2.2 A COMPREENSÃO DA IMAGEM NA PRESENTE PESQUISA
2.2.2 Educação visual ou ilusão
A partir da interação e do desenvolvimento com o meio, o ser humano é apresentado a todo tipo e estilo de imagem. Assim, tem-se início ao entendimento das coisas e dos objetos ali representados, sendo tal visão compartilhada por Gombrich (2007, 2008), Vigotsky (2011a) e Forgus (1971). No entanto, de acordo com Panofsky (2003), a percepção das imagens em perspectiva leva a crer em uma visão da realidade a qual não é verdadeira – visão que parece ser mais uma das formas pelas quais o ser humano foi educado a interpretar em uma fotografia ou quadro qualquer. Ao detalhar a forma como a perspectiva funciona, Panofsky (2003) demonstra que a interpretação, independe da posição do observador – tanto na perspectiva simples quanto com um ponto de fuga – em qualquer ponto será indicada para a percepção do infinito, sendo que a percepção desconhece o conceito de infinito. Assim, observa-se que quanto mais longe de um objeto estiver o observador, este aparecerá menor.
Sin importar si esta proyección está determinada por la inmedia impressíon sensible o por una construcción geométrica más o menos “correcta”. Esta construcción geométrica “correcta”, descubierta en el Renascimeinto y, más tarde, perfeccionada y simplificada técnicamente, que en cuando a sus premisas y fines permaneció inalterada hás la época de Desargues, puede conceptualmente definerse com sencillez de la manera siguiente: me represento el cuadro – conforme a la citada definicíon del quadro-ventana como una intersección plana de la “pirâmide visual” que se forma por el hecho de considerar el centro visual como um punto, punto que conecto con lós diferentes y característicos puntos de la forma espacio el que quiero obtener (PANOFSKY, 2003, p. 11-12).
Quando Panofsky (2003) faz a descrição de como a percepção humana interpreta um ponto no espaço, o cérebro está basicamente fazendo o cálculo da distância entre o observador e o objeto. Tal cálculo, na Física, é chamado de Lei do Inverso do Quadrado para Distância – é um conceito bastante conhecido na Arquitetura, na Engenharia e na Física.
La construcción perspectiva exacta abstrae de la construcción psicofisiológica del espacio, fuldamentalmente: el que no sólo es su
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resultado sino verdaderamente su finalidade, realizar en su misma representación aquella hogeneidad e infinitud que la vivencia inmediata del espacio desconece, transformado el espacio psicofisiológico en espacio matemático (PANOFSKY, 2003, p. 14).
O que Panofsky (2003) busca demonstrar é que, quando se percebe um objeto, a interpretação da imagem já está condicionada à forma como o cérebro processa a informação psicologicamente de modo um tanto diferente do que realmente é o objeto. Neste sentido, dá-se a reprodução da fotografia analógica, onde demonstram-se as formas da imagem retilínea, e não como realmente é. No entendimento de Neiva Júnior (1994, p. xx), às vezes o ser humano é partícipe de tal ato por achar que o que está sendo representado seja verdadeiro – mera ilusão –: “[...] a perspectiva representa somente um dado da realidade: a maneira pela qual as . linhas e os volumes se apresentam para o espectador”. Aquele autor ainda complementa, ao afirmar que “[...] ela é, portanto, pura aparência, mera ilusão, que resulta na intenção consciente de enganar por parte de quem a desenha, pinta, esculpe ou planeja arquitetonicamente” (NEIVA JÚNIOR, 1994, p. 29). Na Figura 1, a seguir, busca-se entender como se observa uma imagem pelo lado da perspectiva.
Figura 2 – Alagamento da Universidade de Brasília, 20103. Fonte: CEDOC/UnB (2010).
Ao observar a fotografia exposta anteriormente, percebe-se que a abertura do túnel na foto é maior que o final do túnel. É possível, então, notar que tal fato não é
3As fotografias utilizadas são meramente exemplos para a percepção em perspectiva e compreensão da diferença de percepção dos observadores quanto ao mesmo objeto de observação. As mesmas fazem parte de um acervo/coleção sem identificação descricional, cedido gentilmente pela Diretora do Centro de Documentação (CEDOC) da Universidade de Brasília (UnB), Tânia Maria de Moura Pereira, para fins didáticos, com seu uso nas aulas da disciplina Acervos Fotográficos, 2º. semestre de 2011.
39 real, uma vez que as medidas e tamanho do túnel não são diferentes em sua extensão. A referida interpretação da imagem busca promover a noção de distanciamento. Então, “[...] a variação na ordem sensível da representação quer dizer que a perspectiva não é a transposição das condições supostamente eternas do olhar. As perspectivas são construções históricas” (NEIVA JÚNIOR, 1994, p. 32- 33).
Na abordagem da Psicologia (DAY, 1974, p. 106-107), “[...] a percepção pode ser considerada a partir de três categorias de variáveis: a do ambiente físico, a das interações e processos fisiológicos e a dos eventos comportamentais”. A seguir, têm-se alguns exemplos:
Figura 3 – As Janelas. Fonte: CEDOC/UnB (2010).
A fotografia exposta anteriormente é outro exemplo de como aquilo que a lente registra não é o que o olhar humano percebe, mas o que a mente humana interpreta em relação ao ambiente. Ao observar as janelas, por exemplo, da mesma forma como apresentada na fotografia anterior, tem-se a percepção de profundidade, ficando nítido que a “[...] perspectiva não representa a visão, mas é uma representação desta. Vemos da forma que não representamos, pois o olhar percebe de modo ligeiramente esférico, enquanto a perspectiva é linear” (NEIVA JÚNIOR, 1994, p. 33).
40 Desta forma, temos alguns esclarecimentos quando Neiva Júnior (1994, p. 33) traz o seguinte questionamento: “por que, então somos capazes de perceber uma pintura em perspectiva ou mesmo uma fotografia? Certamente porque fomos treinados para isso”. O que ocorre é que nem sempre o espectador está em condições de fazer tal leitura. De acordo com Baxandall (1991), Gombrich (2007; 2008), Kossoy (2007), Berger (1999), Neiva Júnior (1994) e Panofsky (1995; 2009), é preciso haver bagagem cultural e técnica na leitura e interpretação de uma imagem para os registros imagéticos. Essa habilidade só é adquirida após a formação social e cultural do sujeito – experiências e educação. No entanto, Lopez (2000, p. 43-44) nos traz outro complemento, onde diz que,
[...] é fundamental considerar que tal “leitura” do significado das imagens somente é possível dentro de um contexto histórico-cultural definido, responsável pela atribuição de significados a partir de uma dada linguagem representacional, também constituída historicamente. Ou seja, é preciso entender a representação imagética enquanto produto cultural de uma sociedade, com múltiplas diferenciações entre os diversos grupos sociais.
Nesta colocação, observa-se o fato de a imagem estar presente no contexto cultural, pois a perspectiva já está incorporada as imagens, tanto pictórica quanto na fotografia.