6. DELINEAMENTO DO PRODUTO
6.4. EDIÇÃO E PERSONAGENS
A edição do vídeo documentário foi realizada pela autora deste projeto, com o fundamental apoio na finalização pela equipe de suporte da Universidade Positivo, composta por Ana Paula Hudzinski, André Ambonatti e Guilherme Dea. Já o roteiro e toda seleção de cenas na construção da narrativa do documentário foi exclusivamente idealizado e produzido pela autora da pesquisa.
O formato presente prima por aproximar telespectador de entrevistadas como se estivesse em um tom de conversa, por isso, todas personagens aparecem sentadas, em Plano Inteiro, que se aproxima do Plano Geral por sua característica de permitir a identificação e sensação do telespectador de estar inserido na conversa com o personagem:
Plano geral são explorados para fins de efeito de inclusão do sujeito enunciatário na cena comunicativa. Isso ocorre quando se promove o deslocamento da imagem centrada na figura de um condutor para um plano mais aberto, que insere, no espaço físico delimitado pela tela, outros mediadores e o ambiente físico do programa (o cenário). A visualização de dois (ou mais) protagonistas e do cenário da enunciação
permite simulações de contato entre os sujeitos de fala, que exploram o corpo como conformador de sentido de um momento de interação entre eles e, por sua vez, entre eles e o espectador (GUTMANN, 2012, p.71).
As imagens são todas coloridas para intensificar a naturalidade dos ambientes representados, que por escolha, contribuíram para o cenário evidenciando a narrativa proposta de espaços urbanos, agitados, com atletas praticando, tentando manobras, acertando, errando e com ruídos de conversas ou sons característicos de skates em ação ao fundo das entrevistas.
Há uma única trilha ao longo do documentário, que foi disponibilizada através do banco de músicas gratuitas no YouTube. Os devidos créditos estão presentes no produto final.
A trilha utilizada surge apenas nos momentos finais do documentário, pois, a proposta da narrativa é valorizar as falas das personagens, e por isso, apenas os sons ambientes do momento factual compõem as entrevistas.
O tempo de cada entrevista foi estruturado para serem similares um ao outro, oferecendo um espaço democrático e igualitário para todas as personagens durante seus relatos.
As personagens centrais que relatam suas experiências e opiniões ao longo da duração do documentário somam no total, três participações.
Amanda Oliveira, a primeira entrevistada que aparece na narrativa, é uma atleta skatista que representa a cidade de Araucária em campeonatos locais, região metropolitana de Curitiba. Praticante do esporte desde os 17 anos, Amanda coleciona mais de uma década de histórias vivenciadas em cima de seu shape. Com a família de ideologias mais conservadoras, a skatista conviveu com preconceitos e falas machistas desde seus familiares até os próprios colegas de pista. Para ela, praticar o esporte foi um ato de resistência perante todas as circunstâncias vivenciadas por sua simples decisão em praticar um esporte de aventura, representado majoritariamente pelos homens.
Mariana Humpf é a segunda personagem que compõe o produto deste trabalho, e diferentemente da Amanda, por ter histórico de familiares que andavam de skate, o apoio por parte da família e também de amigos próximos foi mais acessível durante sua jornada no esporte que conta com mais de 17 anos de experiências. Atualmente com 30 anos de idade, Mariana não tem pretensões de se profissionalizar no esporte, mas continua disputando campeonatos locais pela diversão e energia que sente ao estar presente nesses eventos e encontrar outras meninas e mulheres que praticam o esporte. O skate para ela, é um estilo de vida que jamais deixará de fazer parte de sua história. Mariana representa a cidade de Curitiba nos campeonatos locais e regionais.
Ana Enequio, terceira e última personagem central, também representa Curitiba. Com quase uma década de experiência no esporte, Ana revela em seu relato uma deficiência de referências femininas quando começou a andar e se interessar pelo esporte, justamente porque nos veículos de comunicação que transmitiam conteúdos sobre skate, pouco aparecia sobre as categorias femininas. Somente após integrar o cenário que Ana pôde identificar e visualizar mais meninas e mulheres praticantes de skateboarding. Além desta fala, a terceira personagem que integra o documentário traz importantes informações sobre o parâmetro do cenário atual das participações femininas no esporte e sua visão a respeito da repercussão causada pela estreia do esporte nas Olimpíadas de Tóquio.
As três, são atletas com experiências em competições e campeonatos tantos locais como regionais e passaram por seletivas como o estadual ficando em boas colocações no último ranking feminino paranaense realizado, que pode ser conferido no site da Federação de Skate do Paraná (2019). Ativas na atualidade, elas ainda competem e se divertem no esporte que compõe a história de vida de cada uma.
Cada personagem aparece no documentário com seu skate próximo ao seu corpo, de forma a tornar explícito o que elas são ou praticam durante as entrevistas. Por ser comum entre quem pratica skateboarding a gravação de vídeos curtos que exibem as manobras e as próprias tentativas de manobras feitas pelas atletas para as redes sociais como o Instagram por exemplo, algumas imagens do vídeo documentário foram gravadas pelas próprias personagens com o auxílio dos equipamentos que foram disponibilizados a elas. A movimentação constante também é uma característica presente nas imagens do documentário. Isso porquê, por se tratar de um esporte radical, que consiste em movimentos complexos, realização de manobras e detém velocidade, buscou-se uma pequena representação de todas essas características em um só documentário.
Compondo a seleção de personagens, duas atletas, de Mandaguari e Fazenda Rio Grande também se apresentam em breves vídeos retirados de arquivo pessoal para complementarem o vídeo documentário, na intenção de visibilizar demais aletas regionais do Paraná.
O público tem desta forma, um contato de ambientalização consistente com a realidade das pistas de skate, pois todas as cenas remontam a perspectiva feminina das pistas de acordo com as falas das personagens. Cada personagem pôde expressar-se livremente dando sua opinião perante algumas perguntas e contextos que foram discutidos ao longo da realização das entrevistas. Nenhuma restrição ou interferência ocorreu durante as falas das personagens, de
forma que a linguagem com gírias e alguns conceitos característicos da comunidade do skate apareceram de forma espontânea entre as personagens.