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Educação e Ambientalismo

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Buscaremos nesse item estabelecer a linha histórica da origem da Educação Ambiental, percorrendo os momentos mais importantes dessa caminhada.

3.1.1. Antes da história – os caminhos da ecologia

O termo - ecologia - foi utilizado pela primeira vez em 1866 por Ernest Haeckel, biólogo alemão que apoiava a teoria evolucionista de Charles Darvin4. Haeckel definiu a ecologia como sendo uma ciência que estuda as relações entre os organismos e o meio exterior. A princípio, esta então nova ciência, travou uma pesada luta por autonomia diante da biologia, hoje se afirmando como um dos grandes ramos dentro das ciências biológicas.

O conceito de ecologia migrou das ciências naturais para as ciências sociais, na década de 1960, em um momento em que a sociedade, principalmente nos Estados Unidos e na Europa Ocidental, levantava bandeiras em prol da melhoria da qualidade de vida, justiça e liberdade social, preservação do meio ambiente entre outras lutas sociais dentro da ideologia contracultural5. Dentro desses movimentos, aquele que objetivava um mundo com relações respeitosas entre seres humanos e meio ambiente ganhou o nome de movimento ecológico. Este movimento se empenhava em, a partir de um olhar de integralidade, construir um mundo ambientalmente saudável e socialmente justo. De acordo com Carvalho: “Discutir o ecologismo sem situá- lo em relação ao ambiente utópico que lhe dá origem e à sua filiação contracultural seria reduzir a compreenção daquilo que fundamentalmente o inspira e lhe confere o poder de atração e convocação à ação”. (CARVALHO, 2004, p. 48)

E esclarecendo quanto as bases do ecologismo e os objetivos que animam este movimento social a autora complementa:

Nele, a visão da natureza como contraponto da vida urbana, tecnocrática e industrial aparece combinada com o sentimento da contestação. O repúdio a uma racionalidade instrumental, aos ideais do progresso, ao individualismo e a lógica do custo benefício meramente econômico pode ser observado no ideal de uma sociedade ecológica que se afirma como via alternativa a sociedade capitalista de consumo. (CARVALHO, 2004, p. 48)

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Naturalista britânico reconhecido por elaborar a lei da evolução por meio da seleção natural e sexual.

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Dessa maneira o termo ecologista passou a designar, além do cient ista que analisa as relações entre os organismos e seus habitats, também os indivíduos que se envolviam em lutas pela preservação do meio ambiente.

A partir das colocações acima, podemos afirmar que quando escutamos os conceitos: movimento ecológico, consciência ecológica , entre outros, estes não se referem mais a uma ciência natural, e sim a um movimento social que se alicerça na busca da construção de uma sociedade ambientalmente saudável e socialmente justa.

A ecologia social se solidifica questionando o modelo de desenvolvimento estabelecido pela sociedade, e que teve como conseqüencia a má distribuição dos bens, a poluição, a urbanização desordenada e a destruição do ambiente natural, propondo um movimento conjunto de toda a sociedade na busca da ruptura com esse modelo de desenvolvimento.

O movimento ecológico, ou como também era e é ainda chamado, movimento ambientalista é, desde o princípio, um movimento plural, trazendo em si as raízes conservacionistas das ciências naturais, porém acrisolando dentro de si os anseios sociais por modificações profundas no modelo societário hegemônico e “Em síntese, como nos diz Leff “o ambiente não é a ecologia, mas a complexidade do mundo” (LEFF, 2001, p. 17 apud LOUREIRO, 2004), desde o momento em que se constitui como a categoria central de um movimento histórico de rediscussão da sociedade, da natureza e da vida em seus significados mais profundos, influenciando também a educação na conformação do que se designa por Educação Ambiental.” (LOUREIRO, 2004, p. 64)

3.1.2. Ecologismo no Brasil

Assim como na América Latina, o movimento ecológico chegou ao Brasil na década de 1970, em meio a lutas por democracia, em um momento histórico em que muitos países latino americanos sofriam com o autoritarismo de ditaduras.

No Brasil estas discussões se iniciaram, ainda timidamente nesta década para que, na década posterior, juntamente com a abertura política viessem à pauta, acompanhadas de outros movimentos sociais.

Os movimentos ecológicos, no Brasil, iniciaram sua estruturação na década de 1970 a partir da criação de algumas entidades que se nomeavam ecológicas, além deste fato, nesta década também houve a popularização dos meios de comunicação que, entre outras transformações sociais, criaram as condições necessárias para o crescimento e a consolidação do movimento ecológico na década de 1980.

Analisando estes fatos, verificamos que o movimento ecológico no Brasil nasceu dentro de um contexto conturbado, pois politicamente, estava entre ditaduras e lutas por democracia, e na área econômica/social buscava acompanhar a tendência desenvolvimentista mundial, que impusionava a industrialização e a hegemonia do mercado.

Observamos a partir da realidade da época do surgimento, no Brasil, do movimento ecológico, os motivos pelos quais o mesmo é tão heterogêneo, visto que os problemas observados pelos sujeitos atuantes naquela época, eram, em sua base, sociambientais, em um momento social em que ainda não havia um contexto em que a sociedade e o meio ambiente eram cosiderados uno.

De suas raizes nas ciências naturais, ainda encontramos o ambientalismo preservacionista que objetiva a não intervenção humana no s meios naturais, considerando como missão do movimento ecológico, manter o ambiente natural a salvo dos seres humanos, encontramos em seu tronco movimentos conservacionistas que consideram como missão do movimento ecológio a utilização racional do ambiente natural, sendo responsabilidade do ser humano conservá- lo para as futuras gerações, e temos em seus galhos os movimentos

socioambientais que consideram o meio ambiente natural em relação com o meio ambiente social. Dentro deste último viés vamos encontrar a área da educação com suas contribuições na constituição específica denominada Educação Ambiental.

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