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diferente do modelo presencial, no que concerne ao tempo e ao espaço.

3.2 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA: UMA MODALIDADE NO PROCESSO DE FORMAÇÃO HUMANA

Não se pode isolar a educação a distância da educação em geral, pois a sua preocupação básica é a democratização e o acesso ao saber escolarizado, atendendo à demanda imposta pela sociedade contemporânea, como uma das formas de superação dos processos de exclusão social.

Polak e Reich (s.d., p.2) corroboram essa afirmação referindo que:

A Educação a Distância surge como uma possível resposta a essa questão [a exclusão social] e reitera o pressuposto de que a educação é um direito de todos e um processo que deve dar-se durante toda a vida, pois a constante necessidade de reciclagem pessoal e profissional, nas diferentes instâncias do saber e da cultura, vem sinalizando ao ensino presencial as suas limitações para responder à clientela, devido a sua grande amplitude, principalmente nos países do terceiro mundo.

Preti (1996), referindo-se à educação a distância, diz que, se existiam resistências e preconceitos quanto a essa modalidade de ensino, então, houve mudanças, pois a conjuntura econômica e política encontraram na EAD uma alternativa economicamente viável, uma opção às exigências sociais e pedagógicas e apoio das novas tecnologias da informação e da comunicação, tornando-se ela instrumento estratégico para satisfazer as amplas e variadas necessidades de qualificação das pessoas adultas.

Para Llamas (1986), a educação a distância é uma estratégia educativa baseada na aplicação da tecnologia à aprendizagem sem limitação de lugar, de tempo, de ocupação ou da idade dos estudantes. Ela implica novas relações para os alunos e para os professores, novas atitudes e novos enfoques metodológicos.

Na educação a distância, para Cirigliano (1983), como é excluído o contato direto entre educador e educando, é preciso que os conteúdos tenham uma estrutura e organização que os torne acessíveis ao aprendizado a distância. Para o estudante a distância, entrar em contato com o ‘material estruturado’, isto é, com conteúdos organizados segundo determinado design, é como se, no texto ou no material, houvesse a presença do próprio professor.

Na definição de Moore (1972), a educação a distância é um método de instrução em que os procedimentos docentes acontecem separadamente dos discentes, sendo que a comunicação entre professor e aluno acontece via textos impressos, por meios eletrônicos, mecânicos ou por outros meios.

Buscando associar a educação a distância com os conceitos de Paulo Freire, encontro nas palavras de Lobo Neto (1988, p.45-46), o ponto comum que os integra:

[...] a educação a distância certamente não se afastará dos fundamentos do ato de educar, em que a busca continuada da autonomia se concretiza no respeito à liberdade, na relação interpessoal, na referência ética de um processo humano e, por isso mesmo social, político e cultural. Assim concebida, a educação a distância é, como a educação presencial, o serviço educativo de todos os dias que, antes de ser o objeto de polêmicas (e preconceitos!) mais ou menos acadêmicas, constitui-se em acontecimento vital para cada educando e para a sociedade que, pela pessoa-cidadã, também se educa, transformando-se e gerando, permanentemente sua cultura em processo de renovação.

O ensino e a aprendizagem ocorrem em qualquer contexto educacional, na modalidade presencial ou a distância, quando existe a real comunicação entre aluno e docente. Independentemente da modalidade adotada, é necessário que seja criado um ambiente de aprendizagem. Para isso, é fundamental que todos os personagens envolvidos no processo de ensino e de aprendizagem estejam motivados e comprometidos com os objetivos do projeto didático-pedagógico.

A educação a distância não é propriamente uma modalidade de ensino nova.

As primeiras experiências com ela, segundo Martins (2003), datam do começo do século XX, sendo que o marco inicial da EAD no Brasil foi a utilização do rádio para fins educativos na década de 1920 pela iniciativa de Roquete Pinto e pelo Projeto Minerva.

No entanto, ainda segundo essa autora, foi a partir dos anos 1980 que os esforços para romper com a imagem de ensino de segunda categoria que tinha essa modalidade intensificaram-se e a EAD foi reconhecida como tendo o mesmo potencial e a mesma qualidade da educação presencial. Grande parte desse avanço deve-se ao progressivo desenvolvimento das tecnologias de informação e comunicação (TICs). O uso adequado desses recursos tecnológicos no processo de ensino-aprendizagem vem permitindo a consolidação dessa modalidade de ensino, que tem se mostrado como uma nova possibilidade para atender a grandes contingentes de pessoas antes excluídas do ingresso ao ensino convencional.

Com todos esses recursos tecnológicos disponíveis, um dos grandes desafios da EAD passou a ser não fazer do uso da tecnologia um fim em si mesmo, mas utilizá-la como suporte para possibilitar o acesso à educação a todas as pessoas, independentemente da distância geográfica, sem, portanto, comprometer a qualidade da educação, tendo como objetivo facilitar o processo de ensino-aprendizagem.

A educação a distância é um recurso de incalculável importância como modo apropriado para atender a grandes contingentes de alunos e profissionais de forma mais efetiva do que outras modalidades e sem riscos de reduzir a qualidade dos serviços oferecidos em decorrência da ampliação da clientela a que atende.

A escolha da modalidade da educação a distância, como meio de dotar as instituições educacionais de condições para satisfazer as novas demandas por ensino e treinamento ágil, célere e qualitativamente superior, conforme Martins (2003), tem por base a compreensão de que, a partir dos anos 1960, a educação a distância começou a se distinguir como uma modalidade não convencional de educação, capaz de atender com grande perspectiva de eficácia e qualidade aos anseios de universalização do ensino e, também, como meio apropriado à permanente atualização dos conhecimentos gerados de forma cada vez mais intensa pela ciência e cultura humanas.

Nunes (1994) refere que a característica básica da educação a distância é o estabelecimento de uma comunicação de via dupla, à medida que professor e aluno não se encontram juntos na mesma sala, requisitando, assim, meios que possibilitem a comunicação entre ambos, como correspondência postal, correspondência eletrônica, telefone ou telex, rádio, modem, videodisco controlado por computador, televisão apoiada em meios abertos de dupla comunicação etc.

Afirma esse autor, também, que há muitas denominações utilizadas correntemente para descrever a educação a distância, tais como: estudo aberto, educação não tradicional, estudo externo, extensão, estudo por contrato, estudo experimental.

Em português, é bom lembrar que educação a distância, ensino a distância e teleducação são termos utilizados para expressar o mesmo processo real.

Entretanto, algumas pessoas ainda entendem teleducação como sendo somente educação por televisão, esquecendo que tele- vem do grego e significa ‘ao longe’

ou, no caso, ‘a distância’.

Cirigliano (1983) aponta que há diferenças entre educação a distância e educação aberta, porém, ainda prevalece, principalmente nos projetos universitários, forte ilusão de semelhança entre ambos os conceitos. A educação aberta pode ser a distância ou presencial, diferenciando-se da educação tradicional por todos poderem nela ingressar, independentemente de escolaridade anterior. O aluno pode organizar seu próprio currículo e prosseguir por seu próprio ritmo.

No caso de população adulta, a maioria da clientela da educação a distância, é fundamental que os projetos tenham, desde seu início, a perspectiva de valorização da experiência individual, não somente no que se refere ao tema a ser estudado, mas, principalmente, no tratamento dos conteúdos a partir da experiência de vida e cultura dos alunos e profissionais.

Quanto à valorização da experiência anterior, devem-se levar em conta aspectos importantes da cultura geral e local. Em se tratando de pessoas com pouca escolaridade formal ou indivíduos educados em processos que pouco incentivam a iniciativa individual, é imperativo que os cursos sejam precedidos por pequenos cursos (ou módulos) que ensinem como estudar, como utilizar seu tempo e estimulem o aluno a tomar iniciativas e a construir sua autonomia ou, em todos os seus estágios, incorporem esses cursos.

Segundo Martins (2003), os problemas e o grau de complexidade do curso de EAD devem, também, levar em consideração os aspectos culturais e o aprendizado anterior do aluno. Esse processo deve ser adequadamente controlado, como meio de avaliar se o curso está realmente atingindo seus objetivos e se os alunos estão verdadeiramente superando estágios de apatia e subordinação, vencendo barreiras e desenvolvendo sua autonomia e independência.

Luckesi (1989) refere que a educação, certamente, não tem meios para solucionar os mais variados problemas que há, nem tampouco satisfazer as necessidades das pessoas. A educação sozinha não salva a sociedade, mas, junto de outras instâncias sociais, exerce papel fundamental no processo de distanciamento da falta de cultura, da ausência da criticidade e na construção de um processo de civilização mais digno do que o que se vivencia.

Nesse sentido, a educação a distância pode contribuir de forma significativa para o desenvolvimento educacional de um país, notadamente, de uma sociedade com as características brasileiras, onde o sistema educacional não consegue desenvolver as múltiplas ações que a cidadania requer.

A educação a distância pode desempenhar múltiplos papéis, que vão desde a atualização de conhecimentos específicos até a formação profissional. Além disso, por meio de procedimentos adequados e sistematizados, pode a educação a distância contribuir sobremaneira para que o acúmulo de informações assistemáticas jogadas ao público pela mídia sejam processadas de forma organizada, colaborando

para o fortalecimento de uma mentalidade crítica e criativa, rompendo a barreira da passividade, muitas vezes, provocada por processos manipuladores de opinião pública.

Na EAD, criar ambiente de aprendizagem é uma tarefa bem mais complexa do que criar um ambiente interativo presencial entre os alunos e o professor. O aluno está distante fisicamente do professor, então, é preciso criar uma infra-estrutura que permita a máxima interação possível entre os personagens responsáveis diretamente pelo processo de ensino e de aprendizagem. Nesse contexto, o Tutor assume uma posição de destaque.