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2.2 MEIO AMBIENTE E SUSTENTABILIDADE

2.2.1 Economia verde

De acordo com Nascimento (2012), desde a década de 1970 em que surgiu a concepção de sustentabilidade para a contemporaneidade, as mudanças em termos de cenário foram o agravamento com a crise ambiental com a responsabilidade antrópica do aquecimento global e a dinâmica de

ascensão de um contingente humano significativo no mercado de consumo e as propostas de descarbonização e de economia verde ganharam força.

A economia verde para o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), possui uma definição de: “Uma economia que resulta em melhoria do bem-estar da humanidade e igualdade social, ao mesmo tempo em que reduz, significativamente, riscos ambientais e escassez".

Segundo o Ministério do Meio Ambiente, a economia verde trata da busca do aprimoramento e reconstrução dos bens naturais, que são capazes de gerar empregos e consequentemente aumento na renda das famílias que sobrevivem dos recursos naturais, através de investimentos que resultam na diminuição da poluição e que possuem eficiência capaz de melhorar a diversidade biológica. Por isso, o objetivo fundamental da economia verde está presente na criação e aumento de emprego e reproveitamento de bens naturais.

Para o Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), (2012, p.23), a classificação de economia verde, é:

A expressão atribuída a um modelo econômico que conduz ao desenvolvimento sustentável graças a uma regulação econômica eficiente para internalizar os custos ambientais, alterando os preços relativos e, consequentemente, induzindo uma mudança em direção a padrões de produção e consumo mais ecoeficientes. [...] Para a economia verde, importa que o crescimento econômico com redução da pobreza possa estar baseado em investimentos em capital natural e, portanto, que a estrutura da economia mude na direção dos setores/tecnologias “verdes” ou “limpos”, que vão substituindo os setores/tecnologias “sujos” ou “marrons”.

Garcia (2016) ressalta que a economia verde possui a finalidade de direcionar a economia para investimentos em tecnologias mais avançadas e menos poluentes em termos de produção dos produtos, visando também à conscientização das empresas na exploração da natureza, para que causem danos mínimos. O autor ressalta que o desenvolvimento da economia verde se fundamenta em três componentes essenciais: pensar em longo prazo, construir uma visão holística e cultivar valores diferentes.

Gomes (2014) relata que os movimentos sociais, ambientalistas e pesquisadores da área de meio ambiente e desenvolvimento criticam a ocorrência de uma banalização do conceito do desenvolvimento sustentável, por ser utilizado na qualificação de práticas superficiais e pouco relevantes. Essa

prática é denominada de maquiagem verde, que segundo Gomes (2014), compreende como um artifício para a imagem pública de governos e empresas, sem a apresentação de ações efetivas e sintonizadas concretamente com o desenvolvimento sustentável.

Hoff, Avellar e Andrade (2016) destaca que um dos principais pilares de sustentação da economia tradicional para a economia verde está representado na realocação de investimentos, a ampliação crescente da utilização de tecnologias ambientais e a intensificação das denominadas Eco-inovações. Os autores acrescentam que as Eco-inovações se configuram como uma tendência recente e se condicionam como imprescindíveis para aprimoramento nas práticas ambientais nas organizações. As Eco-inovações são definidas por Lustosa (2011) como um conjunto constituído pelos seguintes componentes: conhecimentos, técnicas, métodos, processo, experiências e equipamentos embasados na utilização de recursos naturais de forma sustentável e capaz da disposição adequada dos rejeitos industriais, de forma a não degradar o meio ambiente.

As práticas e tecnologias de desenvolvimento sustentável implicadas na economia verde proporcionam mudanças nos contextos identificados numa economia global capitalista. Gomes (2014) enfatiza que a economia verde deve ser inclusiva, atuando na erradicação da pobreza e promovendo os direitos humanos e sociais, como defendido por organizações internacionais. A economia verde não pode se restringir as questões ambientais decorrentes da exploração econômica capitalista dilapidadora de recursos naturais, exige-se a sua atuação e abordagem nas questões que envolvem a injustiça social como situações de miséria e que infringem a dignidade humana e contrariam os direitos humanos.

Berchin (2015) compreende que a economia verde não se restringe somente às empresas e governos, mas também inclui a agricultura. Acrescentam que a agricultura possui potencial para as atividades de baixo carbono, envolvendo uma eficiência na utilização de recursos e promovendo a inclusão social, garantindo a disponibilização de alimentos, observando as incertezas relacionadas às mudanças climáticas e ao aumento da pressão socioeconômica nos recursos naturais.

A agricultura ocupa um papel socioeconômico importante na sociedade contemporânea, pois é responsável pela alimentação da humanidade e o seu acesso é necessário a todos para sua sobrevivência. Berchin (2015) detalha os benefícios provenientes de práticas adotadas em referência à agricultura verde, configuram-se: o aumento da rentabilidade e produtividade, com ganho em eficiência no uso de recursos; benefícios macroeconômicos pela redução da pobreza e aumento da renda e consumo no campo; benefícios da adaptação climática e da mitigação e os serviços ecossistêmicos, através do investimento em biodiversidade para manutenção do ecossistema e aumento da capacidade de adaptação às mudanças; benefícios ambientais em geral, melhorando a qualidade do solo devido a maior disponibilidade de matéria orgânica, e pela melhoria no abastecimento de água e melhor reciclagem de nutrientes .

Gallo (2012) contextualiza que a transição da economia tradicional para a economia verde extinguiria alguns empregos, mas criaria novos empregos, nos quais o trabalhado teria liberdade, remuneração equitativa, condições de segurança no trabalho e proteção local. Os autores pontuam que ações poderiam ser realizadas pelos governos para promoção da economia verde por meio de instrumentos econômicos, normas, inovação e ferramentas tecnológicas, políticas públicas, iniciativas provenientes de parceria público- privada. Na agricultura, a eliminação da queima para corte de cana eliminou empregos de cortadores, qualificados em condições precárias e desrespeitadoras dos direitos, mas gerou vagas técnicas

Buss (2012) aponta ressalvas sobre a economia verde como estratégia central da economia da governança em relação ao desenvolvimento sustentável e a erradicação da pobreza. Os autores corroboram essas ressalvas pela falta de especificação da estrutura de governança da economia mundial para que o desenvolvimento sustentável se concretize como modelo econômico, configura- se como uma omissão importante, que deixa de evidenciar propostas em termos de regras de comércio e propriedade intelectual.

Nesta linha de pensamento sobre a economia verde, Misoczky e Böhm (2012) ressaltam a ocultação do fato que o capital é buscador de possibilidades de valorização, de exercício do poder econômico e social. Estes autores complementam que a economia verde se torna contributiva para ampliar a acumulação obtida por meio de espoliação.

Apesar dessas ressalvas, a economia verde e o desenvolvimento sustentável possuem um importante papel para humanidade. Esses apontamentos são contributivos para pensar uma governança mundial alinhada com o desenvolvimento sustentável, ponderando todos agentes e ações envolvidas. Apesar de questionada, a economia verde é uma forma de pensar a atividade econômica no longo prazo, preservando-se os recursos naturais e buscando-se a justiça social. As políticas públicas estabelecidas pelos governos possuem um papel importante em impulsionar uma culturalização das práticas de desenvolvimento sustentável e propagação da economia verde. Os desafios são ponderáveis, mas na concepção de aprimoramento e não em termos de impedimento, posicionado como vencida pelos ideais da tradicional economia capitalista.

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