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Importações

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3. COMÉRCIO EXTERIOR TOTAL

3.5. Importações

Entre 2007 e 2011, as importações moçambicanas de bens registraram cres-cimento de 58%, de US$ 3,73 bilhões (2007) para US$ 5,89 bilhões (2011).

A França lidera o ranking dos fornecedores da demanda moçambicana, com 39% de participação, seguida de Itália, Alemanha, Reino Unido e Espanha.

No gráfico 3, apresentam-se as principais origens das importações de Mo-çambique entre 2005 e 2010:

GRÁFICO 3 MOÇAMBIQUE

FONTE: COMTRADE. Elaboração UICC/Apex-Brasil

42,8%

33,5% 37,4% 41,9%

39,9% 39,3%

3,9% 4,7% 4,8% 7,7%

8,4% 10,3%

4,8% 6,4%

11,6% 11,0% 9,1% 10,3%

2,7% 2,4% 3,4% 5,6% 4,7% 4,7%

3,4% 3,4% 3,6% 3,5% 4,1% 4,1%

2005 2006 2007 2008 2009 2010

Participação dos Principais Fornecedores de Moçambique (2005-2010)

França Itália Alemanha Reino Unido Espanha

Em 2010, os principais produtos importados pelo país foram petróleo e deri-vados, cereais, produtos metalúrgicos, veículos de carga e produtos farma-cêuticos.

No gráfico 4, apresentam-se os principais grupos de produtos importados por

Produtos que o Mundo Exporta para Moçambique (2010)

PETRÓLEO E DERIVADOS DE PETRÓLEO CEREAIS EM GRÃO E ESMAGADOS DEMAIS PRODUTOS METALÚRGICOS

PRODUTOS LAMINADOS PLANOS DE FERRO OU AÇO MÁQUINAS E APARELHOS DE

TERRAPLANAGEM,PERFURAÇÃO

DEMAIS MÁQUINAS,APARELHOS E INSTRUMENTOS MECÂNICOS

APARELHOS TRANSMISSORES E RECEPTORES DEMAIS MATERIAIS ELÉTRICOS E ELETRÔNICOS OUTROS

4. PANORAMA COMERCIAL ENTRE O BRASIL E MOÇAMBIQUE

4.1. Intercâmbio comercial bilateral

De 2008 a 2012, o intercâmbio comercial entre os dois países cresceu 352,2%, de US$ 32,4 milhões para US$ 146,5 milhões. Em 2012, os fluxos comerciais aumentaram 71,7% em relação a 2011. A maior da corrente de comércio (90%) são exportações brasileiras.

Em 2012, Moçambique foi o 10º parceiro do Brasil entre os países da África Subsaariana (participação de 0,92% no Bloco) e o 100º no mundo (participa-ção de 0,03%).

A tabela 3 apresenta a evolução do intercâmbio comercial entre o Brasil e Moçambique:

TABELA 3

2007 2008 2009 2010 2011

Exportações brasileiras 32,4 108,1 40,4 81,2 122,3

Variação em relação ao ano anterior 18,6% 233,8% -62,7% 101,1% 50,7%

Importações brasileiras 0,002 2,1 2,0 4,1 24,2

Variação em relação ao ano anterior (+) (+) -5,7% 104,5% 489,8%

Intercâmbio Comercial 32,4 110,2 42,4 85,3 146,5

Variação em relação ao ano anterior -8,1% 240,4% -61,6% 101,2% 71,7%

Saldo Comercial 32,4 106,0 38,4 77,1 98,2

Elaborado pelo MRE/DPR/DIC - Divisão de Inteligência Comercial, com base em dados do MDIC/SECEX/Aliceweb.

(+) Variação igual ou superior a 1.000%.

2 0 1 1 2 0 1 2 2 0 0 8 2 0 0 9 2 0 1 0

BRASIL-MOÇAMBIQUE: EVOLUÇÃO DO INTERCÂMBIO COMERCIAL US$ milhões, fob

DESCRIÇÃO

4.2. Composição do comércio, por fator agregado

As exportações brasileiras para Moçambique são concentradas em produtos manufaturados, que corresponderam a 65,7% da pauta em 2012, seguidos dos básicos (29,8%) e dos semimanufaturados (4,5%).

As importações brasileiras originárias de Moçambique são concentradas em produtos básicos, que corresponderam a 97,4% da pauta em 2012.

A tabela 4 apresenta-se as exportações e importações brasileiras, por fator agregado:

Elaborado pelo MRE/DPR/DIC - Divisão de Inteligência Comercial, com base em dados do MDIC.

PART.%

BRASIL-MOÇAMBIQUE: EXPORTAÇÕES E IMPORTAÇÕES, POR FATOR AGREGADO US$ milhões, fob - 2 0 1 2

4.3. Exportações brasileiras para Moçambique

Em 2012, as exportações brasileiras para Moçambique cresceram 50,7% em relação a 2011 e somaram US$ 122,3 milhões. De 2008 a 2012, as vendas aumentaram 277,5%. Em 2012, o aumento das exportações deveu-se, princi-palmente, aos embarques de aviões e trigo.

Em 2012, Moçambique foi o 9º destino das exportações brasileiras entre os países da África Subsaariana (participação de 1,89% para o Bloco) e o 93º no mundo (participação de 0,05%).

Os principais produtos da pauta de exportações brasileiras para Moçambique, em 2012, foram: i) outros aviões/veículos aéreos, de peso superior a 15 tons., vazios (valor de US$ 30,7 milhões, equivalentes a 25,1% no total – não houve exportação do produto para Moçambique em 2011); ii) outros trigos e misturas de trigo com centeio, exceto para semeadura (valor de US$ 21,1 milhões, equivalentes a 17,3% no total – não houve exportação do produto para Moçambique em 2011); iii) carnes de galos/galinhas, não cortadas em pedaços, congeladas (valor de US$ 7,8 milhões, equivalente a 6,4% no total – diminuição de 17,1% em relação a 2011); iv) outras construções pré-fabricadas, de ferro e aço (valor de US$ 5,8 milhões, equivalente a 4,7% no total – variação superior a mil por cento em relação a 2011); v) óleo de soja, em bruto, mesmo degomado (valor de US$ 5,3 milhões, equivalente a 4,3%

do total – diminuição de 19,7% em relação a 2011).

4.4. Importações brasileiras originárias de Moçambique

De 2008 a 2012, as importações brasileiras procedentes de Moçambique aumentaram exponencialmente de US$ 2 mil para US$ 24,2 milhões. Em 2012, as compras registraram incremento de 489,8% em relação a 2011, em função das importações de hulha betuminosa.

Moçambique foi o 7º país de origem das importações brasileiras entre os países da África Subsaariana (participação de 0,26% na região) e a 89ª no mundo (0,01%).

Os principais produtos da pauta de importações brasileiras originários de Moçambique, em 2012, foram: i) hulha betuminosa, não aglomerada (valor de US$ 21,3 milhões, equivalentes a 88,1% do total – não houve importação em 2011); ii) fumo não manufaturado, total ou parcialmente destalado, em

folhas secas, tipo “Burley” (valor de US$ 1,9 milhão, equivalentes a 7,9% do total – aumento de 35,7% em relação à 2011); iii) hexafluoraluminato de sódio - criolita sintética - (valor de US$ 339 mil, equivalentes a 1,4% do total - não houve importação em 2011).

4.5. Balança comercial bilateral

De 2008 a 2012, os resultados da balança comercial bilateral foram favoráveis ao Brasil. Os superávits nos últimos três anos foram de: US$ 38,4 milhões (em 2010); US$ 77,1 milhões (em 2011) e US$ 98,2 (em 2012). Em 2012, o aumento do superávit foi de 27,4% em relação ao ano anterior.

5. CRUZAMENTO ESTATÍSTICO ENTRE AS PAUTAS

O cruzamento entre as pautas de exportação do Brasil e de importação de Mo-çambique apresenta as oportunidades potenciais para as exportações brasileiras em inúmeros segmentos. Agregados por itens do Sistema Harmonizado (SH6), os grupos de produtos brasileiros que, em princípio, tendem a apresentar maior pos-sibilidade de importação por parte do mercado moçambicano foram classificados em ordem decrescente de valor com base no potencial indicativo de mercado.

A tabela 5 a seguir apresenta os 25 principais produtos brasileiros com maior propensão importadora por parte do mercado moçambicano em 2011:

TABELA 5

TOTAL GERAL 81.184 5.889.474 5.813.648

PRODUTOS SELECIONADOS 19.707 2.892.392 2.811.997

1 271019 Outros óleos de petróleo ou de minerais betuminosos e prep., exc. desperd. 1 804.351 804.351

2 760110 Alumínio não ligado em forma bruta 0 561.709 561.709

3 271011 Óleos leves de petróleo ou de min. betuminosos e prep., exceto desperdícios 0 220.124 214.049 4 870421 Automóveis transporte de mercadorias, carga máxima <= 5 t 104 135.201 135.104 5 842951 Carregadoras e pás carregadoras, de carregamento frontal, autopropulsores 0 128.425 128.425 6 100630 Arroz semibranqueado ou branqueado, mesmo polido ou brunido (glaceado) 48 125.895 125.850 7 100190 Trigo (exceto trigo duro) e mistura de trigo com centeio 12.146 121.888 110.544 8 300490 Outros medicamentos terapêuticos ou profiláticos, em doses, venda a retalho 330 97.532 97.224 9 730890 Construções e suas partes, de ferro fundido, ferro ou aço 10 101.304 78.391 10 870422 Veículospara transp. de merc, de peso em carga máxima > 5 t e <= 20 t - caminhões 0 66.561 66.561 11 870210 Veículos automóveis para transporte => 10 pessoas, ônibus microônibus 0 52.053 52.053 12 30379 Outros peixes, cong., exc. fígado e ovas, ou filés e outras carnes da pos. 0304 0 50.629 47.631

13 151110 Óleos de dendê, em bruto 0 73.624 46.057

14 870120 Tratores rodoviários para semi-reboques 0 45.613 45.613

15 870323 Automóveis c/ motor de cilindrada > 1.500cm3 e =< 3.000cm3 0 43.502 43.502 16 842959 Outras pás mecânicas, escavadores e carregadoras, autopropulsores 0 34.377 34.377 17 843149 Partes de outras máquinas e aparelhos das posições 8426, 8429 e 8430 13 33.783 33.771 18 870410 Dumpers concebidos para serem utilizados fora de rodovias - caminhão 21 32.522 32.502

19 880330 Outras partes para aviões ou helicópteros 0 28.669 28.669

20 100590 Milho, exceto para semeadura 3 27.847 27.844

21 150710 Óleo de soja, em bruto, mesmo degomado 6.551 33.076 26.957

22 847330 Partes e aces. p/máquinas autom. de proces. dados para máqs. da pos. 8471 20 25.822 25.804 23 870322 Automóveis de passag., wagons, com motor .> 1000 <= 1500 cm3 0 23.803 23.803 24 490199 Outros livros, brochuras e impressos semelhantes 460 24.082 21.207 25 870899 Outras partes e acessórios, para veículos autom. das pos. 87.01 a 87.05 63 20.895 20.837

CRUZAMENTO ENTRE A OFERTA EXPORTADORA BRASILEIRA E A DEMANDA IMPORTADORA DE MOÇAMBIQUE Valor US$ mil - 2011

Elaborado pelo MRE/DPR/Divisão de Inteligência Comercial, com base em dados da UNCTAD/ITC/Trademap.

6. OPORTUNIDADES PARA EMPRESAS BRASILEIRAS

E entre as oportunidades de negócios para empresas brasileiras, destacam-se os destacam-segmentos de (i) infraestrutura; (ii) agronegócios; (iii) material de construção; (iv) serviços; (v) maquinário agrícola; (vi) maquinário industrial;

(vii) calçados; e (viii) alimentos; (ix) serviços em geral.

O gráfico 5, apresenta as principais oportunidades para as exportações brasileiras no mercado de Moçambique.

GRÁFICO 5 Demais máquinas, aparelhos e instrumentos mecânicos Máquinas e aparelhos para trabalhar pedra e minério Aparelhos para filtrar ou depurar Água mineral e refrigerantes Carne de boi industrializada Aparelhos mecâncios para projetar, pulverizar líquidos e pós Ferramentas e talheres Barras, perfis, fios, chapas e tiras, de alumínio Calçados Máquinas e aparelhos de uso agrícola, exceto trator Geradores e transformadores, elétricos Higiene pessoal e cosméticos Obras de pedras e semelhantes Massas alimentícias e preparações alimentícias Carne de frango "in natura"

US$ milhões

Moçambique - Principais oportunidades para as exportações brasileiras

(valor exportado US$ e participação % do Brasil nas importações do país, 2010)

Exportação do Brasil Exportação do Mundo

6.1. Sistema Tarifário e União Aduaneira

A classificação tarifária de Moçambique é baseada no Sistema Harmoniza-do (SH). As alíquotas de importação são impostas à base CIF “ad valorem”.

Como regra, a maioria dos produtos importados no âmbito da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral “Southern Africa Development Com-munity – SADC”, da qual Moçambique faz parte, estão isentos dos direitos do imposto de importação. A Tarifa Externa Comum dos países membros da SADC pode ser consultada em: http://www.sadctrade.org/tariff_data.

6.2. Infraestrutura

Obras de infraestrutura constituem as oportunidades mais patentes para em-presas brasileiras de atuação internacional consolidada. O Governo moçambi-cano demonstra interesse crescente em financiamentos concedidos por meio do Fundo de Garantia à Exportação (FGE/BNDES), e grandes empreiteiras brasileiras seguem buscando a aprovação de empréstimos que lhes permi-tam participar de licitações para grandes contratos de obras infraestruturais.

Dentre as obras declaradas prioritárias pelo Governo de Moçambique estão: (i) Aeroporto de Nacala, (ii) Infraestruturas da Zona Franca Industrial de Nacala;

(iii) Barragem de Moamba Major; e (iv) Projeto de Mobilidade Urbana.

6.3. Pesquisas de Mercado

Trata-se de estudos aprofundados sobre a comercialização de produtos brasi-leiros em terceiros mercados, levando em consideração diversos fatores que podem afetar sua competitividade, tais como barreiras tarifárias e não tarifá-rias, legislação comercial, canais de distribuição, concorrência de empresas locais e estrangeiras e logística de transportes, entre outros. As pesquisas são elaboradas e atualizadas exclusivamente sob demanda de entidades de classe do Brasil, cadastradas no Sistema de Promoção Comercial do MRE1.

1 As pesquisas de mercado estão disponíveis no Portal BrasilGlobalNet (www.brasilglo-balnet.gov.br).

6.4. Informações sobre Produto

Trata-se de trabalho contendo um conjunto de dados sobre as condições de comercialização de determinado produto em mercado específico. Inclui trata-mento tarifário e não tarifário aplicado à importação de produtos brasileiros, lista de importadores locais e estatísticas de importação. Os trabalhos são solicitados ou atualizados exclusivamente por demanda de empresas ou enti-dades cadastradas no Sistema de Promoção Comercial do MRE2.

6.5. Licitações

Oportunidades em diferentes licitações internacionais em Moçambique e em outros países são regularmente registradas na BrasilGlobalNet, oferecidas tan-to por empresas públicas como privadas, nos mais diversos setan-tores3.

6.6. Cooperação Técnica

São numerosos os projetos de cooperação técnica entre Brasil e Moçam-bique, incluindo aqueles em execução e em planejamento. Abrangem áreas diversas, mas têm especial ênfase em agricultura (ProSAVANA, Segurança Alimentar, Plataforma de Inovação Agropecuária), Fortalecimento Institucional (aperfeiçoamento do Arquivo Nacional, modernização da Previdência Social, cooperação na formação de quadros para o setor público), Saúde (Fábrica de antirretrovirais) e Educação (Universidade Aberta do Brasil - UAB).

2 Informações sobre Produto estão disponíveis no Portal BrasilGlobalNet (www.bra-silglobalnet.gov.br).

3 Informações sobre concorrências públicas internacionais são divulgadas no Portal BrasilGlobalNet

(http://www.brasilglobalnet.gov.br/ConcorrenciasPublicas/Pesquisa/frmPes-6.7 Feiras e Exposições

A Feira Internacional de Maputo (FACIM), organizada pelo Instituto de Promo-ção das Exportações (IPEX), vinculado ao Ministério da Indústria e Comércio de Moçambique, é o mais tradicional evento de promoção comercial do país.

Segundo dados da organização do evento, em 2012 foram registrados 93 mil visitantes, superando em 50% a expectativa inicial. Registraram-se 1.800 expositores, dentre os quais 1.000 moçambicanos e 800 estrangeiros, repre-sentando 19 países. Portugal contou com a maior participação, 140 empre-sas portugueempre-sas ou luso-moçambicanas. Empreempre-sas e instituições brasileiras foram responsáveis por 25 estandes.

7. DOCUMENTAÇÃO E FORMALIDADES

DESCRIÇÃO PARA EXPORTAR PARA IMPORTAR

Número médio de documentos 7 10

Prazo médio para desembaraço (dias) 23 28

Custo médio (US$ por contêiner) 1.100 1.545

PARA EXPORTAR Conhecimento de Embarque Marítimo Ordem de Liberação de Carga Fatura Comercial

Declaração de Exportação Inspection report from scanner

Packing List ou Romaneio de Embarque Ordem de Entrega

Comprovante de Manipulação de Mercadoria em Terminal Certificado de Registro de Equipamentos Inspection report from scanner Packing List ou Romaneio de Embarque

Comprovante de Manipulação de Mercadoria em Terminal

Elaborado pelo MRE/DPR/DIC - Divisão de Inteligência Comercial, com base em dados do World Bank - Doing Business.

Declaração de Importação MOÇAMBIQUE

Classificação no comércio internacional(1) - 134

DOCUMENTOS

(1) Compilação dos dados que medem e comparam as regulamentações relevantes para o ciclo de vida de pequenas e médias empresas nacionais em 185 países, concluída em junho de 2012.

PARA IMPORTAR Conhecimento de Embarque Marítimo Ordem de Liberação de Carga Certificado de Origem Fatura Comercial

7.1. Cenário

Com vistas a melhorar os procedimentos em relação ao comércio externo, o Governo de Moçambique tem adotado medidas legislativas para simplificar o processo de desembaraço, tanto para as importações como para as exporta-ções. A mais significativa foi a extinção, para importações, do licenciamento das operações de comércio externo, ficando o operador obrigado apenas a efetuar o registro. Em 1998 foi introduzido o Documento Único (DU), prin-cipal formalidade para o despacho aduaneiro de todas as mercadorias que entram e saem de Moçambique, independentemente do regime que lhes é aplicável, com exceção dos trânsitos, sistema simplificado e outros regimes

previstos na lei. Outras medidas adotadas foram a extinção da pré-declaração de importação de mercadorias e a redução de taxas incidentes sobre bens de consumo, de 30% para 25%.

7.2. Inspeção Pré-Embarque (IPE)

Algumas mercadorias importadas estão sujeitas à Inspeção Pré-Embarque (IPE), procedimento que é realizado pela empresa Intertek Testing Services (ITS), licitada para a atividade. Os encargos normais decorrentes do servi-ço de IPE correm por conta do Estado, exceto se, por erro ou omissão do exportador/importador, houver necessidade de efetuar nova inspeção. A ins-peção compreende verificação de qualidade e quantidade das mercadorias declaradas e a classificação pautal, indicação do valor aduaneiro com base na informação do fornecedor e emissão do Documento Único Certificado (DUC), preenchido com informações que incluem o cálculo das imposições devidas.

7.3. Encargos Aduaneiros

Os direitos aduaneiros são calculados com base no valor aduaneiro (valor da transação ou preço efetivamente pago ou devido pelas mercadorias) ajustado de acordo com as disposições das regras sobre sua determinação, conforme indicado no artigo VII do GATT 1994 (Acordo sobre Avaliação Aduaneira), na base de taxas “ad valorem”. Variam de 2,5% (matéria-prima) a 25% (bens de consumo não essenciais).

7.4. Requisitos gerais

As operações de comércio externo de importação e exportação não estão sujeitas ao licenciamento, mas apenas ao despacho aduaneiro, para o qual é necessário que o fornecedor se registre como operador do comércio externo, cumprindo as seguintes etapas:

1º. Pedido de inscrição por preenchimento de fichas de registro ou inscrição

como importador e/ou exportador;

2º. Comprovante da autorização para o exercício da atividade, emitida pela entidade competente;

3º. Comprovante do registro fiscal emitido pelo Ministério do Plano e Finanças;

4º. Depósito do valor das taxas e emolumentos para cada situação em con-creto.

7.5. Requisitos para o importador

1º. Deve-se solicitar fatura pró-forma ao fornecedor estrangeiro;

2º. A declaração para desembaraço aduaneiro é feita por meio de formulário próprio, podendo adotar as seguintes formas:

(i) Documento Único (DU), para o regime normal;

(ii) Despacho Simplificado (DS), para importação de valores equivalentes ou abaixo de MT 12.000.000,00 que não sejam destinados a fins comerciais; e (iii) Documento Único Abreviado (DUA), para os casos de regime abreviado de importações para pequenas encomendas comerciais cujo valor FOB seja equivalente ou inferior a MT 37.000.000,00 e aplicado por opção expressa do declarante.

3º. Para bens não isentos de inspeção pré-embarque, o importador deverá contatar o fornecedor para solicitar a inspeção na ITS (Intertek Testing Ser-vices). Deve-se apresentar ou enviar eletronicamente fatura pró-forma à em-presa de inspeção, que fará contato com os seus escritórios nos países de origem da mercadoria para verificação da quantidade/qualidade. Após apro-vação na inspeção, emite-se um DUC em quatro vias, que será entregue ao importador ou seu representante para apresentação nas Alfândegas;

7.6. Benefícios fiscais

Podem gozar de benefício pautal no pagamento de direitos e demais impo-sições aduaneiras as mercadorias e artigos constantes da legislação local

(Quadro V anexo às Regras Gerais do Desembaraço Aduaneiro, Decreto n.º 30 de 2 de dezembro de 2002).

7.7. Documentação e Formalidades – Abertura de Empresa

Relacionam-se, abaixo, recomendações para abertura de empresa em Mo-çambique:

(i) Contatar um advogado e consultar o Governo Moçambicano e o Centro de Promoção de Investimentos (CPI). O CPI dará sugestões sobre as melhores zonas e setores nos quais investir, além de prestar apoio legal. É importante, ainda, consultar um advogado e trabalhar com uma empresa nacional para cumprimento pleno da legislação. Nesse âmbito, cumpre destacar que o Novo Código Comercial, aprovado pelo Decreto Lei Nº2 de 27 de dezembro de 2005, simplificou os procedimentos para registro de empresas em Moçambique;

(ii) Reservar nome no Conservatório do Registro de Pessoas Jurídicas;

(iii) Abrir conta bancária para fins de depósito do capital social. Deve-se, para tanto, apresentar cópia autenticada do certificado de reserva do nome da em-presa, projeto de estatuto da empresa e cópia autenticada dos documentos de identificação dos acionistas;

(iv) Formalizar inscrição no Conservatório de Pessoas Jurídicas, apresentando cópia do certificado de reserva do nome da empresa, projeto de estatuto da empresa, comprovante do depósito bancário e cópia autenticada dos docu-mentos de identificação dos acionistas;

(v) Proceder ao registro fiscal e obter NUIT. Legalmente registrada a organiza-ção e publicados os estatutos no Diário Oficial, a empresa deve ter um registro fiscal e obter o respectivo número de registro de impostos (NUIT), bem como as licenças de funcionamento das entidades responsáveis pela área das ativi-dades de negócio.

8. INVESTIMENTOS

8.1. Investimentos Estrangeiros Diretos

Em vista do baixo nível de poupança interna observado em Moçambique, a atração de investimentos estrangeiros figura como condição essencial para o desenvolvimento econômico, e tem gerado importantes resultados. Governo e entidades locais divulgam, recorrentemente, os seguintes aspectos como sendo atrativos aos investimentos estrangeiros:

• liberalização da economia;

• bom desempenho da economia nacional;

• vantagens comparativas em relação aos vizinhos (corredores de desen-volvimento, mão de obra a custos baixos, potencial exploração de recur-sos naturais em setores-chave);

• criação do Centro de Promoção de Investimentos;

• transparência no relacionamento do Governo com o setor privado.

Com vistas a atrair investidores, a Lei do Investimento Direto Estrangeiro ofe-rece as seguintes garantias:

(i) segurança e proteção jurídica dos bens e direitos compreendidos no âmbito do investimento;

(ii) indenização justa e equitativa em caso de nacionalização dos bens e direi-tos que constituem o investimento direto estrangeiro;

(iii) transferência para o exterior dos lucros exportáveis, do capital reexportá-vel, das amortizações e dos juros de empréstimos contraídos no exterior, em conformidade com as condições de autorização.

O investimento direto estrangeiro em Moçambique deve seguir critérios esta-belecidos, a saber:

(i) subordinar-se aos princípios orientadores da política econômica, à legisla-ção em vigor e às condições de autorizalegisla-ção do investimento;

(ii) contribuir para a balança de pagamentos, por meio do aumento das

expor-tações ou da redução das imporexpor-tações;

(iii) promover o desenvolvimento tecnológico;

(iv) aumentar o número de postos de trabalho; e (v) favorecer a qualificação da mão de obra nacional.

Cumpre destacar que, nos últimos 10 anos, 80% do investimento estrangeiro direto foi direcionado para infraestruturas e serviços ligados ao complexo mi-neral energético ou, no caso da agricultura, à exportação de bens primários sem processamento.

8.2. Investimentos Diretos do Brasil em Moçambique

O Brasil tornou-se o maior investidor estrangeiro em Moçambique nos pri-meiros nove meses de 2012, segundo estudo do Ministério da Planificação e Desenvolvimento de Moçambique. Teve papel crucial na conformação desse cenário a participação da mineradora Vale no projeto do Corredor Logístico Integrado de Nacala (CLIN). Estima-se que o investimento total da Vale em Moçambique, após plena execução, alcance US$ 8,3 bilhões.

8.3. Empresas brasileiras em Moçambique

A presença empresarial do Brasil em Moçambique é importante e tem ampla margem de crescimento. Grandes companhias brasileiras dos ramos da mi-neração e da construção civil participam de praticamente todos os chamados mega-projetos, que vêm modificando o cenário econômico moçambicano nos últimos anos e contribuindo para a conformação de ambiente propício para a entrada de investidores brasileiros de menor porte, em setores de menor ex-pressão no conjunto da economia, porém de significativo interesse em termos de retorno potencial.

Apresenta-se, abaixo, descrição sucinta da atuação das principais empresas brasileiras em Moçambique:

Andrade Gutierrez

(i) construção de trecho de cerca de 200 km de rodovia na província

(i) construção de trecho de cerca de 200 km de rodovia na província

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