2. PERCURSOS METODOLÓGICOS
2.6 Edição do mapa conceitual e categorização dos termos
Mapas Conceituais são estruturas esquemáticas que representam conjuntos de ideias e conceitos dispostos em uma espécie de rede de proposições, de modo a apresentar mais claramente a exposição do conhecimento e organizá-lo segundo a compreensão de quem o elabora. Portanto, são representações gráficas, que indicam relações entre palavras e conceitos, desde aqueles mais abrangentes até os menos inclusivos. Por isso, com o intuito de melhor compreender os termos oriundos de textos de linguagem especializada e consequentemente ter condições de elaborar definições bem estruturadas para suprir as necessidades dos consulentes, organizamos os termos em um mapa conceitual, baseados em sua estrutura semântica.
Contudo, para detalhar o processo de elaboração desse mapa conceitual, é inevitável que se faça uma breve explanação sobre a teoria que envolve o conceito e sua forma de estruturação. Para Cabré (1993, p. 207), “Un concepto forma parte de un conjunto estructurado de nociones, dentro del cual adquiere su valor. En consecuencia, un concepto solo existe em relación con un determinado campo conceptual.”29
Em conformidade com essa descrição de Cabré, Almeida (2010, p. 82) reitera que “os conceitos desempenham importante papel em qualquer projeto terminológico” pois sempre fazem parte de um campo especializado, por isso nunca estão isolados, relacionando-se com outros conceitos, “formando uma rede ou estrutura conceitual ou ontologia”. Segundo a autora estas ontologias, são:
[...]uma representação da realidade no âmbito do domínio que se toma como objeto de estudo. Essa representação procura recolher e organizar todas as ramificações que são próprias do referido domínio, de modo a refletir, em forma de esquema, a realidade da área em questão. (ALMEIDA, 2010, p.83).
Ainda de acordo com Almeida (2010, p. 82) para o trabalho de organização dessa estrutura “[...] é necessário identificar os conceitos no texto, agrupá-los em
29 “Um conceito forma parte de um conjunto estruturado de noções, dentro do qual adquire seu valor. Em
conseqüência, um conceito só existe em relação com um determinado campo conceitual.” (CABRÉ, 1993, p. 207 – tradução nossa).
72 distintos campos semânticos e estabelecer as relações entre eles.” A autora aponta alguns objetivos da ontologia numa pesquisa terminológica:
1) permitir a modelagem do conhecimento num formato que possa ser reutilizado em outras pesquisas e/ou aplicações computacionais; 2) possibilitar uma abordagem mais sistemática de um domínio; 2)circunscrever a pesquisa, já que todas as ramificações do domínio são previamente consideradas; 3) delimitar o conjunto terminológico; 4) determinar a pertinência dos termos, pois separando cada grupo de termos pertencente a um determinado campo semântico, poder- se-á apontar quais termos são relevantes para o trabalho e quais não são; 5) prever os grupos de termos pertencentes ao domínio, como também os que fazem parte de matérias conexas; 6) definir as unidades terminológicas de maneira sistemática; 7) controlar a rede de remissivas (TERMCAT, 1990; ALMEIDA, 2000 apud ALMEIDA, 2010 p.83).
Para Almeida (2010), a delimitação de um campo especializado é feita de acordo com os objetivos do trabalho terminológico, o público-alvo que se quer atingir e os critérios utilizados para “recortar”30
o conhecimento de determinada maneira. Deste modo, a partir do recorte, tem-se uma ontologia específica. Cabré (1993) ressalta que:
Un sistema conceptual está integrado por un conjunto estructurado de conceptos organizados en clases conceptuales. Las grandes clases conceptuales y las subclases, como también los conceptos de la misma clase , mantienen entre si una serie de relaciones basadas em las características que comparten, o en su utilización em la realidad.31 (CABRÉ, 1993, p. 299)
De acordo com a estudiosa a delimitação do campo é necessária porque, à medida que se vai modelando o conhecimento especializado, vai-se explicitando uma determinada visão cultural e científica da realidade.
No entanto, para a elaboração da ontologia, deve-se conhecer muito bem o domínio de especialidade em que se está trabalhando, ou ter assessoria dos especialistas da área, como afirma Cabré (1993):
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Grifo do autor
31 “Um sistema conceitual está integrado por um conjunto estruturado de conceitos organizados em classes
conceituais. As grandes classes conceituais e as subclasses, como também os conceitos da mesma classe, mantém entre si uma série de relações com base nas características que partilham, ou em sua utilização na realidade.” (CABRÉ, 1993, p. 299 – tradução nossa).
73 Con la información adquirida, el terminólogo, ayudado por el especialista si procede, debe elaborar la estructura conceptual del campo que será objeto de trabajo, y representarla gráficamente. Esta representación recibe el nombre de estructura conceptual del área temática.32 (CABRÉ, 1993, p. 299)
Neste trabalho, os especialistas não foram consultados para a elaboração do mapa conceitual, optou-se por apresentar-lhes os candidatos, já organizados na estrutura, pois acreditamos que isso viabilizaria o processo, tornando mais clara e objetiva a nossa proposta, além de facilitar ao profissional o trabalho de validação.
Convém lembrar que, apesar deste procedimento estar sendo explicitado nessa fase do trabalho, a elaboração do mapa foi iniciada ainda na etapa de extração manual linguística dos termos, descrita na seção anterior. Em conformidade com Almeida (2006, p. 89) que destaca:
O mapa conceitual deve ser organizado preliminarmente ou concomitantemente à extração dos termos, já que à medida que os termos vão sendo obtidos é que se pode ter uma visão real de quais serão os campos nocionaisque deverão integrar o mapa conceitual. (Almeida, 2006, p. 89)
Em suma, Cabré (1999) ressalta que a organização da linguagem utilizada para produzir determinado conhecimento por meio de mapas conceituais é um recurso eficiente para garantir as bases para a organização de campos temático- funcionais. A autora ainda salienta que os conceitos de uma mesma área especializada, mantêm, entre si, diferentes tipos de relações e todas essas relações juntas formam o mapa conceitual de determinado campo. Portanto, nas próximas etapas, principalmente no que tange a criação dos verbetes do GTMAD, essa organização dos termos no mapa conceitual vai auxiliar na construção dos conceitos e definições.
O mapa conceitual contendo os candidatos a termos do GTMAD foi elaborado a partir do corpus recolhido anteriormente e a estrutura foi desenvolvida com o auxílio de um programa utilizado para esse fim, o Cmap Tools33, que para facilitar o
32 “Com a informação adquirida, o terminólogo, ajudado por um especialista se necessário, deve elaborar a
estrutura conceitual do campo que será objeto de trabalho, e representá-la graficamente. Esta representação recebe o nome de estrutura conceitual da área temática.” (CABRÉ, 1993, p. 299 – tradução nossa).
74 trabalho de diagramação, oferece diversas funcionalidades semelhantes às de um organograma.
Figura 8 – Janela de abertura do CmapTools
Fonte: CmapTools/domínio da autora
Porém vale ressaltar que durante a inserção, houve o descarte de alguns termos e a re-inserção de outros, pois alguns considerados unigramas faziam parte de uma estrutura bigrama e outros, na consulta do corpus referência, não obtinham êxito na dimensão comunicacional.Diante do exposto, segue o mapa conceitual criado para auxiliar na elaboração e organização dos termos contidos no GTMAD:
Figura 9 - Mapa Conceitual com os candidatos a termos
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