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Educação para a Carreira e Promoção da Adaptabilidade

CAPÍTULO II –ADAPTABILIDADE DE CARREIRA

2.2. Adaptabilidade de Carreira

2.2.2. Educação para a Carreira e Promoção da Adaptabilidade

Perante a indecisão vocacional com que muitas vezes os jovens, e até mesmo os adultos, se confrontam, acredita-se que é necessário educar para o emprego, de modo a

que estes saibam tomar as suas decisões ponderando todas as suas opções, interesses e objetivos. Além disso, este tipo de educação é também importante para que os próprios indivíduos possam desenvolver as suas capacidades de adaptabilidade na carreira. Conforme explica Taveira (2005), nos últimos anos o mundo viveu significativas mudanças e os diferentes níveis, estas aconteceram no plano económico, social e cultural e, por estas razões, é necessário que o indivíduo desenvolva uma atitude exploratória e que lhe permita aumentar a sua capacidade de adaptação vocacional. Por outro lado, é igualmente importante que os estabelecimentos de ensino se adaptem a estas mudanças, desenvolvendo iniciativas que não só visem apoiar os seus alunos no seu desenvolvimento académico, pessoal e social, mas também o seu desenvolvimento vocacional (Lapan, Gysbers e Petroski, 2003). Alguns estudos, como o de Kuijpers, Meijers e Gundy (2011), demonstram como o diálogo, na escola, sobre experiências voltadas para o futuro na escola são importantes para o desenvolvimento de competências nos alunos. E, de facto, é fundamental que o indivíduo seja capaz de se adaptar no plano profissional, até porque a satisfação com o trabalho contribui para o sentimento de bem-estar, havendo estudos que revelam uma relação entre satisfação com o trabalho e o bem-estar do indivíduo (Whiston e Rahardja, 2008).

Atualmente existem modelos de intervenção para a Educação para a Carreira que se traduzem em programas compreensivos e alargados e que deviam ser integrados nos curriculos escolares (Taveira, 2005). Um dos modelos compreensivos mais conceituados é o Compreensive Guidance Program, tendo sido desenvolvido por Gysbers, Hughey, Starr, e Lapan (1992) e Gysbers e Henderson (2000). Moreno (2008) fala-nos de um modelo infusivo para preparar os alunos para o sentido do trabalho na vida de cada um de nós e para que estes sejam capazes de enfrentar os obstáculos da sua carreira. Um modelo infusivo defende a integração, no currículo, de aspetos e temáticas sobre os valores, os conhecimentos e as atitudes importantes para estimular o desenvolvimento vocacional e da carreira (Moreno, 2008).

Tendo noção do foi acima exposto, importa referir que a atuação do psicólogo vocacional é extremamente importante, pois orienta o indivíduo nas suas escolhas vocacionais, bem como na definição de objetivos profissionais e pode trabalhar com ele, no sentido de desenvolver as suas capacidades de adaptabilidade na carreira, de modo a que este, ao tomar as decisões certas em relação ao seu trabalho, se sinta satisfeito com o mesmo e com a vida, numa sociedade que se vivencia mudanças diariamente (Brown e Ryan Krane, 2000).

Para tomar uma decisão, independentemente do seu âmbito ou natureza, a pessoa pondera sempre os prós e os contras subjacentes a cada opção disponível, ponderação esta que é sempre feita em função dos objetivos que a mesma pretende alcançar e nesta ordem de ideias, a pessoa escolherá aquela opção que melhor lhe parecer. No entanto, existem pessoas que apresentam dificuldades ao nível da tomada de decisão, especialmente em relação à sua carreira. Quando a pessoa apresenta dificuldades em tomar decisões no plano profissional pode ser devido a diferentes aspetos, entre os quais o facto de não ter bem claros e definidos os seus objetivos de carreira, ou de não estar motivada, ou pode não conhecer todas as alternativas existentes, ou pode, simplesmente, estar indecisa (Fouad, Cotter e Kantamneni, 2009).

Por isso, desde jovem, o indivíduo deve explorar as suas opções de carreira e deve ter a oportunidade para tal, pois é vantajoso e pode esclarecê-lo quanto a eventuais dúvidas (Savickas, 2005), daí que o aconselhamento vocacional seja útil, devendo contemplar uma abordagem holística, que tenha em linha de conta os fatores individuais, relacionais e contextuais (Barros, 2010). Este permite que a pessoa perceba que a carreira é uma construção subjetiva, onde estão presentes memórias do passado, as experiências vividas no presente e as ambições face ao futuro (Savickas, 2004) e, assim sendo, contribui para a interiorização da carreira a fim de (Savickas, 2004): Estimular o desenvolvimento de uma consciencialização da trajetória vocacional por meio do tempo; Promover o autocontrolo; Definir intenções e a direção do comportamento vocacional; Avaliar os resultados face à capacidade de adaptação.

O mundo está em constante mudança, bem como o mercado de trabalho, pelo que Krumboltz (2009) apresenta quatro premissas que devem estar presentes no aconselhamento da carreira de um indivíduo, nomeadamente na população adolescente, como também deixa percetíveis os benefícios do aconselhamento vocacional, quando devidamente realizado. Assim sendo, o aconselhamento vocacional do adolescente: 1) Não se deve focar exclusivamente na escolha da profissão, mas, pelo contrário, deve primar pela exploração de profissões e auxiliá-lo e estimulá-lo a realizar ações que lhe proporcionem maior satisfação a nível pessoal e profissional; 2) Deve contemplar avaliações psicológicas que promovam a aprendizagem do adolescente, no sentido de lhe proporcionar um maior conhecimento sobre si próprio e não a combinação de características pessoais com os requisitos e condições impostas por cada profissão; 3) Deve estimular e promover o seu envolvimento e participação em atividades que visam a aprendizagem e o desenvolvimento de competências, para que este saiba lidar e responder

a situações imprevistas; além disso, o aconselhamento vocacional, e que visa a construção da carreira, foca-se no aumento do nível de adaptabilidade do indivíduo para que este possa ser o ator principal do seu próprio desenvolvimento pessoal e profissional (Hartung e Taber, 2008); 4) Deve ser avaliado, ou seja, depois de realizado o aconselhamento vocacional, o sucesso do mesmo deve ser avaliado e um critério de avaliação a ter em contaé o que o adolescente consegue alcançar, por si próprio e de forma autónoma, e já depois da intervenção ao nível do aconselhamento, no mundo real.

Portanto, o aconselhamento vocacional na adolescência ultrapassa o simples estabelecimento de objetivos em termos profissionais. Aliás, este deve ajudar o adolescente a conhecer-se a si mesmo e a perceber quais os objetivos que, em termos de carreira, pretende alcançar no futuro. E por estas razões, o aconselhamento vocacional, bem como a experimentação e participação em atividades de diferentes áreas que o mesmo pode e deve proporcionar ao indivíduo, é essencial para que este se conheça e consiga obter uma perspetiva do que gosta, do que quer ser e do que quer alcançar ao nível do seu percurso profissional. Este estimula o surgimento de respostas pertinentes, como também influencia, positivamente, a satisfação com a vida (Masdonati, Massoudi e Rossier, 2009). Por isso, uma vez mais, e como se referiu no ponto anterior, a indecisão vocacional não tem, obrigatoriamente, que ser conotada como algo negativo ou algo mau e é neste sentido, perante a incapacidade de tomar uma decisão ao nível profissional, que o aconselhamento vocacional é útil. Este pode auxiliar o indivíduo a avaliar as suas oportunidades, objetivos e gostos, servindo para o informar, tirar dúvidas, dar a conhecer novas áreas que, se calhar, pensava não ter interesse. No fundo, pode contribuir para que o indivíduo, com uma postura mais aberta e disponível, observe e avalie o mundo que o rodeia (Krumboltz, 2009).

Atualmente, pois nem sempre foi assim, como se pode constatar pela análise das premissas apresentadas por Krumboltz (2009) face ao aconselhamento vocacional, as intervenções no âmbito do desenvolvimento da carreira têm o foco direcionado para a perspetiva pessoal e para a relação de colaboração estabelecida entre o indivíduo e o conselheiro (Brown, 2002), tendo em consideração variáveis individuais, relacionais e contextuais (Barros, 2010).

Concluindo, o indivíduo pode apresentar dificuldades ao nível da tomada de decisão em termos profissionais e, deste modo, o aconselhamento vocacional surge como uma importante intervenção que permite ao indivíduo conhecer-se melhor e explorar as suas opções profissionais, bem como os seus objetivos, gostos e interesses. Aliás, no seu

estudoacerca dos processos e os produtos de uma intervenção vocacional, Faria e Taveira (2011) verificaram que após a implementação de um programa de aconselhamento vocacional, os estudantes apresentaram resultados bastante positivos. O estudo demonstra que após a intervenção, os estudantes melhoraram, de forma significativa, o estatuto de trabalho, assim como a exploração com o meio, apresentaram maior conhecimento sobre si próprios e maior satisfação com a informação na tomada de decisão/indecisão vocacional (Faria e Taveira, 2011).

É necessário ter presente a ideia de que cada intervenção de aconselhamento deve ter em conta que cada caso é um caso, e cada intervenção, que se almeja holística, deve ser adequada a cada caso, atendendo às especificidades de cada indivíduo, bem como aos fatores relacionais e contextuais presentes. Nesta ordem de ideias, quando se fala de promoção da adaptabilidade de carreira, fala-se de intervenções que visam melhorar ou desenvolver esta capacidade no indivíduo. Portanto, as intervenções que visam promover e se focam na adaptabilidade de carreira podem ser implementadas com o objetivo de promover a adaptabilidade de carreira dos indivíduos, por meio de abrangente conjunto de estratégias que vêm sendo desenvolvidas e melhoradas ao longo do tempo (Herr, 2011). Daí que se acredite que o maior interesse da intervenção focada na adaptabilidade de carreira assenta “na sua utilidade para informar o desenho de intervenções de carreira eficazes visando a promoção e/ou desenvolvimento da capacidade de prontidão para a mudança, junto de adolescentes e adultos confrontados com múltiplas transições de vida (Krumboltz & Worthington, 1999)” (Silva, 2011, p. 71). Assim sendo, podemos entender que a intervenção de carreira se traduz em qualquer estratégia que visa auxiliar o cliente a tomar e a implementar decisões eficazes relativamente à sua carreira (Spokane e Oliver, 1983). Isto porque “estas estratégias percorrem um largo espectro de actividades individuais e de grupo, com ou sem a participação directa de um profissional, como, por exemplo, aconselhamento de carreira, orientação de carreira, educação para a carreira, colocação ocupacional e coaching de carreira, entre muitas outras possíveis” (Silva, 2011, p. 71).

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