade é, portanto, a diferença entre o valor que foi aplicado e o valor resultante dessa aplicação. De modo geral, uma empresa terá boa rentabilidade quando for capaz de obter lucro com regularidade, e durante um bom tempo. Para medir em números, a rentabilidade de uma empresa, basta dividir o lucro pelo valor dos investimentos. O
resultado obtido chama-se taxa de rentabilidade ou taxa de retorno. Essa taxa demonstra se uma empresa foi bem durante determinado período.
As empresas, bem como seus proprietários, objetivam o lucro, ou seja, “o resultado positivo de suas atividades” (FRANCO, 1972, p. 47). A apuração do resultado do exercício de uma empresa permite que a mesma visualize se obteve lucro ou prejuízo. Em caso de lucro, Autran e Coelho (2003, p. 81) dizem que o empresário “precisa tomar uma importante decisão: o que fazer com esses lucros?” Segundo eles, a empresa tem as seguintes opções: distribuir o lucro, em dinheiro, entre os acionistas, que passariam, então, a receber dividendos por sua participação na empresa ou transferir esse dinheiro para aumento do capital da organização. Nesse caso, os acionistas não recebem dividendos (dinheiro), mas bonificações (novas ações), passando, então, a possuírem mais ações do que possuíam anteriormente, ou, ainda, guardar esse lucro na empresa, para investimentos futuros, ou para prevenção de prejuízos futuros. Mas, independentemente da decisão a ser tomada, a lucratividade deve ser analisada.
Bodie e Merton (1999, p. 89) afirmam que a “lucratividade pode ser medida em relação a vendas (lucro sobre vendas), ativos (lucro sobre ativos) ou sua base patrimonial (rentabilidade sobre o patrimônio)”. Gitman (1997, p. 120) acrescenta que “existem várias medidas de lucratividade e cada uma delas relaciona os retornos da empresa a suas vendas, a seus ativos, ao seu patrimônio, ou ao valor da ação”. Como um todo, essas medidas permitem, ao gestor, avaliar os lucros da empresa em confronto com dado nível de vendas, certo nível de ativos, o investimento dos proprietários, ou o valor da ação.
Três índices de lucratividade, bastante citados, podem ser observados: margem bruta,
margem operacional e margem líquida. A margem bruta, segundo Gitman (1997), mede a
porcentagem de cada unidade monetária de venda que restou, após a empresa ter pago seus produtos. A margem operacional mede o que se denomina lucros puros, obtidos de cada unidade monetária de venda.
O lucro operacional é puro, no sentido de que ignora quaisquer despesas financeiras ou obrigações governamentais (juros ou impostos de renda) e considera somente os lucros auferidos, pela empresa, em suas operações. A margem líquida mede a porcentagem de cada unidade monetária de venda que restou, depois da dedução de todas as despesas, inclusive o imposto de renda. Portanto, para a empresa crescer e desenvolver-se, o empresário deve procurar ter uma boa administração financeira, que cuide de seus recursos monetários, aplicando-os e distribuindo-os, eficientemente, em todos os seus setores.