EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA: UM FENÔMENO EDUCATIVO EM EXPANSÃO
4.4 Educação a distância e o mundo do trabalho: conectando as reflexões
A acelerada transformação dos processos produtivos faz com que a Educação deixe de ser anterior ao trabalho para ser concomitante deste. A formação e o desempenho tendem a fundir-se num só processo produtivo, sendo disso sintomas as exigências da educação permanente, da reciclagem, da reconversão profissional, bem como o aumento da percentagem de adultos e de trabalhadores- estudantes entre a população estudantil (BOAVENTURA,1995)
A história da Educação a distância, como já foi dito, iniciou-se através de correspondência em fins do século XVIII e esteve sempre ligada à formação profissional, capacitando pessoas ao exercício de atividades profissionais ou domínio de certas habilidades e, não obstante esteve sempre relacionada ao mercado, fosse produtivo ou de serviços.
O que se vê, hoje, é que as mudanças no mundo do trabalho estão a exigir a produção de novos conhecimentos e, além disso, uma busca de proposições educacionais que atendam às necessidades dos novos tempos e cenários. Esse processo revela que, ao mesmo tempo em que há um alargamento tecnológico, ele não exige tecnicistas; ao contrário, reivindica uma formação abrangente que permita ampliar as diferentes maneiras de interagir com a pluralidade dos diferentes mundos que hoje se entrecruzam.
Diante das intermitentes transformações no mundo do trabalho, surge a formação
profissional continuada para trabalhadores como alternativa singular na ampliação dos conhecimentos necessários à sua atuação em âmbito produtivo. Esta constatação vem acompanhada de uma outra que, se por um lado atesta a necessidade de uma formação continuada, por outro aponta a necessidade de uma formação capaz de superar distâncias e desenvolver-se no próprio contexto organizacional. Afinal, a polivalência requerida a estes trabalhadores implica em equipes de trabalho cada vez mais reduzidas e, por isso, ausentar-se da empresa, ainda que seja para a realização de cursos, vem se tornando cada vez mais inviável.
Essas considerações apontam a educação a distância como uma modalidade viável capaz de atender de forma mais democrática as necessidades educacionais dos indivíduos, sobretudo os trabalhadores. No que diz respeito ao contexto produtivo, mostra-se relevante no atendimento à formação continuada destes, considerando que a qualificação seria uma exigência central para continuidade do sistema produtivo.
Segundo Belloni (2003), a EAD tem se tornado um elemento regular no sistema educativo, necessário não apenas para atender a demandas e/ou grupos específicos , mas assumindo funções de crescente importância, especialmente no ensino pós secundário da população adulta, o que inclui o ensino superior regular e toda a grande e variada demanda de formação contínua gerada pela obsolescência acelerada da tecnologia e do conhecimento, que requer uma formação ao longo da vida.
É nesse contexto que a EAD está se revestindo como uma modalidade de educação apropriada para a educação continuada em contexto organizacional por atender a demandas diversificadas da nova agenda espaço/tempo. A queda das barreiras de espaço e tempo é, simultaneamente, o principal desafio e trunfo para a expansão da EAD, entendida como um processo educativo que envolve diferentes meios de comunicação capazes de ultrapassar os limites de tempo e espaço e tornar acessível a interação com as fontes de informações e/ou com o sistema educacional, de forma que promova a autonomia do aprendiz por meio de estudo flexível e independente.
Hoje é crescente o número de instituições e empresas que desenvolvem programas de treinamento através da modalidade de educação a distância, fato este que propõe uma reflexão sobre a possibilidade de a EAD oferecer uma proposta de educação continuada que atenda as demandas tecnológicas permanentes do mundo do trabalho, sem deixar de reconhecer o caráter humanista e subjetivo dos trabalhadores, sem torná-los autômatos no processo produtivo, ou produto de uma prática meramente tecnicista, mas preparando-os para um novo dimensionamento espacial-temporal, onde ocorre a implosão do tamanho e a explosão da complexidade.
As circunstâncias descritas anteriormente impulsionaram o surgimento da formação continuada, o que, por sua vez, alimenta o crescimento da opção pelo ensino a distância. Segundo Carlos Pinto (2002), esse tipo de solução reduz os custos de deslocamento dos alunos e professores, aumentando potencialmente a produtividade do professor. O acesso à informação e o desenvolvimento de novos conhecimentos pode ser conseguido quando e da forma que os alunos dos cursos de EAD precisam, em vez de apenas quando programado, como nos cursos tradicionais. Passou a estar a disposição um modelo de aprendizagem just in time.
Segundo Pinto (2003), especialistas em gestão do conhecimento estimam que 70% do capital intelectual de uma empresa não têm existência física, isto é, não são documentados em uma base de dados, trata-se daquele conhecimento tácito que está diluído na competência de seus colaboradores, desestruturado porém vital para os negócios.
Valorizar a instrutoria interna como forma de disseminação do conhecimento tácito tem sido uma tendência nas organizações. É como se todos fossem professores e alunos, o que irá diferenciar esses papéis será o tipo de conhecimento tácito de cada trabalhador. A EAD, neste caso, torna-se uma alternativa vital frente a essa estratégia de competitividade da empresa. Não se pode deixar de ressaltar que essa estratégia de ensino expropria do trabalhador um conhecimento que se constrói no dia a dia. Usando uma expressão bem popular, trata-se de conhecer as “manhas” do processo, conhecimento este que não se encontra nos manuais de operação nem nos softwares, mas que se constrói na interação homem-máquina-produto.
Por outro lado, esse conhecimento, quando compartilhado, pode ser ampliado, re- significado e servir de suporte para a atuação de trabalhadores mais jovens e menos experientes, ávidos por novas experiências e informações.
Um outro aspecto determinante para a adoção da EAD como possibilidade para a formação continuada diz respeito à redução de trabalhadores por postos de trabalho, ou seja, as empresas estão com equipes de trabalho cada vez menores, e assim torna-se cada vez mais difícil liberar o trabalhador para a realização de cursos de longa duração fora delas. Configura-se um embate de grande importância, pois, diante desses fatos, encontramos a permanente necessidade de qualificação, e mais uma vez a EAD se configura-se como importante alternativa, visto que a flexibilidade de cursos assíncronos permite que os diferentes ritmos de aprendizagem e disponibilidade de horários por parte dos trabalhadores sejam conciliados em uma proposta de formação continuada.
Neste estudo de caso procura-se estabelecer uma conexão entre a formação continuada do trabalhador, explicitando essa demanda através das transformações tecnológicas, e a educação a distância como alternativa capaz de atender a realidade do mundo do trabalho.
Como se trata de uma pesquisa de campo com suporte em pesquisa bibliográfica, as fontes e subsídios de leitura foram encontrados sem dificuldades, visto que o tema é amplamente discutido e, a cada movimento social, ganha novas nuances, o que permite estar sendo constantemente analisado. A seguir, serão explicitados os aspectos metodológicos que orientaram a pesquisa.
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