Capítulo 5 Breve História das Infra-estruturas e Transportes na Cidade do Porto
5.7. Edifício de Passageiros (E.P.) de S.Bento
Localização
A localização de uma estação depende de vários factores que os urbanistas e projectista tem de ter em atenção e de acordo com a orientação das Administrações ferroviárias e autoridades nacionais e regionais, nomeadamente as Câmaras Municipais. Alguns dos pressupostos a considerar: 1) servir os interesses dos aglomerados populacionais; 2) os terrenos a expropriar e o seu custo; 3) a qualidade e o ambiente; 4) o espaço disponível tendo em vista a sua ampliação futura, aumento de linhas e comprimento útil; 5) a possibilidade de instalação de parques de estacionamento automóvel. Esta preocupação é mais notória na actualidade. A Refer tem dotado as estações e apeadeiros de parques de estacionamento nas linhas que têm sido renovadas ou duplicadas. Na estação da Campanhã foi construído nos últimos anos um parque subterrâneo. Em S.Bento existe
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estacionamento automóvel nos espaços entre os cais e as ruas da Madeira e do Loureiro; 6) a criação de interfaces com os outros meios de transporte. Actualmente o caminho- de-ferro tem ligações em S.Bento com o Metro Ligeiro do Porto, autocarros dos S.T.C.P. E privados e táxis.
Interesse histórico
Pela sua localização no centro da cidade, interesse arquitectónico e painéis de azulejo no vestíbulo é um dos ex-líbris, muito visitado e apreciado pelos estrangeiros. É um dos edifícios recomendado a visitar no centro histórico. O projecto de arquitectura é da autoria do arquitecto Marques da Silva sendo os painéis de azulejo do pintor, ceramista, ilustrador e caricaturista Jorge Colaço.
Estes painéis tratam de vários temas, nomeadamente 4 históricos, 10 painéis regionais, 10 figuras alegóricas e um friso polícrono representando a evolução dos transportes desde a antiguidade até 1916.
Construção
A estação (Figura 5.25) foi construída no local onde existia o Convento de Avé-Maria de S.Bento, que foi demolido, e que se situava entre as actuais ruas da Madeira e do Loureiro, junto à muralha Fernandina, que naquele ponto tinha uma das portas da muralha, a porta dos Carros.
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A primeira ideia surgiu em prolongar as linhas em viaduto sobre a Praça Almeida Garret, dado haver falta de espaço para construir plataformas com comprimento suficiente e com vista ao futuro. Por ser uma solução cara e que obrigava à expropriação dos resíduos fronteiros, foi esse projecto abandonado e construído o E.P. Onde actualmente se encontra com os inconvenientes que se vieram a verificar, isto é, plataformas curtas para os dias de hoje [63].
A primeira pedra foi assente a 22 de Outubro de 1900 pelo rei D.Carlos e a rainha D.Aurélia. As fundações, no entanto, tiveram início em 2 de Outubro no ângulo da Praça Almeida Garret e Rua da Madeira e só a partir de 9 de Novembro de 1903 é que as obras prosseguiram a bom ritmo vindo a ser inaugurado em 5 de Outubro de 1916.
Funções da estação
Além de estar preparada para a recepção e partida dos comboios em condições de segurança e comodidade dos utentes a estação de S.Bento presta outros serviços. Trata- se de uma estação de topo, isto é, apenas podem chegar e partir as circulações.
É uma grande estação com instalações para o serviço ferroviário e para prestar outros serviços aos passageiros, nomeadamente: 1) sala de informações e venda de bilhetes; 2) sala de espera em condições de conforto; 3) serviço de cafetaria; 4) serviço de venda de artesanato; 5) existência de parque de estacionamento. Estes serviços são comuns a outras estações da dimensão de S.Bento.
Por ser de topo origina alguma dificuldade no serviço de manobras, principalmente quando os comboios são constituídos por carruagens rebocadas por locomotiva, quer seja eléctrica ou a Diesel. Com automotoras esta situação é menos gravosa economicamente.
Materiais
À data da construção, 1900 a 1916, os materiais aplicados eram os tradicionais existentes na época, granito em cantaria nas fachadas principais e fachadas posteriores com uma espessura de cerca de 0,60m. Os panos de enchimento em perpeanho bem como as paredes interiores com funções de estrutura resistente. Na época ainda não havia o betão armado aplicado em grandes edifícios. Sendo as alas de R/chão, 1º e 2º
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andares e existência do vão do telhado, as divisórias são em tabique, painéis de madeira com fasquio rebocado com saibro, cal e gesso. O vigamento é em vigas de madeira, Riga (Figura 5.26 (a)), e já também com vigas metálicas (Figura 5.26 (b)), sendo o soalho dos pisos em riga. A cobertura das linhas e vestíbulo são em estrutura metálica. Os pilares para apoio da cobertura das linhas são em ferro fundido.
(a) Estrutura do tecto em madeira “Riga” (b) Estrutura metálica que suporta o tecto do hall Figura 5.26: Pormenores do interior da Estação de S.Bento
Entre 1967 e 1969 o edifício sofreu alterações sendo construídas uma loja entre o r/chã e 1ºandar em parte das alas laterais destinadas a serviços de estação. Aqui já foi aplicado o betão armado em lajes e pilares, e divisórias em tijolo.
O material de cobertura, vidro na zona das linhas, e telha no vestíbulo, alas laterais e cais e soletos (ardósia de Valongo nos torreões). Actualmente os torreões, têm a cobrir chapas onduladas de fibrocimento pintados de preto e que se nota do exterior.
O edifício principal é constituído por três corpos principais, vestíbulo com 43x16,40m voltado para a Praça Almeida Garrett sendo que os dois corpos laterais têm alas de 42x13 metros. Os corpos laterais são encimados por 2 torreões, um em cada canto onde se encontram instalados os relógios.
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5.8. Conclusão e considerações finais
Neste capítulo faz-se um estudo de como os transportes evoluíram ao longo dos tempos, e conclui-se que tanto ao nível de transportes individuais como colectivos, a cidade do Porto foi sempre evoluindo, no qual se melhoravam também as infra-estruturas.
Um período que marca a cidade é na época da Arquitectura do Ferro, no qual foi pioneira em grandes construções a nível mundial, principalmente através das pontes, que a par das outras tornou o Porto como uma cidade conhecida pelas suas grandes infra-estruturas de circulação.
Faz-se referência e destaque aos tipos de linhas existentes, assim como as desactivadas na cidade, mostrando o quanto a Engenharia Civil foi importante.
Actualmente, o transporte que mais se destaca é o Metro Ligeiro de Superfície, o qual fazendo a ligação com os concelhos limítrofes, tornou todos os concelhos vizinhos a par do Porto como um grande “centro urbano”, o maior a norte do país.
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