A educação permanente confunde-se frequentemente com outros conceitos. Um deles é o de educação continuada. A educação permanente refere-se ao processo educativo que pode ocorrer em qualquer altura das nossas vidas, nos mais variados contextos.
Quanto à educação continuada podemos afirmar que é um processo permanente que se inicia após a formação básica e tem como objetivo atualizar e
melhorar a capacidade de uma pessoa ou grupo, frente à evolução técnico-científica e às necessidades sociais. É um processo que inclui experiências posteriores que ajudam as pessoas a aprender competências importantes para o seu trabalho. A educação continuada também é definida como algo que englobaria as atividades de ensino após o curso de graduação com finalidades mais restritas de atualização e aquisição de novas informações.
Entretanto, a literatura continua registrando uma variedade de expressões, sendo as mais frequentes: treinamento em serviço, educação no trabalho, educação em serviço, educação continuada e educação permanente, conceitos que foram surgindo de acordo com a época, porém mantendo significados semelhantes, tratados como sinônimos, podendo ser atribuídos aos programas de capacitação inicial para o trabalho, estudos científicos como graduações, especializações, cursos de aperfeiçoamentos ou de atualização científica e tecnológica (Melo, 2007).
Na década de 1980, de acordo com a lógica freiriana, surge o conceito de competência processual, no qual inclui tanto as experiências de nível individual quanto coletiva. Esta abordagem contribuiu para que se ampliasse o conceito de educação permanente que é orientada para enriquecimento da essência humana e suas subjetividades em qualquer etapa da existência dos seres humanos e não somente de trabalhadores, pois o ser humano vive em processo contínuo de aprendizado, a cada dia se aprende algo novo e isso também enriquece o conceito de educação permanente (Melo, 2007).
Como destaca Requejo (2005), pode se retomar a história e perceber que o ser humano, desde os seus primórdios, já passou por transformações, uma vez que o mundo e as pessoas mudam, logo, o conhecimento também se modifica. Isto permite afirmar que, de certa forma, a educação permanente sempre existiu, pois representa o acompanhamento das mudanças pelas quais o indivíduo passa.
Requejo (2005, p.15) esclarece que é indiscutível a necessidade que o ser humano tem de passar por transformações:
A sua própria condição biológica e social obriga-o a viver numa dialética entre adaptação e mudança, tentando integrar na sua aprendizagem os três tipos de circunstâncias em que mergulhou: as circunstâncias naturais (não humanas), as circunstâncias construídas e as circunstâncias sociais.
A educação permanente e a educação de adultos têm sido temas muito discutidos e estudados nestas últimas décadas, tanto na América como na Europa, e em muitas outras regiões onde é patente a preocupação com o desenvolvimento humano. A repercussão dessas temáticas deve-se a dois factos essenciais: ao entendimento de que no decorrer dos anos, a real importância da educação permanente sob um prisma holístico, na medida em que é transversal a toda a vida do indivíduo; e à noção de educação de adultos, como parte integrante da educação permanente no âmbito teórico, empírico e socioeducativo.
É importante lembrar que, embora os conceitos tenham aspetos em comum, e, por vezes, se confundam, a educação permanente é diferente da educação de adultos, visto que a primeira é mostrada claramente como um processo que abrange a vida inteira do indivíduo, assim como em todas suas fases, como referimos acima, enquanto a segunda relata apenas a uma das etapas de formação do ser humano (Requejo, 2005).
Destaca-se, no primeiro momento, o processo de educação permanente para depois desenvolver a educação permanente e a educação de adultos sob um prisma epistemológico e socioeducativo, caracterizando ainda os tipos e práticas da educação de adultos.
A educação permanente tem sido alvo de destaque, principalmente na década de setenta do século XX. E na elaboração do conceito, desde o aparecimento do termo “educação permanente”, em 1972, foi consensual que a UNESCO se envolvesse com a educação permanente, valorizando o significado do termo de forma geral. No entanto, a expressão só ganhou notoriedade em 1976, coincidindo com uma publicação da UNESCO acerca da educação.
É importante ressaltar que vários autores ajudaram para que esta ideia se tornasse algo sólido. Dave (1979) destaca nas suas pesquisas, os fundamentos da educação permanente. Para ele, são três os campos de ação que fundamentam a educação permanente:
● Razões epistemológicas: permite deduzir que a vida é uma constante aprendizagem, que o conhecimento evolui sempre;
● Razões tecnológicas e laborais: no mundo do trabalho se faz uso das tecnologias, há a necessidade do apoio da tecnologia, isto significa que há evolução, que terá como consequência a exigência de formação constante, devido à necessidade de qualificação;
● Razões culturais: a cultura deve ser transmitida para várias gerações, por isso mesmo alcança um largo espaço em toda a vida do ser humano.
Constata-se que é a união de todos os campos de fundamentação da educação permanente que contribuirá para um entendimento mais amplo do que vem a ser e como está a se apresentar a educação de adultos em qualquer âmbito de estudo.
A educação permanente é um processo de ordem natural que pode ocorrer em qualquer época, lugar, ou fase da vida do ser humano, independente da cultura e outros aspetos que surjam de repente. São as diversas circunstâncias de vida das pessoas que promovem o processo de aprendizagem (Requejo, 2015). Para se entender o conceito de educação permanente, termo esse que é muito utilizado na área da saúde também, é preciso avaliar conceitos como os de “sociedade de aprendizagem”, uma vez que o ser humano vive em ambientes em que a aquisição da aprendizagem é propícia e ocorre de diversas maneiras, demonstra que desde as sociedades mais antigas, há várias formas de educação, com características que coincidem com aquilo que hoje designamos por educação permanente.
A educação permanente foi alvo de estudos de vários autores que se dedicaram a estudar a prática da educação em contextos de educação de adultos, como o pedagogo e filósofo brasileiro Paulo Freire, autor de várias obras, dentre as quais, Política e Educação (2001), e Pedagogia da Esperança – Um Reencontro com a Pedagogia do Oprimido (1992) e Pedagogia do Oprimido (1987), cuja preocupação com o que corresponderia ao seu conceito para a sociedade e o que seria formação contínua que aliada à educação permanente, está em muitos trabalhos através dos quais, Paulo Freire pretendia mostrar que a educação permanente não se enquadra num âmbito ideológico, mas numa questão prática:
A educação é permanente não porque certa linha ideológica ou certa posição política ou certo interesse econômico o exijam. A educação é permanente na razão, de um lado, da finitude do ser humano, de outro, da consciência que ele tem de sua finitude. Mais ainda, pelo fato de, ao longo da história, ter incorporado à sua natureza não apenas saber que vivia, mas saber que sabia e, assim, saber que podia saber mais. A educação e a formação permanente se fundem aí (Freire, 2001, p.12).
Freire (2001) ressalta que não é possível passar pelo processo formativo sem estar pronto às modificações e influências do processo histórico; isto é, qualquer um deve está “entranhado numa prática educativa” (Freire, 2001, p.13) onde o autor quer dizer que há marcas que permanecerão para a vida de todos durante a sua existência.
As ideias de Freire (2001) coincidem com as de Requejo (2005) no que diz respeito aos objetivos da educação permanente. O último ressalta três aspetos que merecem destaque, no quadro do que a educação permanente significa e do por que de sua existência:
1) Corresponde a todas as etapas da vida humana e deve adaptar-se a graus crescentes de maturidade;
2) Deve definir os procedimentos, métodos e meios do processo educativo; 3) Deixará de ser uma mera adaptação às condições mutáveis, passando a construir o fator mais importante de libertação, de coragem e, definitivamente, de vida autêntica (Requejo, 2005, p.13/14).
A educação de adultos atualmente é uma necessidade. A sociedade contemporânea requer formação continuada ao longo da vida e por toda a vida, o que pode significar que o poder público e os movimentos sociais têm de encontrar estratégias para colocar na escola os adultos e jovens que não tiveram oportunidade ou não quiseram estudar na idade adequada, bem como noutros contextos de aprendizagem.
Constata-se que a educação de adultos vai muito além do que se possa imaginar como composição de um eixo maior (educação permanente) ou de um simples conceito, corresponde a uma exigência digna de atenção no meio educacional, além disso, molda-se e vai moldando os sujeitos que nela estão envolvidos.
O termo ou expressão “educação permanente”, surgiu, como referimos antes, nos anos 70, época em que todos acreditavam que as pessoas poderiam desenvolver-se, pode-se citar como exemplo o que ocorria em alguns países, a partir do desenvolvimento econômico e social, porém à medida que os anos 80 avançavam, o que se constatou foram os diferentes caminhos tomados pela educação e pelo Estado a respeito da economia, cujos resultados foram diversos daquilo que se desejava. Na crise do Estado do “Bem-estar”, não houve, como
previsto, o crescimento econômico capaz de gerar mais investimentos na educação e mudanças significativas em todo o processo educacional (Vasconcellos, 2007).
A respeito das mudanças sociais, representaram um importante papel na educação ao longo da vida, foi o momento em que os diferentes grupos sociais se manifestaram: uns lutavam através da representação das minorias étnicas, linguísticas, de classe social desfavorecida, e outros, por conquista de seus direitos que estavam a ser violados. A educação permanente não se preocupou com questões globais, sofreu muitas críticas da sociedade pós-moderna. E diante dessa situação, na década de 90, a palavra educação permanente foi substituída pela expressão educação “ao longo da vida” – termo muito utilizado pela UNESCO de 1996 a 2001 (Requejo, 2005).
As mudanças ocorridas em relação à substituição temporária da expressão deve-se ao novo perfil de sociedade: uma sociedade globalizada com novas competências, que pode ser conhecida como a sociedade da informação, as mudanças ocorridas no meio social incentivam as discussões sobre do tipo de sociedade que está em construção. A globalização modificou o quotidiano e perspectivas das pessoas, que não se dão conta de quem são ou que identidade estão a construir.
Sobre esse assunto, Bauman (2008, p.187) afirma que:
A incerteza que atormenta os homens e as mulheres na passagem do século XX, não é tanto como obter as identidades de sua escolha e tê-las reconhecidas pelas pessoas à sua volta - mas que identidade escolher e como ficar alerta para que outra escolha possa ser feita em caso de a identidade antes escolhida, ser retirada do mercado ou despida de seu poder de sedução.
Bauman (2008) demonstra que cada período histórico, apresenta características, problemas, contradições e adaptações próprias da época, realça as modificações de identidade do ser humano. Atualmente se vive na época do Facebook, do Instagram e do Whatsapp – em que a conexão nem sempre pode proporcionar resultados positivos na formação do indivíduo. É preciso que se preste uma atenção especial a todo esse processo de educação que acontece, pois trata- se de uma educação sujeita às interferências de fatores internos e externos, sendo
impossível afirmar que as consequências da globalização não se repercutirão no processo formativo do indivíduo.
Os aprendizes ao longo da vida não são apenas os educandos; são os professores que também se tornam eternos aprendizes como retrata Freire (1991, p. 32): “Ninguém nasce educador ou marcado para ser educador. A gente se faz educador, a gente se forma como educador, permanentemente, na prática e na reflexão sobre a prática”. É ensinando e aprendendo que se adquire resultados significativos na aprendizagem contínua, que permite a integração cultural do indivíduo no espaço e tempo que se encontra e esta interação torna possível ampliar a visão de todos os envolvidos no processo de ensino aprendizagem, permite autonomia nas decisões pessoais e coletivas na valorização do ser humano enquanto membro da sociedade.
A educação permanente é capaz de transformar o indivíduo, já que promove mudanças constantes. Independente da idade, o ser humano não é um ser pronto e acabado ao chegar a determinada idade ou estágio de sua vida, está permanentemente em busca de novos conhecimentos, é processo de formação como pessoa humana. (Freire, 1997). “O inacabamento do ser ou sua inconclusão é próprio da experiência vital. Onde há vida, há inacabamento” (Freire,1997, p. 55). A educação ultrapassa os limites, e busca o sentido de existência de plenitude para o ser humano, porque o seu existir está sempre a ser construído.
Há uma estreita relação entre a educação de adultos e a educação permanente, os adultos são os que mais necessitam de adquirir conhecimentos novos, devem atualizar-se no decorrer do tempo. E nesse sentido, o acordo de Nairobi (UNESCO, 1976) é um marco fundamental para a educação permanente, uma vez que antes não havia acordo algum que explanasse a necessidade de estudos mais significativos nessa área (Requejo, 2005).
Torna-se claro as implicações que o conceito de educação permanente pode representar, dentre elas, se pode exemplificar os caminhos que pode percorrer, demonstrando claramente que a educação permanente é mais do que o sistema de ensino que a EA demonstra, pois não é limitada – atende às necessidades totais das fases da vida humana, da infância à idade adulta até mesmo a terceira idade, não é setorizada, concluindo-se portanto, que é integral, que está presente em todos os grupos sociais da sociedade civil organizada.
Para entender a educação de adultos faz-se necessário que se analise especialmente o seu conceito. Loureiro (2009) chama a atenção para uma questão que merece a nossa atenção: o conceito criado pela UNESCO, em 1976, está incompleto em razão de não se referir à educação informal como parte integrante da educação de adultos.
Entretanto, essa lacuna do conceito de educação de adultos foi refeita na V Conferência sobre Educação de Adultos, ocorrida em 1997, quando foi reelaborada a nova definição que também contempla a educação informal. Mesmo reelaborado esse novo conceito apresenta uma nova falha, visto que se passou a afirmar que:
A educação de adultos passou a ter então o seguinte conceito: o conjunto de processos de aprendizagem, formal ou não, graças ao qual as pessoas consideradas adultas pela sociedade a que pertencem, desenvolvem as suas capacidades, enriquecem os seus conhecimentos, e melhoram as suas qualificações técnicas ou profissionais ou as reorientam de modo a satisfazerem as suas próprias necessidades e as da sociedade. A educação de adultos compreende a educação formal e a educação permanente, a educação não formal e toda a gama de oportunidades de educação informal e ocasional, existentes numa sociedade educativa multicultural, em que são reconhecidas as abordagens teóricas e baseadas na prática (UNESCO, 1998, p. 16).
Ao se analisar essa definição, constata-se que houve uma inversão dos termos educação de adultos e educação permanente, “não é a educação de adultos que compreende a educação permanente, mas sim o contrário.” (Loureiro, 2009, p. 4). Facto este que também é compartilhado por Domínguez (2000, p. 274) ao relacionar que:
A educação permanente conceptualiza-se como um processo que engloba todas as idades, que abarca muitos tipos de estruturas formais, não formais e informais. Ao mesmo tempo, remete para múltiplas e diferentes experiências de aprendizagem que se integram no cenário da vida quotidiana.
A educação de adultos para ser compreendida com mais clareza e nos seus diversos aspectos, deve se basear em algumas teorias, tais como a teoria
psicológica do ciclo vital, considerada importante por analisar todas as fases de vida do ser humano, para tentar explicar o seu desenvolvimento, e não considerar apenas a variável idade cronológica (Requejo, 2005). Levar em conta que ocorrerão mudanças sociais, biológicas e psicológicas no ser humano e que essas mudanças designarão num contexto social ou cultural, as experiências construtivas da sua aprendizagem significativa.
Para Loureiro (2009) a educação de adultos representa um dos segmentos da educação permanente. Ao se iniciar o processo educacional nas crianças, em casa, na rua, na escola, em processos formais ou informais, a educação permanente já contribui para a formação do caráter e da personalidade do indivíduo, e, de acordo com os factos que ocorrerão em sua vida, há situações em ficarão para sempre registradas no seu ciclo vital, e essas experiências apresentadas no quotidiano não se manifestam somente na infância, mas, também na adolescência e em toda a fase adulta do indivíduo.
Há outra teoria que ajuda a entender que a educação de adultos, é a teoria da competência educativa, que se traduz como a real missão da educação de adultos. Mezirow (apud Requejo, 2005, p. 136) parte do princípio de que:
O objetivo comum e básico da educação é fomentar as condições, as destrezas necessárias para que o adulto compreenda a sua experiência através de uma participação livre do discurso, por meio do diálogo, como o tributo mais significativo do ser humano e como forma de interação social.
A competência educativa é que gera autonomia no adulto, pois o diálogo e a interação favorecerão o ser completo (Requejo, 2005), favorecendo a reflexão, a conquistar liberdade de expressão, escolha e independência.
Assim como outras teorias, também esta foi alvo de críticas, pelo facto de não apresentar os princípios de mudança social, como é a teoria defendida por Freire (2001), o que importa é analisar essa proposta como passo dado em direção à compreensão da construção e formação do conceito de educação de adultos.
Como Mezirow (1991, p. 188) ressalta: “A aprendizagem de adultos envolve a projeção imaginativa de modelos simbólicos de valores no nosso senso de perceções para construir o significado das experiências”. De acordo com a defesa do autor, que demonstra claramente que as experiências simbólicas podem resultar em aprendizagem de pessoas adultas, o que permitirá a tão sonhada
emancipação desses adultos, ocorrendo no âmbito cultural e social, partindo de que as experiências vividas contribuem para as mudanças.
Os indivíduos na etapa adulta motivam vários trabalhos sobre a memória e inteligência. Pode-se destacar a pesquisa de Gardner (1998), que se tornou conhecida como a teoria de múltiplas inteligências. Este psicólogo de Harvard chamou a atenção para o fato de que estudos anteriores se referiam ao deteriorar a inteligência do adulto com a passagem dos anos, se baseavam em pesquisas comparativas entre a inteligência de pessoas mais idosas e mais jovens. Para ele a informação obtida dessa forma não era suficiente, já que as questões culturais e sociais deveriam ser levadas em consideração.
Segundo Gardner (1998), o que os adultos perdem com a passagem dos anos é a inteligência fluida ou conteúdos abstratos e não a cristalizada ou experiências e inculturação. Conceituou a inteligência como “a capacidade para resolver problemas ou elaborar soluções que são de grande valor num contexto comunitário” (Gardner, 1998, p. 25).
Para Requejo (2005), a teoria das inteligências múltiplas se constitui numa razão fundamental para se analisar a formação de pessoas adultas, concluindo que: “todos os indivíduos, possuem, pelo menos, em graus distintos, sete áreas de inteligência, que funcionam de maneira relativamente independente” (ibid, p. 133). Todas estas teorias vão formando o complexo campo da educação de adultos, permitindo uma compreensão do fenômeno da formação do adulto.
Refletindo mais sobre este campo, façamos uma breve referência a alguns dos principais marcos históricos, e uma abordagem dos tipos e práticas educativas de adultos.
No século XX, ocorre um momento importante para a educação de adultos, visto que nesta época se deu a “formação de sistemas escolares nacionais e o desenvolvimento de movimentos sociais de massas” (Silva,1990, p.11).
Entender o processo de educação de adultos é lembrar que na tentativa de afirmação da educação, no cenário socioeducativo, através de políticas públicas que atendesse suas especificidades, foram criadas as CONFINTEAS (Conferências Internacionais de Educação de Adultos) promovidas pela UNESCO, que visa o desenvolvimento da Educação de Adultos.
Em 1949 aconteceu a I CONFINTEA em Elsinore, na Dinamarca, esta conferência representou um marco importante para a redemocratização da
educação de adultos, ocorreu num período pós-guerra, momento em que era preciso haver uma reestruturação que estimulasse a inteligência das pessoas diante de um cenário de destroços causados pelos acontecimentos. Era preciso “promover a democracia nos países, criar uma cultura comum englobando a elite e as massas, trazer esperança aos jovens, dar à população um sentimento de pertença a uma comunidade” (Bhola,1989, p. 14). Para o autor, a intenção era atingir todas as classes sociais, o que diz a respeito ao objetivo da educação de adultos, tendo sido, conforme afirma Canário (1999, p. 12), “particularmente enfatizada a vertente da educação cívica”.
A II CONFINTEA acontece em 1960, em Montreal, no Canadá, nesse evento o destaque especial foi a atenção ao crescimento econômico tentando viabilizar alternativas para o Estado, que poderia desenvolver para ser capaz de lidar com