3. Apresentando o Super Notícia
3.1. Editorias e elementos gráficos
3.1.2. Editoria Cidades
A primeira editoria apresentada pelo jornal, em todas as suas edições é a Cidades, que contempla notícias do estado de Minas Gerais, majoritariamente de Belo Horizonte e da Região Metropolitana. Ela conta com cerca de oito páginas diárias - o número de páginas dedicadas a cada editoria costuma variar.
As notícias são dispostas em boxes, com títulos em caixa alta e ênfase gráfica, com cores em destaque e sinalizadas com uma espécie de palavra-chave – que se destaca graças a sua cor vermelha - que informa ao leitor o local do ocorrido, seja cidade ou bairro da capital mineira.
Na imagem a seguir, podemos visualizar o design gráfico da editoria, basicamente repetido ao longo de todos os dias da semana.
IMAGEM 6 – Terceira página da editoria Cidades, Super Notícia, edição do dia 24 de outubro de 2013.
Nos títulos das matérias (convite à sua leitura integral), percebe-se grande ênfase na dramaticidade das situações. Uma ênfase construída pela linguagem. Junto ao título, encontra-se também o nome dos repórteres responsáveis pela matéria que, pelo que pudemos observar, raramente se repetem.
Às segundas, quartas e sextas-feiras é apresentada a seção Panelaço, descrita como "Espaço Reservado para Protestos". Para essa seção, o leitor pode enviar queixas reais a respeito de problemas como horário de ônibus, mau serviço
prestado por órgãos públicos como falta de coleta de lixo, buracos em ruas e avenidas e também problemas relacionados a empresas privadas, como não cumprimento de garantias ou atendimento ruim e ineficiente.
O jornal se oferece como canal de comunicação, sendo informado aos leitores que para que a reclamação seja publicada é imprescindível que ele informe o nome, endereço e número da carteira de identidade, prática adotada certamente para coibir falsas denúncias.
IMAGEM 7 – Seção Panelaço na Editoria Cidades, Super Notícia, edição do dia 25 de outubro de 2013.
Na imagem acima, podemos também observar que o jornal não somente publica a queixa, mas também entra em contato com o órgão reclamado em busca de uma resposta para o reclamante. Nesse momento, podemos refletir acerca da vocação do discurso popular para a reivindicação, tratada por Amaral (2006). Segundo a autora, as publicações que buscam proximidade com seu público leitor acabam por substituir o poder público em alguns momentos, tornando-se de certo modo referência como palco de reivindicações daqueles que sofrem com a precariedade dos serviços oferecidos no país.
dependente de seu assistencialismo e atraído pelo fato de ver seu rosto e sua fala publicados no jornal. Os jornais imaginam que o leitor gosta de se ver, contar suas histórias e as injustiças cometidas contra si, mas é alguém a quem os assuntos públicos e coletivos só importam enquanto estiverem concretamente relacionados ao seu quintal. (AMARAL, 2006, p. 62)
Prestando assistência ao leitor e abrindo-se ainda mais à sua participação, a seção Por onde anda... (Imagem 8), publicada às terças e quintas-feiras, alternando-se com a anterior, abre espaço para a comunicação do desaparecimento de pessoas ou de objetos/documentos perdidos. Abrem-se os canais de contato através de e-mail e também através de cartas que podem ser postadas ou entregues diretamente na redação do jornal. No que diz respeito à busca por pessoas, notamos a constante presença de histórias de abandono ou de separação de famílias, ocasionadas por problemas financeiros ou familiares. São relatos de pessoas que há muito tempo perderam contato com pai, mãe ou irmãos e que procuram no jornal a ponte para esse possível reencontro, conforme imagem a seguir
IMAGEM 8 – SeçãoPor onde anda... na editoria Cidades, Super Notícia, edição do dia 24 de outubro de 2013.
Do ponto de vista jornalístico, esse tipo de divulgação não se configura como notícia. Seria uma espécie de melodrama da vida real, baseado no cotidiano e trazido a público pelo jornal. Ali o leitor é protagonista e sua saga autobiográfica é superexposta aos demais leitores.
Nos finais de semana, a editoria abre espaço para questões supostamente mais leves, mas que ainda assim podem carregar apelos emocionantes e pessoais, como a coluna SuperCão (Imagem 9), publicada aos sábados, e a Recados do Coração (Imagem 10), que aparece aos domingos, conforme excertos a seguir
IMAGEM 9 – Seção SuperCão na editoria Cidades, Super Notícia edição de 26 de outubro de 2013
IMAGEM 10 – SeçãoRecados do Coração na editoria Cidades, Super Notícia, edição de 27 de outubro de 2013
A seção SuperCão se configura como voltada para a utilidade pública, estampando fotos de cãezinhos desaparecidos ou que foram resgatados em situação de abandono e que agora estão disponíveis para adoção. Observamos que, atualmente, muitas ONGs de proteção animal da capital utilizam-se do jornal como meio de divulgação dos animais que abrigam.
Já na seção Recados do Coração, o leitor se vê e é mostrado. Fotos são publicadas, e histórias de amor de cunho estritamente pessoal são expostas e contadas a todos os leitores. Ali se homenageiam os avós que comemoram mais um aniversário de casamento, ou se envia uma declaração de amor – anônima ou não – à pessoa que se admira. Vemos, sobretudo com uma ponta de saudosismo, esse tipo de manifestação em um jornal impresso. Em uma época onde o imediatismo das redes sociais torna tudo tão mais instantâneo e rápido, o querer ver o próprio galanteio estampado nas páginas do jornal para, quem sabe, mostrar para todos os colegas de trabalho e guardar a edição para sempre é, certamente, uma espécie de “contramão” dos hábitos de convivência social do século XXI.
Essa seção, na verdade, está voltada para o entretenimento do seu leitor, que está ali estampado e isso lhe provoca prazer. A presença constante de relatos e fatos de interesse pessoal de seu leitorado pode significar uma espécie de irrelevância dada ao que, de fato, é notícia no dia ou, em outro tipo de reflexão, e partilhamos dela, significa a presença efetiva do leitor em um mercado onde tal participação é normalmente rarefeita. Aqui, as falas das fontes oficiais não são as únicas, nem as de maior importância; o jornal, de certa forma homenageia assim o leitor, sua família, seu animal de estimação.
Segundo o editor geral do jornal, Sr. Rogério Maurício27, o surgimento dessas seções foi inspirado nas demandas identificadas junto aos leitores. O jornal que, até então, só contava com a seção Panelaço na editoria Variedades, recebia cartas, e-mails e telefonemas de leitores com demandas que não se encaixavam na seção. Em busca de uma melhor categorização das inúmeras demandas, foram criadas seções específicas por demanda.
O leitor, familiarizado com esse arranjo, tem uma perspectiva concreta da importância de sua participação na organização final do impresso. E assim ele interage e tem seu papel nas transformações sofridas pelo veículo. Certamente se trata de um acolhimento com vistas a seu mercado, onde se detectam demandas e se executam transformações, sempre de olho no sucesso frente a sua audiência.