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2. REVISÃO DA LITERATURA

2.2. Educação a Distância

A Educação a Distância surgiu na primeira metade do século XIX na Suécia (em 1833). Posteriormente, surgiram outros programas de ensino por correspondência na Inglaterra (em 1840), na Alemanha (em 1856) e nos Estados Unidos da América (em 1874), até chegar ao Brasil em 1904 (ALVES, 2006).

Segundo Almeida (2003, p.329), a Educação a Distância:

(…) como modalidade educacional alternativa para transmitir informações e instruções aos alunos por meio do correio e receber destes as respostas às lições propostas, tornou a educação convencional acessível às pessoas residentes em áreas isoladas ou àqueles que não tinham condições de cursar o ensino regular no período apropriado. A associação de tecnologias tradicionais de comunicação como o rádio e a televisão como meio de emissão rápida de informações e os materiais impressos enviados via correios trouxeram um novo impulso à EaD, favorecendo a disseminação e a democratização do acesso à educação em diferentes níveis, permitindo atender grande massa de alunos. Porém imputou à EaD a reputação de educação de baixo custo e de segunda classe.

No entanto, o desenvolvimento e a disseminação das (novas) tecnologias de informação e comunicação (TIC)4 vieram abrir novas perspectivas para a EaD,

nomeadamente através da utilização de Ambientes Virtuais de Aprendizagem acessados via Internet.

Seguindo a mesma linha de raciocínio, Almeida (2003) salienta que o advento das TIC veio (re)avivar as práticas de EaD devido à flexibilidade do tempo, à quebra de barreiras espaciais, à emissão e recebimento instantâneo de materiais, o que permite realizar tanto as tradicionais formas mecanicistas de transmitir conteúdos como explorar o potencial de interatividade das TIC e desenvolver atividades à distância com base na interação e na produção de conhecimento.

4 De acordo com Leite et al (2006), o termo tecnologia da informação e comunicação caracteriza-

se pela combinação da tecnologia da informática com outras tecnologias relacionadas, especificamente, com a comunicação e pelas aplicações dessas tecnologias na sociedade.

À semelhança de Almeida (2003), acredito que colocar o aluno diante de informações, problemas e objetos de conhecimento, utilizando as TIC como suporte a EaD não é suficiente para o envolver no processo de ensino-aprendizagem. Para que isso aconteça, faz-se necessário despertar nele uma inquetação/desafio pela aprendizagem, levando-o a criar procedimentos pessoais que lhe permitam organizar o próprio tempo para estudos e participação das atividades, independente do horário ou local em que esteja.

Assim, em 1995 um grupo de educadores interessados em novas tecnologias de aprendizagem e em EaD criou a Associação Brasileira de Educação a Distância (ABED). A ABED é uma sociedade científica, sem fins lucrativos, que tem como objetivos: “estimular a prática e o desenvolvimento de projetos em Educação a Distância em todas as suas formas […] fomentar o espírito de abertura, de criatividade, inovação, de credibilidade e de experimentação na prática da Educação a Distância”, entre outros (ABED, 2006a, s.p.).

A ABED (2006b, s.p.) afirma existirem muitas definições de Educação a Distância, mas salienta que:

[…] há um consenso mínimo em torno da idéia de que EaD é a modalidade de educação em que as atividades de ensino-aprendizagem são

desenvolvidas majoritariamente (e em bom número de casos

exclusivamente) sem que alunos e professores estejam presentes no mesmo lugar à mesma hora.

Neste sentido, o Decreto nº. 5.622, de 19 de Dezembro de 2005, define Educação a Distância como a:

[…] modalidade educacional na qual a mediação didático-pedagógica nos processos de ensino e aprendizagem ocorre com a utilização de meios e tecnologias de informação e comunicação, com estudantes e professores desenvolvendo atividades educativas em lugares ou tempos diversos. (BRASIL, 2005, p.1).

Para Almeida (2003, p.332) faz-se necessária a distinção entre “Educação a Distância”, “Educação on-line” e “e-Learning” uma vez que, apesar de serem freqüentemente utilizados, estes conceitos não são congruentes entre si. Assim sendo:

A educação a distância pode se realizar pelo uso de diferentes meios (correspondência postal ou eletrônica, rádio, televisão, telefone, fax, computador, Internet, etc.), técnicas que possibilitem a comunicação e abordagens educacionais; baseia-se tanto na noção de distância física entre o aluno e o professor como na flexibilidade do tempo e na localização do aluno em qualquer espaço.

Educação on-line é uma modalidade de educação a distância realizada via Internet, cuja comunicação ocorre de forma sincrônicas ou assincrônicas. Tanto pode utilizar a Internet para distribuir rapidamente as informações como pode fazer uso da interatividade propiciada pela Internet para concretizar a interação entre as pessoas, cuja comunicação pode se dar de acordo com distintas modalidades comunicativas (…)

O e-Learning é uma modalidade de educação a distância com suporte na Internet que se desenvolveu a partir de necessidades de empresas relacionadas com o treinamento de seus funcionários, cujas práticas estão centradas na seleção, organização e disponibilização de recursos didáticos hipermediáticos.

Apesar de a Educação a Distância estar cada vez mais relacionada com as TIC, esta não é um privilégio dos países ricos ou de organizações poderosas. Ela acontece tanto em países industrializados, como em nações em desenvolvimento. Atualmente, existem excelentes programas de EaD levados a cabo por mega- universidades, unidades de ensino de menor porte e mesmo por pequenos centros escolares. Assim sendo, a EaD representa um dos melhores instrumentos para a inclusão social e para a melhoria quantitativa e qualitativa da educação (ALVES, 2006).

Neste contexto, após um centenário da EaD no Brasil, registram-se êxitos e fracassos, ainda existe um número reduzido de estabelecimentos de ensino adotando essa metodologia e, embora não exista um número preciso, os indicadores mostram que não passam de 250 as unidades de ensino que adotam a EaD em

seus projetos pedagógicos oficialmente credenciadas. Desse conjunto, 35% são de educação básica e 65% de educação superior (ALVES, 2006).

2.2.1. Legislação que sustenta a prática da EaD no Brasil

Como já foi mencionado anteriormente, em 20 de Dezembro de 1996 foi decretada a Lei nº. 9.394 que estabeleceu as Diretrizes e Bases da Educação Nacional. O artigo 80 da referida Lei oficializa EaD no País como uma modalidade válida e equivalente para todos os níveis de ensino. Assim, pela primeira vez, na história da legislação brasileira, o tema da EaD se converte em objeto formal, ficando o Poder Público responsável por incentivar “[…] o desenvolvimento e a veiculação de programas de ensino a distância, em todos os níveis e modalidades de ensino, e de educação continuada.” (BRASIL, 1996a, p.25).

O artigo 80 da LDBEN determina ainda a necessidade de credenciamento das instituições; define que cabe à união a regulamentação dos requisitos para registro de diplomas; disciplina a produção, o controle e a avaliação de programas de EaD; e faz referência a uma política de facilitação de condições operacionais para apoiar a sua implementação (BRASIL, 1996a).

Em 1997 o Ministério da Educação (MEC) formou um grupo de especialistas para regulamentar o artigo 80 da LDBEN. Assim sendo, é criado um conjunto de instrumentos que indicaram os procedimentos que deveriam ser adotados pelas instituições para obter o credenciamento do MEC para a oferta de cursos de graduação a distância, nomeadamente: o Decreto 2.494, de Fevereiro de 1998; o Decreto 2.561, de Abril de 1998; e a Portaria 301, de 7 de Abril de 1998 (VIANNEY; TORRES; SILVA, 2003).

Mais tarde, em Abril de 2001, o Conselho Nacional de Educação edita a Resolução nº. 1, que disciplina a oferta dos cursos de pós-graduação a distância no país, fixa limites e estabelece exigências para o reconhecimento de cursos a distância ofertados por instituições estrangeiras (VIANNEY; TORRES; SILVA, 2003).

Ainda em 2001, o MEC publica a Portaria 2.253, que permite às universidades, centros universitários, faculdades e centros tecnológicos oferecer até 20% da carga horária de cursos já reconhecidos na modalidade à distância (VIANNEY; TORRES; SILVA, 2003).

Posteriormente, em Janeiro de 2002, o MEC criou uma Comissão Assessora para Educação Superior a Distância, formada por especialistas em EaD, representantes de instituições públicas e privadas, e membros do próprio ministério com o objetivo de avaliar as regulamentações do artigo 80 da LDBEN, verificar necessidades de mudança nas normatizações e discutir as políticas públicas para a área da EaD.Assim, em Agosto desse ano, o grupo de trabalho sugere a criação de um novo Decreto que revogue os Decretos 2.494 e 2.561, editados em fevereiro e abril de 1988, respectivamente (VIANNEY; TORRES; SILVA, 2003).

Mais tarde, a Portaria nº. 4.059, de 10 de Dezembro de 2004, permite que as Instituições de Ensino Superior possam introduzir, na organização pedagógica e curricular de seus cursos superiores reconhecidos, disciplinas (integrantes do currículo) que utilizem modalidade semi-presencial. A modalidade semi-presencial é ainda caracterizada como:

[…] quaisquer atividades didáticas, módulos ou unidades de ensino- aprendizagem centrados na auto-aprendizagem e com a mediação de recursos didáticos organizados em diferentes suportes de informação que utilizem tecnologias de comunicação remota.(BRASIL, 2004b, p1).

No entanto essas disciplinas só poderão ser ofertadas, “integral ou parcialmente, desde que esta oferta não ultrapasse 20 % (vinte por cento) da carga horária total do curso” e todas as avaliações das disciplinas ofertadas nesta modalidade serão presenciais (BRASIL, 2004b, p.1).

Para, além disso, a oferta dessas disciplinas deverá incluir metodologias e práticas de ensino-aprendizagem que englobem o uso integrado de tecnologias de informação e comunicação para a realização dos objetivos pedagógicos, assim como prever a existência de encontros presenciais e atividades de tutoria (BRASIL, 2004b).

Posteriormente, a Portaria nº. 4.361, de 29 de Dezembro de 2004, vem regulamentar o processo de autorização de cursos de EaD no Brasil, revogando a Portaria 301/1998 do MEC (BRASIL, 2004c).

O Decreto nº. 5.622, de 19 de Dezembro de 2005, revoga o Decreto 2494/1998 e o Decreto 2561/1998 e vem regulamentar o artigo 80 da LBDEN.Com

este Decreto a Educação a Distância passa a poder ser ofertada em diferentes níveis e modalidades educacionais. Para além disso, todos os diplomas e certificados de cursos e programas a distância, expedidos por instituições devidamente credenciadas e registrados na forma da Lei, passam a ter validade nacional (BRASIL, 2005).