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Página Tabela 1. Qualidade da água dos viveiros nas diferentes estações do ano

em três pisciculturas do Brejo paraibano, Paraíba, Brasil... 22 Tabela 2. Taxas de prevalência (%) dos parasitos encontrados no

tegumento e nas brânquias de O. niloticus nas diferentes estações do ano

em três pisciculturas do Brejo paraibano, Paraíba, Brasil... 24 Tabela 3. Média do Fator de condição de Fulton de O. niloticus nas

diferentes estações do ano em três pisciculturas do Brejo paraibano,

Paraíba, Brasil. ... 24 Tabela 4. Média ± desvio padrão das intensidades parasitárias médias no

tegumento e nas brânquias das O. niloticus nas diferentes estações do

ano em três pisciculturas do Brejo paraibano, Paraíba, Brasil... 25 Tabela 5. Média ± desvio padrão das variáveis hematológicas de O. sanguíneos de O. niloticus provenientes de pisciculturas do Brejo

paraibano. ... 28 Tabela 8. Correlação de Pearson entre as Intensidades parasitárias de

Tricodinídeos no tegumento e nas brânquias e os parâmetros sanguíneos

de O. niloticus provenientes de pisciculturas do Brejo paraibano... 29

niloticus) cultivadas na Região do Brejo Paraibano

Página Figura 1. Fotomicrografia de Tricodinídeo em raspado fresco de muco

tegumentar de O. niloticus, Objetiva de 40x ... 23 Figura 2. Fotomicrografia de Monogenóidea em raspado fresco de muco

tegumentar de O. niloticus. Objetiva de 40x... 23

ECTOPARASITOFAUNA E HEMATOLOGIA DE TILÁPIA DO NILO (Oreochromis niloticus) PROVENIENTE DE CULTIVO INTENSIVO NA MICRORREGIÃO DO

BREJO PARAIBANO RESUMO GERAL

Realizou-se um estudo com o objetivo de caracterizar a fauna parasitária e a hematologia de tilápias do Nilo (Oreochromis niloticus) mantidas em cultivo intensivo na Região do Brejo paraibano. Foi avaliada a influência da sazonalidade sobre os índices parasitários e parâmetros hematológicos, relacionando-os com a qualidade da água de cultivo e o fator de condição das tilápias. Foram realizadas duas coletas, uma no período chuvoso e outra no período seco da região. Em cada coleta foi realizado exame parasitológico em 10 peixes e hematológico em 20. Foram calculados os índices parasitários para os parasitos de maior ocorrência, registrados os parâmetros físico-químicos da água e calculado o fator de condição dos peixes.

Os parâmetros físico-químicos da água mantiveram-se dentro dos valores preconizados para o cultivo de tilápias. Observaram-se os seguintes parasitos e taxas de prevalências (%) no tegumento e nas brânquias na estação chuvosa e seca respectivamente: Trichodinidae 83,3, 70 e 76,6, 100; Monogenóidea 6,6, 13,3 e 13,3, 16,6; Piscinnodinium. pilulare 6,6, 10 e 0, 0; Epistylis spp 3,3, 0 e 6,6, 6,6; Dolops sp 3,3, 0 e 3,3 0; e Lamproglena sp 6,6, 6,6 e 3,3, 6,6. Os parasitos de maior prevalência e intensidade média foram os Tricodinídeos, seguidos por Monogenóideas. O parasito P. pilulare somente foi observado na estação chuvosa do ano. Houve aumento acentuado dos índices parasitários em algumas das pisciculturas avaliadas durante a estação seca, revelando assim a interferência da sazonalidade sobre estes parâmetros. As populações de parasitos de maior importância na Região do Brejo paraibano são os Tricodinídeos seguidos por Monogenoideas. Não foi possível observar interferência da sazonalidade nos parâmetros hematológicos.

Palavras-chave: Ectoparasitos; Hematológia; Piscicultura; Sazonalidade; Tilápias

ECTOPARASITOFAUNA AND HEMATOLOGY OF NILE TILAPIA (Oreochromis niloticus) ARISING OUT OF INTENSIVE CULTIVATION IN THE MICROREGION

BREJO PARAIBA

ABSTRACT

A study was conducted with an objective to characterize the parasitic fauna and hematology of Nile tilapia (Oreochromis niloticus) maintained under intensive culture in the Brejo region. The seasonality influence on parasitic indices and hematological characteristics was evaluated by their relation them with the cultivation quality water and tilapia condition factor. It was performed two samples, one in the rainy season and one dry season in the region. Each sampling was performed on 10 parasitological examinations in fishes and hematologic in 20. Then, the parasitic indexes were calculated for the higher occurrence of parasites and registered the parameters water physical chemical that remained in the amounts recommended for tilapia culture. It was observed the following parasites and prevalence rates (%) in the integument and gill in the rainy and dry season, respectively: Trichodinidae 83.3, 70 and 76.6, 100; Monogenoidea 6.6, 13.3 and 13.3, 16.6; Piscinnodinium. pilulare 6.6, 10, and 0, 0; Epistylis spp 3.3, 0 and 6.6, 6.6; Dolops sp 3.3, 0 and 3.3, 0; and Lamproglena sp 6.6, 6.6 and 6.6, 3.3. The parasites of higher prevalence and mean intensity were Tricodinídeos, followed by Monogenoideas. The parasite P. pilulare was observed only in the rainy season. There was a sharp increase in parasitic indexes during the dry season, revealing, thus, the interference of seasonality on these parameters. The parasites of greater importance in the Brejo region are Tricodinídeos followed by Monogenoideas. It was not possible to observe interference of seasonality in hematological parameters.

Keywords: Ectoparasites; Hematology; Fish farm; Seasonality; Tilapia

CONSIDERAÇÕES GERAIS

1. Introdução

O desenvolvimento econômico, associado às mudanças no hábito alimentar da população têm sido responsáveis pela crescente demanda por peixes no Brasil (CREPALDI et al., 2006). O Brasil destaca-se por possuir imenso potencial para o desenvolvimento da piscicultura por meio dos 8,4 mil km de litoral e 5,5 milhões de hectares de reservatórios de águas doces, representando aproximadamente 8% da água doce disponível no planeta (SABBAG et al., 2007).

A produção de pescados tem crescido no país desde a década de 90 e se consolidado atualmente como grande fornecedor de proteína de qualidade para a população. A piscicultura conseguiu índices de crescimento relativo em torno de 60%, com destaque para a produção de tilápia, tambaqui e surubim. Uma das modalidades de aquicultura que mais vem se desenvolvendo no Brasil é a criação de peixes de água doce (especialmente as tilápias) em sistemas de tanques-rede instalados em grandes reservatórios, constituindo-se numa alternativa viável para geração de empregos e renda (SABBAG et al., 2007). Além disso, o fato da piscicultura poder ser desenvolvida em paralelo com a agricultura, com aproveitamento de terras inadequadas para o cultivo, a torna uma atividade interessante para o pequeno e médio produtor rural por complementar-lhe a renda e proporcionar-lhe uma alimentação saudável (FIGUEIREDO; VALENTE JUNIOR, 2008).

A tilápia é o peixe de água doce mais produzido no Brasil. As principais razões para que esta espécie ocupe esta posição são: a alta taxa de crescimento, a rusticidade, o hábito alimentar onívoro, a fácil aceitação de ração e a grande resistência às doenças e à baixa concentração de oxigênio dissolvido na água.

Aliado a estas características, a tilápia tem boa aceitação no mercado consumidor por possuir carne saborosa, de cor branca e com baixo teor de gordura (BOSCOLO et al., 2001). Além disso, por se tratar de um peixe tropical, as águas quentes do Nordeste são ideais para a sua reprodução e desenvolvimento (FIGUEIREDO;

VALENTE JUNIOR, 2008).

Apesar de todas as vantagens associadas ao cultivo desta espécie, o manejo inadequado na piscicultura gera uma alta mortalidade de peixes o que acarreta grandes prejuízos econômicos aos produtores. Isto se deve, principalmente, ao fato de que os peixes são muito suscetíveis ao estresse, que se reflete na redução do consumo de alimento, retardo no crescimento, imunossupressão e predisposição a infecções, aumento dos níveis de cortisol, hiperglicemia e até mesmo a morte. Estes efeitos são desencadeados pelo aumento da concentração sanguínea do cortisol, principal corticosteróide liberado na presença de agentes adversos à homeostase dos peixes (McDONALD; MILLIGAN, 1997).

Os efeitos do estresse sobre os parâmetros hematológicos de peixes ainda são conflitantes, principalmente quando se trata do eritrograma. De acordo com Gbore et al. (2006), as alterações dos parâmetros eritrocitários são atribuídas a hemoconcentração ou hemodiluição por disfunção osmorregulatória. Segundo Schreck (1996), o estresse também afeta a atividade dos leucócitos, levando a alterações ambientais (TAVARES-DIAS; MORAES, 2003). Associado ao manejo inadequado as parasitoses são uma das maiores causas de perdas na piscicultura industrial em todo o mundo, sendo de maior importância nas regiões neotropicais, devido as suas características climáticas, que permitem uma disseminação muito rápida de doenças (THATCHER; BRITES NETO, 2006). Além disto, os parasitos provocam lesões que funcionam como porta de entrada para agentes patogênicos como bactérias e fungos, prejudicando o desempenho produtivo, a reprodução dos peixes e propagando patógenos para o ambiente, gerando prejuízos ao piscicultor e riscos à saúde da população (LIMA; LEITE, 2006).

No Brasil, Bekési (1992) registrou os primeiros casos de parasitismo em tilápias cultivadas na região Nordeste, caracterizando como parasitos de maior importância

tricodinídeos e monogenóides, sendo caracterizados como indicadores de qualidade do ambiente de cultivo, como já verificado por Azevedo et al. (2006) e Ghiraldelli et al. (2006a,b) . No entanto, pouco se evoluiu em relação à caracterização da fauna parasitária desta espécie nas diferentes regiões do país, tendo em vista os relatos de diversidade de parasitos observados entre a região sul do país (LEONARDO et al., 2006) e o estado do Amapá (PANTOJA et al., 2012). Estes levantamentos são necessários para a adequação das técnicas de manejo, adoção de medidas profiláticas e tratamento mais eficaz para cada doença (PAVENELLI et al., 2002).

Com o desequilíbrio na integridade biótica do ecossistema aquático, variações nas comunidades de peixes e seus parasitos refletem a perda da qualidade ambiental. Ectoparasitos de peixes cultivados, por sua vez, mostram variações na sua distribuição e composição diante de inadequado manejo alimentar e aquático (GHIRALDELLI et al., 2006a).

Apesar de a tilápia ser o principal peixe crultivado no Brasil e um dos mais cultivados do mundo, a literatura referente à fauna parasitária de peixes cultivados ainda é muito escassa, havendo raros relatos na literatura sobre as parasitoses mais frequentes nas tilápias do Nilo cultivadas em estados do Nordeste Brasileiro, como a Paraíba.

2. Referencial Teórico entanto, a piscicultura como atividade econômica é muito mais recente (NOGUEIRA;

RODRIGUES, 2007). Essa atividade no Brasil vem crescendo nas últimas duas décadas, sendo a criação de tilápia a principal responsável por este aumento (FERNANDES JUNIOR et al., 2010).

A demanda crescente por alimentos de alta qualidade nutricional e a necessidade de produção, cada vez maior de fontes protéicas, fazem da piscicultura uma atividade em ascensão no Brasil, já que os produtos gerados dessa atividade apresentam características que os colocam em destaque entre os alimentos com potencial de produção em países em desenvolvimento como também países desenvolvidos (ZIMMERMANN; FITZSIMMONS, 2004). No entanto, o Brasil ainda está longe dos grandes produtores mundiais de peixes cultivados.

Em 2008, o setor apresentou uma elevação na produção de 34,4%, quando comparada ao ano de 2007. Esse crescimento, porém em menor proporção, teve continuidade em 2009, quando chegou a 19,6%. Este incremento pode ser um reflexo das políticas públicas voltadas para o setor e que contribuíram para melhorar o acesso aos programas desenvolvidos pelo Ministério da Pesca e Aquicultura.

Mesmo com o ritmo acelerado de crescimento da produção mundial, a FAO (2004) estima que, até 2030, o déficit de pescados deve crescer em 30 milhões de toneladas e que o Brasil tem condições de participar desse mercado com mais 10 milhões de toneladas.

Os primeiros estados a explorarem a piscicultura em caráter comercial no Brasil foram os da região Sul, Paraná e Santa Catarina. Porém, na última década, a atividade evoluiu efetivamente na região nordeste de forma regular e consistente,

com maior desenvolvimento no estado da Bahia e no Ceará (NOGUEIRA;

RODRIGUES, 2007).

A piscicultura brasileira vem se desenvolvendo fundamentada nos princípios técnicos, se firmando de maneira profissional, tendo em vista a grande quantidade dos recursos hídricos estimados em 5,3 milhões de hectares de água doce, disponível tanto em reservatórios naturais como artificiais, além das condições climáticas ideais para esta cultura (AYROZA et al., 2006).

2.2. Tilápia do Nilo (Oreochomis niloticus)

A tilápia do nilo é atualmente, a espécie de peixe mais cultivada no mundo, sendo produzida em mais de cem países (KUBITZA, 2011). Existem cerca de 70 espécies de tilápias distribuídas em quatro gêneros: Oreochromis, Sarotherodon, Tillapia e Danakilia. No Brasil e no Nordeste Brasileiro a espécie mais difundida é a tilápia do Nilo (Oreochromis niloticus), que assim como as demais tem origem em rios e lagos africanos (PROENÇA; BITTENCOURT, 1994)

Mesmo o Brasil possuindo várias espécies de peixes nativos que apresentam um bom potencial para a piscicultura, são as espécies exóticas, introduzidas como a tilápia, que têm apresentado maior viabilidade econômica graças, principalmente, ao conhecimento técnico disponível, tanto no campo da biologia quanto nas técnicas de manejo. Dentre as espécies exóticas introduzidas no Brasil, a tilápia merece destaque, representando cerca de 38% da produção piscícola nacional. As primeiras informações sobre a tilápia, como espécie promissora para a piscicultura ocidental, surgiram em torno de 1950, sendo a tilapicultura um dos melhores negócios para piscicultores e uma nova fonte para obtenção de proteínas de elevada qualidade (NOGUEIRA; RODRIGUES, 2007).

A tilápia do Nilo foi introduzida no Brasil em 1971 no Estado do Ceará, através do D.N.O.C.S. (Departamento Nacional de Obras Contra a Seca), estes peixes eram provenientes da Costa do Marfim, África e receberam a denominação de tilápia do Nilo por ser oriunda da bacia deste grande rio africano. Esta espécie é facilmente reconhecida por apresentar listras verticais na nadadeira caudal, coloração metálica,

corpo curto e alto, cabeça e cauda pequenas e, quando alevinos, um colorido metálico em tom verde-azulado na cabeça (GALLI; TORLONI, 1986).

As tilápias são excelentes peixes para cultivo, pois apresentam grande capacidade reprodutiva em cativeiro e tempo entre gerações muito curto. Além disto, imediatamente após a absorção do saco vitelino, já aceita rações artificiais (EL-SAYED, 2006; KUBITZA, 2011), o que facilita o manejo. Para o crescimento da tilápia do Nilo, a temperatura adequada está entre 27 a 30 °C, quase sempre encontrada na região Nordeste do Brasil.

2.3. Hematologia em Peixes Cultivados

Nos peixes, os elementos figurados do sangue são compostos por eritrócitos, leucócitos e trombócitos, cuja origem, desenvolvimento e função, principalmente dos leucócitos e trombócitos, não estão totalmente esclarecidos. Uma das dificuldades enfrentadas pelos pesquisadores em hematologia de peixes é a falta de padronização na caracterização de leucócitos, pois há grande variedade de espécies e uma grande variação em propriedades tintoriais de granulócitos, além da falta de padronização dos métodos utilizados para o emprego da coloração de extensões sanguíneas (TAVARES-DIAS; MORAES, 2004).

Os parâmetros hematológicos podem ser influenciados grandemente por fatores bióticos e abióticos (TAVARES-DIAS; MORAES, 2004). Vale ressaltar o efeito negativo do estresse de manejo sobre o sistema imunológico de peixes (GBORE et al., 2006), o que os torna mais suscetíveis a grandes infestações causadas por parasitos que em condições normais, são mantidos em uma população controlada no meio ambiente. Neste contexto, os exames hematológicos são necessários, para se avaliar o estado sanitário dos animais, auxiliando os trabalhos de manejo das criações, relacionando-os à presença de infestações ou infecções, ou até mesmo às alterações ambientais (TAVARES-DIAS et al., 2009).

As características sanguíneas são amplamente utilizadas para o diagnóstico clínico de morbidade no homem como também nos animais. Igualmente, as doenças parasitárias ocasionam alterações hematológicas nos peixes. Anemias dos mais diversos tipos são diagnosticadas em inúmeras espécies de peixes infectados por

parasitos dos mais variados grupos taxonômicos. Tais processos anemiantes são atribuídos a alterações em sua produção, ou até mesmo na perda de eritrócitos, em decorrência de hemólise, hemorragias, ou por espoliação parasitária (TAVARES-DIAS, 2000).

2.4. Fauna parasitária em peixes cultivados

Um dos grandes desafios da piscicultura no Brasil é reduzir as perdas na produção relacionadas ao manejo inadequado no sistema de criação. Estes procedimentos acabam promovendo o desenvolvimento de doenças infecciosas e parasitárias (KLESIUS; ROGERS, 1995; VALENTI et al., 2000; MARTINS et al., 2002). O aparecimento de uma enfermidade está diretamente relacionado a falhas no manejo dos animais, na alimentação, na qualidade de água e na ausência de um programa nacional de rastreio sanitário das unidades piscícolas. Aliado ao interesse que empresários têm demonstrado pela atividade, soma-se a falta de conhecimentos sobre a fauna parasitológica de peixes.

Com o desequilíbrio na integridade biótica do ecossistema aquático, variações nas comunidades de peixes e seus parasitos refletem a perda da qualidade ambiental. Ectoparasitos de peixes cultivados, por sua vez, mostram variações na sua composição diante de inadequado manejo alimentar e aquático (GHIRALDELLI et al., 2006a). Segundo Landsberg et al. (1998) parasitos de peixes tem potencial para responder como indicadores de estresse ambiental ou baixa qualidade de água.Os ectoparasitos são os principais responsáveis por enfermidades na piscicultura (MORAES; MARTINS, 2004).

Inúmeras são as espécies de parasitos que acometem o cultivo de O. niloticus, porém destacam-se aquelas causadas por protozoários ciliados (Filo Ciliophora) e por Monogenóideas (KUBTIZA, 2000; SHOEMAKER et al., 2000).

Em relação aos protozoários, destacam-se aqueles pertencentes ao gênero Trichodina sp. Ehrenberg, 1830, e também a espécie Ichthyophthirius multifiliis Fouquet, 1876. Estes protozoários vivem como ectocomensais no tegumento e nas brânquias dos peixes normalmente sem causar grandes prejuízos, a não ser nos casos de infestações intensas. Em condições que favoreçam a reprodução, pode se

observar grandes infestações, como as observadas em ambientes com excesso de matéria orgânica e baixos níveis de oxigênio dissolvido nos locais de cultivo (EIRAS, 1994).

Trichodina sp. é um protozoário ciliado que apresenta formato circular e um disco adesivo com uma série de dentículos. Sua patogenia deve-se aos movimentos giratórios que realizam sobre as brânquias e tegumento do hospedeiro, movimento esse que acaba danificando as células epiteliais (HECKMANN, 1996). Altas infestações por Trichodina sp. ocorrem com maior frequência em sistemas intensivos de cultivo de tilápias (ZANOLO; YAMAMURA, 2006).

Os Monogenóideas são helmintos pertencentes ao Filo Platyhelminthes, que desempenham o papel de ectoparasitas na superfície do corpo, brânquias, cavidade nasal e sistema urinário de peixes (TAKEMOTO et al., 2004). Possuem morfologia alongada, ovoidal ou circular, são hermafroditas, e tem como característica principal a presença de um aparelho de fixação localizado comumente na parte posterior do corpo, chamado de haptor, utilizado para se fixar ao corpo do hospedeiro (PAVANELLI et al., 2008).

A ocorrência de Monogenóideas nas brânquias dos peixes pode ocasionar hiperplasia celular, hipersecreção de muco e, em alguns casos, fusão de filamentos das lamelas das brânquias. Nos casos onde há produção excessiva de muco, pode ocorrer impermeabilização das brânquias, com isso dificultando a respiração e levando os indivíduos à morte por asfixia. Quando esses ectoparasitas encontram-se aderidos ao tegumento, comumente causam lesões mais brandas, porém, podem abrir portas de entrada para eventuais infecções secundárias. As doenças causadas por Monogenóideas estão entre as mais importantes para a piscicultura, uma vez que provocam elevadas taxas de mortalidade nos peixes (PAVANELLI et al., 2008).

2.5. Qualidade da água na piscicultura

O Brasil encontra-se em uma posição confortável no que diz respeito à disponibilidade de recursos hídricos, porém as tendências atuais de utilização, degradação e poluição já alcançaram proporções alarmantes (MORENGO, 2008), podendo afetar a qualidade e disponibilidade da água no futuro. Inúmeros trabalhos

apontam a piscicultura como uma atividade impactante na qualidade da água utilizada e riscos relacionados com o descarte dos efluentes sem tratamento prévio (YUCEL-GIER et al., 2007).

A caracterização do efluente gerado da piscicultura sobre o corpo hídrico receptor é importante, pois a qualidade do efluente está relacionada à quantidade de sólidos suspensos na água, nutrientes dissolvidos e redução nas concentrações de oxigênio dissolvido (MACEDO, 2004). A análise de parâmetros físicos e químicos da água constitui importante ferramenta para monitorar a qualidade hídrica do sistema (MATSUZAKI et al., 2004). Dentre os parâmetros mais analisados estão:

temperatura, oxigênio dissolvido, pH e sólidos em suspensão.

A temperatura, importante variável para a vida aquática, interfere diretamente na solubilidade dos gases como também, no crescimento e desenvolvimento animal e vegetal, devido à influência sobre as reações químicas. Este parâmetro está intimamente relacionado às condições do clima no local, dentre as quais a mais importante para os viveiros de cultivo é a quantidade de radiação solar (SIPAÚBA-TAVARES et al., 2008).

Em relação ao pH, valores entre 6,5 e 8,5 são adequados para criação de peixes sendo que em pH mais alcalino ocorre maior transformação do íon amônio (NH4) em amônia livre e gasosa (NH3), tóxica aos peixes (PEREIRA; MERCANTE, 2005).

O oxigênio é um elemento vital para sobrevivência de diversas formas de vida, pode ser um fator limitante na produtividade dos diversos sistemas de cultivo de peixes, desta maneira, elevados níveis de oxigênio dissolvido nos viveiros de cultivo são favoráveis à piscicultura, já concentrações abaixo de 4,0 mg.L-1 geralmente causam estresse aos peixes, reduzindo o consumo de alimento e resistência a

O oxigênio é um elemento vital para sobrevivência de diversas formas de vida, pode ser um fator limitante na produtividade dos diversos sistemas de cultivo de peixes, desta maneira, elevados níveis de oxigênio dissolvido nos viveiros de cultivo são favoráveis à piscicultura, já concentrações abaixo de 4,0 mg.L-1 geralmente causam estresse aos peixes, reduzindo o consumo de alimento e resistência a

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