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Educação e trabalho: conceitos e definições

finalidade era educação para o trabalho através da habilitação profissional conferida pela escola, definindo uma nova forma de relação entre educação e trabalho neste nível : O compromisso da escola com a formação profissional independente da classe social em que pertence o aluno.

O fato da dualidade estrutural não ter sido resolvidano interior do sistema de ensino, apesar da tentativa feita pela Lei nº 5.692/71, não deve causar espanto, na medida em que ela apenas expressa a divisão que está posta na sociedade brasileira, enquanto separa trabalhadores intelectuais e trabalhadores manuais e exige que se lhes dê distintas formas e quantidadesde educação.(KUENZER, 1991,p.16)

No ensino de segundo grau se a relação entre educação e trabalho não estava resolvida, pelo menos já havia a clareza que a formação do cidadão trabalhador exige ao nível da educação fundamental a aquisição dos instrumentos básicos de leitura, escrita e cálculo com vistas à compreensão e participação na vida social e reprodutiva.

No ano de 1996, com a promulgação da Lei nº 9.394, a atual LDB, a educação básica passa a ser ‘‘ dever do Estado e um direito da população, ampliando a obrigatoriedade do ensino fundamental para aqueles que não tiveram a oportunidade de cursá-lo na idade própria e sua implementação gradativa no ensino médio’’ (CARVALHO, 2003, p.82).

Se a existência humana não é garantida pela natureza, não é uma dádiva natural, mas tem de ser produzida pelos próprios homens, sendo, pois, um produto de trabalho, isso significa que o homem não nasce homem. Ele forma-se homem. Ele não nasce sabendo produzir-se como homem. Ele necessita aprender a ser homem, precisa aprender a produzir sua própria existência. Portanto, a produção do homem é, ao mesmo tempo, a formação do homem, isto é, um processo educativo. A origem da educação coincide, então, com a origem do homem mesmo. (SAVIANI, 2007, p.154)

De acordo com os estudos de Marx (2005), o trabalho é o que identifica o homem, é pela realização do trabalho que o homem se realiza, ou seja, a partir da interação do homem com a natureza para garantir sua subsistência.No entanto, ao analisar o trabalho, mediante as relações desenvolvidas no sistema de produção capitalista, Marx (2005) afirma que o trabalho caracteriza‐se como alienado, uma vez que, o seu desenvolvimento passa a negar a própria existência humana. A contradição instalada pelo capitalismo tira do homem o seu trabalho em troca de um pagamento, e esta relação se dá, eminentemente, pela exploração do trabalhador, sendo este entendido como mera mercadoria, capaz de gerar lucro ao capital. Tal fato pode ser entendido a partir da lógica de valorização docapital, emdetrimento do trabalho humano.

Segundo Kuenzer (1991, p.32), a escola, mediante o sistema capitalista dominante, historicamente vem se organizando de acordo com as mudanças ocorridas nos modos de produção e funcionamento do setor produtivo gerando, com isso, prejuízos incalculáveis à formação do indivíduo/cidadão e ao desenvolvimento da sociedade uma vez que a incorporação de princípios econômicos à instituição escolar resulta na negação de sua essência, pois à medida que trazpara sua realidade,mecanismos voltados ao atendimento das necessidades produtivas do sistema ela contradizsua especificidade de instituição formadora ao gerar uma educação restrita e condicionada ao cumprimento da alienação humana.

A educação no Brasil, ao longo de sua trajetória, sofreu mudanças e adaptações aos modelos de organização e desenvolvimento do trabalho realizado no setor produtivo capitalista. Nessa lógica, constatamos, por exemplo, que a organização do trabalho escolar, dependendo do contexto sócio‐político e econômico do país, assume características diferenciadas, tendo em vista as exigências postas ao processo de produção.

Nesse sentido, as práticas educacionais desenvolvidas nas escolas públicas brasileiras tornam‐se um meio de aperfeiçoar a produtividade da empresa em detrimento do trabalho que agora é ainda mais explorado, sob o discurso da responsabilidade, cooperação, espírito de iniciativa, capacidade de prevenção, entre outras características peculiares a nova organização do trabalho que se estende aosdiversossetoressociais.

Na atualidade se faz necessário fortalecer as bases da aprendizagem para toda a vida, melhorando o acesso à educação na primeira infância, particularmente para as crianças em desvantagens, dando apoio ao crescimento da aprendizagem formal e informal; promover enlaces entre a aprendizagem e o trabalho, estabelecendo as rotas e pontes que facilitam um movimento mais flexível entre a educação e capacitação para o trabalho, melhorando os mecanismos para a avaliação e reconhecimento das habilidades e competências dos indivíduos, que se adquirem através da aprendizagem formal e informal; reformular as funções e responsabilidades de quem proporciona oportunidades para a aprendizagem;criar incentivos para os indivíduos, empresários e para todos aqueles que proporcionam educação e capacitação, para investir mais em aprendizagem para toda a vida.

É dessa maneira que precisamos compreender a educação de jovens e adultos. A situação atual demonstra que o Brasil ainda não conseguiu garantir, na prática, a educação à todas as pessoas, como garante a Constituição. Milhões de pessoas espalhadas por este imenso país, ainda não foram alcançadas por um dos direitos sociaisprevisto na Carta Maior em seu artigo 6º, que é a educação. Mas porque existem tantas pessoas que foram excluídas do processo de alfabetização? O que gerou a posição social que tais pessoas ocupam? As respostas para essas e outras perguntas podemos possivelmente encontrar olhando para o passado. A História se faz necessária para que possamos olhar para o passado paraentender o presente. Para isso se fez necessário à investigação da relação educação e trabalho no passado e o inicio da educação de jovens e adultos no Brasil, esses dois processos quando relacionados nos possibilitam a compreensãoda educação de jovens e adultos na atualidade.

Muitos desafios se interpõem à perspectiva dessa nova relação educação e trabalho. É necessária uma revolução na educação. Um desses desafios é o de integraro trabalho com a educação dos jovens e adultos considerando-se que, diferentemente das crianças, a principal atividade destes é ou deveria ser o trabalho, na educação de jovens e adultos, há que se perseguir a construção de um sistema de educação flexível, permanente e unitário, no qual a perspectiva sempre presente é o rompimento com o elitismo e academicismo; um sistema onde o próprio trabalho produtivo dos alunos – práxis humana – seja a matéria-prima e a finalidade da educação.Educação, nessa perspectiva, deve oportunizar alternativas e caminhos a todos, para que os alunos da EJA possam ser, todos e cada um, dirigentes das suas escolhas.

‘‘Trata-se do desafio de articular dialeticamente a prática com a teoria, o fazer com o saber, o agir com o pensar, condição indispensável para a formação de sujeitos autônomos, eficientes e criativos.’’(ARRUDA, 1987,p.72).

É preciso que nós, educadores, estejamos atentos ao momento histórico vivenciado, promovendo a interação de conteúdo trabalhado, vivências e contexto social. É relevante que reflitamos sobre nossas próprias práticas, sobre os desafios que nos são postos no plano da ação concreta. O contexto mutante em que vivemos nos indica caminhos que envolvem riscos.

De um lado, os educadores são chamados a uma ação pragmática diante da realidade excludente no mundo do trabalho e no mundo da educação. São chamados a executar propostas de educação concebidas de modo aligeirado sob pressão do próprio senso comum das classes populares que anseia urgente por novas condições de sobrevivência, ou sob a pressão da demanda do capital que anseia por novas formas de superação da crise de suas taxas de lucro. De outro lado, os educadores enfrentam os riscos de caírem na fantasia de propostas de ação educativa descoladas do real que, no resultado se identifica com o imobilismo que não leva a nada.

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