2 EDUCAÇÃO AMBIENTAL
2.6 EDUCAÇÃO AMBIENTAL COMO TRANSFORMADORA DA
Segundo a declaração da Carta da Terra:
“Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. À medida que o mundo se torna cada vez mais interdependente e frágil, o futuro enfrenta, ao mesmo tempo, grandes perigos e grandes promessas. Para seguir adiante, devemos reconhecer que, no meio de uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. Devemos somar forças para gerar uma sociedade sustentável, global, baseada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça econômica e numa cultura da paz. Para chegar a este propósito, é imperativo que nós, os povos da Terra, declaremos nossa
responsabilidade uns para com os outros, com a grande comunidade da vida, e com as futuras gerações”. (CARTA DA TERRA, 2004)
Há algumas décadas a humanidade vem se preocupando com o meio ambiente e a partir da reflexão dessa temática, pensamos a Educação Ambiental como estratégia para transformação da sociedade.
Considerando que os problemas ambientais que se apresentam em seu meio local e envolve diretamente a comunidade, sendo eles – a comunidade, um dos principais responsáveis pela problemática ambiental local, estes, tornam-se, os mais aptos a diagnosticar os problemas da comunidade relacionados ao meio, bem como, passam a ser os mais interessados em resolvê-los.
Jacobi (2003, p. 193), destaca o papel transformador da Educação Ambiental
“na qual a corresponsabilização dos indivíduos torna-se um objetivo essencial para promover um novo tipo de desenvolvimento – o desenvolvimento sustentável”. O que requer uma redefinição das relações entre sociedade humana e natureza com uma mudança do próprio processo civilizatório.
A Educação Ambiental deve, sobretudo, situar-se num contexto de formação da cidadania crítica, da formação de uma identidade e do sentimento de pertencimento a uma coletividade.
A Educação Ambiental como formação e exercício de cidadania refere-se a uma nova forma de encarar a relação do homem com a natureza, baseada numa nova ética, que pressupõe outros valores morais e uma forma diferente de ver o mundo e os homens. Deve ser vista como um processo de permanente aprendizagem que valoriza as diversas formas de conhecimento e forma cidadãos com consciência local e planetária (JACOBI, 2003, p. 198).
A formação da cidadania crítica pressupõe o desenvolvimento de indivíduos que se percebem enquanto sujeitos históricos, sociais, culturais e comprometidos com a transformação do meio em que vivem.
Jacobi (2003, p. 196) reforça a ideia de que a educação para a cidadania relacionada ao meio ambiente “assume um papel cada vez mais desafiador, demandando a emergência de novos saberes para apreender processos sociais que se complexificam e riscos ambientais que se intensificam”.
Nesse sentido, a escola pode se transformar em um espaço em que o aluno tenha a possibilidade de analisar a natureza em um contexto entrelaçado de práticas sociais, tendo sempre o cuidado de evitar ações localizadas e pontuais, distante da
realidade social dos educandos. Sobretudo considerando a historicidade da concepção de natureza, que propicie a construção de uma visão mais abrangente e complexa, no sentido de abrir possibilidades de ações em busca de alternativas e soluções (JACOBI, 2003).
No entanto, Jacobi (2003) lembra que a Educação Ambiental no Brasil ainda é feita dentro de uma modalidade formal, com temas predominantes como o lixo, a proteção do verde, uso e degradação de mananciais e a conscientização das pessoas em relação à poluição do ar.
As responsabilidades pelas ações ainda são relegadas aos órgãos governamentais e aceitas passivamente pelos habitantes. Porém, a sociedade como um todo necessita enfrentar concomitantemente a degradação ambiental e os problemas sociais a partir de uma nova ética da relação ser humano/natureza.
Diante da problemática socioambiental a participação democrática da sociedade é essencial na gestão de recursos, tomada de decisões e construção de novos estilos de vida visando a sustentabilidade ecológica e a equidade social (JACOBI, 2003).
Embora a Educação Ambiental já seja reconhecida como uma necessidade da sociedade contemporânea, não é uma modalidade de educação cujos princípios, objetivos e estratégias sejam iguais para todos aqueles que a praticam. Isso significa dizer que há diferenças conceituais que resultam na construção de diferentes práticas educativas ambientais. Essas diferenças conceituais podem ser sintetizadas em alguns grandes grupos: os que pensam que a Educação Ambiental tem como tarefa promover mudanças de comportamentos ambientalmente inadequados (Educação Ambiental de fundo disciplinatório e moralista, como “adestramento ambiental”), aqueles que pensam a Educação Ambiental como responsável pela transmissão de conhecimentos técnico-científicos sobre os processos ambientais que teriam como consequência o desenvolvimento de uma relação mais adequada com o ambiente (Educação Ambiental centrada na transmissão de conhecimentos) e aqueles que pensam a Educação Ambiental como um processo político de apropriação crítica e reflexiva de conhecimentos, atitudes, valores e comportamentos que têm como objetivo a construção de uma sociedade sustentável do ponto de vista ambiental e social (Educação Ambiental transformadora e emancipatória). (TOZONI-REIS, 2004, p. 11)
Tozoni-Reis (2004) afirma, “A Educação Ambiental é educação, a pesquisa em Educação Ambiental tem como principal tarefa produzir conhecimentos sobre os processos educativos em que se envolve”. Partindo da ideia de que a Educação Ambiental transformadora e emancipatória, aborda mais diretamente dos aspectos socioambientais das relações humanas, a pesquisa em educação tem como objetivo
principal produzir conhecimentos pedagógicos para a consolidação da dimensão ambiental na educação.
Pensando na relação do ser humano com o ambiente e na história da humanidade, valoriza-se a importância da educação para a formação do indivíduo. A educação precisa da temática da Educação Ambiental, para lembrar da consciência ambiental, da importância do pensamento ambientalista, dos valores e atitudes corretas. No livro Pedagogia da Autonomia, o “pensar certo”, como falava Paulo Freire, seria para propor ações educativas. Educar ambientalmente, é uma educação que se preocupa com a forma do indivíduo se relacionar com o meio ambiente.
A Educação Ambiental, pelo seu princípio sócio-ambiental-econômico colide com essas práticas e está a exigir uma nova postura docente diferenciada da postura apenas conteudista ou meramente repassadora de informações. Mais do que isso, por suas características críticas e reflexivas, a Educação Ambiental passa a exigir dos docentes uma postura política a ser desenvolvida por meio de novos paradigmas ambientais e educacionais.
Paulo Freire está presente na Educação Ambiental por meio da visão que nós professores atuantes relacionamos à nossa prática pedagógica ao seu pensamento.
Existe um diálogo estabelecido entre o pensamento de Paulo Freire e a Educação Ambiental numa tendência político-pedagógica crítica.
Paulo Freire é referência teórica na Educação Ambiental em função de sua vocação problematizadora, com o rompimento do senso comum, das armadilhas paradigmáticas, pela superação de uma educação conteudista, acrítica, etapista, ideologicamente neutra. Reconhecemos no pensamento freireano o enfrentamento e a superação das formas de opressão, controle e poder autoritário, um pensamento que contribuiu de fato para a construção de um outro mundo.
A Educação Ambiental no âmbito escolar busca refletir sobre a relação do ser humano com a natureza e do ser humano com ele mesmo, observar e entender as transformações e práticas ambientais, na melhoria da qualidade de vida. Busca também promover a participação ativa das pessoas, a contextualização das temáticas ambientais com os problemas locais de forma interdisciplinar.